A metáfora das “raízes”, recorrente ao longo do texto, con...
Amizades enraizadas se tornaram raras
A fragilidade é uma das características do nosso tempo. Por qualquer coisa desistimos, rompemos vínculos e bloqueamos. A paciência deveria ser a companheira de cada dia, acompanhada da persistência. Acontece que vivemos cercados de conexões rápidas, contatos frequentes e relações que se dissolvem com a mesma velocidade com que surgem. A facilidade de se aproximar não garantiu profundidade. Por isso, amizades enraizadas se tornaram raras. Elas não nascem do acaso nem se sustentam apenas de afinidades momentâneas.
Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata. Uma amizade com raízes conhece nossas estações. Esteve presente quando florescemos e quando perdemos folhas. Não exige performance nem presença constante para existir. Ela se reconhece no essencial. Essas amizades não competem, não disputam espaço, não pedem explicações excessivas. Elas confiam. A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.
Não dependem de exposição, mas de verdade. Em tempos de fragilidade relacional, valorizar quem permanece é um gesto de sabedoria. Nem toda ausência é abandono, mas toda permanência verdadeira é escolha. Amizades com raízes não se ofendem com o tempo, não se perdem com a rotina, não se desfazem com mudanças. Elas entendem que a vida exige presença possível, não ideal. Essas relações oferecem abrigo emocional. São lugares onde podemos pousar sem defesas, falar sem medo, calar sem culpa.
O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo. Reconhecer essas amizades é honrar a própria história. É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa. E quando o mundo oscila, são elas que mantêm o coração firme, lembrando quem somos e onde pertencemos.
Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado).
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é o sentido contextual da metáfora de “raízes”, explicitado pelo próprio texto em “Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata.” e “A raiz cresce no subterrâneo, longe dos olhares, mas é ela que sustenta a árvore diante dos ventos. Assim também são os vínculos profundos. Eles se fortalecem na lealdade, na escuta, no cuidado silencioso.” Como a imagem associa amizade verdadeira a sustentação, discrição e permanência, o gabarito é D.
- Em questão sobre metáfora recorrente, procure os trechos em que o próprio texto explica a imagem e transfere seu sentido para a ideia principal.
- Elimine alternativas que contrariem negações explícitas do texto, como “Não exige performance nem presença constante” e “Não dependem de exposição”.
- Não leia a metáfora por um traço só: aqui, “raízes” não indicam apenas duração, mas também profundidade, discrição e sustentação.
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Comentários
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A metáfora das “raízes”, recorrente ao longo do texto, contribui para a construção do sentido global ao indicar que as amizades verdadeiras:
A - se fortalecem por meio de exposição e reconhecimento social contínuos.
INCORRETO, pois o primeiro parágrafo do primeiro período diz: “Não dependem de exposição, mas de verdade.”
Logo, as relações não se fortalecem por meio da exposição, uma vez que ela não é necessária.
B - exigem afinidades imediatas e presença contínua para atravessar as mudanças da vida.
INCORRETO, em razão do segundo parágrafo do primeiro período dizer que: “Criam raízes porque atravessam fases, suportam silêncios, respeitam distâncias e permanecem mesmo quando não há troca imediata.”
Logo, de forma metafórica uma amizade atravessa fases, não tendo, como consequência, uma afinidade imediata.
C- dependem de visibilidade constante e de demonstrações frequentes para se manterem vivas.
INCORRETO, em consonância do terceiro parágrafo do primeiro período retratar que “ [...] Não dependem de exposição, mas de verdade.” e o último parágrafo do primeiro período dizer que “O valor delas não está na quantidade de encontros, mas na qualidade do vínculo.”
Logo, uma amizade não precisa de exposição constante tampouco de quantidade frequente de encontros para se manter viva.
D- desenvolvem-se de forma silenciosa, sustentando-se na lealdade e na permanência ao longo do tempo.
CORRETA, por que no último parágrafo dos períodos terceiro ao sexto afirma o seguinte:
“É compreender que profundidade exige tempo, cuidado e compromisso afetivo. Em um mundo de vínculos frágeis, cultivar relações enraizadas é escolher qualidade em vez de volume. Essas amizades não fazem barulho, mas sustentam. Não aparecem o tempo todo, mas estão quando importa.”
Logo, de forma metafórica, uma amizade se desenvolve como fora descrito acima.
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