Com o objetivo de adquirir o imóvel dos seus sonhos, localiz...

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Q3914263 Legislação Federal
Com o objetivo de adquirir o imóvel dos seus sonhos, localizado no Município de Campo Grande, no Estado de Mato Grosso do Sul, José celebrou contrato exclusivamente com a incorporadora Alfa. Contudo, em observância às formalidades legais, o pacto foi objeto de resolução, por inadimplemento absoluto de obrigação imputada ao adquirente.
Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 4.591/1964, é correto afirmar que José: 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Lei nº 4.591/1964, art. 67-A, caput, incisos I e II, e § 1º: "Em caso de desfazimento do contrato celebrado exclusivamente com o incorporador, mediante distrato ou resolução por inadimplemento absoluto de obrigação do adquirente, este fará jus à restituição das quantias que houver pago diretamente ao incorporador, atualizadas com base no índice contratualmente estabelecido para a correção monetária das parcelas do preço do imóvel, delas deduzidas, cumulativamente: I - a integralidade da comissão de corretagem; II - a pena convencional, que não poderá exceder a 25% (vinte e cinco por cento) da quantia paga. § 1º Para exigir a pena convencional, não é necessário que o incorporador alegue prejuízo." No caso, como houve contrato celebrado exclusivamente com a incorporadora e resolução por inadimplemento absoluto do adquirente, aplica-se essa disciplina legal, o que conduz ao gabarito B.

Tema central: Resolução do contrato de incorporação
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por dois motivos jurídicos expressos no art. 67-A: a dedução legal é da integralidade da comissão de corretagem, e não de metade; além disso, o § 1º dispõe que, para exigir a pena convencional, não é necessário que o incorporador alegue prejuízo. A alternativa contraria tanto o inciso I quanto o § 1º.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reproduz a consequência jurídica prevista no art. 67-A da Lei nº 4.591/1964 para o desfazimento do contrato celebrado exclusivamente com o incorporador por inadimplemento absoluto do adquirente: há direito à restituição das quantias pagas diretamente ao incorporador, com atualização pelo índice contratualmente previsto, admitindo-se dedução cumulativa da integralidade da comissão de corretagem e da pena convencional limitada a 25% da quantia paga. Além disso, a base legal afasta a necessidade de demonstração de prejuízo para exigir a pena convencional.
C
Errada
Está errada porque nega o direito à restituição em hipótese na qual o caput do art. 67-A o assegura expressamente, mesmo havendo inadimplemento absoluto do adquirente. Também acrescenta condição não prevista na lei, ao exigir demonstração de fato superveniente impeditivo do cumprimento.
D
Errada
Está errada em três pontos objetivos: a restituição não é em valor nominal, mas atualizada com base no índice contratualmente estabelecido; a dedução da corretagem é da integralidade, e não de metade; e o teto da pena convencional é de 25%, não de 20%. Confronta diretamente o caput e os incisos I e II do art. 67-A.
E
Errada
Está errada porque o art. 67-A, caput, assegura ao adquirente inadimplente a restituição das quantias pagas diretamente ao incorporador, com as deduções legais. O inadimplemento absoluto não autoriza, por si só, a perda integral automática dos valores pagos.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre inadimplemento do adquirente e perda total das parcelas pagas, além da troca de elementos literais do art. 67-A: integralidade da corretagem por metade, atualização contratual por valor nominal, teto de 25% por 20% e desnecessidade de prejuízo por exigência de prova de dano.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado disser que o contrato foi celebrado exclusivamente com o incorporador e houve resolução por inadimplemento absoluto do adquirente, confira diretamente o art. 67-A da Lei nº 4.591/1964.
  • Nessa hipótese, não negue de saída a restituição: a lei assegura devolução do que foi pago diretamente ao incorporador, com deduções legais específicas.
  • Memorize os três pontos literais que mais caem: atualização pelo índice contratual, dedução da integralidade da corretagem e pena convencional até 25%.
  • Não acrescente requisito de prova de prejuízo para a pena convencional, porque o § 1º afasta expressamente essa exigência.

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Art. 67-A. Em caso de desfazimento do contrato celebrado exclusivamente com o incorporador, mediante distrato ou resolução por inadimplemento absoluto de obrigação do adquirente, este fará jus à restituição das quantias que houver pago diretamente ao incorporador, atualizadas com base no índice contratualmente estabelecido para a correção monetária das parcelas do preço do imóvel, delas deduzidas, cumulativamente:                   

I - a integralidade da comissão de corretagem;                    

II - a pena convencional, que não poderá exceder a 25% (vinte e cinco por cento) da quantia paga. 

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS. CONTRATO CELEBRADO APÓS A LEI Nº 13.786/2018. PREVALÊNCIA DO CDC EM HIPÓTESE DE CONFLITO DE NORMAS. RESTITUIÇÃO DE VALORES. LIMITE DE RETENÇÃO DE 25% DOS VALORES PAGOS. 1. Ação de rescisão de contrato de compra e venda de imóvel c/c restituição de valores pagos. 2. A Terceira Turma do STJ definiu que o Código de Defesa do Consumidor prevalece sobre a Lei do Distrato, considerando que o CDC se aplica quando preenchido um requisito adicional: a caracterização de uma relação de consumo. 3. Desse modo, restou decidido que os descontos previstos na Lei do Distrato podem ser efetuados como regra geral, mas, “quando se tratar de relação de consumo, a soma dos descontos deve respeitar o limite máximo de retenção de 25% (vinte e cinco por cento) dos valores pagos, com exceção da taxa de fruição”, em observância à interpretação conferida aos arts. 51, IV, e 53 do CDC por esta Corte (REsp 2.106.548/SP, Terceira Turma, DJEN 19/9/2025). 4. Recurso especial conhecido e provido. 

O erro da A) é afirmar a necessidade da incorporadora de comprovar o prejuízo sofrido, em sentido diametralmente oposto ao art. 67-A, § 1º: "Para exigir a pena convencional, não é necessário que o incorporador alegue prejuízo." 

letra b

Lei nº 4.591/1964

Art. 67-A. Em caso de desfazimento do contrato celebrado exclusivamente com o incorporador, mediante distrato ou resolução por inadimplemento absoluto de obrigação do adquirente, este fará jus à restituição das quantias que houver pago diretamente ao incorporador, atualizadas com base no índice contratualmente estabelecido para a correção monetária das parcelas do preço do imóvel, delas deduzidas, cumulativamente:         

          

I - a integralidade da comissão de corretagem;                    

II - a pena convencional, que não poderá exceder a 25% (vinte e cinco por cento) da quantia paga. 

incluído pela lei 13.786

Art. 67-A. Em caso de desfazimento do contrato celebrado exclusivamente com o incorporador, mediante distrato ou resolução por inadimplemento absoluto de obrigação do adquirente, este fará jus à restituição das quantias que houver pago diretamente ao incorporador, atualizadas com base no índice contratualmente estabelecido para a correção monetária das parcelas do preço do imóvel, delas deduzidas, cumulativamente:                   

I - a integralidade da comissão de corretagem;                    

II - a pena convencional, que não poderá exceder a 25% (vinte e cinco por cento) da quantia paga. 

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