Questões de Concurso
Sobre neurologia em medicina
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Lactente de 1 ano e 2 meses, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro por crise convulsiva. A mãe relata que a criança apresentou febre (temperatura axilar de 38,8 ºC) medida após a crise. A convulsão foi tônico-clônica generalizada, com duração aproximada de 3 minutos, e cessou espontaneamente. Ao chegar ao PS, a criança está sonolenta, porém reativa, sem sinais focais ao exame neurológico. A mãe nega crises anteriores e nega antecedentes de epilepsia. A criança não apresenta sinais de irritação meníngea.
Assinale a alternativa que melhor descreve a classificação e a conduta inicial mais adequada para esse caso.
Criança de 3 anos, 15 kg, previamente hígida, dá entrada no pronto-socorro após queda da própria altura há 1 hora, batendo a cabeça no chão de cerâmica da cozinha de sua casa. Não perdeu a consciência. No momento está chorosa, mas consolável pela mãe. Ao exame: Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem sinais de fratura de base de crânio, sem hematomas ou lacerações significativas no couro cabeludo. Nega cefaleia, nega vômitos. O exame neurológico é normal. A mãe está apreensiva, mas tranquila com a conduta do médico.
De acordo com a regra de predição clínica PECARN para TCE leve em crianças ≥ 2 anos, qual a conduta mais adequada?
Um homem de 35 anos é admitido após traumatismo cranioencefálico grave. A tomografia de crânio evidencia hematoma intracraniano associado a edema cerebral. Durante a monitorização, observa-se elevação progressiva da pressão intracraniana.
Assinale a alternativa correta.
Mulher de 38 anos procura atendimento por cefaleia recorrente há aproximadamente um ano. As crises são caracterizadas por dor unilateral pulsátil, de intensidade moderada a forte, com duração de 12 a 24 horas, acompanhadas de náuseas, fotofobia e fonofobia. Ocorrem cerca de seis vezes ao mês e prejudicam significativamente suas atividades profissionais. Antes de algumas crises, apresenta fenômenos visuais constituídos por pontos luminosos e linhas em zigue-zague, que duram cerca de 20 minutos e desaparecem completamente antes do início da cefaleia. O exame neurológico é normal.
Considerando o diagnóstico mais provável e a frequência das crises, é correto afirmar:
Qual afirmação é mais adequada?
Qual estratégia é mais adequada?
Esclerose múltipla deixa pistas no sangue muito antes dos sintomas
A esclerose múltipla costuma ser diagnosticada apenas quando os sintomas já se tornaram evidentes. No entanto, a ciência está se aproximando de um cenário diferente: identificar sinais da doença anos antes da primeira crise clínica.
A condição neurológica, que afeta principalmente mulheres entre 20 e 40 anos, provoca um ataque do próprio sistema imunológico contra a bainha de mielina —estrutura que reveste os neurônios e garante a rápida transmissão dos impulsos nervosos. Quando esse processo começa, o cérebro pode acumular danos por muito tempo antes que surjam sintomas perceptíveis.
É justamente essa fase inicial que pesquisadores tentam desvendar. Um estudo publicado na revista Nature Medicine identificou biomarcadores sanguíneos capazes de sinalizar a presença da esclerose múltipla até sete anos antes dos primeiros sintomas.
A descoberta foi feita após a análise de mais de 5.000 proteínas em amostras de sangue de 134 militares norte americanos acompanhados durante mais de uma década. Todos desenvolveram esclerose A descoberta foi feita após a análise de mais de 5.000 proteínas em amostras de sangue de 134 militares norte-americanos acompanhados durante mais de uma década.
Os pesquisadores identificaram um conjunto de 21 biomarcadores que, avaliados em conjunto, podem ajudar a antecipar o reconhecimento da doença e monitorar sua evolução. Entre eles, a glicoproteína oligodendrócita da mielina (MOG) chamou atenção por surgir até sete anos antes dos sintomas. Sua presença indica os primeiros sinais de dano à mielina, alvo principal da doença.
Pouco depois, ocorre um aumento da proteína IL-3, associada ao recrutamento de células de defesa que passam a atacar estruturas do sistema nervoso central. Em seguida, surge a elevação da cadeia leve de neurofilamento (NfL), marcador que indica lesão direta dos neurônios.
Os achados reforçam uma ideia que os neurologistas observam há anos: a esclerose múltipla começa muito antes do primeiro surto. Enquanto o paciente ainda não apresenta alterações neurológicas evidentes, processos inflamatórios já podem estar em andamento.
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas convivem durante anos com sintomas aparentemente inespecíficos, como fadiga persistente, dificuldade de concentração, alterações de humor, ansiedade ou irritabilidade, sem imaginar que essas manifestações possam estar relacionadas à doença.
O avanço também pode preencher uma lacuna importante da prática clínica. Hoje, a progressão da esclerose múltipla é monitorada principalmente por sintomas e exames de imagem. O problema é que a ressonância magnética nem sempre consegue mostrar toda a atividade inflamatória que ocorre dentro das lesões cerebrais.
Nesse contexto, biomarcadores sanguíneos poderiam funcionar como uma espécie de termômetro biológico, permitindo identificar inflamações em atividade, avaliar o risco de progressão e verificar se os tratamentos estão controlando adequadamente a doença.
Os especialistas ressaltam, porém, que esses marcadores não devem ser interpretados isoladamente. Algumas dessas proteínas também se alteram em outras doenças neurológicas, o que torna indispensável a associação com avaliação clínica, exames de imagem e outros testes laboratoriais.
A expectativa é que, no futuro, a combinação desses biomarcadores com ferramentas de inteligência artificial permita um acompanhamento mais personalizado. O objetivo seria identificar precocemente pacientes com maior risco de sequelas e iniciar intervenções antes que danos irreversíveis ocorram.
Extraído de: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/06/16/esclerose-multipla-pode-ser-detectada-anos-antes-dos-sintomas.ghtm