Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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Deve-se considerar para uma melhor interpretação sobre o estudo da História:
“Ciência dos homens”, dissemos. É ainda vago demais. É preciso acrescentar: “dos homens, no tempo”. O historiador não apenas pensa “humano”. A atmosfera em seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração. Decerto, dificilmente imagina-se que uma ciência, qualquer que seja, possa abstrair do tempo. Entretanto, para muitas dentre elas, que, por convenção, o desintegram em fragmentos artificialmente homogêneos, ele representa apenas uma medida. Realidade concreta e viva submetida à irreversibilidade de seu impulso, o tempo da história, ao contrário, é o próprio plasma em que se engastam os fenômenos e como o lugar de sua inteligibilidade.
(BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro. Ed. Jorge Zahar, 2001, p. 55.)
A Escola dos Annales revolucionou a escrita da História com outros olhares na construção de um método histórico que respondesse às questões da sociedade do presente. Para isso, teve que rever todas as categorias de análise do historiador em comparação ao método do século XIX. No trecho acima, Bloch refere-se ao (à):
A história do tempo presente está na intersecção do presente e da longa duração. Esta coloca o problema de se saber como o presente é construído no tempo. Ela se diferencia, portanto, da história imediata porque impõe um dever de mediação. Alguns historiadores, porém, preferem utilizar a noção de história imediata, como é o caso de Jean-François Soulet, que coordena a revista Cadernos de história imediata, outros preferem a noção de história do mundo contemporâneo, como é o caso de Pierre Laborie. Alguns são ainda mais críticos, como é o caso de Antoine Prost para o qual a história do tempo presente não é nada mais do que a história em si, que nada a singulariza e que é, por conseguinte, um “pseudoconceito sem conteúdo verdadeiro”.
(DOSSE, François. História do tempo presente e historiografia, in: Revista Tempo e Argumento. Junho. V. 4 n. 1 p. 5-22, jan/jun. UDESC 2012.)
François Dosse fala, na citação acima, sobre o conceito de História do tempo presente. Considerando que, no século XIX, a História foi considerada uma ciência do passado, que seria construída pelos arquivos oficiais no século XX, temos uma revolução no método da História, e o “passado” passa a ser questionado, tornando o presente em evidência. Logo, estamos falando de:
(..) O olho, a evidência da autópsia, deve prevalecer sobre o ouvido. Esse era o valor da história, como busca da verdade. Grande admiradora Tucídides, a história-ciência do século XIX começou a marcar uma clara cisão do passado e do presente. O que sempre fez de Michelet, um transgressor, ele que atravessou e reatravessou tantas vezes o rio dos mortos. A História devia começar exatamente onde a memória parava: nos arquivos escritos.
(HARTOG, François. Regimes de historicidade: Presentismo e Experiências do tempo. Belo Horizonte, Ed. Autentica, 2013, p. 158.)
Sobre o uso da memória feito pela História, Hartog mostra-nos, na citação acima, que ela passou por vários métodos desde que se transformou em ciência. A história feita pela evidência nos arquivos escritos é do método:
Tendo em vista o excerto acima e conhecendo o conceito de História, pode-se dizer que a história
(PEREIRA, Nilton. PAIM, Elison. Revista do Programa de Pós-graduação em Educação da Unochapecó).
O fragmento acima se refere a uma abordagem teórica do ensino da história. Assinale a alternativa que a representa.
(FONTES HISTÓRICAS: UMA INTRODUÇÃO À SUA DEFINIÇÃO, À SUA FUNÇÃO NO TRABALHO DO HISTORIADOR, E À SUA VARIEDADE DE TIPOS. p. BARROS, José D´Assunção).
Qual movimento surgiu na primeira metade do século XX e transformou profundamente o estatuto de fonte histórica, até então adotado pelos historiadores?
Uma das características dos fundadores dos “Quaderni Storici” é a ampla defesa feita sobre a cientificidade da história produzida dentro das universidades.
Qual dos historiadores abaixo representa o grupo de italianos idealizadores da empreitada microhistoriográfica?
(O FINGIR HISTORIOGRÁFICO: A ESCRITA DA HISTÓRIA ENTRE A CIÊNCIA E A FICÇÃO – GOMES, Warley Alves.)
Destes teóricos relacionados abaixo, qual deles NÃO considera a história uma ciência, mas sim um ramo da literatura?
A ideia de “nação”, largamente difundida no século 19, não era algo espontâneo, mas um produto. Também não era historicamente nova, pois expressava características que membros de grupos humanos muito antigos tinham em comum, ou aquilo que os unia contra “estrangeiros”. Precisava, portanto, ser construída. Daí a importância crucial das instituições que podiam impor uniformidade nacional, que eram principalmente o Estado, especialmente a educação estatal, o emprego estatal e o serviço militar. Com base nesse contexto, julgue (C ou E) o item a seguir.
O paradoxo do nacionalismo era que, ao formar sua
própria nação, automaticamente estavam criando
contra-nacionalismos para aqueles que, a partir de
então, eram forçados à escolha entre a assimilação ou a
submissão.
A ideia de “nação”, largamente difundida no século 19, não era algo espontâneo, mas um produto. Também não era historicamente nova, pois expressava características que membros de grupos humanos muito antigos tinham em comum, ou aquilo que os unia contra “estrangeiros”. Precisava, portanto, ser construída. Daí a importância crucial das instituições que podiam impor uniformidade nacional, que eram principalmente o Estado, especialmente a educação estatal, o emprego estatal e o serviço militar. Com base nesse contexto, julgue (C ou E) o item a seguir.
De fato, para as novas nações-Estados, essas
instituições eram de importância crucial, pois, por
meio delas, a “língua nacional” poderia se transformar
na língua do povo escrita e falada, pelo menos para
algumas finalidades. Por exemplo, a imprensa somente
poderia se transformar em tal quando uma massa
alfabetizada em número suficiente fosse criada.
Considere a seguinte situação abaixo:
Uma professora de História do 6º ano do Ensino Fundamental está explanando sobre os diferentes tipos de tempo. A professora explica: "Esse tempo se refere a contagem de tempo por meio de relógios e calendários, sendo calculado em frações exatas e constantes. Nesse sentido, convencionou-se que um dia têm 24 horas."
Sobre qual tempo a professora se refere em sua
explicação?
Fonte (adaptada): FAUSTINO, R. C.; GASPARIN, J. L. Acta Scientiarum, Maringá, 23(1):157-166, 2001. p. 163.
Sobre qual vertente da filosofia da História refere-se o excerto acima?
1.(__)O ofício do historiador independe de uma análise das fontes históricas. 2.(__)Um dos principais focos dos historiadores é entender as mudanças e permanências na sociedade. 3.(__)O estudo da História possibilita um entendimento acerca das condições da realidade vivida, considerando a atuação do homem enquanto sujeito histórico.
A sequência CORRETA é:
TEXTO 1
Para Pereira (in Magalhães [et al.] 2014, p. 189), “o ensino de História está na centralidade dessa agenda escolar e social, sobretudo por sua vinculação às pautas públicas e ao debate sobre os mecanismos de vivência e luta pela ampliação das formas de participação social e política nos mais variados contextos, em especial no que diz respeito à complexa relação entre direitos humanos e cidadania”.
TEXTO 2
De acordo com Alberti (in PEREIRA [et al.] 2013. p. 28), “a criança e o adolescente que se identificam e são identificados como brancos têm muito a ganhar com um ensino qualificado das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas. Se um menino que se identifica como branco se acha no direito de xingar um colega de classe identificado como negro por causa de sua raça ou cor, esse menino necessita de tanta ajuda quanto seu colega que sofre o preconceito”.
Considere o processo educativo e avalie o que se afirma a respeito desses textos.
( ) O direito à história encaminha-se para a compreensão da história afro-brasileira e indígena contemporânea de maneira positiva, privilegiando passados auráticos da África-mãe e do Período Pré-Cabralino, procurando-se evitar a abertura de cicatrizes já fechadas em nossa sociedade.
( ) A história dos descendentes de africanos e de indígenas também pode ser mais do que um estudo do passado, pois, embora a percepção tardia do passado evidencie o lastro temporal que distancia o narrador e sua época do passado, o presente também pode favorecer uma visão do ocorrido em ponto de observação privilegiado.
( ) A positivação de memórias de ascendência africana e nativo-americanas, dando visibilidade a registros e a imagens negras e indígenas, tendo em vista as dores e ressentimentos históricos advindos de séculos de escravização, objetiva reparar a invisibilidade histórica dessas parcelas da população e os preconceitos raciais decorrentes desse processo.
( ) As reorientações das narrativas fundadoras do Brasil devem buscar a compreensão de dinâmicas sociais mais amplas, em detrimento das trajetórias e biografias de personagens afrodescendentes e indígenas, uma vez que tais abordagens conduzem à exaltação e à mitificação de sujeitos individuais, ao invés de valorizar as lutas de toda a sociedade.
( ) Assim como a ausência de memórias e histórias de um determinado grupo social dificulta construções identitárias positivas pelas pessoas desse grupo, a presença hegemônica, no currículo escolar, de memórias e histórias de um grupo específico pode promover a construção de identidades que alimentem uma percepção de superioridade em relação aos outros grupos sub-representados na cultura escolar.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é