Questões de Concurso Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história

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Q2030323 História
Quanto às linguagens, narrativas históricas, produção e difusão do conhecimento histórico, realize a análise dos itens, julgue-os e assinale a alternativa correta.
I. Conforme Eni Orlandi, uma das principais estudiosas da Análise do Discurso no Brasil, o discurso é a prática da linguagem, isto é, uma narrativa construída a partir de condições históricas e sociais específicas. Para ela, todo discurso materializa determinada ideologia na fala a partir de um idioma específico. Desse modo, todo discurso possui uma ideologia, e é a língua que permite aos indivíduos compreenderem e assimilarem tal ideologia.
II. De acordo com Orlandi, um dos principais componentes do discurso como fala ou narrativa são os significados históricos presentes no imaginário de quem o elabora. Cada discurso é, assim, uma representação do imaginário no qual seu autor está inserido. Mas, embora todo discurso seja proferido por alguém – um indivíduo (ou vários) –, esse sujeito (que pode ser o autor de um texto, por exemplo) não é responsável pelos significados que existem em seu discurso, uma vez que nenhum discurso é de autoria exclusiva de seu autor, já que todos os indivíduos fazem parte da mesma memória coletiva.
III. Para a Análise do Discurso, o importante é saber o que um texto quer dizer, como ele diz o que diz, ou seja, como os elementos linguísticos, históricos e sociais que o compõem fazem sentido dissociadamente.
IV. Outros conceitos fundamentais para a compreensão do discurso são imaginário e memória. A memória coletiva guarda tudo o que já foi dito, tornando possível que possamos dizer tudo de novo, ou entender quando algo for dito por outros. Ou seja, como não somos responsáveis pelos sentidos do discurso, só o entendemos porque esses sentidos já existem antes de nós, em nossa sociedade, na memória coletiva e no imaginário.
V. A Análise do Discurso, em um sentido mais amplo, já é empregada por profissional de História, quando esse coloca a si as seguintes perguntas diante de um documento ou de uma obra histórica: Quem o produziu? Quando foi produzido? Por que foi produzido? Para quem foi produzido? Essas são perguntas simples, mas básicas para entendermos os sentidos que estão além do conteúdo do texto.
ORLANDI, Eni Pulcinelli. Terra à vista: discurso do
confronto – Velho e Novo Mundo. São Paulo/Campinas: Cortez/Ed. Unicamp, 1990. ORLANDI, Eni Pulcinelli. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis: Vozes, 1996. ORLANDI, Eni Pulcinelli.. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 1999
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Q2030322 História
Com base no conceito de “memória” para historiografia, proceda à análise dos itens a seguir, julgue-os e assinale a alternativa correta:


I. Segundo Jacques Le Goff, a memória é a propriedade de conservar certas informações, propriedade que se refere a um conjunto de funções psíquicas que permite ao indivíduo atualizar impressões ou informações passadas, ou reinterpretadas como passadas. O estudo da memória passa da Psicologia à Neurofisiologia, com cada aspecto seu interessando a uma ciência diferente, sendo a memória social um dos meios fundamentais para se abordar os problemas do tempo e da História. II. A memória está nos próprios alicerces da História, confundindo-se com o documento, com o monumento e com a oralidade. Mas só muito recentemente se tornou objeto de reflexão da historiografia. III. Quando os historiadores começaram a se apossar da memória como objeto da História, o principal campo a trabalhá-la foi a História Oral. IV. Para teóricos como Maurice Halbawchs, há inclusive uma nítida distinção entre memória coletiva e memória histórica: pois enquanto existe, segundo ele, uma História, existem muitas memórias. E, enquanto a História representa fatos distantes, a memória age sobre o que foi vivido. Nesse sentido, não seria possível trabalharmos a memória como documento histórico. Essa posição hoje é inclusive aceita pela maior parte dos historiadores. V. Antônio Montenegro considera que apesar de haver uma distinção entre memória e História, essas são inseparáveis, pois se a História é uma construção que resgata o passado do ponto de vista social, é também um processo que encontra paralelos em cada indivíduo por meio da memória.

HALBWACHS, Maurice (1877-1945). A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990 LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Ed. Unicamp, 1994 MONTENEGRO, Antonio Torres. História oral e memória: a cultura popular revisitada. São Paulo: Contexto, 2001.
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Q2030321 História
A proliferação de narrativas falsas coloca em questão não só a Geografia e as Ciências Naturais. A História enfrenta essa mesma praga, levando os professores a se perguntar: em época de fake News, como ensinar História? (FUNARI, 2021, p. 116)

A partir da questão apresentada pelo Historiador Pedro Paulo Funari, proceda à análise dos itens, julgue-os e assinale a alternativa correta:


I. O anacronismo constitui meio privilegiado dessa manipulação [fake news], na medida em que o passado, presente e futuro são misturados, tomando tempos diferentes como iguais (este é o sentido da palavra anacronismo, ana = contra, cronos = tempo). II. Um anacronismo evidente é a ideia de que os seres humanos vivem e sempre viveram para minimizar os custos e maximizar os lucros. Esse princípio do capitalismo, compreensível para os dias de hoje, seria algo universal, fora do tempo, da história e da cultura. III. A história acaba sendo alvo privilegiado de pessoas e grupos que procuram manipular seus relatos a favor ou contra isso ou aquilo, muitas vezes distorcendo informações, inventando ou mentindo, reduzindo a história a questões narrativas e esvaziando desta o teor científico. IV. Os grupos ou pessoas que disseminam fake news tendem a sustentar que os valores capitalistas não são uma constante na história, desde sempre e para sempre, como se fizessem parte da natureza das coisas. V. O ensino de História pode servir para mostrar um passado às vezes pouco conhecido, mas bem presente nas fontes escritas ou materiais, de forma a questionar diversas ”verdades” de invenção recente, simples fake news. Por meio da busca de um passado mais complexo, diferente e variado, descobrimos que é possível lutar por um futuro melhor.

PINSKY, Jaime, BASSANEZI, Carla. FICO Carlos (org) Novos combates pela História: desafios - ensino [et al]. - São Paulo: Contexto, 2021. 256p.:il.
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Q2030320 História

Os itens de I a V tratam da Escola dos Annales (1929-1989) na perspectiva de Peter Burke. 


Considerando esta visão proceda à análise, julgue e assinale a alternativa correta:



I. Na perspectiva de Peter Burke, a mais importante contribuição do grupo dos Annales, incluindo-se as três gerações, foi expandir o campo da história por diversas áreas. O grupo ampliou o território da história, abrangendo áreas inesperadas do comportamento humano e a grupos sociais negligenciados pelos historiadores tradicionais.

II. Olhando o movimento como um todo, percebemos uma grande quantidade de livros notáveis aos quais é difícil negar o título de obras primas: Les Rois Thaumaturges, Société Féodale, Le probléme de I’incroyance, Le Méditerrannée, Les Paysans de Languedoc, Civilisation et Capitalisme.

III. A tensão entre sociologia durkheimiana e a geografia humana de Vidal de la Blache é tão antiga que pode ser considerada como parte integrante da estrutura dos Annales. A tradição durkheimiana concentrou-se no que era único para uma região particular, enquanto a perspectiva vidaliana incentivou a generalização e a comparação. IV. Burke defende que o aparente conflito entre liberdade e determinismo, ou entre estruturas sociais e ação humana, embora tenham concepção paradoxais, não foi fator de divisão entre os historiadores do grupo.

V. Dentre os caminhos a serem utilizados para se avaliar o movimento dos Annales temos a análise de suas ideias predominantes. De acordo com um estereótipo comum ao grupo, eles estavam preocupados com a história das estruturas na longa duração, utilizavam métodos quantitativos, diziam-se científicos e negavam a liberdade humana. 



BURKE, Peter. A Escola dos Annales (1929-1989): A

Revolução Francesa da historiografia/ Peter Burke; tradução

Nilo Odalia. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 2011.

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Q2030312 História
Leia o texto para analisar os itens abaixo:

“Toda escolha e o encadeamento de fatos pertencentes a qualquer grande área da história, seja local ou mundial, história de uma raça ou de uma classe, são inexoravelmente controlados por um quadro de referência na mente do que seleciona ou reúne os fatos. Este quadro de referência inclui coisas consideradas necessárias, coisas consideradas possíveis, e coisas consideradas desejáveis. Pode ser vasto, informado por profundos conhecimentos, e iluminado por uma vasta experiência; ou pode ser pequeno, desinformado, e não iluminado. Pode ser uma grande concepção da história ou numa simples complicação de pontos confusos. Mas está lá na mente, inexoravelmente. Repitamos segundo Croce: quando a grande filosofia é ostensivamente colocada na porta da frente da mente, então os preconceitos estreitos, de classe, provinciais e regionais entram pela porta dos fundos e dominam, talvez apenas meio inconscientemente, o pensamento do historiador. 

BEARD, Charles. “Written history as an act of faith”, in American Historical Review 39, no. 2, p. 227.
Alternativas
Q2030304 História
“A história deve se iniciar por pequenos contos históricos que [serviriam] para despertar a curiosidade dos alunos, interessá-los nesse gênero de estudos; depois vem as notícias biográficas dos personagens célebres – episódios importantes da história de cada povo, noções sobre a origem, vida e costumes de cada um – um esboço geral da história universal, com o desenvolvimento de certas épocas que mereçam estudos especiais. ”
Proposta de um educador sobre o ensino de História para as escolas elementares, em 1879.

BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Ensino de história: fundamentos e métodos. 4ª edição. São Paulo: Cortez, 2011, p. 92.


A respeito da história do ensino da história no Brasil, julgue os itens, assinalando a alternativa correta
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Q2012086 História

Para o professor de História é fundamental conectar os personagens históricos ao tempo cronológico, ao espaço de desenvolvimento de suas ações e aos contextos históricos, que envolvem disciplina e requer um amplo conhecimento do educador. A imagem a seguir apresenta o personagem Bjorn Ironside Vikings. Bjorn representa um guerreiro viking que provavmente viveu entre os séculos VIII e XI.

Imagem associada para resolução da questão


Nessa imagem há um grave erro histórico. Assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q2012081 História
O que é Patrimônio Cultural? Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2004197 História
O historiador não apenas pensa “humano”. A atmosfera que seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração. Decerto, dificilmente imagina-se que uma ciência, qualquer que seja, possa abstrair do tempo. Entretanto, para muitas dentre elas, que, por convenção, o desintegram em fragmentos artificialmente homogêneos, ele representa apenas uma medida.
BLOCH, Marc. Apologia da História: ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p.55.
Uma preocupação constante da historiografia é a reflexão sobre História e tempo.
Sobre essa relação, é correto afirmar que:
Alternativas
Q2004191 História
“…a história não é apenas uma ciência em marcha. É também uma ciência na infância: como todas aquelas que têm por objetivo o espírito humano…”
BLOCH, Marc. Apologia da História: ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p.47.
Assinale a alternativa correta a respeito da escola dos Annales. 
Alternativas
Q2004187 História
Não se escapa do passado. Ele é construído a partir de conceitos que nós empregamos para lidar com o dia a dia do mundo físico e social. Algumas vezes os conceitos encapsulam o passado sob a forma de processos causais (ex. “árvore”, “mãe”, “bombas”). Algumas vezes, é envolvido um passado institucional – no caso de se falar em um governo ou uma criança ilegal, ou em casos que alguns critérios de legitimidade não foram encontrados.
LEE, Peter. Por que aprender História? Educar em Revista: Curitiba. UFPR. N. 42, out./dez. 2001. p. 20.
Assinale a alternativa correta a respeito do estudo sobre o passado, a historicidade e a História.
Alternativas
Q1929969 História
            A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem em uma espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca.

Eric Hobsbawm. Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991).
São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 13 (com adaptações). 

Tendo o texto acima apenas como referência inicial, julgue o item.


Na contemporaneidade, a ideologização do passado foi instrumento de poder usado por regimes de força, o que levou a uma única interpretação da história e ao silêncio em torno de tudo aquilo que pudesse contestar os donos do poder.

Alternativas
Q1929968 História
            A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem em uma espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca.

Eric Hobsbawm. Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991).
São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 13 (com adaptações). 

Tendo o texto acima apenas como referência inicial, julgue o item.


As modernas metodologias de ensino-aprendizagem sugerem que a história, como disciplina escolar na educação básica, se prenda ao estudo do passado, desvinculando-o do tempo presente.

Alternativas
Q1929967 História
            A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem em uma espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca.

Eric Hobsbawm. Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991).
São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 13 (com adaptações). 

Tendo o texto acima apenas como referência inicial, julgue o item.


Em face das circunstâncias do mundo contemporâneo, o professor de história está sendo estimulado a se fixar nos grandes personagens e na cronologia, afastando-se da preocupação analítica e da conexão entre os fatos.

Alternativas
Q1883634 História
O professor de história, em sala de aula, tem como missão apresentar e desmistificar conceitos. Sendo assim, é natural as expressões históricas carregadas de significado e historicidade. Portanto, com base nesse arcabouço interpretativo, assinale a alternativa que representa a designação de idade moderna, considerando as historiografias históricas.
Alternativas
Q1877902 História
Acerca da transversalidade no ensino de história, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem que:
Alternativas
Q1877901 História
"Outra exigência imperativa é de que a História e a Cultura da África devem pelo menos ser vistas de dentro, não sendo medidas por réguas de valores estranhos... Mas essas conexões têm que ser analisadas nos termos de trocas mútuas, e influências multilaterais em que algo seja ouvido da contribuição africana para o desenvolvimento da espécie humana".

Fonte (adaptada): J. Ki-Zerbo, História Geral da África , vol. I, p. LII apud UNESCO. História geral da África, VII: África sob dominação colonial, 1880-1935, 2.ed. rev., Brasília: UNESCO, 2010, p. VII.
De acordo com o texto, marque a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Q1877898 História
"Os paradigmas do positivismo, do historicismo e, mais tarde do materialismo histórico, irão compor o grande bloco teórico que dão base ao saber histórico científico e a 'matriz disciplinar' da História será sistematizada".
BARROS, José D'Assunção. Teoria da História. Vol. II. Petrópolis: Vozes, 2012, p. 24.

Acerca da Teoria da História, relacione a coluna 1 com a coluna 2: 

Coluna 1
(1)Positivismo. (2)Historicismo. (3)Materialismo histórico. 

Coluna 2
( )Foi proposto por Karl Marx e começou a ser organizado em torno da possibilidade de construir uma escrita da história que contribuísse para o desenvolvimento humano.
( )Um de seus maiores representantes foi Auguste Comte, que aliava as ideias de progresso e o conceito de ordem.
( )Desenvolvido por Wilhelm Dilthey, o método dada um caráter histórico a toda a existência humana.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q1877895 História
No início do século XX, historiadores franceses propuseram uma renovação da tradição historiográfica até então vigente. As pesquisas da Escola dos Annales influíram diretamente na maneira como os especialistas atualmente lidam com a História Medieval.

Marque a alternativa que NÃO representa reflexões dos historiadores da Escola dos Annales acerca do medievo: 
Alternativas
Q1877894 História
Escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso, o que se afirma nos itens abaixo sobre fontes históricas:

1.( )Uma das principais características metodológicas da perspectiva positivista é o uso de fontes oficiais.
2.( )Nos dias atuais, podem ser consideradas fontes para a História, dentre outras, as mídias digitais.
3.( )A oralidade não podem ser considerada fonte histórica.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Respostas
841: D
842: B
843: A
844: C
845: B
846: C
847: C
848: A
849: D
850: B
851: A
852: C
853: E
854: E
855: C
856: D
857: B
858: D
859: C
860: C