Questões de Concurso Sobre variação linguística em português

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Q1102905 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão. 


“[...]

— Famigerado?

— “Sim senhor…” – e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo – apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. – Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:

— “Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho…”

Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.

— Famigerado é inóxio, é “célebre”, “notório”, “notável”…

— “Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?”

— Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos…

— “Pois… e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?”

— Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito…

— “Vosmecê agarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?”

Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:

— Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado – bem famigerado, o mais que pudesse!…

— “Ah, bem!…” – soltou, exultante.

[...]”

Guimarães Rosa – Famigerado. Disponível em:<https://contobrasileiro.com.br/famigerado-conto-de-guimaraes-rosa/>. Acesso em: 12 jul. 2019.

A respeito da linguagem utilizada no conto de Guimarães Rosa, é incorreto afirmar:
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Q1098580 Português

Analise o texto a seguir.


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As gírias são variantes linguísticas que traduzem características de aspecto sociocultural de seus falantes.

Assim, pode-se afirmar que nesse texto não se tem linguagem

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Q1097196 Português
Para responder às questões 05 e 06, leia o fragmento abaixo:
    
    “Alta e com postura retilínea, Elza é uma figura imponente. Diz que nunca foi conhecida por ser ‘meiguinha’ – ‘muito pelo contrário, não passo a mão na cabeça, sou meio bruta, tropeços nos ambientes’.
    Essa postura, ressalta, não tem a ver com uma maneira de marcar território em uma instituição historicamente masculina. ‘Não preciso cuspir no chão para mostrar que sou mais capaz que um homem’”. (linhas 14-23)
Expressões como “não passo a mão na cabeça” e “marcar território” são marcas de
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Q1093831 Português
De acordo com a fala da personagem, as mídias giratórias estão
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Q1091687 Português

Fragmento 1 - No português brasileiro, observam-se mudanças no uso da língua pelos falantes de pelo menos cinco ordens: fonética, morfológica, sintática, léxica e semântica [...].

Muitos autores apontam então para a existência- no português brasileiro- de registros ou níveis de linguagem, ou seja, mudanças no uso da língua pelos falantes.

Em suma, seja na fala ou na escrita, cada usuário da língua utiliza vários registros de linguagem, em conformidade com seu nível social, a situação sociocomunicativa e as circunstâncias, e também em conformidade com a necessidade de imprimir a seu texto maior ou menor formalidade [...].

DIDIO, Lucie. Leitura e produção de textos: comunicar melhor, pensar melhor, ler melhor, escrever melhor. São Paulo: Ed Atlas, 2013. p. 33 -35.


Fragmento 2 - A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existiráꞏ, independentemente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em Língua Portuguesa está se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. Embora no Brasil haja relativa unidade linguística e apenas uma língua nacional, notam-se diferenças de pronúncia, de emprego de palavras, de morfologia e de construções sintáticas, as quais não somente identificam os falantes de comunidades linguísticas em diferentes regiões, como ainda se multiplicam em uma mesma comunidade de fala. Não existem, portanto, variedades fixas: em um mesmo espaço social convivem mescladas diferentes variedades linguísticas, geralmente associadas a diferentes valores sociais. Mais ainda, em uma sociedade como a brasileira, marcada por intensa movimentação de pessoas e intercâmbio cultural constante, o que se identifica é um intenso fenômeno de mescla linguística, isto é, em um mesmo espaço social convivem mescladas diferentes variedades linguísticas, geralmente associadas a diferentes valores sociais.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa/ Secretaria de Educação Fundamental - Brasília:MEC/SEF, 1998. p. 29. 

No primeiro parágrafo do fragmento 1 encontram-se descritos alguns usos da língua que sofrem variações pelos falantes. Considerando os registros citados, numere a segunda coluna de acordo com a primeira.


(1) Variação lexical

(2) Variação sintática

(3) Variação fonética

(4) Variação semântica

(5) Variação morfológica


( ) Indica a aplicação de contextos muito diferentes para uma mesma palavra a exemplo da palavra estância que significa pequena hospedaria no Sul do País e recebe a significação de cortiço no norte do país ou ainda bacia na acepção de utensílio de cozinha ou significando parte do esqueleto humano.

( ) Percebe-se em situações nas quais os falantes deixam de pronunciar o S nos plurais, determinando a flexão apenas pelo artigo: “os prato”, “as garota” ou registros como aldeãos/aldeães, verãos/verões.

( ) Ocorre em mudanças no timbre e intensidade da fala e modulações da voz. Essas inflexões podem determinar a origem dos falantes no que tange à cultura, localização.

( ) Compreende-se quando a mesma realidade é designada por vocábulos diferentes: a exemplo de aipim, macaxeira, ou mandioca, marmitex ou quentinha dependendo da região do falante ou sua condição social.

( ) Há modificações na estrutura oracional com mudanças na posição dos objetos diretos, adjuntos adnominais, inversão de termos frásicos, isto é, quando varia a construção frásica ou a regência de um verbo ou a concordância.


A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é

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Q1084834 Português
“Variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada.” (CEREJA & MAGALHÃES, 2013, p.30).
Considerando que a língua apresenta variações linguísticas relacionadas a diversos aspectos, associe corretamente o tipo de variação aos seus conceitos.
TIPOS DE VARIAÇÃO (1) Formal (2) Gíria

CONCEITOS ( ) É um fenômeno linguístico que apresenta palavras ou frases em sentido denotativo. ( ) Essa variação é utilizada quando se quer conferir um caráter de credibilidade à comunicação. ( ) Variação que sistematiza o que é a língua de um povo, orientando o seu uso. ( ) Contribui para definir a identidade de um grupo social com um linguajar próprio.
A sequência correta dessa associação é
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Q1084798 Português

 Um país do balacobaco 

Mentor Neto

       1. Nossa cultura popular é uma enciclopédia aberta, envolvente e rica em termos e frases de profundidade inquestionável. Conhecimento comum, da gente simples, do dia a dia, que resultou em gotículas de sabedoria muitas vezes desprezadas. Ao longo dos anos venho colecionando inúmeras. Utilizo esta enciclopédia aberta como repositório que, acredito, poderia ser de amplo emprego por alguns brasileiros.

     2. É verdade que algumas dessas expressões caíram em desuso, mas nem por isso perderam o brilhantismo. Por exemplo, no escândalo mais recente, o caso Intercept Brasil, o conselho “em boca fechada não entra mosca” teria sido de profunda utilidade. 

     3. Há como descrever melhor o trabalho da Lava Jato do que com um “cada enxadada uma minhoca”? Aos acusados ou suspeitos de corrupção, aos que se enriqueceram por meios ilícitos, um “bobeou, dançou” cai feito uma luva.

      4. “Entornar o caldo” me parece adequado quando nos referimos à cultura de delações premiadas na qual estamos imersos. Por falar nisso, os delatores encontram um sábio conselho no “ajoelhou, tem que rezar” ou, quem sabe, no consagrado “colocar a boca no trombone”! Já aos que preferem manter o silêncio, “boca de siri” é o ideal.

     5. Alguns personagens desse “bafafá” que tomou conta de nossa política são protagonistas tão importantes que merecem frases conhecidas de aplicação exclusiva, já que “entraram numa fria”. Afinal, como descrever mais precisamente o que ocorreu com aquele que “foi pego com a boca na botija”?

      6. Para os destacados empresários do ramo frigorífico, um belo “mamar na vaca você não quer, né?” é incontestável. Tenho certeza de que o estimado leitor há de concordar.

      7. E os deputados e senadores? E os que infringiram acordos? Ou aquilo está “um quiprocó”, “um perereco” do caramba mesmo. Alguns ministros “aparecem mais que umbigo de vedete”, mas a real é que deveriam “sair de fininho”.

    8. A verdade é que o País está “do jeito que o diabo gosta” e cabe a nós acabar logo com esse “lero-lero” e “partir pras cabeças”. Afinal, amigo, nossa situação “está mais feia que bater na mãe”.

IstoÉ, n. 2581, 19 jun. 2019. Adaptado

Leia os textos seguintes.

Texto I

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Texto II

"Alguns personagens desse 'bafafá' que tomou conta de nossa política são protagonistas tão importantes que merecem frases conhecidas de aplicação exclusiva..." (§5)


Considere as duas leituras e preencha corretamente as lacunas do texto a seguir.


Toda língua varia no tempo e no espaço. No nosso idioma, há inúmeras variações linguísticas, entre as quais se destacam as/os _______________, representadas/os pelos vocábulos "bafafá" e "calhambeque". Eles exemplificam termos que entraram e saíram da moda, caindo em desuso, ou retornam, de tempos em tempos, com outros significados. Embora classificadas(os) por alguns teóricos como vícios de linguagem, são importantes para a manutenção da língua e servem de marca _______________. Esse tipo de linguagem é utilizado por um determinado grupo _______________, fazendo com que este se diferencie dos demais falantes da língua.


A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é


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Q1084771 Português

Leia a tirinha.

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Considerando que as palavras, as expressões e os enunciados podem apresentar uma variedade de significados conforme o contexto em que foram empregados, a ação do Recruta Zero, no segundo quadrinho, de escrever o que o Tenente Escovinha mandou, ocorreu de forma

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Q1084313 Português

De acordo com a tira e com a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, analise as afirmativas abaixo.

I. As reticências utilizadas no segundo quadrinho marcam a interrupção da fala da personagem, cujo sentido, embora omitido textualmente, pode ser depreendido pelo conjunto da tira.

II. A expressão “AHHH!!” no terceiro quadrinho, classificada como onomatopeia, é um recurso muito comum nos quadrinhos em geral.

III. As formas verbais “vou dar” e “vá fazer”, embora estejam conjugadas em pessoas diferentes – respectivamente, na 1ª e 3ª pessoa do singular –, estão no mesmo modo verbal, o indicativo.

Assinale a alternativa correta.

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Q1071860 Português

Leia um trecho do conto “Tangerine-Girl”, de Raquel de Queiroz, para responder à questão.


      De princípio a interessou o nome da aeronave: não “zepelim” nem dirigível; o grande fuso de metal brilhante chamava-se modernissimamente blimp. Pequeno como um brinquedo, independente, amável. A algumas centenas de metros da sua casa ficava a base aérea dos soldados americanos e o poste de amarração dos dirigíveis. E de vez em quando eles deixavam o poste e davam uma volta, como pássaros mansos que abandonassem o poleiro num ensaio de voo. Assim, aos olhos da menina, o blimp1 existia como um animal de vida própria; fascinava-a como prodígio mecânico que era, e principalmente ela o achava lindo, todo feito de prata, librando-se2 majestosamente pouco abaixo das nuvens. Não pensara nunca em entrar nele; não pensara sequer que pudesse alguém andar dentro dele. Verdade que via lá dentro umas cabecinhas espiando, mas tão minúsculas que não davam impressão de realidade.

      O seu primeiro contato com a tripulação do dirigível começou de maneira puramente ocasional. Acabara o café da manhã; a menina tirara a mesa e fora à porta que dá para o laranjal, sacudir da toalha as migalhas de pão. Lá de cima um tripulante avistou aquele pano branco tremulando entre as árvores espalhadas e a areia, e o seu coração solitário comoveu-se. Vivia naquela base como um frade no seu convento – sozinho entre soldados e exortações patrióticas. E ali estava, juntinho ao oitão da casa, sacudindo um pano, uma mocinha de cabelo ruivo. O marinheiro agitou-se todo com aquele adeus. Várias vezes já sobrevoara aquela casa, vira gente entrando e saindo; e pensara quão distantes uns dos outros vivem os homens, quão indiferentes passam entre si, cada um trancado na sua vida. Ele estava voando por cima das pessoas, vendo-as e, se algumas erguiam os olhos, nenhuma pensava no navegador que ia dentro; queriam só ver a beleza prateada vogando3 pelo céu.

      Mas agora aquela menina tinha para ele um pensamento, agitava no ar um pano, como uma bandeira; decerto era bonita – o sol lhe tirava fulgurações de fogo do cabelo. Seu coração atirou-se para a menina num grande impulso agradecido; debruçou-se à janela, agitou os braços, gritou: “Amigo!, amigo!” – embora soubesse que o vento, a distância, o ruído do motor não deixariam ouvir-se nada. Gostaria de lhe atirar uma flor, um mimo. Mas que podia haver dentro de um dirigível da Marinha que servisse para ser oferecido a uma pequena? O objeto mais delicado que encontrou foi uma grande caneca de louça branca, pesada como uma bala de canhão. E foi aquela caneca que o navegante atirou; atirou, não: deixou cair a uma distância prudente da figurinha iluminada, num gesto delicado, procurando abrandar a força da gravidade, a fim de que o objeto não chegasse sibilante como um projétil, mas suavemente, como uma dádiva.

(Os cem melhores contos brasileiros do século. Org. Italo Moriconi – Objetiva, 2001. Adaptado)


1. blimp: dirigível

2. librando-se: flutuando, equilibrando-se

3. vogando: flutuando 

Considere os trechos do texto.


•  ... librando-se majestosamente pouco abaixo das nuvens. (1° parágrafo)

•  ... e pensara quão distantes uns dos outros vivem os homens... (2° parágrafo)

•  ... decerto era bonita – o sol lhe tirava fulgurações de fogo do cabelo. (3°parágrafo)


É correto afirmar que os três termos destacados

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Q1065250 Português
Leia o texto a seguir.
"Nascemos em meio a um mundo de linguagem, aprendemos a língua em contato com as pessoas que nos cercam e já estavam inseridas nessa linguagem. [...] Produzimos e lemos textos orais e escritos, nos comunicamos por gestos, lemos imagens, interpretamos sons. [...] Para evitar que cada falante use a língua à sua maneira, em todo o mundo existem especialistas que registram, estudam e sistematizam o que é a língua de um povo em certo momento, o que dá origem à norma-padrão, uma espécie de lei que orienta o uso social da língua."
(CEREJA, W. & MAGALHÃES, T. C. Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação. São Paulo: Atual, 2013, p. 29).
Com base no que apontam os dois teóricos, é CORRETO afirmar que a linguagem formal deve ser necessariamente empregada:
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Q1065127 Português

                                    Falso mar, falso mundo


      O mundo anda cada vez mais complicado, o que não é bom. O frágil corpo humano não foi feito para competir com a máquina, conviver com a máquina e explorá-la. A cada adiantamento técnico-científico, o conflito fica mais duro para o nosso lado.

      Mas nesta semana vi na TV uma reportagem que me horrorizou como prova de que, a cada dia, mais renunciamos às nossas prerrogativas de seres vivos e nos tornamos robotizados. Foi a “praia artificial” no Japão (logo no Japão, arquipélago penetrado e cercado de mar por todos os lados!).

      É um galpão imenso, maior que qualquer aeroporto, coberto por uma espécie de cúpula oblonga, de plástico. E filas à entrada, lá dentro um guichê, o pessoal paga a entrada, que é cara, e some. Deve entrar no vestiário, ou antes, no despiário, pois surgem já convenientemente seminus, como se faz na praia. Pois que debaixo daquele imenso teto de plástico está um mar, com a sua praia. Mar que, na tela, aparece bem azul com ondas de verdade, coroadas de espuma branca; ondas tão fortes que chegam a derrubar as pessoas e sobre as quais jovens atletas surfam e rebolam. E um falso sol, de luz e calor graduáveis; e a praia é de areia composta por pedrinhas de mármore.

      Não sei se pelo comportamento dos figurantes, a gente tinha a impressão absoluta de que assistia a uma cena de animação figurada em computador. A única presença viva, destacando-se no elenco de bonecos, era a repórter, apresentadora do espetáculo. Já se viu! Se fosse uma honesta piscina de água morna, tudo bem. Mas fingir as ondas, falsificar um sol bronzeando, de trinta e cinco graus, e toda aquela gente se deitando com a simulação e depois voltando para a rua vestida nos seus casacos! Me deu pena, horror, sei lá. Aquilo não pode deixar de ser pecado. Falsificar com tanta impudência as criações da natureza, e pra quê!

(Adaptado de: QUEIROZ, Rachel. Melhores crônicas. São Paulo: Global Editora, 1994, edição digital) 

Quanto à linguagem do texto, afirma-se corretamente:
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Q1064502 Português

Atenção: Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. 


          − Quer esse menininho para o senhor? Pode levar.

          Aconteceu no Rio, como acontecem tantas coisas. O rapaz entrou no café da rua Luís de Camões e começou a oferecer o filho de seis meses. Em voz baixa, ao pé do ouvido, como esses vendedores clandestinos que nos propõem um relógio submersível. Com esta diferença: era dado, de presente. Uns não o levaram a sério, outros não acharam interessante a doação. Que iriam fazer com aquela coisinha exigente, boca aberta para mamar e devorar a escassa comida, corpo a vestir, pés a calçar, e mais dentista e médico e farmácia e colégio e tudo que custa um novo ser, em dinheiro e aflição?

       − Fique com ele. É muito bonzinho, não chora nem reclama. Não lhe cobro nada…

        Podia ser que fizesse aquilo para o bem do menino, um desses atos de renúncia que significam amor absoluto. O tom era sério, e a cara, angustiada. O rapaz era pobre, visivelmente. Mas todos ali o eram também, em graus diferentes. E a ninguém apetecia ganhar um bebê, ou, senão, quem nutria esse desejo o sofreava. Mesmo sem jamais ter folheado o Código Penal, toda gente sabe que carregar com filho dos outros dá cadeia, muita.

         Mas o pai insistia, com bons modos e boas razões: desempregado, abandonado pela mulher. O bebê, de olhinhos tranquilos, olhava sem reprovação para tudo. De fato, não era de reclamar, parecia que ele próprio queria ser dado. Até que apareceu uma senhora gorda e topou o oferecimento:

         − Já tenho seis lá em casa, que mal faz inteirar sete? Moço, eu fico com ele.

         Disse mais que morava em Senador Camará, num sobradão assim assim, e lá se foi com o presente. O pai se esquecera de perguntar-lhe o nome, ou preferia não saber. Nenhum papel escrito selara o ajuste; nem havia ajuste. Havia um bebê que mudou de mãos e agora começa a fazer falta ao pai.

         − Praquê fui dar esse menino? − interroga-se ele. Chega em casa e não sabe como explicar à mulher o que fizera. Porque não fora abandonado por ela; os dois tinham apenas brigado, e o marido, no vermelho da raiva, saíra com o filho para dá-lo a quem quisesse.

          A mulher nem teve tempo de brigar outra vez. Correram os dois em busca do menino dado, foram ao vago endereço, perguntaram pela vaga senhora. Não há notícia. No estirão do subúrbio, no estirão maior deste Rio, como pode um bebê fazer-se notar? E logo esse, manso de natureza, pronto a aceitar quaisquer pais que lhe deem, talvez na pré-consciência mágica de que pais deixaram de ter importância.

         E o pai volta ao café da rua Luís de Camões, interroga um e outro, nada: ninguém mais viu aquela senhora. Disposto a procurá- -la por toda parte, ele anuncia:

        − Fico sem camisa, mas compro o menino pelo preço que ela quiser. 

(ANDRADE, Carlos Drummond de. “Caso de menino”. 70 historinhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 101-102) 

Examine os trechos transcritos abaixo.

I. Em voz baixa, ao pé do ouvido, como esses vendedores clandestinos que nos propõem um relógio submersível. (2 º parágrafo)

II. Nenhum papel escrito selara o ajuste; nem havia ajuste. Havia um bebê que mudou de mãos e agora começa a fazer falta ao pai. (7º parágrafo)

III. Porque não fora abandonado por ela; os dois tinham apenas brigado, e o marido, no vermelho da raiva, saíra com o filho para dá-lo a quem quisesse. (8ºparágrafo)

IV. Podia ser que fizesse aquilo para o bem do menino, um desses atos de renúncia que significam amor absoluto. (4º parágrafo)

As expressões sublinhadas acima são próprias da modalidade coloquial da linguagem APENAS em

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Q1063751 Português
Texto 5

“No Paquistão, quando sou proibida de ir à escola, compreendo o quão importante é a educação. A educação é o poder das mulheres. (....) Nós percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados”. É assim que a pequena notável enxerga o horizonte e – por meio das novas tecnologias – pôde fazer ecoar sua voz.
Educação é um ato político, e se é na sociedade (seja física ou digital) o nascedouro de faíscas de perspectivas para um mundo mais igualitário, a escola deve ser o seu maior berçário.

Empoderamento educacional, Ivan Aguirra 
Quando escrevemos, usamos linguagem lógica e linguagem figurada; o vocábulo ou segmento abaixo (texto 5) que representa a linguagem lógica é:
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Q1063738 Português
Texto 2

O professor tenta exaustivamente explicar o conteúdo seguidas vezes, muda o ponto de vista, muda o esquema exposto na lousa, exemplifica de duas, três, quatro formas diferentes. A cada pausa, chama atenção de diferentes grupos de alunos, que insistem em não prestar atenção. (....) Já transpirando e quase rouco de tanto aumentar o tom de voz, o professor chama a atenção de um aluno que ri alto.
—Fica de boa, profe. Depois eu vejo isso aí no YouTube. 
— Fica de boa, profe. Depois eu vejo isso aí no YouTube.
A característica que NÃO está presente nessa frase dita pelo aluno do texto 2 é:
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Q1059888 Português
(Acesso em: https://www.umsabadoqualquer.com/page/5/)
Sobre a linguagem verbal da tirinha, pode-se afirmar que o autor opta por:
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Q1054516 Português
LEIA O TEXTO 01 PARA RESPONDER À QUESTÃO.

TEXTO 01

Linguagem como forma de interação

    A BNCC se assemelha aos PCNs quando assume a perspectiva enunciativa-discursiva de linguagem, reconhecendo que ela é uma atividade humana e faz parte de um processo de interação entre os sujeitos. A linguagem se materializa em práticas sociais, com objetivo e intenção. Por essa razão estabelece a centralidade no texto como unidade de trabalho e indica a necessidade de sempre considerar a função social dos textos utilizados. Durante a alfabetização, isso sinaliza para a importância de que os alunos trabalhem com textos reais - e não exclusivamente criados para o trabalho escolar como “Ivo viu a uva”.
    O documento também aponta para uma continuidade do que é feito na Educação Infantil, deixando mais claro que há uma ponte entre os dois segmentos. É preciso compreender que ambos estão interligados e, nos anos iniciais do Fundamental, será possível intensificar e estruturar as experiências com a língua oral e escrita iniciadas na Educação Infantil.

O que a BNCC propõe para a alfabetização? Disponível em <https://novaescola.org.br/bncc/conteudo/40/o-que-a-bnccpropoe-para-a-alfabetizacao> Acesso em 01 jun.2019.
Quando se vincula o uso da língua aos campos da atividade humana, o texto 01 confirma a opinião de Bakhtin, segundo a qual a língua é:
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Q1054398 Português

Texto IV: Uso, crença e atitudes na variação na primeira pessoa do plural no Português Brasileiro

      A construção da crença linguística de uma comunidade letrada, pelo menos na sociedade ocidental, é regida por instrumentos normativos: gramáticas, compêndios e livros didáticos. Se nas gramáticas norteadas em abordagens descritivas a forma a gente já é incluída no paradigma pronominal do português (Castilho & Elias 2011, Bagno 2012), nas norteadas pela tradição gramatical (Bechara 2009, Azeredo 2008) – que são as fontes que perpassam os livros didáticos –, a gente entra como uma observação de uso no português falado no Brasil, em situações coloquiais.

      Os livros didáticos adotados nas escolas públicas brasileiras passam por uma avaliação do Programa Nacional do Livro Didático. Para ser selecionado, o livro didático de Língua Portuguesa precisa apresentar atividades que propiciem ao aluno “o domínio das normas urbanas de prestígio, especialmente em sua modalidade escrita monitorada, mas também nas situações orais públicas formais em que seu uso é socialmente requerido” (Brasil 2011:52). Embora os estudos sociolinguísticos venham evidenciando a tendência crescente ao uso de a gente, inclusive na modalidade escrita e em situação de maior formalidade, os livros didáticos de maneira geral ainda não o incluem no paradigma pronominal (Brandão & Vieira 2011), o que certamente tem influência nas crenças e atitudes dos informantes.

      Se a inserção de a gente é tabu, a concordância nós -0 em livro didático é caso de comoção nacional. Foi o que aconteceu em 2012, com o livro didático Por uma vida melhor (Ramos 2011), selecionado pela avaliação do PNLD para a educação de jovens e adultos, em uma seção intitulada “Escrever é diferente de falar”, exemplificou a concordância verbal naquilo que foi definido como fala popular com a frase “Nós pega o peixe”.

      A não presença de a gente nos instrumentos normativos que chegam à escola poderia, por hipótese, atuar como um refreador da mudança, mas não é nessa direção que os dados apontam. E, em relação aos padrões de covariação de pronome e concordância nós -0 e a gente -mos, ainda que as atitudes subjacentes a piadas e memes sugiram que sejam estigmatizados ou restritos a um perfil social, estes padrões emergem em situações de reação subjetiva em espaço escolar e, em menor escala, na fala de informantes mais escolarizados.

Raquel Meister Ko. Freitag

DELTA: Documentação e Estudos em Linguística Teórica e Aplicada, v. 32, n. 4,

mar. 2017. (Excerto)

a gente entra como uma observação de uso no português falado no Brasil, em situações coloquiais” (1º parágrafo). Ao longo do texto, é possível perceber o seguinte posicionamento a respeito dessa afirmação:
Alternativas
Q1051713 Português

Texto 3


“No ensino de Línguas, a reflexão sobre forma e função requer a retomada do conceito de análise linguística, um processo demandado dos sujeitos que leem, escrevem e falam ou que usam LIBRAS e Braille: refletir sobre as línguas que usam em seus processos interacionais com o outro. Cabe registrar, então, que a análise linguística deve ser compreendida em favor das atividades de compreensão e produção textuais; ela está, portanto, a ‘serviço de’, não sendo objeto de estudo em si mesma e por si mesma. Conceber análise linguística desse modo é fundamental num cenário no qual, historicamente, o ensino de gramática e de ortografia foi o centro da ação do professor de Línguas no trabalho prescritivista com a língua, conduta que está pautada na compreensão, cristalizada na tradição escolar, de que aprender gramática, ou terminologia gramatical, tanto quanto regras ortográficas, na abstração dos usos sociais, poderia contribuir para a formação de leitores e produtores de textos mais proficientes.”

Proposta Curricular de Santa Catarina: formação integral na educação básica, do Estado de Santa Catarina (2014, p. 131). Disponível em:<file:///C:/Users/Usuario/ Downloads/Proposta_Curricular_final.pdf > . Acesso em: 06 de set. 2019.

Assinale a alternativa que incorpora corretamente a variação linguística ao ensino da língua
Alternativas
Q1051711 Português

Analise as frases a seguir.


1. Lembre-se do que tu me disse antes de você sair de casa?

2. Nesse caso a gente vai ficar com o carro maior, pois nós vai viajar em cinco pessoas.

3. A brincadeira que muitos conhecem como amarelinha, também tem outros nomes no Brasil, tais como sapata, macaca, pula-pula, cancão, maré, academia, entre outros.

4. No português falado no Brasil, é comum palatalizar a consoante [S] no final da sílaba, mas essa regra variável é mais produtiva em algumas regiões, como as de Florianópolis, Rio de Janeiro e Belém do Pará.

5. Apesar de a norma padrão prever o uso da mesóclise quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, essa regra praticamente desapareceu no português brasileiro.


Sobre as frases e comentários acima, é correto o que se afirma em:

Alternativas
Respostas
901: B
902: A
903: B
904: C
905: D
906: C
907: A
908: C
909: A
910: B
911: D
912: A
913: C
914: D
915: D
916: A
917: B
918: D
919: E
920: A