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Q3884165 Português

Amizades enraizadas se tornaram raras


        A fragilidade é uma das características do nosso tempo. Por qualquer coisa desistimos, rompemos vínculos e bloqueamos. A paciência deveria ser a companheira de cada dia, acompanhada da persistência. Acontece que vivemos cercados de conexões rápidas, contatos frequentes e relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem. A facilidade de se aproximar não garantiu profundidade. Por isso, amizades enraizadas se tornaram raras. Elas não nascem do acaso nem se sustentam apenas de afinidades momentâneas.


      Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata. Uma amizade com raízes conhece nossas estações. Esteve presente quando florescemos e quando perdemos folhas. Não exige performance nem presença constante para existir. Ela se reconhece no essencial. Essas amizades não competem, não disputam espaço, não pedem explicações excessivas. Elas confiam. A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.


        Não dependem de exposição, mas de verdade. Em tempos de fragilidade relacional, valorizar quem permanece é um gesto de sabedoria. Nem toda ausência é abandono, mas toda permanência verdadeira é escolha. Amizades com raízes não se ofendem com o tempo, não se perdem com a rotina, não se desfazem com mudanças. Elas entendem que a vida exige presença possível, não ideal. Essas relações oferecem abrigo emocional. São lugares onde podemos pousar sem defesas, falar sem medo, calar sem culpa.


     O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo. Reconhecer essas amizades é honrar a própria história. É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa. E quando o mundo oscila, são elas que mantêm o coração firme, lembrando quem somos e onde pertencemos.


Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado). 

Em “Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume.”, a palavra frágeis pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por: 


Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: "Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume." A questão cobra sinonímia contextual: no texto, "frágeis" caracteriza vínculos pouco firmes, sujeitos à ruptura, em contraste com as relações "enraizadas"; por isso, a substituição adequada é "instáveis".

Tema central: sinonímia contextual
Análise das alternativas
A
Errada
"Duradouros" expressa permanência no tempo, o que contraria o sentido contextual de "frágeis". O texto associa esses vínculos a relações que "se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem"; portanto, a substituição produz sentido oposto.
B
Certa
A alternativa B está correta porque "instáveis" preserva o sentido de "frágeis" no contexto do texto: vínculos sem firmeza, com tendência à ruptura ou à dissolução. Esse valor semântico é reforçado por expressões como "A fragilidade é uma das características do nosso tempo" e "relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem".
C
Errada
"Intensos" pertence a outro campo semântico: indica força ou intensidade da experiência, não estabilidade do vínculo. No texto, o problema dos vínculos frágeis não é falta ou excesso de intensidade, mas a pouca solidez e a tendência à ruptura.
D
Errada
"Sólidos" é antônimo contextual de "frágeis". Além disso, aproxima-se justamente do polo positivo defendido pelo texto, o das relações "enraizadas", que se opõem aos vínculos frágeis. Por isso, não pode substituir a palavra destacada sem alterar o sentido.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre equivalência semântica exata e aproximação valorativa: termos positivos como "duradouros" e "sólidos" combinam com a tese do autor, mas não substituem "frágeis"; já "intensos" pode parecer adequado por também descrever relações, mas muda o traço semântico decisivo, que é estabilidade.
Dica para questões semelhantes
  • Em substituição vocabular, leia a palavra dentro do campo semântico criado pelo texto, não isoladamente.
  • Verifique se a opção mantém o mesmo traço de sentido central; aqui, o traço decisivo era estabilidade versus ruptura.
  • Desconfie de alternativas que expressem o ideal defendido pelo autor, se a palavra destacada nomeia justamente o polo oposto.

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