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Q3884245 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



[Em busca da origem da desigualdade social]



    A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.



(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552) 

Em busca da origem da desigualdade social, os autores do livro O despertar de tudo, no último paragrafo desse texto,  
Alternativas
Q3884244 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



[Em busca da origem da desigualdade social]



    A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.



(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552) 

As formas verbais estão corretamente flexionadas e há presença de voz passiva na frase:
Alternativas
Q3884243 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



[Em busca da origem da desigualdade social]



    A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.



(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552) 

Ao se lançarem, anos atrás, nas suas pesquisas sobre alguns aspectos dos primórdios das origens humanas, os autores do texto 
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Q3884242 Português

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[Em busca da origem da desigualdade social]



    A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No principio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidėncias arqueológicas que se acumularam nas trés últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.


    Não demorou, contudo, para se tornar óbvia a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos -por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governos fortes, exercidos de cima para baixo, ou relatos de processos democráticos de tomada de decisão na Africa ou na América.


    No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenasa uma reticência por parte de pesquisadores: tratava-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais. Como, por exemplo, nos referirmos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?


    No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou 'república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspecto da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável a conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.



(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552) 

A relutância em sintetizar informações básicas (3º parágrafo) com que se depararam os autores do texto em sua pesquisa deveu-se, sobretudo, 
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Q3884241 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

Na frase a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante, os dois segmentos sublinhados 
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Q3884240 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase: 
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Q3884239 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro.



No contexto da narrativa desenvolvida, o elemento sublinhado na frase acima deve ser entendido como uma forma reduzida da expressão

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Q3884238 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de uma expressão do texto em: 
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Q3884237 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

Ao se referir à sanfoninha no alto dessa estante na minha casa, o autor revela que 
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Q3884236 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

Os tempos e modos verbais estāo adequadamente articulados na frase: 
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Q3884235 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

A expressão vergado sob a culpa tardia, no 3º parágrafo, tem como referência 
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Q3884234 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


A não-festa dos meus oito anos



    -Quer dizer que não vai ter meu aniversário?

    Não me lembro de ter feito a pergunta. Fiz o que pude para abafar essa lembrança -e quando muitos anos mais tarde me contaram o caso, como quem conta um episódio inocente, quis nada menos que morrer também. Eu já era um adolescente quando essa história me foi lembrada - a mim, que a havia sepultado no fundo do meu inconsciente.

    Eu já ia fazer oito anos, mas minha mãe, recostada na cabeceira da cama, estava cercada de tias, primas, sobrinhas, amigas, e mamãe repetindo que Papai do Céu tinha levado nossa irmă. Foi então que perguntei se não ia ter meu aniversário. Ouvindo essa história, adolescente, me senti um monstro. Vergado sob a culpa tardia e envergonhado do papelão de ter pensado em bolo, salgadinhos e presentes numa hora daquelas, nossa mãe sofrendo, papelão ainda mais horrendo quando comparado ao papel bonito dos meus irmãos. O mais velho, olhos cheios de lagrimas, correu ao quarto da irmă, abriu o armário e acariciou os vestidinhos pendurados. O outro irmão compôs uma pulseirinha delicada com pequenos grampos de cabelo. Eu não pensei em nada, pois aquela morte havia destroçado o meu aniversário.

    Diante da minha frustração, devem ter dito: vamos dar alguma coisa pra esse menino, coitado -e então fomos para o centro da cidade, tia Nathalia e eu, comprar na loja alguma coisa para mim, qual coisa? -e a coisa resultou ser uma sanfoninha que quase seis décadas depois ainda está aqui, ali no alto dessa estante na minha casa de homem velho, capaz ainda de produzir música, intocada, mas tocável.

    Só não garanto que o dono dê conta de extrair dali o "Parabéns pra vocé", o parabéns-para-mim que o menino de oito anos tirou sozinho, sentado na escada de uma casa onde os pais chorosos cuidavam do granito preto para o túmulo da menina que partira. A cada vez que me entrego a tais rememorações, é dificil para mim metabolizar a verdade rude dos sentimentos daquele menino que não se conformou ao ver sabotada a festa de seus oito anos. 



(Adaptado de: WERNECK, Humberto. Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, Arquipélago, 2011, p. 65-66) 

A inventiva expressão parabéns-para-mim (5º parágrafo) foi adotada pelo autor para traduzir 
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Q3884168 Português

Amizades enraizadas se tornaram raras


        A fragilidade é uma das características do nosso tempo. Por qualquer coisa desistimos, rompemos vínculos e bloqueamos. A paciência deveria ser a companheira de cada dia, acompanhada da persistência. Acontece que vivemos cercados de conexões rápidas, contatos frequentes e relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem. A facilidade de se aproximar não garantiu profundidade. Por isso, amizades enraizadas se tornaram raras. Elas não nascem do acaso nem se sustentam apenas de afinidades momentâneas.


      Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata. Uma amizade com raízes conhece nossas estações. Esteve presente quando florescemos e quando perdemos folhas. Não exige performance nem presença constante para existir. Ela se reconhece no essencial. Essas amizades não competem, não disputam espaço, não pedem explicações excessivas. Elas confiam. A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.


        Não dependem de exposição, mas de verdade. Em tempos de fragilidade relacional, valorizar quem permanece é um gesto de sabedoria. Nem toda ausência é abandono, mas toda permanência verdadeira é escolha. Amizades com raízes não se ofendem com o tempo, não se perdem com a rotina, não se desfazem com mudanças. Elas entendem que a vida exige presença possível, não ideal. Essas relações oferecem abrigo emocional. São lugares onde podemos pousar sem defesas, falar sem medo, calar sem culpa.


     O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo. Reconhecer essas amizades é honrar a própria história. É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa. E quando o mundo oscila, são elas que mantêm o coração firme, lembrando quem somos e onde pertencemos.


Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 

Fonemas são os sons da fala (unidade sonora), enquanto letras são sua representação escrita; um dígrafo é quando duas letras se juntam para formar um único fonema (um só som), havendo dígrafos consonantais e vocálicos, o que causa uma diferença entre o número de letras e o número de sons em uma palavra. Nesse sentido, qual das alternativas apresenta uma palavra do texto composto por dígrafo vocálico? 
Alternativas
Q3884167 Português

Amizades enraizadas se tornaram raras


        A fragilidade é uma das características do nosso tempo. Por qualquer coisa desistimos, rompemos vínculos e bloqueamos. A paciência deveria ser a companheira de cada dia, acompanhada da persistência. Acontece que vivemos cercados de conexões rápidas, contatos frequentes e relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem. A facilidade de se aproximar não garantiu profundidade. Por isso, amizades enraizadas se tornaram raras. Elas não nascem do acaso nem se sustentam apenas de afinidades momentâneas.


      Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata. Uma amizade com raízes conhece nossas estações. Esteve presente quando florescemos e quando perdemos folhas. Não exige performance nem presença constante para existir. Ela se reconhece no essencial. Essas amizades não competem, não disputam espaço, não pedem explicações excessivas. Elas confiam. A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.


        Não dependem de exposição, mas de verdade. Em tempos de fragilidade relacional, valorizar quem permanece é um gesto de sabedoria. Nem toda ausência é abandono, mas toda permanência verdadeira é escolha. Amizades com raízes não se ofendem com o tempo, não se perdem com a rotina, não se desfazem com mudanças. Elas entendem que a vida exige presença possível, não ideal. Essas relações oferecem abrigo emocional. São lugares onde podemos pousar sem defesas, falar sem medo, calar sem culpa.


     O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo. Reconhecer essas amizades é honrar a própria história. É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa. E quando o mundo oscila, são elas que mantêm o coração firme, lembrando quem somos e onde pertencemos.


Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra do texto acentuada por ser proparoxítona. 
Alternativas
Q3884166 Português

Amizades enraizadas se tornaram raras


        A fragilidade é uma das características do nosso tempo. Por qualquer coisa desistimos, rompemos vínculos e bloqueamos. A paciência deveria ser a companheira de cada dia, acompanhada da persistência. Acontece que vivemos cercados de conexões rápidas, contatos frequentes e relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem. A facilidade de se aproximar não garantiu profundidade. Por isso, amizades enraizadas se tornaram raras. Elas não nascem do acaso nem se sustentam apenas de afinidades momentâneas.


      Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata. Uma amizade com raízes conhece nossas estações. Esteve presente quando florescemos e quando perdemos folhas. Não exige performance nem presença constante para existir. Ela se reconhece no essencial. Essas amizades não competem, não disputam espaço, não pedem explicações excessivas. Elas confiam. A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.


        Não dependem de exposição, mas de verdade. Em tempos de fragilidade relacional, valorizar quem permanece é um gesto de sabedoria. Nem toda ausência é abandono, mas toda permanência verdadeira é escolha. Amizades com raízes não se ofendem com o tempo, não se perdem com a rotina, não se desfazem com mudanças. Elas entendem que a vida exige presença possível, não ideal. Essas relações oferecem abrigo emocional. São lugares onde podemos pousar sem defesas, falar sem medo, calar sem culpa.


     O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo. Reconhecer essas amizades é honrar a própria história. É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa. E quando o mundo oscila, são elas que mantêm o coração firme, lembrando quem somos e onde pertencemos.


Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 

A metáfora das “raízes”, recorrente ao longo do texto, contribui para a construção do sentido global ao indicar que as amizades verdadeiras: 
Alternativas
Q3884165 Português

Amizades enraizadas se tornaram raras


        A fragilidade é uma das características do nosso tempo. Por qualquer coisa desistimos, rompemos vínculos e bloqueamos. A paciência deveria ser a companheira de cada dia, acompanhada da persistência. Acontece que vivemos cercados de conexões rápidas, contatos frequentes e relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem. A facilidade de se aproximar não garantiu profundidade. Por isso, amizades enraizadas se tornaram raras. Elas não nascem do acaso nem se sustentam apenas de afinidades momentâneas.


      Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata. Uma amizade com raízes conhece nossas estações. Esteve presente quando florescemos e quando perdemos folhas. Não exige performance nem presença constante para existir. Ela se reconhece no essencial. Essas amizades não competem, não disputam espaço, não pedem explicações excessivas. Elas confiam. A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.


        Não dependem de exposição, mas de verdade. Em tempos de fragilidade relacional, valorizar quem permanece é um gesto de sabedoria. Nem toda ausência é abandono, mas toda permanência verdadeira é escolha. Amizades com raízes não se ofendem com o tempo, não se perdem com a rotina, não se desfazem com mudanças. Elas entendem que a vida exige presença possível, não ideal. Essas relações oferecem abrigo emocional. São lugares onde podemos pousar sem defesas, falar sem medo, calar sem culpa.


     O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo. Reconhecer essas amizades é honrar a própria história. É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa. E quando o mundo oscila, são elas que mantêm o coração firme, lembrando quem somos e onde pertencemos.


Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 

Em “Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume.”, a palavra frágeis pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por: 


Alternativas
Q3884164 Português

Amizades enraizadas se tornaram raras


        A fragilidade é uma das características do nosso tempo. Por qualquer coisa desistimos, rompemos vínculos e bloqueamos. A paciência deveria ser a companheira de cada dia, acompanhada da persistência. Acontece que vivemos cercados de conexões rápidas, contatos frequentes e relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem. A facilidade de se aproximar não garantiu profundidade. Por isso, amizades enraizadas se tornaram raras. Elas não nascem do acaso nem se sustentam apenas de afinidades momentâneas.


      Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata. Uma amizade com raízes conhece nossas estações. Esteve presente quando florescemos e quando perdemos folhas. Não exige performance nem presença constante para existir. Ela se reconhece no essencial. Essas amizades não competem, não disputam espaço, não pedem explicações excessivas. Elas confiam. A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.


        Não dependem de exposição, mas de verdade. Em tempos de fragilidade relacional, valorizar quem permanece é um gesto de sabedoria. Nem toda ausência é abandono, mas toda permanência verdadeira é escolha. Amizades com raízes não se ofendem com o tempo, não se perdem com a rotina, não se desfazem com mudanças. Elas entendem que a vida exige presença possível, não ideal. Essas relações oferecem abrigo emocional. São lugares onde podemos pousar sem defesas, falar sem medo, calar sem culpa.


     O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo. Reconhecer essas amizades é honrar a própria história. É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa. E quando o mundo oscila, são elas que mantêm o coração firme, lembrando quem somos e onde pertencemos.


Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 

Ao afirmar que “a facilidade de se aproximar não garantiu profundidade”, o autor sugere, no contexto do texto, que: 
Alternativas
Q3884163 Português
Sobre as características do gênero Reportagem em contraste com a Notícia, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3884161 Português
Para Travaglia, o objetivo central do ensino gramatical na escola deve ser:
Alternativas
Q3884160 Português
Sobre o processo de retextualização em atividades escolares, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Respostas
19581: A
19582: A
19583: E
19584: C
19585: D
19586: C
19587: E
19588: A
19589: B
19590: A
19591: E
19592: D
19593: B
19594: A
19595: D
19596: B
19597: C
19598: D
19599: B
19600: D