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Q4037502 Direito Agrário
Tendo como referência o tema da justiça socioambiental no Brasil, a relação das comunidades quilombolas com a luta pela titulação de terras e o conceito de racismo ambiental, considerando o histórico de marginalização dessas comunidades,
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: ADCT, art. 68: "Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos." Lei nº 12.288/2010, art. 31: "O Poder Executivo federal elaborará e desenvolverá políticas públicas especiais voltadas para o desenvolvimento sustentável dos remanescentes das comunidades dos quilombos, respeitando as tradições de proteção ambiental das comunidades."

Tema central: Titulação quilombola e proteção socioambiental
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque reduz o racismo ambiental a discriminação em políticas de conservação e exclui sua relação com acesso à terra e aos recursos naturais. A base afirma que a discriminação racial ou étnico-racial pode restringir direitos em qualquer campo da vida pública ou privada, inclusive direitos territoriais, e que a proteção quilombola está juridicamente conectada ao desenvolvimento sustentável.
B
Errada
Incorreta porque dissocia a luta pela terra das questões ambientais. Isso contraria diretamente a base normativa que vincula as políticas públicas para comunidades quilombolas ao desenvolvimento sustentável e ao respeito às suas tradições de proteção ambiental, afastando a separação entre território e dimensão socioambiental.
C
Errada
Incorreta porque afirma que a titulação seria apenas um processo cultural, sem implicações econômicas ou ambientais. O art. 68 do ADCT reconhece propriedade definitiva e impõe a emissão de título, o que revela efeito jurídico territorial concreto. Também erra ao restringir o racismo ambiental ao espaço urbano-industrial, limitação sem amparo na base.
D
Errada
Incorreta porque substitui o dever de reconhecimento territorial por lógica de compensação financeira. O art. 68 do ADCT assegura propriedade definitiva e impõe ao Estado emitir os títulos respectivos; portanto, o núcleo do direito é a titulação territorial, não mera compensação pecuniária substitutiva.
E
Certa
A alternativa E está de acordo com o regime constitucional e legal porque o direito das comunidades quilombolas não é apenas histórico ou identitário: há reconhecimento de propriedade definitiva e dever estatal de titulação, além de previsão de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e ao respeito às tradições de proteção ambiental. Por isso, a demora ou negativa de titulação enfraquece a proteção estatal do território e aumenta a vulnerabilidade territorial e socioambiental dessas comunidades, o que sustenta a alternativa E.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre tratar a titulação quilombola como pauta apenas cultural ou identitária e esquecer que o regime jurídico a conecta diretamente ao território, à proteção estatal e ao desenvolvimento sustentável.
Dica para questões semelhantes
  • Se o item separar terra, território e meio ambiente na pauta quilombola, desconfie: a base normativa os integra.
  • Quando aparecer comunidade quilombola, procure o comando do ADCT, art. 68: há propriedade definitiva e dever estatal de titulação.
  • Não aceite alternativa que troque titulação territorial por mera compensação financeira sem amparo expresso na base.
  • Mesmo que a expressão usada seja doutrinária, verifique se ela pode ser lida a partir do regime jurídico antidiscriminatório e da proteção territorial prevista nas normas citadas.

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Comentários

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A alternativa CORRETA é a E.

A fundamentação jurídica e sociológica para essa escolha baseia-se na interseção entre o direito à terra, a justiça socioambiental e o conceito de racismo ambiental:

  • Alternativa E (Correta): O racismo ambiental manifesta-se através de injustiças estruturais em que comunidades racializadas e marginalizadas (como os quilombolas) são desproporcionalmente afetadas pela degradação ambiental e pela omissão estatal. A demora ou negação da titulação das terras quilombolas é uma forma direta desse racismo, pois mantém essas comunidades em situação de insegurança jurídica, impedindo o acesso a políticas públicas e deixando seus territórios vulneráveis à exploração predatória por grandes empreendimentos, agronegócio ou garimpo ilegal.
  • Alternativa A (Incorreta): O conceito de racismo ambiental está intrinsecamente ligado ao acesso à terra e aos recursos naturais. Ele denuncia que a falta de reconhecimento territorial é o que permite que essas populações sejam expostas a riscos ambientais que grupos brancos e urbanos geralmente não enfrentam.
  • Alternativa B (Incorreta): A luta quilombola é indissociável da questão ambiental. Os quilombolas são considerados guardiões da biodiversidade, e seu modo de vida tradicional é uma forma de preservação dos biomas (como a Mata Atlântica e o Cerrado). A identidade quilombola é definida pela sua relação específica com a terra.
  • Alternativa C (Incorreta): A titulação tem implicações econômicas e ambientais profundas, sendo a base para a sustentabilidade e soberania alimentar da comunidade. Além disso, o racismo ambiental é um fenômeno que ocorre tanto no meio urbano quanto no meio rural e florestal.
  • Alternativa D (Incorreta): Frequentemente, o racismo ambiental manifesta-se quando o Estado impõe restrições ambientais sobre territórios tradicionais sem reconhecer os direitos pré-existentes das comunidades, e as compensações financeiras costumam ser inexistentes ou inadequadas, não garantindo a continuidade do modo de vida quilombola

A alternativa correta é a letra E. O racismo ambiental consiste na distribuição desigual dos impactos ambientais negativos e da ausência de proteção estatal sobre grupos racialmente vulnerabilizados, especialmente populações negras, indígenas e comunidades tradicionais. No caso das comunidades quilombolas, a demora ou negativa na titulação de seus territórios tradicionais contribui diretamente para situações de vulnerabilidade socioambiental, permitindo invasões, degradação ambiental, exploração irregular de recursos naturais e conflitos fundiários, além de dificultar o acesso a políticas públicas de proteção territorial e ambiental.

A luta quilombola pela terra possui dimensão histórica, cultural, econômica, ambiental e identitária, sendo o território elemento essencial para preservação dos modos de vida tradicionais. Por isso, as alternativas A, B e C estão incorretas, pois reduzem indevidamente o conceito de racismo ambiental ou dissociam a questão fundiária das questões ambientais. A letra D também está errada porque o racismo ambiental não se caracteriza pela simples priorização da preservação ambiental, tampouco é neutralizado automaticamente pela previsão de compensações financeiras, especialmente quando há violação de direitos territoriais e culturais das comunidades tradicionais.

Abraços

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