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“Duas grandes temáticas são abordadas ao longo da carta. A primeira delas adverte severamente os ricos contra a exploração acometida aos pobres. A segunda exalta a importância de uma vida cristã acompanhada por boas obras. Nesse aspecto, a carta de Tiago suscitou constantes discussões entre os estudiosos neotestamentários a respeito de uma suposta contradição com o conteúdo das chamadas Epístolas Paulinas [as cartas de Paulo], que considera a fé em Cristo o elemento essencial para a salvação. [...] Na sua tradução da Bíblia para o alemão, Lutero organizou os livros neotestamentários de acordo com um critério bem particular. E esta nova organização do Novo Testamento, apesar de abranger os mesmos 27 livros, representou uma transformação sensível na maneira como esses livros foram interpretados nos anos seguintes à Reforma. O critério estabelecido por Lutero foi ordenar os livros de acordo com a profundidade da reflexão que faziam sobre Cristo. Assim, os Evangelhos vinham à frente, pois falavam de Cristo, na visão do reformador, melhor do que ninguém. Em contraste, as epístolas aos Hebreus, Tiago, Judas e a Revelação (Apocalipse) de João dedicavam poucos versículos para uma reflexão ‘cristológica’. Esses escritos foram assim deslocados para o final do Novo Testamento, demonstrando claramente uma hierarquia dos outros escritos frente a esse grupo marginal. [...] No que diz respeito à carta de Tiago, Martinho Lutero a classificou como uma ‘epístola de palha’, rebaixando-a no interior do corpo do Novo Testamento, uma vez que, de acordo Lutero, a referida carta seria desprovida de ‘característica evangélica’.”
(OLIVEIRA, Gabriel Braz de. Uma alternativa de leitura sobre a pobreza medieval no Novo Testamento: a trajetória canônica da epístola de Tiago. SILVA, Andréia Cristina Lopes Frazão da (Dir.). Construções de Gênero, Santidade e Memória no Ocidente Medieval. Rio de Janeiro: Programa de Estudos Medievais, 2018, p. 220-221, 233, 239, adaptado.)
O texto acima aborda algumas características da Carta de Tiago, texto bíblico presente no Novo Testamento, apontando para a existência de diferentes interpretações a respeito da referida carta, a exemplo da leitura e tradução que Martinho Lutero fez dela no contexto da Reforma Protestante. Diante disso, e tendo em vista a trajetória e as ideias de Lutero que orientaram a sua leitura, tradução e interpretação da Bíblia, assinale a alternativa correta:
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A alternativa correta é a E.
A questão central aborda as interpretações divergentes da Carta de Tiago no contexto do Novo Testamento, especialmente no que concerne à tradução e interpretação feitas por Martinho Lutero durante a Reforma Protestante. Este é um tema relevante para compreender as rupturas religiosas e teológicas da época, além de seus impactos sociais e políticos.
A Carta de Tiago é conhecida por valorizar a prática de boas obras e criticar a diferença social entre ricos e pobres, o que gerou debates sobre sua interpretação teológica, especialmente em contraste com as Epístolas Paulinas, que enfatizam a fé como essencial para a salvação.
Lutero reordenou os livros do Novo Testamento em sua tradução para o alemão, destacando aqueles que, segundo ele, possuíam maior profundidade cristológica. Nesse rearranjo, a Carta de Tiago foi relegada a uma posição menos importante, sendo considerada uma "epístola de palha" por Lutero devido à sua ênfase em obras, o que divergia de sua doutrina de salvação pela fé.
Agora, vejamos por que a alternativa E é correta:
A alternativa E afirma que a preocupação com a pobreza presente na Carta de Tiago também estava nas ideias de Martinho Lutero, que defendia a prática da caridade e criticava a compra e venda de indulgências. Lutero era realmente contra o sistema de indulgências da Igreja Católica, que permitia a compra de "perdões" para pecados. Ele também acreditava na importância da caridade e na ajuda aos necessitados, alinhando-se, portanto, a alguns princípios da Carta de Tiago.
Agora, vejamos por que as outras alternativas estão incorretas:
A: Embora Lutero tenha mantido os 27 livros em sua tradução do Novo Testamento, ele não atribuía a mesma importância a todos eles. Como indicado no texto, ele criou uma hierarquia com base na profundidade cristológica dos livros.
B: Lutero não manteve a Carta de Tiago por concordar com a ideia de que a salvação se dava pelas obras; pelo contrário, ele rebaixou sua importância justamente por acreditar que a salvação vinha pela fé, não pelas obras.
C: A tradução do Novo Testamento para o alemão por Lutero foi um ato desafiador, mas sua excomunhão e expulsão do Sacro Império Romano-Germânico ocorreram principalmente devido ao seu desafio mais amplo às doutrinas da Igreja Católica, não apenas pela tradução.
D: Não há evidências de que Lutero tenha utilizado a crítica social da Carta de Tiago para apoiar publicamente a revolta dos anabatistas. Ele, na verdade, era crítico das revoltas camponesas que ocorreram na época.
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