Questões Militares Sobre interpretação de textos em português

Foram encontradas 7.664 questões

Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334462 Português
Domingo do calulu


        Há regressos assim. Sem sair do lugar, me dou por regressado a Benguela1 através da cozinha, juntando no refogado restos de uma identidade adormecida. A minha cultura! Afinal, de que sou feito?, ainda ontem me perguntaram; deve ser por causa do sotaque, ou da falta dele. Pode vos parecer disparatado e absurdo, mas a verdade é que me questionam várias vezes sobre a minha angolanidade: há quanto tempo não vais a Angola?, qual foi a última vez que lá foste?

     A receita nunca me foi ensinada, por isso vou acrescentando, improvisando, tal como o cozinhador João Carlos Silva, tal qual um Avillez, manuseando a faca com a mestria de um samurai. Tenho o tacho de boca larga, inoxidável e um tanto reluzente demais, comparando com aquelas velhas panelas pretas, calcinadas de tanto irem ao fogo, e que passavam de geração em geração, encerrando em si histórias de refeições memoráveis que duravam tardes inteiras. Começo por refogar metade de uma cebola picada em óleo de palma, depois o tomate maduro cortado aos cubos, as postas de corvina seca e fresca, as beringelas aos quadrados, a folha de louro. Deixo repousar sobre o lume brando alguns instantes antes de colocar o resto da cebola e do tomate, assim como os espinafres, que, apesar de aparecerem a substituir as folhas de rama (impossíveis de encontrar fora de Angola), ainda assim quebram o galho.

         Já cheira a calulu2 , já consigo viajar até Benguela. Às vezes, pergunto-me como consigo resistir à distância, eu que nem sou de me entregar à saudade, que vivo bem sem o funge3 , a bandeira gastronômica dos angolanos. Não sei responder e foi preciso implorarem-me para cozinhar algo tipicamente angolano para revisitar velhas receitas familiares que agora, tal como um álbum de fotografias, me trazem lugares, rostos, conversas que julgava perdidas.

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa:  Crônicas, 218. Adaptado)


Vocabulário:

1 Benguela: província de Angola, na África.

2 calulu: espécie de ensopado de peixe preparado com quiabo, abóbora, beringela, temperos e azeite de dendê.

3 funge: pirão de farinha de mandioca ou milho com um caldo.
Assinale a alternativa em que o termo destacado está empregado em sentido figurado.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334461 Português
Domingo do calulu


        Há regressos assim. Sem sair do lugar, me dou por regressado a Benguela1 através da cozinha, juntando no refogado restos de uma identidade adormecida. A minha cultura! Afinal, de que sou feito?, ainda ontem me perguntaram; deve ser por causa do sotaque, ou da falta dele. Pode vos parecer disparatado e absurdo, mas a verdade é que me questionam várias vezes sobre a minha angolanidade: há quanto tempo não vais a Angola?, qual foi a última vez que lá foste?

     A receita nunca me foi ensinada, por isso vou acrescentando, improvisando, tal como o cozinhador João Carlos Silva, tal qual um Avillez, manuseando a faca com a mestria de um samurai. Tenho o tacho de boca larga, inoxidável e um tanto reluzente demais, comparando com aquelas velhas panelas pretas, calcinadas de tanto irem ao fogo, e que passavam de geração em geração, encerrando em si histórias de refeições memoráveis que duravam tardes inteiras. Começo por refogar metade de uma cebola picada em óleo de palma, depois o tomate maduro cortado aos cubos, as postas de corvina seca e fresca, as beringelas aos quadrados, a folha de louro. Deixo repousar sobre o lume brando alguns instantes antes de colocar o resto da cebola e do tomate, assim como os espinafres, que, apesar de aparecerem a substituir as folhas de rama (impossíveis de encontrar fora de Angola), ainda assim quebram o galho.

         Já cheira a calulu2 , já consigo viajar até Benguela. Às vezes, pergunto-me como consigo resistir à distância, eu que nem sou de me entregar à saudade, que vivo bem sem o funge3 , a bandeira gastronômica dos angolanos. Não sei responder e foi preciso implorarem-me para cozinhar algo tipicamente angolano para revisitar velhas receitas familiares que agora, tal como um álbum de fotografias, me trazem lugares, rostos, conversas que julgava perdidas.

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa:  Crônicas, 218. Adaptado)


Vocabulário:

1 Benguela: província de Angola, na África.

2 calulu: espécie de ensopado de peixe preparado com quiabo, abóbora, beringela, temperos e azeite de dendê.

3 funge: pirão de farinha de mandioca ou milho com um caldo.
Na passagem “... encerrando em si histórias de refeições memoráveis que duravam tardes inteiras.” (2o parágrafo), os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334460 Português
Domingo do calulu


        Há regressos assim. Sem sair do lugar, me dou por regressado a Benguela1 através da cozinha, juntando no refogado restos de uma identidade adormecida. A minha cultura! Afinal, de que sou feito?, ainda ontem me perguntaram; deve ser por causa do sotaque, ou da falta dele. Pode vos parecer disparatado e absurdo, mas a verdade é que me questionam várias vezes sobre a minha angolanidade: há quanto tempo não vais a Angola?, qual foi a última vez que lá foste?

     A receita nunca me foi ensinada, por isso vou acrescentando, improvisando, tal como o cozinhador João Carlos Silva, tal qual um Avillez, manuseando a faca com a mestria de um samurai. Tenho o tacho de boca larga, inoxidável e um tanto reluzente demais, comparando com aquelas velhas panelas pretas, calcinadas de tanto irem ao fogo, e que passavam de geração em geração, encerrando em si histórias de refeições memoráveis que duravam tardes inteiras. Começo por refogar metade de uma cebola picada em óleo de palma, depois o tomate maduro cortado aos cubos, as postas de corvina seca e fresca, as beringelas aos quadrados, a folha de louro. Deixo repousar sobre o lume brando alguns instantes antes de colocar o resto da cebola e do tomate, assim como os espinafres, que, apesar de aparecerem a substituir as folhas de rama (impossíveis de encontrar fora de Angola), ainda assim quebram o galho.

         Já cheira a calulu2 , já consigo viajar até Benguela. Às vezes, pergunto-me como consigo resistir à distância, eu que nem sou de me entregar à saudade, que vivo bem sem o funge3 , a bandeira gastronômica dos angolanos. Não sei responder e foi preciso implorarem-me para cozinhar algo tipicamente angolano para revisitar velhas receitas familiares que agora, tal como um álbum de fotografias, me trazem lugares, rostos, conversas que julgava perdidas.

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa:  Crônicas, 218. Adaptado)


Vocabulário:

1 Benguela: província de Angola, na África.

2 calulu: espécie de ensopado de peixe preparado com quiabo, abóbora, beringela, temperos e azeite de dendê.

3 funge: pirão de farinha de mandioca ou milho com um caldo.
Em seu relato, o cronista recorre a uma comparação para referir-se a uma ação na passagem:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: VUNESP Órgão: PM-SP Prova: VUNESP - 2026 - PM-SP - Aluno-Soldado PM |
Q4334459 Português
Domingo do calulu


        Há regressos assim. Sem sair do lugar, me dou por regressado a Benguela1 através da cozinha, juntando no refogado restos de uma identidade adormecida. A minha cultura! Afinal, de que sou feito?, ainda ontem me perguntaram; deve ser por causa do sotaque, ou da falta dele. Pode vos parecer disparatado e absurdo, mas a verdade é que me questionam várias vezes sobre a minha angolanidade: há quanto tempo não vais a Angola?, qual foi a última vez que lá foste?

     A receita nunca me foi ensinada, por isso vou acrescentando, improvisando, tal como o cozinhador João Carlos Silva, tal qual um Avillez, manuseando a faca com a mestria de um samurai. Tenho o tacho de boca larga, inoxidável e um tanto reluzente demais, comparando com aquelas velhas panelas pretas, calcinadas de tanto irem ao fogo, e que passavam de geração em geração, encerrando em si histórias de refeições memoráveis que duravam tardes inteiras. Começo por refogar metade de uma cebola picada em óleo de palma, depois o tomate maduro cortado aos cubos, as postas de corvina seca e fresca, as beringelas aos quadrados, a folha de louro. Deixo repousar sobre o lume brando alguns instantes antes de colocar o resto da cebola e do tomate, assim como os espinafres, que, apesar de aparecerem a substituir as folhas de rama (impossíveis de encontrar fora de Angola), ainda assim quebram o galho.

         Já cheira a calulu2 , já consigo viajar até Benguela. Às vezes, pergunto-me como consigo resistir à distância, eu que nem sou de me entregar à saudade, que vivo bem sem o funge3 , a bandeira gastronômica dos angolanos. Não sei responder e foi preciso implorarem-me para cozinhar algo tipicamente angolano para revisitar velhas receitas familiares que agora, tal como um álbum de fotografias, me trazem lugares, rostos, conversas que julgava perdidas.

(Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa:  Crônicas, 218. Adaptado)


Vocabulário:

1 Benguela: província de Angola, na África.

2 calulu: espécie de ensopado de peixe preparado com quiabo, abóbora, beringela, temperos e azeite de dendê.

3 funge: pirão de farinha de mandioca ou milho com um caldo.
Para o cronista, a preparação do calulu desencadeou
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-RR Prova: IDECAN - 2026 - PM-RR - Sargento QPC PM - Geral |
Q4322078 Português
Texto para a questão.


DESAFIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA E A NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO INSTITUCIONAL


    A segurança pública ocupa posição central nos debates contemporâneos sobre democracia, cidadania e governabilidade. Em um contexto marcado pela expansão das organizações criminosas e pela crescente sensação de insegurança da população, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de construção de políticas públicas capazes de articular diferentes níveis de governo e instituições estatais. Nesse cenário, o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública surge como uma proposta voltada à ampliação da coordenação entre os diversos órgãos responsáveis pela prevenção e repressão da criminalidade.

    Entre os principais desafios enfrentados pelo país encontra-se a dificuldade histórica de integração entre União, estados e municípios. Embora as competências de cada ente federativo estejam definidas constitucionalmente, a fragmentação de informações, estratégias e procedimentos frequentemente compromete a eficiência das ações de segurança. Por essa razão, especialistas têm defendido mecanismos que permitam maior cooperação institucional sem que sejam desconsideradas as autonomias administrativas previstas no pacto federativo.

    Outro aspecto relevante refere-se ao enfrentamento do crime organizado, fenômeno que ultrapassa fronteiras estaduais e nacionais. O tráfico de drogas, o contrabando, a lavagem de dinheiro e outras modalidades criminosas estruturam-se em redes complexas que exigem respostas igualmente articuladas. Nesse contexto, diversos especialistas têm argumentado que a troca permanente de informações entre forças policiais, órgãos de inteligência e instituições de controle constitui um dos caminhos mais promissores para ampliar a capacidade investigativa do Estado.

    Paralelamente às medidas operacionais, o debate sobre segurança pública também envolve a preservação dos princípios democráticos e dos direitos fundamentais. Muitos estudiosos têm advertido que o combate à criminalidade não pode ser conduzido de forma dissociada das garantias constitucionais, sob pena de enfraquecimento das próprias bases do Estado Democrático de Direito. Assim, a busca por eficiência deve ser acompanhada de mecanismos de controle, transparência e respeito aos direitos humanos.

    Diante desse panorama, a consolidação de uma política nacional de segurança pública dependerá da capacidade de integração entre instituições, da cooperação entre os entes federativos e do compromisso permanente com os valores democráticos. Mais do que ampliar estruturas administrativas, o desafio consiste em construir estratégias duradouras que articulem prevenção, inteligência e repressão qualificada, fortalecendo a confiança social e contribuindo para a redução sustentável da criminalidade.


Texto adaptado de: Desafios da Política Nacional de Segurança Pública, com Mario Sarrubbo. Fundação Fernando Henrique Cardoso. Disponível em: https://fundacaofhc.org.br/debate/desafios-da-politica-nacional-de-seguranca-publica-com-mario- sarrubbo. Acesso em: 15 jun. 2026.
A construção da progressão temática constitui elemento fundamental para a organização textual. Considerando as estratégias de coesão e coerência empregadas no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-RR Prova: IDECAN - 2026 - PM-RR - Sargento QPC PM - Geral |
Q4322074 Português
Texto para a questão.


DESAFIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA E A NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO INSTITUCIONAL


    A segurança pública ocupa posição central nos debates contemporâneos sobre democracia, cidadania e governabilidade. Em um contexto marcado pela expansão das organizações criminosas e pela crescente sensação de insegurança da população, torna-se cada vez mais evidente a necessidade de construção de políticas públicas capazes de articular diferentes níveis de governo e instituições estatais. Nesse cenário, o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública surge como uma proposta voltada à ampliação da coordenação entre os diversos órgãos responsáveis pela prevenção e repressão da criminalidade.

    Entre os principais desafios enfrentados pelo país encontra-se a dificuldade histórica de integração entre União, estados e municípios. Embora as competências de cada ente federativo estejam definidas constitucionalmente, a fragmentação de informações, estratégias e procedimentos frequentemente compromete a eficiência das ações de segurança. Por essa razão, especialistas têm defendido mecanismos que permitam maior cooperação institucional sem que sejam desconsideradas as autonomias administrativas previstas no pacto federativo.

    Outro aspecto relevante refere-se ao enfrentamento do crime organizado, fenômeno que ultrapassa fronteiras estaduais e nacionais. O tráfico de drogas, o contrabando, a lavagem de dinheiro e outras modalidades criminosas estruturam-se em redes complexas que exigem respostas igualmente articuladas. Nesse contexto, diversos especialistas têm argumentado que a troca permanente de informações entre forças policiais, órgãos de inteligência e instituições de controle constitui um dos caminhos mais promissores para ampliar a capacidade investigativa do Estado.

    Paralelamente às medidas operacionais, o debate sobre segurança pública também envolve a preservação dos princípios democráticos e dos direitos fundamentais. Muitos estudiosos têm advertido que o combate à criminalidade não pode ser conduzido de forma dissociada das garantias constitucionais, sob pena de enfraquecimento das próprias bases do Estado Democrático de Direito. Assim, a busca por eficiência deve ser acompanhada de mecanismos de controle, transparência e respeito aos direitos humanos.

    Diante desse panorama, a consolidação de uma política nacional de segurança pública dependerá da capacidade de integração entre instituições, da cooperação entre os entes federativos e do compromisso permanente com os valores democráticos. Mais do que ampliar estruturas administrativas, o desafio consiste em construir estratégias duradouras que articulem prevenção, inteligência e repressão qualificada, fortalecendo a confiança social e contribuindo para a redução sustentável da criminalidade.


Texto adaptado de: Desafios da Política Nacional de Segurança Pública, com Mario Sarrubbo. Fundação Fernando Henrique Cardoso. Disponível em: https://fundacaofhc.org.br/debate/desafios-da-politica-nacional-de-seguranca-publica-com-mario- sarrubbo. Acesso em: 15 jun. 2026.
Considerando os sentidos assumidos pelos vocábulos no contexto discursivo em que foram empregados, assinale a alternativa que apresenta interpretação semanticamente compatível com o texto.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-RR Prova: IDECAN - 2026 - PM-RR - Sargento QPC PM - Geral |
Q4322065 Português
 Texto para a questão.


A semente da verdade


    Havia um imperador na China que não tinha filhos nem parentes próximos. Como necessitava de um sucessor, decidiu chamar todas as crianças do reino. Thai foi uma delas. Era um ótimo menino, que se dedicava ao jardim de sua casa; cada planta tocada por ele crescia viçosa e forte. No dia marcado, dirigiu-se até o palácio, onde havia milhares de pequenos súditos. O imperador disse:

    — Crianças, preciso escolher o meu sucessor entre vocês. Vou lhes dar uma tarefa. Aqui estão algumas sementes; quero que vocês as cultivem. O trono será daquele que me trouxer, daqui a um ano, a planta mais bonita.

    Thai era um excelente jardineiro e, com certeza, faria muito bem o que o imperador pedira. Porém, por mais que se esforçasse, a semente não brotava. O menino fez tudo o que podia, mas seus esforços não adiantaram. Até o dia de apresentar a planta ao imperador, a semente de Thai não havia brotado, e o menino estava tão preocupado que não queria enfrentar as outras crianças; porém, seu avô disse:

    — Você é honesto. Vá até o imperador e diga a verdade. Sua dedicação foi máxima, mas a semente não brotou. Não se envergonhe. Apenas explique o que você fez, pois devemos sempre agir com honestidade, buscando a felicidade, sem que a nossa alegria faça alguém infeliz.

    Thai obedeceu ao avô e foi ao palácio. Entretanto, ao chegar lá, ficou assustado, pois era a única criança que não levava consigo uma belíssima planta. O imperador chamava as crianças e examinava os vasos, mas não sorria nem esboçava contentamento. Thai estava muito nervoso, pois se o imperador não havia até então aprovado aquelas plantas maravilhosas, o que não diria de seu vaso sem nada? Thai foi ficando para trás e, quando se deu conta, era o último da fila. Mas sua vez chegou, e ele não poderia mais adiar o encontro com o imperador.

    — Vejamos, meu jovem, o que tem aí para mim.

    Thai não pôde mais evitar as lágrimas. Com a cabeça baixa, mostrou o vaso com terra ao imperador e disse:

    — Senhor, sou um jardineiro e uma de minhas virtudes é a perseverança, mas por mais que eu tenha me esforçado, a semente não brotou. Meu avô ajudou-me a pensar sobre o que fazer e optei por dizer a verdade, contar meu esforço e pedir-lhe perdão.

     O imperador encarou o menino e, diante da multidão, declarou:

    — Não se envergonhe, criança, você fez o certo. A sua grande virtude foi dizer a verdade, pois eu havia queimado todas as sementes e nenhuma poderia germinar. Portanto, você foi o único que, de fato, plantou a semente da verdade. Você será o meu sucessor.


SECCO, Patrícia Engel. A semente da verdade. Adaptação de conto folclórico oriental. São Paulo: Editora DPaschoal, 2002 (Adaptado). 
A macroestrutura de um texto é definida pela predominância de determinados arranjos sequenciais que determinam sua função discursiva. Diante desse conceito, avalie o arranjo das sequências linguísticas no texto e identifique a alternativa que designa sua correta classificação e organização interna.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: IDECAN Órgão: PM-RR Prova: IDECAN - 2026 - PM-RR - Sargento QPC PM - Geral |
Q4322064 Português
 Texto para a questão.


A semente da verdade


    Havia um imperador na China que não tinha filhos nem parentes próximos. Como necessitava de um sucessor, decidiu chamar todas as crianças do reino. Thai foi uma delas. Era um ótimo menino, que se dedicava ao jardim de sua casa; cada planta tocada por ele crescia viçosa e forte. No dia marcado, dirigiu-se até o palácio, onde havia milhares de pequenos súditos. O imperador disse:

    — Crianças, preciso escolher o meu sucessor entre vocês. Vou lhes dar uma tarefa. Aqui estão algumas sementes; quero que vocês as cultivem. O trono será daquele que me trouxer, daqui a um ano, a planta mais bonita.

    Thai era um excelente jardineiro e, com certeza, faria muito bem o que o imperador pedira. Porém, por mais que se esforçasse, a semente não brotava. O menino fez tudo o que podia, mas seus esforços não adiantaram. Até o dia de apresentar a planta ao imperador, a semente de Thai não havia brotado, e o menino estava tão preocupado que não queria enfrentar as outras crianças; porém, seu avô disse:

    — Você é honesto. Vá até o imperador e diga a verdade. Sua dedicação foi máxima, mas a semente não brotou. Não se envergonhe. Apenas explique o que você fez, pois devemos sempre agir com honestidade, buscando a felicidade, sem que a nossa alegria faça alguém infeliz.

    Thai obedeceu ao avô e foi ao palácio. Entretanto, ao chegar lá, ficou assustado, pois era a única criança que não levava consigo uma belíssima planta. O imperador chamava as crianças e examinava os vasos, mas não sorria nem esboçava contentamento. Thai estava muito nervoso, pois se o imperador não havia até então aprovado aquelas plantas maravilhosas, o que não diria de seu vaso sem nada? Thai foi ficando para trás e, quando se deu conta, era o último da fila. Mas sua vez chegou, e ele não poderia mais adiar o encontro com o imperador.

    — Vejamos, meu jovem, o que tem aí para mim.

    Thai não pôde mais evitar as lágrimas. Com a cabeça baixa, mostrou o vaso com terra ao imperador e disse:

    — Senhor, sou um jardineiro e uma de minhas virtudes é a perseverança, mas por mais que eu tenha me esforçado, a semente não brotou. Meu avô ajudou-me a pensar sobre o que fazer e optei por dizer a verdade, contar meu esforço e pedir-lhe perdão.

     O imperador encarou o menino e, diante da multidão, declarou:

    — Não se envergonhe, criança, você fez o certo. A sua grande virtude foi dizer a verdade, pois eu havia queimado todas as sementes e nenhuma poderia germinar. Portanto, você foi o único que, de fato, plantou a semente da verdade. Você será o meu sucessor.


SECCO, Patrícia Engel. A semente da verdade. Adaptação de conto folclórico oriental. São Paulo: Editora DPaschoal, 2002 (Adaptado). 
A progressão narrativa e as interações verbais estabelecidas entre os personagens estruturam o sentido global do texto. Tendo por base o exposto, marque o item que informa a correta caracterização do conflito central e de sua resolução no conto.
Alternativas
Q4306039 Português

Leia o texto “Zonas mortas nos oceanos”, do biólogo brasileiro Fernando Reinach, para responder à questão.



    É fácil sensibilizar o mundo para o desmatamento da floresta amazônica, fotos de troncos carbonizados fazem metade do trabalho. O que poucos sabem é que um desastre semelhante está ocorrendo nos oceanos. Ao longo de toda a costa, acompanhando as grandes ocupações humanas, estão pipocando zonas mortas, áreas onde a biodiversidade dos mares praticamente desaparece. Apesar de essas regiões não serem fotogênicas, elas vêm crescendo de maneira assustadora.    

    Hoje há mais de quatrocentos locais onde praticamente não existe mais vida oceânica. No total, estima-se que 245 mil quilômetros quadrados estejam morrendo, o que equivale a aproximadamente 5% da área coberta pela floresta amazônica. A causa desse fenômeno é a queda na quantidade de oxigênio dissolvido na água. Sem oxigênio, os peixes e outros animais desaparecem.

    A diminuição da quantidade de oxigênio é desencadeada pelo aumento na quantidade de nutrientes nas regiões costeiras. Essa abundância provoca um aumento rápido dos organismos que utilizam nutrientes, luz e gás carbônico. Num primeiro momento, esse crescimento no número de organismos capazes de fazer fotossíntese atrai outros animais, mas logo a água se turva com o excesso de algas e bactérias e, sem luz, eles morrem. Os cadáveres se acumulam no fundo do mar e permitem a multiplicação de organismos que consomem oxigênio para degradar a matéria orgânica acumulada. Nessa fase, o oxigênio diminui e desaparecem os peixes e outros animais maiores. Na falta de oxigênio, só sobrevivem os organismos anaeróbicos (que crescem na ausência de oxigênio), os quais produzem uma quantidade crescente de compostos de enxofre, o que acaba por tornar o ambiente inóspito para a maioria dos animais.

    Embora escapem aos olhos e com isso não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica. Na realidade, esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos. É bom lembrar que nos próximos cinquenta anos o número de bocas a ser alimentadas no planeta vai dobrar. Como sustentar essas pessoas preservando a Amazônia e os oceanos é um dos desafios tecnológicos a ser enfrentado por uma nova geração de agrônomos e ecólogos.


(Fernando Reinach. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra, 2010. Adaptado.)

“esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos” (4º parágrafo)



Em relação ao trecho que o antecede, o trecho sublinhado expressa ideia de

Alternativas
Q4306038 Português

Leia o texto “Zonas mortas nos oceanos”, do biólogo brasileiro Fernando Reinach, para responder à questão.



    É fácil sensibilizar o mundo para o desmatamento da floresta amazônica, fotos de troncos carbonizados fazem metade do trabalho. O que poucos sabem é que um desastre semelhante está ocorrendo nos oceanos. Ao longo de toda a costa, acompanhando as grandes ocupações humanas, estão pipocando zonas mortas, áreas onde a biodiversidade dos mares praticamente desaparece. Apesar de essas regiões não serem fotogênicas, elas vêm crescendo de maneira assustadora.    

    Hoje há mais de quatrocentos locais onde praticamente não existe mais vida oceânica. No total, estima-se que 245 mil quilômetros quadrados estejam morrendo, o que equivale a aproximadamente 5% da área coberta pela floresta amazônica. A causa desse fenômeno é a queda na quantidade de oxigênio dissolvido na água. Sem oxigênio, os peixes e outros animais desaparecem.

    A diminuição da quantidade de oxigênio é desencadeada pelo aumento na quantidade de nutrientes nas regiões costeiras. Essa abundância provoca um aumento rápido dos organismos que utilizam nutrientes, luz e gás carbônico. Num primeiro momento, esse crescimento no número de organismos capazes de fazer fotossíntese atrai outros animais, mas logo a água se turva com o excesso de algas e bactérias e, sem luz, eles morrem. Os cadáveres se acumulam no fundo do mar e permitem a multiplicação de organismos que consomem oxigênio para degradar a matéria orgânica acumulada. Nessa fase, o oxigênio diminui e desaparecem os peixes e outros animais maiores. Na falta de oxigênio, só sobrevivem os organismos anaeróbicos (que crescem na ausência de oxigênio), os quais produzem uma quantidade crescente de compostos de enxofre, o que acaba por tornar o ambiente inóspito para a maioria dos animais.

    Embora escapem aos olhos e com isso não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica. Na realidade, esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos. É bom lembrar que nos próximos cinquenta anos o número de bocas a ser alimentadas no planeta vai dobrar. Como sustentar essas pessoas preservando a Amazônia e os oceanos é um dos desafios tecnológicos a ser enfrentado por uma nova geração de agrônomos e ecólogos.


(Fernando Reinach. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra, 2010. Adaptado.)

“Embora [...] não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica.” (4º parágrafo)


Esse trecho pode ser reescrito, sem prejuízo para o seu sentido original, da seguinte forma:

Alternativas
Q4306037 Português

Leia o texto “Zonas mortas nos oceanos”, do biólogo brasileiro Fernando Reinach, para responder à questão.



    É fácil sensibilizar o mundo para o desmatamento da floresta amazônica, fotos de troncos carbonizados fazem metade do trabalho. O que poucos sabem é que um desastre semelhante está ocorrendo nos oceanos. Ao longo de toda a costa, acompanhando as grandes ocupações humanas, estão pipocando zonas mortas, áreas onde a biodiversidade dos mares praticamente desaparece. Apesar de essas regiões não serem fotogênicas, elas vêm crescendo de maneira assustadora.    

    Hoje há mais de quatrocentos locais onde praticamente não existe mais vida oceânica. No total, estima-se que 245 mil quilômetros quadrados estejam morrendo, o que equivale a aproximadamente 5% da área coberta pela floresta amazônica. A causa desse fenômeno é a queda na quantidade de oxigênio dissolvido na água. Sem oxigênio, os peixes e outros animais desaparecem.

    A diminuição da quantidade de oxigênio é desencadeada pelo aumento na quantidade de nutrientes nas regiões costeiras. Essa abundância provoca um aumento rápido dos organismos que utilizam nutrientes, luz e gás carbônico. Num primeiro momento, esse crescimento no número de organismos capazes de fazer fotossíntese atrai outros animais, mas logo a água se turva com o excesso de algas e bactérias e, sem luz, eles morrem. Os cadáveres se acumulam no fundo do mar e permitem a multiplicação de organismos que consomem oxigênio para degradar a matéria orgânica acumulada. Nessa fase, o oxigênio diminui e desaparecem os peixes e outros animais maiores. Na falta de oxigênio, só sobrevivem os organismos anaeróbicos (que crescem na ausência de oxigênio), os quais produzem uma quantidade crescente de compostos de enxofre, o que acaba por tornar o ambiente inóspito para a maioria dos animais.

    Embora escapem aos olhos e com isso não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica. Na realidade, esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos. É bom lembrar que nos próximos cinquenta anos o número de bocas a ser alimentadas no planeta vai dobrar. Como sustentar essas pessoas preservando a Amazônia e os oceanos é um dos desafios tecnológicos a ser enfrentado por uma nova geração de agrônomos e ecólogos.


(Fernando Reinach. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra, 2010. Adaptado.)

O autor inclui-se explicitamente no próprio texto no seguinte trecho:
Alternativas
Q4306035 Português

Leia o texto “Zonas mortas nos oceanos”, do biólogo brasileiro Fernando Reinach, para responder à questão.



    É fácil sensibilizar o mundo para o desmatamento da floresta amazônica, fotos de troncos carbonizados fazem metade do trabalho. O que poucos sabem é que um desastre semelhante está ocorrendo nos oceanos. Ao longo de toda a costa, acompanhando as grandes ocupações humanas, estão pipocando zonas mortas, áreas onde a biodiversidade dos mares praticamente desaparece. Apesar de essas regiões não serem fotogênicas, elas vêm crescendo de maneira assustadora.    

    Hoje há mais de quatrocentos locais onde praticamente não existe mais vida oceânica. No total, estima-se que 245 mil quilômetros quadrados estejam morrendo, o que equivale a aproximadamente 5% da área coberta pela floresta amazônica. A causa desse fenômeno é a queda na quantidade de oxigênio dissolvido na água. Sem oxigênio, os peixes e outros animais desaparecem.

    A diminuição da quantidade de oxigênio é desencadeada pelo aumento na quantidade de nutrientes nas regiões costeiras. Essa abundância provoca um aumento rápido dos organismos que utilizam nutrientes, luz e gás carbônico. Num primeiro momento, esse crescimento no número de organismos capazes de fazer fotossíntese atrai outros animais, mas logo a água se turva com o excesso de algas e bactérias e, sem luz, eles morrem. Os cadáveres se acumulam no fundo do mar e permitem a multiplicação de organismos que consomem oxigênio para degradar a matéria orgânica acumulada. Nessa fase, o oxigênio diminui e desaparecem os peixes e outros animais maiores. Na falta de oxigênio, só sobrevivem os organismos anaeróbicos (que crescem na ausência de oxigênio), os quais produzem uma quantidade crescente de compostos de enxofre, o que acaba por tornar o ambiente inóspito para a maioria dos animais.

    Embora escapem aos olhos e com isso não sejam sentidas pelo coração de cada um de nós, as zonas mortas não são menos importantes que o desmatamento da floresta amazônica. Na realidade, esse é mais um problema a ser enfrentado à medida que nos preparamos para dobrar a produção de alimentos. É bom lembrar que nos próximos cinquenta anos o número de bocas a ser alimentadas no planeta vai dobrar. Como sustentar essas pessoas preservando a Amazônia e os oceanos é um dos desafios tecnológicos a ser enfrentado por uma nova geração de agrônomos e ecólogos.


(Fernando Reinach. A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra, 2010. Adaptado.)

O texto transcrito é um artigo de divulgação científica. Uma característica textual que o afasta de um artigo científico é o emprego de
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Q4306031 Português

Para responder à questão, leia o soneto “LXXI” do poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789).



Eu cantei, não o nego, eu algum dia

Cantei do injusto Amor o vencimento,

Sem saber que o veneno mais violento

Nas doces expressões falso encobria.


Que Amor era benigno, eu persuadia

A qualquer coração de Amor isento;

Inda agora de Amor cantara atento,

Se lhe não conhecera a aleivosia1.


Ninguém de Amor se fie: agora canto

Somente os seus enganos, porque sinto

Que me tem destinado estrago tanto.


De seu favor hoje as quimeras2 pinto:

Amor de uma alma é pesaroso3 encanto;

Amor de um coração é labirinto.



(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)



1 aleivosia: engano, traição.


2 quimera: ilusão.


3 pesaroso: em que há pesar, ou seja, tristeza, desolação.

Por razões estilísticas, Cláudio Manuel da Costa recorre a várias inversões sintáticas. Um exemplo são os versos “Que Amor era benigno, eu persuadia / A qualquer coração de Amor isento;” (2ª estrofe). Em ordem direta, esses versos assumem a seguinte redação:
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Q4306028 Português

Para responder à questão, leia o soneto “LXXI” do poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789).



Eu cantei, não o nego, eu algum dia

Cantei do injusto Amor o vencimento,

Sem saber que o veneno mais violento

Nas doces expressões falso encobria.


Que Amor era benigno, eu persuadia

A qualquer coração de Amor isento;

Inda agora de Amor cantara atento,

Se lhe não conhecera a aleivosia1.


Ninguém de Amor se fie: agora canto

Somente os seus enganos, porque sinto

Que me tem destinado estrago tanto.


De seu favor hoje as quimeras2 pinto:

Amor de uma alma é pesaroso3 encanto;

Amor de um coração é labirinto.



(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)



1 aleivosia: engano, traição.


2 quimera: ilusão.


3 pesaroso: em que há pesar, ou seja, tristeza, desolação.

Opõem-se semanticamente os termos que compõem a seguinte expressão:
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Q4306027 Português

Para responder à questão, leia o soneto “LXXI” do poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789).



Eu cantei, não o nego, eu algum dia

Cantei do injusto Amor o vencimento,

Sem saber que o veneno mais violento

Nas doces expressões falso encobria.


Que Amor era benigno, eu persuadia

A qualquer coração de Amor isento;

Inda agora de Amor cantara atento,

Se lhe não conhecera a aleivosia1.


Ninguém de Amor se fie: agora canto

Somente os seus enganos, porque sinto

Que me tem destinado estrago tanto.


De seu favor hoje as quimeras2 pinto:

Amor de uma alma é pesaroso3 encanto;

Amor de um coração é labirinto.



(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)



1 aleivosia: engano, traição.


2 quimera: ilusão.


3 pesaroso: em que há pesar, ou seja, tristeza, desolação.

O emprego dos verbos “canto” (3ª estrofe) e “pinto” (4ª estrofe) explicita o teor
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Q4306026 Português

Para responder à questão, leia o soneto “LXXI” do poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789).



Eu cantei, não o nego, eu algum dia

Cantei do injusto Amor o vencimento,

Sem saber que o veneno mais violento

Nas doces expressões falso encobria.


Que Amor era benigno, eu persuadia

A qualquer coração de Amor isento;

Inda agora de Amor cantara atento,

Se lhe não conhecera a aleivosia1.


Ninguém de Amor se fie: agora canto

Somente os seus enganos, porque sinto

Que me tem destinado estrago tanto.


De seu favor hoje as quimeras2 pinto:

Amor de uma alma é pesaroso3 encanto;

Amor de um coração é labirinto.



(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)



1 aleivosia: engano, traição.


2 quimera: ilusão.


3 pesaroso: em que há pesar, ou seja, tristeza, desolação.

Em relação ao amor, o eu lírico expressa, sobretudo, uma visão
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Q4306024 Português

Examine a tirinha do cartunista Fernando Gonsales, publicada pelo perfil @niquel.nausea no Instagram em 27.03.2026.



Imagem associada para resolução da questão



Na construção de seu sentido, a tirinha mobiliza fundamentalmente os seguintes recursos expressivos:

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Q4306022 Português

Para responder à questão, leia um trecho do conto “A pátria”, do escritor Olavo Bilac (1865-1918), o Patrono do Serviço Militar. Não por acaso, a sua data de nascimento, 16 de dezembro, foi consagrada como Dia do Reservista.



1     O pai, velho soldado que a vida das guerras alquebrara1 , gostava de lembrar, à noite, quando toda a família se reunia na sala de jantar em roda da grande mesa antiga, os episódios das campanhas que vira.

    A mulher não ouvia com prazer aquelas histórias de cargas de cavalaria, de emboscadas, de assaltos, tão cheias de sangue e de horror. Quando o velho recordava aquele tempo, ela revivia a angústia dos dias passados na solidão, sem notícias do marido que lá andava pelo Paraguai. Lembrava-se da ansiedade e do medo com que esperava o correio, naquelas amaldiçoadas tardes de desespero. Quando o carteiro lhe entregava um envelope fechado, — quantos minutos ficava ela a mirar e a revolver nas mãos aquele pedaço de papel que vinha do querido ausente, e que tinha recebido os seus beijos e as suas lágrimas de saudade!

    Por fim abria a carta. A princípio não podia ler. Tremia-lhe nos dedos o papel. Tinha de repousar um pouco: e, quando conseguia terminar a leitura, ficava abatida e sem consolo diante daquelas notícias que não variavam nunca. Era sempre a mesma coisa: não se sabia quando acabaria a guerra; mas Deus velava por ele; era preciso assegurar, conquistando um bom posto, um futuro feliz para os filhos; além disso a Pátria estava acima de tudo...

    Ela amarrotava a carta... A Pátria! que era a Pátria, para valer mais do que ela, mais do que aquelas duas crianças, pobres inocentes que talvez a essa mesma hora já estivessem sem pai? Ia então contemplar os filhos, e ali ficava chorando, horas inteiras...

5      Quando o pai voltou da guerra, vinha major. Fora ferido. Perdera uma perna. A mulher abençoou essa desgraça. Ao menos, assim mutilado, ficava ele posto à margem, dispensado de voltar à mesma existência de perigos e canseiras. Podiam viver modestamente com seu soldo2. Qualquer outro trabalho leve de que se pudesse encarregar dar-lhe-ia o suficiente para educar os filhos. Agora, porém, quando o velho major, durante os serões domésticos, começava a contar os seus episódios de campanha, a mulher estremecia.

    No entusiasmo da narração, o velho transfigurava-se. O seu braço, estendido no ar, indicava os golpes de espada. A sua voz imitava, ora o ruído contínuo e seco da fuzilaria, ora o estrondo rouco dos canhoneios. Diante dele, Carlos, também transfigurado, bebia as suas palavras, com inveja, respirando a custo, agitando-se na cadeira. E a mãe quase rebentava em soluços, vendo a alegria do filho. Era aquele, há muito tempo, o seu maior receio... Pobre mãe! Desde o tempo em que apenas devia pensar em bonecos, o menino manifestava uma grande predileção pelas coisas da vida militar.

    Ficava horas inteiras contemplando as fardas do pai: e, à noite, deixando de estudar, fechando sobre a mesa as suas gramáticas e os seus dicionários, era ele o primeiro a pedir ao velho mais uma daquelas narrações que o embriagavam. Quando foi preciso escolher uma carreira, Carlos, sem hesitação, declarou que queria ir para a Escola Militar. O velho exultou3. A mulher, resignada, não teve protesto.



(Olavo Bilac & Coelho Neto. Contos pátrios, 1906. Adaptado.)



1 alquebrar: dobrar ou sofrer curvatura da espinha por doença, fraqueza ou velhice.


2 soldo: salário de militares.


3  exultar: exprimir grande alegria.

Os termos sublinhados no segundo e no sexto parágrafos do texto referem-se, respectivamente, a
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Q4306021 Português

Para responder à questão, leia um trecho do conto “A pátria”, do escritor Olavo Bilac (1865-1918), o Patrono do Serviço Militar. Não por acaso, a sua data de nascimento, 16 de dezembro, foi consagrada como Dia do Reservista.



1     O pai, velho soldado que a vida das guerras alquebrara1 , gostava de lembrar, à noite, quando toda a família se reunia na sala de jantar em roda da grande mesa antiga, os episódios das campanhas que vira.

    A mulher não ouvia com prazer aquelas histórias de cargas de cavalaria, de emboscadas, de assaltos, tão cheias de sangue e de horror. Quando o velho recordava aquele tempo, ela revivia a angústia dos dias passados na solidão, sem notícias do marido que lá andava pelo Paraguai. Lembrava-se da ansiedade e do medo com que esperava o correio, naquelas amaldiçoadas tardes de desespero. Quando o carteiro lhe entregava um envelope fechado, — quantos minutos ficava ela a mirar e a revolver nas mãos aquele pedaço de papel que vinha do querido ausente, e que tinha recebido os seus beijos e as suas lágrimas de saudade!

    Por fim abria a carta. A princípio não podia ler. Tremia-lhe nos dedos o papel. Tinha de repousar um pouco: e, quando conseguia terminar a leitura, ficava abatida e sem consolo diante daquelas notícias que não variavam nunca. Era sempre a mesma coisa: não se sabia quando acabaria a guerra; mas Deus velava por ele; era preciso assegurar, conquistando um bom posto, um futuro feliz para os filhos; além disso a Pátria estava acima de tudo...

    Ela amarrotava a carta... A Pátria! que era a Pátria, para valer mais do que ela, mais do que aquelas duas crianças, pobres inocentes que talvez a essa mesma hora já estivessem sem pai? Ia então contemplar os filhos, e ali ficava chorando, horas inteiras...

5      Quando o pai voltou da guerra, vinha major. Fora ferido. Perdera uma perna. A mulher abençoou essa desgraça. Ao menos, assim mutilado, ficava ele posto à margem, dispensado de voltar à mesma existência de perigos e canseiras. Podiam viver modestamente com seu soldo2. Qualquer outro trabalho leve de que se pudesse encarregar dar-lhe-ia o suficiente para educar os filhos. Agora, porém, quando o velho major, durante os serões domésticos, começava a contar os seus episódios de campanha, a mulher estremecia.

    No entusiasmo da narração, o velho transfigurava-se. O seu braço, estendido no ar, indicava os golpes de espada. A sua voz imitava, ora o ruído contínuo e seco da fuzilaria, ora o estrondo rouco dos canhoneios. Diante dele, Carlos, também transfigurado, bebia as suas palavras, com inveja, respirando a custo, agitando-se na cadeira. E a mãe quase rebentava em soluços, vendo a alegria do filho. Era aquele, há muito tempo, o seu maior receio... Pobre mãe! Desde o tempo em que apenas devia pensar em bonecos, o menino manifestava uma grande predileção pelas coisas da vida militar.

    Ficava horas inteiras contemplando as fardas do pai: e, à noite, deixando de estudar, fechando sobre a mesa as suas gramáticas e os seus dicionários, era ele o primeiro a pedir ao velho mais uma daquelas narrações que o embriagavam. Quando foi preciso escolher uma carreira, Carlos, sem hesitação, declarou que queria ir para a Escola Militar. O velho exultou3. A mulher, resignada, não teve protesto.



(Olavo Bilac & Coelho Neto. Contos pátrios, 1906. Adaptado.)



1 alquebrar: dobrar ou sofrer curvatura da espinha por doença, fraqueza ou velhice.


2 soldo: salário de militares.


3  exultar: exprimir grande alegria.

● “Lembrava-se da ansiedade e do medo com que esperava o correio, naquelas amaldiçoadas tardes de desespero.” (2º parágrafo)


● “Diante dele, Carlos, também transfigurado, bebia as suas palavras, com inveja, respirando a custo, agitando-se na cadeira.” (6º parágrafo)


● “à noite, deixando de estudar, fechando sobre a mesa as suas gramáticas e os seus dicionários, era ele o primeiro a pedir ao velho mais uma daquelas narrações que o embriagavam.” (7º parágrafo)



Os verbos sublinhados estão empregados, respectivamente, em sentido

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Q4306020 Português

Para responder à questão, leia um trecho do conto “A pátria”, do escritor Olavo Bilac (1865-1918), o Patrono do Serviço Militar. Não por acaso, a sua data de nascimento, 16 de dezembro, foi consagrada como Dia do Reservista.



1     O pai, velho soldado que a vida das guerras alquebrara1 , gostava de lembrar, à noite, quando toda a família se reunia na sala de jantar em roda da grande mesa antiga, os episódios das campanhas que vira.

    A mulher não ouvia com prazer aquelas histórias de cargas de cavalaria, de emboscadas, de assaltos, tão cheias de sangue e de horror. Quando o velho recordava aquele tempo, ela revivia a angústia dos dias passados na solidão, sem notícias do marido que lá andava pelo Paraguai. Lembrava-se da ansiedade e do medo com que esperava o correio, naquelas amaldiçoadas tardes de desespero. Quando o carteiro lhe entregava um envelope fechado, — quantos minutos ficava ela a mirar e a revolver nas mãos aquele pedaço de papel que vinha do querido ausente, e que tinha recebido os seus beijos e as suas lágrimas de saudade!

    Por fim abria a carta. A princípio não podia ler. Tremia-lhe nos dedos o papel. Tinha de repousar um pouco: e, quando conseguia terminar a leitura, ficava abatida e sem consolo diante daquelas notícias que não variavam nunca. Era sempre a mesma coisa: não se sabia quando acabaria a guerra; mas Deus velava por ele; era preciso assegurar, conquistando um bom posto, um futuro feliz para os filhos; além disso a Pátria estava acima de tudo...

    Ela amarrotava a carta... A Pátria! que era a Pátria, para valer mais do que ela, mais do que aquelas duas crianças, pobres inocentes que talvez a essa mesma hora já estivessem sem pai? Ia então contemplar os filhos, e ali ficava chorando, horas inteiras...

5      Quando o pai voltou da guerra, vinha major. Fora ferido. Perdera uma perna. A mulher abençoou essa desgraça. Ao menos, assim mutilado, ficava ele posto à margem, dispensado de voltar à mesma existência de perigos e canseiras. Podiam viver modestamente com seu soldo2. Qualquer outro trabalho leve de que se pudesse encarregar dar-lhe-ia o suficiente para educar os filhos. Agora, porém, quando o velho major, durante os serões domésticos, começava a contar os seus episódios de campanha, a mulher estremecia.

    No entusiasmo da narração, o velho transfigurava-se. O seu braço, estendido no ar, indicava os golpes de espada. A sua voz imitava, ora o ruído contínuo e seco da fuzilaria, ora o estrondo rouco dos canhoneios. Diante dele, Carlos, também transfigurado, bebia as suas palavras, com inveja, respirando a custo, agitando-se na cadeira. E a mãe quase rebentava em soluços, vendo a alegria do filho. Era aquele, há muito tempo, o seu maior receio... Pobre mãe! Desde o tempo em que apenas devia pensar em bonecos, o menino manifestava uma grande predileção pelas coisas da vida militar.

    Ficava horas inteiras contemplando as fardas do pai: e, à noite, deixando de estudar, fechando sobre a mesa as suas gramáticas e os seus dicionários, era ele o primeiro a pedir ao velho mais uma daquelas narrações que o embriagavam. Quando foi preciso escolher uma carreira, Carlos, sem hesitação, declarou que queria ir para a Escola Militar. O velho exultou3. A mulher, resignada, não teve protesto.



(Olavo Bilac & Coelho Neto. Contos pátrios, 1906. Adaptado.)



1 alquebrar: dobrar ou sofrer curvatura da espinha por doença, fraqueza ou velhice.


2 soldo: salário de militares.


3  exultar: exprimir grande alegria.

No chamado discurso indireto livre, a voz da personagem mescla-se intimamente à voz do narrador, a exemplo do que ocorre em:
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Respostas
41: A
42: C
43: D
44: C
45: C
46: B
47: C
48: B
49: B
50: C
51: C
52: D
53: B
54: A
55: E
56: B
57: A
58: E
59: B
60: A