Questões de Concurso
Sobre variação linguística em português
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I. O autor utiliza ao longo do texto expressões características do sotaque mineiro, aproximando a forma do texto ao conteúdo a respeito do qual ele discorre. II. Os elementos de oralidade presentes no texto atrapalham sua progressão, fazendo com que um leitor não familiarizado com o sotaque não consiga entendê-lo. III. O texto apresenta um registro formal da linguagem, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
Analise este texto.

Disponível em:<encurtador.com.br/mwDGU> . Acesso em: 29 maio 2019.
As palavras utilizadas nesse texto são exemplos de
linguagem
TEXTO I
Catavento e girassol
(Guinga - Aldir Blanc)
Meu catavento tem dentro
O que há do lado de fora do teu girassol.
Entre o escancaro e o contido,
E eu te pedi sustenido
E você riu bemol.
Você só pensa no espaço,
Eu exigi duração...
Eu sou um gato de subúrbio,
Você é litorânea.
Quando eu respeito os sinais,
Vejo você de patins vindo na contramão
Mas quando ataco de macho,
Você se faz de capacho
E não quer confusão.
Nenhum dos dois se entrega.
Nós não ouvimos conselho:
E eu sou você que se vai
No sumidouro do espelho.
Eu sou o Engenho de Dentro
E você vive no vento do Arpoador.
Eu tenho um jeito arredio
E você é expansiva - o inseto e a flor.
Um torce para Mia Farrow
E o outro é Woody Allen...
Quando assovio uma seresta
Você dança havaiana.
Eu vou de tênis e jeans,
Encontro você demais:
Scarpin, soirée.
Quando o pau quebra na esquina,
Você ataca de fina
e me oferece em inglês:
É fuck you, bate-bronha...
E ninguém mete o bedelho,
Você sou eu que me vou
No sumidouro do espelho.
A paz é feita num motel
De alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois
Que não serviu pra nada.
Nos dias de carnaval
Aumentam os desenganos:
Você vai pra Parati
E eu pro Cacique de Ramos...
Meu catavento tem dentro
O vento escancarado do Arpoador,
Teu girassol tem de fora
O escondido do Engenho de Dentro da flor.
Eu sinto muita saudade,
Você é contemporânea,
Eu penso em tudo quanto faço,
Você é tão espontânea.
Sei que um depende do outro
Só pra ser diferente,
Pra se completar.
Sei que um se afasta do outro,
No sufoco, somente pra se aproximar.
Cê tem um jeito verde de ser
E eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão
No sumidouro do espelho.
http://www.guinga.com/index.php/2015-08-27-03-
18-48/2015-08-27-03-29-50/151-delirio-carioca1993 Acesso em: 05/01/2019.
A questão refere-se ao texto a seguir.

Um certo homem que morava na cidade sentiu vontade de sentir o cheiro do mato. Ao chegar no interiorzinho onde vivia seu compadre Bastião, foi encontrá-lo na roça. Depois de muitas conversas resolveu brincar de antônimo com o compadre Bastião:
_ Compadre sabe o que é antônimo? _ num sê não. _ É o oposto, vou dar uns exemplos. O antônimo de gordo é magro, de fraco é forte, de rico é pobre. Entendeste? _ Agora eu já sê cumpade! E vou lhe preguntar: _ Ocê sabe o antônimo de fumo? _ mas... fumo não tem antônimo, fumo é o que você planta. _ É não sô... o contrário de FUMO é VORTEMO.
A leitura da piada nos apresenta exemplos da variedade linguística existente no Brasil. Suponha que um aluno seu chegue à escola utilizando, na fala, expressões típicas de uma oralidade regional, como o “Bastião”. Qual das alternativas abaixo caracteriza um procedimento metodológico correto como professor de Língua Portuguesa.
— E aí? Eles acertaram o pilão?
— Que nada, o espada abriu o caderno e passou o maior chapéu no piolho!
Agora considere o significado das palavras/expressões no contexto acima: “abrir o caderno”: falar de mais, contar sua vida; “bater lata”: andar com o carro vazio, à procura de passageiro; “chapéu”: golpe, ato de não pagar a corrida de táxi; “coruja”: taxista que trabalha à noite, de madrugada; “espada”: passageiro difícil de enganar; “pilão”: corrida prefixada (o motorista ignora o taxímetro e estipula o preço antes de sair); “piolho”: taxista que assalta o passageiro, até mesmo à mão armada; “tatu”: passageiro inocente, vítima fácil.
Analise as afirmativas abaixo em relação ao texto.
1. O diálogo exemplifica um enunciado típico de um grupo de pessoas e é ininteligível ou sem sentido a quem não participa desse grupo.
2. Temos, no diálogo, uma situação de variação linguística fora do padrão formal da língua e, portanto, não aceito pela sociedade em geral.
3. Observando o significado das palavras no contexto, podemos afirmar que temos, no diálogo, uma variação linguística diastrática, já que surgiu em razão da convivência entre um grupo social.
4. As expressões “o coruja” e “o espada”, no contexto, mudaram a classe gramatical e, em consequência, a função sintática que exercem.
5. A última fala do diálogo caracteriza um período composto por coordenação e a segunda oração é coordenada aditiva.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Certamente você já deve ter se deparado com determinados tipos de .............................. , seja conversando com os colegas na sala de aula, assistindo a uma reportagem na TV ou lendo textos históricos. Essas ............................. envolvem vários traços históricos, sociais, culturais e geográficos e podem acontecer de diversas formas. Estão diretamente relacionadas ao fenômeno do uso do idioma, em que seus próprios falantes podem alterar o modo de falar, escrever e passar as informações adiante. Um bom exemplo do que se aborda aqui é a linguagem dos internautas que, em meio a tantas abreviações e neologismos, termina por criar um universo específico, no qual somente os interlocutores são capazes de decifrar o vocabulário por eles utilizado.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
TEXTO 2
O garçom, o cão e os direitos humanos
A cena inusitada se deu em um restaurante. Eu acabara de pedir a conta e, enquanto esperava, fazia anotações em uma caderneta. O garçom, velho conhecido, me pergunta:
– E aí? Preparando uma reportagem?
– Não – eu disse, explicando que estava listando tópicos para um debate sobre direitos humanos para o qual fora convidado.
– Direitos humanos? Sou contra! – exclamou o garçom, com o cenho franzido.
Eu levei um susto. Perguntei a ele como alguém pode ser contra os direitos humanos. E só então percebi o tamanho do mal-entendido:
– Esse pessoal dos direitos humanos vive defendendo os bandidos sem se importar com as pessoas de bem!
A reação amarga e mal-humorada do garçom, sujeito boa-praça e brincalhão, é a prova de um tipo de corrupção que se tornou praga no Brasil: a da linguagem. A expressão "direitos humanos" foi destituída de seu sentido original para virar um aparato, um grupo, uma instituição – uma "coisa" talvez seja a palavra mais adequada – que existe "para ir lá e defender os bandidos".
[...] Eu trabalho com linguagem. Defendê-la contra sua distorção, portanto, é também uma tarefa minha como jornalista.
Imbuído dessa missão, e ciente de que precisava de mais e melhores argumentos para convencer meu amigo garçom de que ele estava sendo enganado pela corrupção da linguagem, peguei meu celular, dei uma busca no Google até achar uma conhecida charge do cartunista André Dahmer. Chamei meu camarada e mostrei o desenho: era um cachorrinho falando para outro simplesmente o seguinte: "sou contra os direitos dos animais!".
– Que cusco burro! – divertiu-se o garçom, de supetão, para depois cair em si e coçar a careca.
Paguei a conta e fui embora feliz de ter ao menos lhe deixado uma pulga atrás da orelha.
Marcelo Canellas. Disponível em: https://diariosm.com.br/cultura/cr%C3%B4nica-o-gar%C3%A7om-o-c%C3%A3o-e-os-direitos-humanos-1.2126493Acesso em: 10.08.19.
Leia o texto abaixo para responder à questão.
A VEZ DA PRETINHA
Uma passista contra o preconceito
LUIZA MIGUEZ
“Ladies and gentlemen, it’s time!”, anunciou o mestre de cerimônias, num inglês tão fluente quanto espirituoso. Era a deixa para que dezenas de mãos ligassem as câmeras dos celulares e se erguessem na plateia. Gingando com delicadeza, moças bonitas e atléticas entraram em cena e, perfiladas, se deslocaram vagarosamente até o centro do palco. Algumas vestiam roupas curtas. Outras preferiam figurinos mais comportados. Todas se equilibravam em cima de saltos altíssimos.
Quando os percussionistas aceleraram o ritmo, as jovens rebolaram freneticamente. Naquela madrugada de domingo, cerca de 4 mil pessoas lotavam a quadra do Salgueiro, na Zona Norte carioca. A tradicional escola de samba ensaiava para o Carnaval de 2018. Às margens do palco, entusiasmado com as passistas, um rapaz mostrou os pelos do braço ao amigo do lado e disse: “Caraca! Arrepiei!”
O mestre de cerimônias, igualmente empolgado, disparou no microfone: “Que é isso, pretinha? Assim você mata o papai!” Não se referia a nenhuma dançarina em particular. Falava do grupo inteiro, como se admirasse uma única mulher. “Rafaela!”, gritou outro rapaz na plateia, enquanto apontava a câmera para a negra de 28 anos, que trajava um macacão salpicado de purpurina e ostentava longas tranças. Ela retribuiu o chamado com um requebro sensual e um olhar debochado.
Nascida no bairro do Andaraí, também na Zona Norte do Rio de Janeiro, Rafaela Dias é passista do Salgueiro há mais de duas décadas e já escutou muita gracinha dos espectadores masculinos. Aprendeu a rechaçá-las com desenvoltura, mas nem por isso as considera aceitáveis. Não bastasse, frequentemente enfrenta situações racistas. Quando tinha 17 anos, por exemplo, namorava um homem mais velho e branco. Certa noite, assim que chegou a um salão de festas, o casal ouviu alguém comentar: “Lá vai a mulata dar um golpe no gringo.” Depois do episódio, sempre que encontrava o namorado em lugares públicos, Dias evitava usar salto alto ou maquiagem. Temia que a confundissem com uma prostituta. Em outra ocasião, preparava-se para conceder entrevista numa rádio, junto de várias colegas, a maioria universitária. “Ué, passista agora estuda?”, perguntou uma funcionária da emissora, sem o menor constrangimento. De quebra, emendou: “E vocês são todas escurinhas, né?”
Justamente com a intenção de debater o racismo e o machismo é que Dias decidiu fundar o coletivo Samba Pretinha. Mais três dançarinas do Salgueiro participaram da iniciativa: a cientista social Sabrina Ginga, a estudante de pedagogia Larissa Reis e a graduanda em medicina Mirna Moreira. Desde 2016, as quatro organizam rodas de discussão no próprio Salgueiro e em outras escolas do Rio, como a Paraíso do Tuiuti. Falam principalmente para as mulheres, embora não rejeitem a presença de homens. A ideia é mostrar de que maneira os preconceitos de cor e gênero se manifestam no universo carnavalesco e quais os caminhos para combatê-los, inclusive em termos legais.
Logo no primeiro debate, o Samba Pretinha se viu diante de uma saia justa. Um dos dirigentes do Salgueiro louvou o grupo e se declarou “branco de alma negra”. Uma jovem que estava na roda de conversa protestou e assinalou a incorreção política da frase. Nenhum branco, afinal, pode saber o que um negro sente e vice-versa. Irritado, o dirigente cogitou suspender o evento, mas recuou.