Questões de Concurso
Sobre o sujeito moderno em filosofia
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Considerando esse objetivo, analise os itens a seguir.
I. Explorar posições que distinguem os campos da razão e da revelação sem tratá-los como necessariamente contraditórios.
II. Discutir como a argumentação racional foi empregada por filósofos medievais na reflexão sobre conteúdos da fé.
III. Apresentar a conciliação entre fé e razão como dependente da demonstração racional de toda verdade revelada.
Está correto o que se afirma em
Durante uma aula sobre Sartre, os estudantes afirmam que, se o ser humano é livre, então a presença dos outros não tem qualquer relevância para sua existência. O professor percebe que a turma ainda não compreendeu adequadamente a relação entre liberdade e alteridade no pensamento do filósofo e decide aprofundar essa explicação.
Considerando os aspectos do pensamento de Sartre que devem ser esclarecidos, analise os itens a seguir.
I. Confirmar a conclusão da turma, definindo a liberdade como a plena independência do sujeito em relação aos demais.
II. Analisar uma situação em que alguém, surpreendido sob o olhar alheio, descobre-se também como objeto para outrem.
III. Mostrar que a presença do outro afeta o modo como o sujeito se apreende, sem por isso suprimir sua liberdade.
Assinale a opção que identifica os itens compatíveis com a intervenção pedagógica do professor.
No período moderno, diferentes filósofos divergiram quanto ao número e à natureza das substâncias, isto é, das realidades consideradas fundamentais para explicar tudo o que existe.
Assinale a opção que identifica corretamente um filósofo dualista e sua posição.
Em uma discussão sobre liberdade e responsabilidade moral, um estudante afirma que, se as ações humanas decorrem necessariamente de causas anteriores, ninguém pode ser considerado livre nem responsável pelo que faz. Ao analisar a argumentação apresentada, o professor percebe que o aluno identifica liberdade com ausência de determinação causal. Como resposta, ele decide abordar um autor cuja posição filosófica demonstra a compatibilidade entre eles.
Assinale a opção que apresenta o autor cuja posição filosófica sustenta a compatibilidade entre liberdade e determinação causal.
Se a verdade reside na concordância de um conhecimento com o seu objeto, então esse objeto tem de ser distinguido de outros; pois um conhecimento é falso quando não concorda com o objeto a que é referido, mesmo que contenha algo que poderia perfeitamente valer acerca de outros objetos. Um critério universal da verdade seria, então, aquele que fosse válido a respeito de todos os conhecimentos independentemente de seus objetos. É evidente, no entanto, que, na medida em que se faz aí abstração de todo o conteúdo do conhecimento (referência ao objeto), e tendo em vista que a verdade diz respeito justamente a tal conteúdo, é inteiramente impossível e absurdo perguntar-se por uma característica da verdade desse conteúdo dos conhecimentos; e é evidente, portanto, que seria impossível fornecer um índice suficiente e ao mesmo tempo universal da verdade.
KANT, I. Crítica da razão pura. Petrópolis, RJ: Vozes; Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco, 2015.
Na análise de textos filosóficos, distinguem-se as teses defendidas e os argumentos mobilizados.
Assinale a opção que apresenta corretamente essa distinção para o trecho citado.
Ao teorizar sobre as condições transcendentais do conhecimento, a filosofia crítica de Kant ofereceu uma resposta aos limites que havia identificado tanto na posição empirista quanto na posição racionalista.
Assinale a opção que expressa corretamente a posição crítica.
De onde vieram os princípios racionais (identidade, não contradição, terceiro excluído e razão suficiente)? De onde veio a capacidade para a intuição (razão intuitiva) e para o raciocínio (razão discursiva)? Nascemos com eles? Ou nos seriam dados pela educação e pelo costume? Seriam algo próprio dos seres humanos, constituindo a natureza deles, ou seriam adquiridos através da experiência? Durante séculos, a Filosofia ofereceu duas respostas a essas perguntas. A primeira ficou conhecida como inatismo e a segunda, como empirismo.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2000, p. 85.
As duas respostas apresentadas podem ser associadas aos enfoques filosóficos distintos de René Descartes e de Francis Bacon. Com base na perspectiva filosófica desses dois pensadores, julgue (C ou E) o item a seguir.
De onde vieram os princípios racionais (identidade, não contradição, terceiro excluído e razão suficiente)? De onde veio a capacidade para a intuição (razão intuitiva) e para o raciocínio (razão discursiva)? Nascemos com eles? Ou nos seriam dados pela educação e pelo costume? Seriam algo próprio dos seres humanos, constituindo a natureza deles, ou seriam adquiridos através da experiência? Durante séculos, a Filosofia ofereceu duas respostas a essas perguntas. A primeira ficou conhecida como inatismo e a segunda, como empirismo.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2000, p. 85.
As duas respostas apresentadas podem ser associadas aos enfoques filosóficos distintos de René Descartes e de Francis Bacon. Com base na perspectiva filosófica desses dois pensadores, julgue (C ou E) o item a seguir.
“Nascido em 1902, estudante de Matemática, Física e Filosofia na Universidade de Viena, Popper manteve contatos estreitos com os membros do Círculo [de Viena], sofrendo influência principalmente de Carnap, o que não impediu que recusasse muitas das teses mais características do Empirismo Lógico”. Luís dos Santos in POPPER, Karl. A lógica da investigação científica. Tradução de Pablo Mariconda e Paulo de Almeida. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p. VI.
Na perspectiva de Karl Popper, o que distingue teorias científicas das pseudocientíficas é:
Usando as informações precedentes como referência inicial, de acordo com Hume, os princípios básicos de conexão entre as ideias seriam:
Boa física é feita a priori. Teoria precede fato. Experiência é inútil, pois antes de ser realizada nós já possuímos o conhecimento que estamos buscando. Leis fundamentais do movimento e repouso, leis que determinam o comportamento espaço-temporal de corpos materiais, são formuladas segundo princípios abstratos e relações numéricas. Da mesma natureza daquelas que governam relações e leis das figuras e números. Nós as encontramos não na Natureza, mas em nós mesmos, em nossa mente, assim como Platão nos ensinou muito tempo atrás.
Adaptado de KOYRE, A. Galileo and the scientific revolution of the seventeenth century. Philosophical Review, v. 52, n. 4, 1943, p. 347.
Com base no trecho, assinale a opção que identifica o fundamento epistemológico da Revolução Científica do século XVII descrito por Galileu.
I. O termo Antropoceno mantém uma distância produtiva em relação à ideia de “Homem”, que é uma construção moderna. “Homem” não significa apenas humanos, mas um tipo específico de ser formulado pelo Iluminismo e por processos de modernização e regulação estatal. Foi esse “Homem” que produziu o estado atual do mundo. Incorporar essa dimensão no termo Antropoceno pode permitir refletir sobre a contradição de buscar soluções no mesmo agente que produziu os problemas. Compartilho das preocupações quanto ao Antropoceno como uma forma de arrogância de que o mundo atual seria resultado da ação de uma única espécie. Ao mesmo tempo, o conceito contém uma contradição produtiva que pode ser explorada. Justamente por ainda ser múltiplo e indefinido, o Antropoceno mantém um potencial.
Adaptado de TSING, Anna. Anthropologists Are Talking – About the Anthropocene. Ethnos, vol. 81:3, 2016, p. 541.
II. Designar o período atual como Antropoceno significa dizer a todas as demais disciplinas que a tarefa de articular “antropologia física” e “antropologia cultural” já não é mais exclusiva da antropologia. Todos estão agora convergindo para enfrentar a mesma experiência que a antropologia vivenciou desde o início do século XIX: como fazer coexistir ossos e divindades. Poder-se-ia objetar que não há motivo para entusiasmo diante da repetição do antigo e desgastado embate entre dimensões “físicas” e “sociais” na definição da evolução e da existência humana. Concordo. No entanto, o conceito de Antropoceno introduz um terceiro elemento com potencial para subverter esse quadro: ao afirmar que a agência humana se tornou a principal força geológica que molda a Terra, coloca-se a questão da responsabilidade.
Adaptado de LATOUR, Bruno. Anthropology at the Time of the Anthropocene - a personal view of what is to be studied. Lecture in American Association of Anthropologists, 2014, pp.3-4.
Com base nos trechos, assinale a opção que apresenta corretamente as interpretações dos autores sobre o conceito de Antropoceno.
(René Descartes. Meditações sobre a Filosofia Primeira, 2004. Adaptado)
No trecho da Quarta Meditação, Descartes examina a origem do erro. Segundo seu argumento, o erro decorreria de
“Mas o que sou eu, portanto? Uma coisa que pensa. Que é uma coisa que pensa? É uma coisa que duvida, que concebe, que afirma, que nega, que quer, que não quer, que imagina também e que sente. Certamente não é pouco se todas essas coisas pertencem à minha natureza. Mas por que não lhe pertenceriam? Não sou eu próprio esse mesmo que duvida de quase tudo, que, no entanto, entende e concebe certas coisas, que assegura e afirma que somente tais coisas são verdadeiras, que nega todas as demais, que quer e deseja conhecê-las mais, que não quer ser enganado, que imagina muitas coisas, mesmo mau grado seu, e que sente também muitas como que por intermédio dos órgãos do corpo? Haverá algo em tudo isso que não seja tão verdadeiro quanto é certo que sou e que existo, mesmo se dormisse sempre e ainda quando aquele que me deu a existência se servisse de todas as suas forças para enganar-me? [...] Que assim seja; todavia, ao menos, é muito certo que me parece que vejo, que ouço e que me aqueço; e é propriamente aquilo que em mim se chama sentir e isto, tomado assim precisamente, nada é senão pensar. Donde, começo a conhecer o que sou, com um pouco mais de luz e de distinção do que anteriormente” (DESCARTES, R. Meditações. In.: Descartes. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979. Col. Os Pensadores, p. 95).
Tendo como referência este texto do filósofo René Descartes (1596-1650) e as suas contribuições para a teoria do conhecimento, marque a alternativa que apresenta corretamente as concepções da filosofia cartesiana.
“O que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define” (SARTRE. J. P. O existencialismo é um humanismo. In: Sartre. São Paulo: Abril Cultural. (Col. Os Pensadores). 1978, p. 6).
Acerca da tese sartreana de que a existência precede a essência, analise as afirmações a seguir.
I – Ao dizer que a existência precede a essência, Sartre argumenta que os seres humanos não possuem uma essência anterior.
II – Se não há uma essência dada como princípio de determinação do ser humano, então, antes de existir o homem é o nada.
III – A antecedência ontológica da existência sobre a essência indica que o modo como o sujeito constrói a sua vida determinará o que ele é.
IV – O existencialismo de Sartre, ao negar a antecedência da essência sobre a existência, tem como consequência a afirmação da liberdade humana.
Assinale a alternativa correta:
“a verdade é uma noção tão transcendentalmente clara que é impossível ignorá-la [...] com efeito, existem meios de examinar uma balança antes de usá-la, mas não existiriam meios de apreender o que é a verdade se nós não a conhecêssemos naturalmente.” (DESCARTES, R. Carta a Mersenne de 16 de outubro de 1639. Apud: FORLIN, E. A teoria cartesiana da verdade. São Paulo: Associação Editorial Humanitas; Ijuí: Ed. Unijuí/Fapesp, 2005. pp. 29-30).
Esse conhecimento primeiro sobre a verdade ganha diferentes versões ao longo do processo meditativo de Descartes.
A este respeito considere as seguintes assertivas:
I – Um primeiro critério de verdade utilizado por Descartes em sua meditação é a indubitabilidade. Ou, inversamente, tudo aquilo sobre o qual repousar a menor dúvida será tomado como falso.
II – Na enunciação do Cogito, a certeza que o indivíduo tem sobre sua própria existência desempenha o papel de critério de verdade. A indubitabilidade do Cogito decorre desta certeza absoluta que o indivíduo tem sobre sua própria existência.
III – A partir do Cogito, a certeza do sujeito torna- -se critério de verdade para qualquer proposição.
IV – Por fim, Descartes estabelece como regra geral que todas as coisas conhecidas claras e distintamente são verdadeiras.
Assinale a alternativa que contenha unicamente as assertivas verdadeiras: