Questões de Concurso Público IF-MG 2024 para PROFESSOR EBTT - Ciências Humanas - História - Bambuí
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De acordo com o Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, que aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, no tocante as regras deontológicas, analise as seguintes afirmativas:
I - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, sempre terá que decidir exclusivamente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno.
II - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, não se integra à vida particular de cada servidor público.
III - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.
IV - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los.
V - O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus superiores, velando atentamente por seu cumprimento, evitando assim a conduta imprudente. Erros eventuais, descaso e desvios pontuais tornam-se impossíveis de corrigir e caracterizam até mesmo imperícia no desempenho da função pública.
Marque a alternativa que corresponda à sequência correta:
Com base no disposto na Lei nº 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, analise as seguintes assertivas:
I - A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
II - A educação escolar deverá vincular-se ao mercado do trabalho e à prática esportiva e cultural da região em que a unidade escolar está inserida.
III - O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, podendo, nesse caso, reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei.
IV - A verificação do rendimento escolar observará, como um de seus critérios, a avaliação contínua, não-cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos quantitativos sobre os qualitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais.
V - O controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação.
Marque a alternativa que corresponda à sequência correta:
“Democracia – algo tão valioso para nós – é um conceito surgido na Grécia antiga. Por cerca de um século, a partir de meados do século V a.C., Atenas viveu esta experiência única em sua época. Democracia, em grego, quer dizer “poder do povo”, à diferença de “poder de um”, a monarquia, ou o “poder de poucos”, a oligarquia ou aristocracia.”
(FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 6. ed. 1. reimpr. São Paulo: Contexto, 2019, p. 38.)
O texto acima se refere à chamada “democracia ateniense”, sistema político que se desenvolveu na cidade de Atenas a partir de meados do século V a.C. Assinale a alternativa que descreve corretamente esse sistema.
“O exército romano foi se construindo e consolidando no decorrer das guerras ocorridas entre os séculos VI e III a.C. O exército sempre foi uma instituição essencial para os romanos. Durante os primeiros cinco séculos, desde a fundação de Roma até as reformas do general Mário, em 111 a.C., o exército romano era composto por todos os cidadãos e, por isso, era chamado de “exército de camponeses”. [...] O exército dividia-se em legiões, unidades que agrupavam aproximadamente 3 mil infantes, 1.200 homens de assalto e 300 cavaleiros, comandadas no mais alto nível pelos cônsules e pelos pretores, chamados de generais, em latim imperatores, “aqueles que mandam”. Os generais vencedores eram socialmente muito respeitados e tinham direito a honras importantes, tais como desfilar em triunfo com suas tropas pela cidade de Roma. [...] Durante os dois primeiros séculos do Império Romano (I e II d.C.), legiões inteiras eram compostas de soldados de origem não romana, tais como os batavos, uma tribo de germanos, originários da região da atual Alemanha. [...] Ao longo dos anos, tais soldados passaram a ser mais leais aos generais que lhes pagavam o salário do que ao Estado romano. [...] O resultado não se fez esperar, e os generais começaram a lutar entre si pelo poder, levando os romanos a inúmeras guerras civis. Depois de meio século de lutas internas, Caio Júlio César, um general aristocrata [...] tomou Roma, em 49 a.C., e tornou-se ditador em seguida.”
(FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 6. ed. 1. reimpr. São Paulo: Contexto, 2019, p. 96, 98-99, adaptado.)
Com base na leitura do texto acima e em seus conhecimentos a respeito da atuação do exército romano na História da Roma Antiga e do Império Romano, analise as afirmativas abaixo:
I. A expansão territorial de Roma por meio de guerras foi possível graças a uma série de estratégias adotadas pelo exército romano, como a organização de acampamentos que contavam com enfermarias, latrinas, saunas, cozinhas e fábricas de armamentos.
II. O pagamento de salários regulares aos soldados que eram recrutados já era uma prática comum em Roma antes mesmo da profissionalização do exército romano.
III. A dificuldade de deslocamento pelo vasto território do Império Romano se dava em função da precariedade e da insuficiência da rede estradas na época, o que forçava o exército romano a incorporar soldados de origem não romana, nascidos em diversas partes do Império.
IV. Além do acesso a recursos naturais, a expansão territorial de Roma por meio de guerras empreendidas pelo exército romano também proporcionava grandes lucros a partir da captura e venda dos inimigos derrotados, que eram escravizados.
Estão corretas apenas as afirmativas:
“Duas grandes temáticas são abordadas ao longo da carta. A primeira delas adverte severamente os ricos contra a exploração acometida aos pobres. A segunda exalta a importância de uma vida cristã acompanhada por boas obras. Nesse aspecto, a carta de Tiago suscitou constantes discussões entre os estudiosos neotestamentários a respeito de uma suposta contradição com o conteúdo das chamadas Epístolas Paulinas [as cartas de Paulo], que considera a fé em Cristo o elemento essencial para a salvação. [...] Na sua tradução da Bíblia para o alemão, Lutero organizou os livros neotestamentários de acordo com um critério bem particular. E esta nova organização do Novo Testamento, apesar de abranger os mesmos 27 livros, representou uma transformação sensível na maneira como esses livros foram interpretados nos anos seguintes à Reforma. O critério estabelecido por Lutero foi ordenar os livros de acordo com a profundidade da reflexão que faziam sobre Cristo. Assim, os Evangelhos vinham à frente, pois falavam de Cristo, na visão do reformador, melhor do que ninguém. Em contraste, as epístolas aos Hebreus, Tiago, Judas e a Revelação (Apocalipse) de João dedicavam poucos versículos para uma reflexão ‘cristológica’. Esses escritos foram assim deslocados para o final do Novo Testamento, demonstrando claramente uma hierarquia dos outros escritos frente a esse grupo marginal. [...] No que diz respeito à carta de Tiago, Martinho Lutero a classificou como uma ‘epístola de palha’, rebaixando-a no interior do corpo do Novo Testamento, uma vez que, de acordo Lutero, a referida carta seria desprovida de ‘característica evangélica’.”
(OLIVEIRA, Gabriel Braz de. Uma alternativa de leitura sobre a pobreza medieval no Novo Testamento: a trajetória canônica da epístola de Tiago. SILVA, Andréia Cristina Lopes Frazão da (Dir.). Construções de Gênero, Santidade e Memória no Ocidente Medieval. Rio de Janeiro: Programa de Estudos Medievais, 2018, p. 220-221, 233, 239, adaptado.)
O texto acima aborda algumas características da Carta de Tiago, texto bíblico presente no Novo Testamento, apontando para a existência de diferentes interpretações a respeito da referida carta, a exemplo da leitura e tradução que Martinho Lutero fez dela no contexto da Reforma Protestante. Diante disso, e tendo em vista a trajetória e as ideias de Lutero que orientaram a sua leitura, tradução e interpretação da Bíblia, assinale a alternativa correta:
“As navegações europeias no Atlântico durante o século XV iniciaram um novo e inaudito capítulo na história da humanidade. Além de os marinheiros europeus fornecerem rotas oceânicas diretas para áreas que estavam em contato com a Europa, através de caminhos por terra muito mais custosos e de difícil acesso (como a África ocidental e a Ásia oriental), os navios alcançaram locais que não haviam anteriormente mantido contato recíproco com o mundo externo. Esse fato é óbvio no caso dos continentes americanos, e os historiadores focaram diretamente sua atenção para esse imenso mundo novo em suas discussões sobre o período. Porém, não foram só os americanos que fizeram contatos externos, pois quase toda a região centro-oeste da África, no sul da atual República dos Camarões, também não tinha comunicação com o mundo externo, apesar de fazer parte geograficamente do território cujas regiões orientais e ocidentais tinham conexões de longa data com o Mediterrâneo e o oceano Índico. Nesse sentido, além de facilitar e intensificar as relações entre diversas regiões do Velho Mundo (que neste caso também incluía a África ocidental), a navegação europeia iniciou conexões entre o Velho Mundo e os dois novos mundos – as duas seções do continente americano e a região centro-oeste da África.”
(THORNTON, John Kelly. A África e os Africanos na Formação do Mundo Atlântico, 1400- 1800. Tradução de Marisa Rocha Mota. Revisão técnica de Márcio Scalercio. Coordenação editorial de Mary Del Priore. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 53-54.)
O texto acima se refere à expansão marítima europeia iniciada no século XV, um processo que gerou inúmeros efeitos não apenas no continente europeu, mas também em diversas outras partes do mundo, como na América e na África. No que diz respeito a esse tema, assinale a alternativa correta:
“[...] a propaganda é um instrumento do totalitarismo, possivelmente o mais importante, para enfrentar o mundo não totalitário; o terror, ao contrário é a própria essência da sua forma de governo.”
(ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo: antissemitismo, imperialismo, totalitarismo. 12. Reimpr. Tradução de Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 476- 477.)
No trecho acima, a filósofa Hannah Arendt apresenta uma breve reflexão sobre a importância da propaganda e do terror para os movimentos totalitários. Com base na análise do totalitarismo feita por Hannah Arendt na obra Origens do Totalitarismo, assinale a opção correta:
“Contraditória, oscilante, hipócrita: são esses os adjetivos empregados, de forma unânime, para qualificar a legislação e a política da Coroa portuguesa em relação aos povos indígenas do Brasil colonial. Desde o trabalho pioneiro de João Franscisco Lisboa (1852), as análises da situação legal dos índios durante os três séculos de colonização reafirmaram o caráter ineficaz ou francamente negativo das leis.”
(PERRONE-MOISÉS, Beatriz. Índios livres e índios escravos: os princípios da legislação indigenista no período colonial (séculos XVI a XVIII). In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos Índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras: Secretaria Municipal de Cultura: FAPESP, 1992, p. 115.)
O trecho acima faz parte de um texto em que a pesquisadora Beatriz Perrone-Moisés apresenta uma reflexão sobre a legislação elaborada pela Coroa portuguesa para lidar com os povos indígenas do Brasil colonial, dando especial atenção aos modos como a historiografia descreveu essas leis ao longo do tempo. No que tange a essa temática, assinale a opção correta:
Os trechos abaixo fazem parte da obra Os Bruzundangas, de Lima Barreto.
“A Bruzundanga é um poderoso e rico país que, como todos sabem, fica nas zonas temperada e subtropical (...).
O país, no dizer de todos, é rico, tem todos os minerais, todos os vegetais úteis, todas as condições de riqueza, mas vive na miséria. (...) As cidades vivem cheias de carruagem; as mulheres se arreiam de joias e vestidos caros; os cavalheiros chiques se mostram, nas ruas, com bengalas e trajes apurados; os banquetes e as recepções se sucedem.
[...] a população rural, que é a base de todas as nações, oprimida por chefões políticos, inúteis, incapazes de dirigir a coisa mais fácil dessa vida. Vive sugada, esfomeada, maltrapilha, macilenta, amarela, para que, na sua capital, algumas centenas de parvos, com títulos altissonantes disso ou daquilo, gozem vencimentos, subsídios duplicados e triplicados
(...) empregando um grande palavreado de quem vai fazer milagres”.
(BARRETO, Lima. Os Bruzundangas: incluindo outras histórias dos bruzundangas. São Paulo: Ática, 2012).
Em Os Bruzundangas, Lima Barreto:
I. Faz uma apologia da modernização da cidade do Rio de Janeiro ocorrida no início do século XX, período conhecido como Belle Époque.
II. Utiliza a metáfora como uma figura de linguagem para falar do Brasil do seu tempo, suas características e suas contradições.
III. Cria um jogo de palavras em oposição para caracterizar o descompasso entre a riqueza dos recursos minerais e naturais do país e a pobreza de sua população.
IV. Faz referência ao voto de cabresto enquanto instrumento de opressão da população rural no Brasil da Primeira República.
As afirmativas que estão corretas são:
Leia o trecho destacado do romance O coração das trevas, publicado por Joseph Conrad em 1902, e assinale a alternativa correta.
“Ora, quando eu era menino, era apaixonado por mapas. Passava horas olhando a América do Sul, a África ou a Austrália, e me abandonava a todas as glórias da exploração. Naquele tempo, havia muitos espaços vazios na Terra e, quando via um que me parecesse especialmente convidativo num mapa (mas quase todos parecem assim), colocava o dedo em cima e dizia: ‘quando crescer, vou até lá’ [...]. Mas havia um – o maior, o mais vazio, por assim dizer – pelo qual eu tinha um anseio muito forte. A verdade é que naquela época já não era mais um espaço vazio. Havia-se enchido, desde a minha meninice, de rios, de lagos, de nomes. Havia deixado de ser um espaço vazio com um mistério encantador [...]. Tinha virado um lugar de trevas. Mas havia nele um rio, em especial, um rio extremamente grande, que se podia ver no mapa como uma imensa serpente desenrolada com a cabeça no mar [...]. E, enquanto eu olhava para o mapa do lugar numa vitrine de loja, ele me hipnotizou como uma serpente faz com um pássaro”.
(CONRAD, Joseph. O coração das trevas. Tradução de Celso Paciornik. São Paulo: Iluminuras, 2002, p. 17).
O relato do personagem de Conrad revela