Questões de Concurso Público UNICENTRO 2022 para Vestibular - Edital nº 32

Foram encontradas 14 questões

Q3908697 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver).

Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois.

O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam.

Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações.

O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.”

Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança.

(Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.) 
Acerca do trecho “Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário”, considere as afirmativas a seguir.
I. O termo “então” pode ser substituído pela expressão “além disso”, sem gerar prejuízo de sentido ao texto.
II. Os dois pontos podem ser substituídos por vírgula, sem alterar o sentido expresso pelo texto.
III. A locução “uma vez que”, precedida de vírgula, pode ser empregada no lugar dos dois pontos, sem alterar o sentido do texto.
IV. A conjunção “Se”, no início do período, tem por função introduzir um comentário sobre o que foi dito anteriormente, com valor condicional.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908698 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver).

Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois.

O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam.

Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações.

O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.”

Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança.

(Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.) 
Considerando o conteúdo do texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a relação de sentido condizente com a expressa no texto.
Alternativas
Q3908699 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver).

Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois.

O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam.

Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações.

O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.”

Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança.

(Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.) 
Sobre as características do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908700 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver).

Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois.

O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam.

Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações.

O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.”

Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança.

(Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.) 
Em relação ao fragmento “Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver)”, considere as afirmativas a seguir.
I. Os pares de termos “grama/relva” e “geladeira/frigorífico” podem ser considerados sinônimos do ponto de vista do texto.
II. O trecho do texto “ficaram a saber mais sobre a sua língua” apresenta um exemplo de conjugação perifrástica com o verbo no infinitivo, típico do português europeu.
III. A conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio configura falta de conhecimento das normas gramaticais.
IV. No fragmento de texto “Se os garotos tivessem começado a falar”, há um exemplo de conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908701 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver).

Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois.

O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam.

Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações.

O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.”

Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança.

(Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.) 
Acerca dos recursos utilizados no trecho “As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes”, considere as afirmativas a seguir.
I. O fragmento “que são enriquecedoras” refere-se ao núcleo do sujeito da oração “diferenças”.
II. O pronome “esta” faz referência direta à expressão citada anteriormente: variante portuguesa.
III. O trecho todo possui cinco orações.
IV. Na primeira ocorrência do termo “como”, a relação estabelecida no enunciado é de comparação.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908702 Português
Leia o poema a seguir.
lá ia eu toda exposta àquele olhar de garfo e faca vendo a mesa posta minhas postas em fatias ouvindo dos convivas piadas macarrônicas
(RUIZ S, Alice. Dois em um. São Paulo: Iluminuras, 2018. p. 179.)
Com base no poema, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908703 Português
Leia, a seguir, os trechos extraídos de A hora da estrela, de Clarice Lispector.
“É claro que, como todo escritor, tenho a tentação de usar termos suculentos: conheço adjetivos esplendorosos, carnudos substantivos...” (p. 21.)
“Agora não é confortável: para falar da moça tenho que não fazer a barba durante dias...” (p. 26.)
“Além de vestir-me com roupa rasgada.” (p. 26.)
“E a palavra não pode ser enfeitada e artisticamente vã, tem que ser apenas ela.” (p. 26.)
“Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio para não contaminar com luxos a simplicidade de minha linguagem.” (p. 29.)
“Tudo isso eu disse tão longamente por medo de ter prometido demais e dar apenas o simples e o pouco. Pois esta história é quase nada.” (p. 31.)
Com base nos trechos, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908704 Português
Leia, a seguir, o trecho da crônica “O homem trocado”, de Luis Fernando Verissimo, e responda à questão .

Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
– O senhor não faz chamadas interurbanas?
– Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
– Por quê?
– Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
– O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
– Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
– Apendicite? - perguntou, hesitante.
– É. A operação era para tirar o apêndice.
– Não era para trocar de sexo?

(VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 28.)
Estabelecendo a correlação entre a crônica “O homem trocado”, de Luiz Fernando Verissimo, e contos de Sagarana, de Guimarães Rosa, considere as afirmativas a seguir.
I. A infelicidade conjugal pode ensejar o tom grave, sério e triste que percorre o conto “Sarapalha”, como pode ser observado no trecho “Só sei que se ela, por um falar, desse de chegar aqui de repente, até a febre sumia...”, mas, na crônica de Verissimo, se soma aos episódios de humor como mais um caso de engano entre os tantos relatados.
II. No conto “A volta do marido pródigo”, há o seguinte trecho: “E, vai então pois então, Lalino teve um momento de fraqueza, e pediu a seu Oscar que procurasse a Ritinha e falasse, e dissesse, mas não dissesse isso, e calasse aquilo, mas dando a entender que... mas sem deixar que ela pensasse que... e aquil’outro, e também etc., e pronto.” O trecho é carregado de humor obtido com um arranjo de linguagem também encontrado no jogo entre engano e desengano, na crônica.
III. No trecho do conto “São Marcos” – “Pé por p... Outra árvore que não me vê, ai!” –, o protagonista está cego e acerta a cabeça em uma árvore pela segunda vez. As circunstâncias em que o autor se manifesta poderiam desencadear a compaixão no leitor, mas é o humor que se sobrepõe, assim como nas desventuras da crônica.
IV. No conto “A hora e vez de Augusto Matraga”, Nhô Augusto dirige-se a Joãozinho Bem-Bem, chefe do bando de jagunços: “se o senhor não se acanha de entrar em casa de pobre, eu lhe convido para passar mal e se arranchar comigo...”. O humor do trecho revela-se no convite para “passar mal” e na ironia do protagonista, que preparara tocaia para o bando, assim como a enfermeira é cruel para o protagonista da crônica.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908705 Português
Leia, a seguir, o trecho da crônica “O homem trocado”, de Luis Fernando Verissimo, e responda à questão .

Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
– O senhor não faz chamadas interurbanas?
– Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
– Por quê?
– Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
– O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
– Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
– Apendicite? - perguntou, hesitante.
– É. A operação era para tirar o apêndice.
– Não era para trocar de sexo?

(VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 28.)
Leia o trecho do conto “São Marcos” a seguir.
No desfecho do conto “São Marcos”, o protagonista chega à casa de João Mangolô e, após lutar contra o feiticeiro, lhe dá uma nota de dez mil-réis e assim se dirige a ele: “Olha, Mangolô: você viu que não arranja nada contra mim, porque eu tenho anjo bom, santo bom e reza-brava... Em todo o caso, mais serve não termos briga...”(p. 217.)
De acordo com o trecho do conto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3908706 Português
Leia, a seguir, o trecho da crônica “O homem trocado”, de Luis Fernando Verissimo, e responda à questão .

Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
– O senhor não faz chamadas interurbanas?
– Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
– Por quê?
– Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
– O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
– Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
– Apendicite? - perguntou, hesitante.
– É. A operação era para tirar o apêndice.
– Não era para trocar de sexo?

(VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 28.)
Com base no trecho da crônica, considere as afirmativas a seguir.
I. Os castigos escolares foram, segundo o homem vítima de tantos enganos, determinantes para o insucesso no vestibular e para lhe vedar a entrada na universidade.
II. O diagnóstico médico do desengano revelou-se, afinal, ser mais um dos enganos, e a reação de “breve, louca alegria” justifica-se pelo sofrimento com o acúmulo de equívocos.
III. A experiência conjugal foi marcada pelas ações de desencontros, embora haja diferenças sutis nessas ações: na primeira, há um erro involuntário; na segunda, ela o trai.
IV. A hesitação da enfermeira, em sua penúltima fala, já denuncia mais um equívoco, e tanto a carga de humor quanto o grau do erro são intensificados com a pergunta final.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908737 Português
Leia o texto a seguir.
[...] a arte é filha da liberdade e quer ser legislada pela necessidade do espírito, não pela carência da matéria. Hoje, porém, a carência impera e curva em seu jugo tirânico a humanidade caída. A utilidade é o grande ídolo do tempo; quer ser servida por todas as forças e cultuada por todos os talentos. Nesta balança grosseira o mérito espiritual da arte nada pesa, e ela, roubada de todo estímulo, desaparece do ruidoso mercado do século.
(SCHILLER, Friedrich. A educação estética do homem: numa série de cartas. Trad. Roberto Schwarz e Marcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 1989. p. 21-22.)
Sobre a teoria estética de Schiller, considere as afirmativas a seguir.
I. A educação estética valoriza o belo, formando sentidos e sentimentos, sem visar ao útil.
II. Ao valorizar a utilidade na arte, desconsidera-se a liberdade que estimula a criação artística.
III. O artista deve almejar a utilidade e não o significado da arte.
IV. O ideal da arte pela arte e a valorização da utilidade são o objetivo da educação estética.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908757 Português
Leia o texto a seguir.
O conteúdo de um texto, cedo aprende o historiador, não pode se resumir à superfície de sua mensagem. Há os entreditos, os interditos, os não-ditos, o vocabulário revelador. Se texto é falso, ou se ele mente, tanto melhor, pois o historiador poderá perguntar: “por que mentes?” Não são raras as vezes em que o analista irá encontrar o que procura precisamente nas contradições de um texto, seja ao nível do intratexto (as contradições internas) ou ao nível do intertexto (as contradições que aparecem no confronto com as fontes). Ao historiador, o texto costuma falar através dos seus detalhes mais insignificantes, como um criminoso que fala através das pistas que deixa escapar descuidadamente.
(BARROS, José D´Assunção. O Campo da História, 4. Ed. Petrópolis: Vozes, 2004.)
Sobre o conteúdo da prática adequada de análise histórica expressa no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908791 Português
Leia o texto a seguir.
O Movimento do Passe Livre (MPL) se tornou o ícone das manifestações e dos protestos de junho de 2013, como a expressão de uma nova forma política de agir. Porém, temos que lembrar que o MPL já tinha uma articulação nacional desde meados dos anos 2000, em várias cidades, com ideários políticos coletivamente definidos por seus participantes. Suas pautas não se reduziam ao preço da passagem dos ônibus, ainda que essa tenha sido uma estratégia política relevante. Esse movimento tem se referido mais amplamente aos direitos do cidadão no que diz respeito à mobilidade urbana de uma forma geral, a qual deveria ser considerada como um direito fundamental, tal como o direito à educação, à saúde etc. Assim, propunham, já historicamente, a desmercantilização do transporte coletivo, alicerçando-se num ideário de transformação sistêmica, como outros movimentos estudantis tiveram no passado ou têm no presente.
(Adaptado de: SCHERER-WARREN, Ilse. Manifestações de rua no Brasil 2013: encontros e desencontros na política. Caderno CRH, Salvador, v. 27, n.71, p. 417-429, Maio/Ago 2014, p. 418.)
Sobre a análise do Movimento do Passe Livre proposta por Ilse Scherrer-Warren, considere as afirmativas a seguir.
I. Scherer-Warren identifica o Movimento do Passe Livre como uma nova forma de fazer política que tem por base um ideal de transformação da sociedade.
II. Scherer-Warren acredita que a mobilidade urbana, pauta do Movimento do Passe Livre, é um direito fundamental assim como os demais direitos fundamentais dispostos na Constituição Federal.
III. Scherer-Warren identifica que o Movimento do Passe Livre se diferencia dos movimentos estudantis que o antecederam.
IV. Scherer-Warren aponta que a pauta do Movimento do Passe Livre limita-se à diminuição do preço da passagem de ônibus.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3908792 Português
Leia o textos a seguir. Imagem associada para resolução da questão
Sobre as análises propostas nos textos 1 e 2, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
1: C
2: E
3: D
4: A
5: B
6: A
7: B
8: D
9: C
10: E
11: A
12: C
13: A
14: A