Questões de Concurso
Sobre variação linguística em português
Foram encontradas 1.559 questões
(Concurso Milagres/2018) Observe a charge e responda corretamente:

I – A charge ganha força quando pensamos que tradicionalmente o ensino de Língua Portuguesa no Brasil se voltava para a exploração da gramática normativa. Mas hoje a disciplina Português passou a interagir nos currículos escolares brasileiros como um processo de interação entre sujeitos e assim essa flexibilização linguística corrobora com a ideia de que não existe o certo e o errado;
II – Apenas as regras gramaticais são capazes de promover o ensino de Português, é inadmissível uma pessoa construir sequências como a exposta na charge;
III - No que se refere à linguagem oral, é importante que o ensino de Português se paute no conhecimento das áreas afins para tornar possível a compreensão do papel da escola no desenvolvimento de uma aprendizagem que tem lugar fora dela. Não se trata de ensinar a falar ou a fala ''correta'', mas sim as falas adequadas ao contexto de uso;
IV – A charge mostra que o domínio da
língua tem estreita relação com a
possibilidade de plena participação social,
pois é por meio dela que o homem se
comunica, tem acesso à informação,
expressa e defende pontos de vista,
partilha ou constrói visões de mundo,
produz conhecimento.
Leia o parágrafo abaixo, do livro A febre das tulipas, de Deborah Moggach, e responda a questão:
População está envelhecendo? Imigrantes podem ser a solução, segundo o FMI
Luiz Felipe de Alencastro

Disponível em https://noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/luiz-felipe-alencastro/2018/04/11/fmi-faz-alerta-sobreenvelhecimento-populacional-e-imigracao.htm
Acessado em 25/08/2018
Leia o texto abaixo para responder à próxima questão:
O Mundo é Um Moinho
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Muita atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés
Cartola
É perceptível na letra da canção de Cartola um forte apego a rigores formais de escrita.
Isso se torna mais evidente por:

Leia atentamente o poema Lundu do escritor difícil, de Mário de Andrade, escritor brasileiro, para responder à questão.
Lundu¹ do escritor difícil
Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquizila²,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar duma vez:
É só tirar a cortina
Que entra luz nesta escurez.
Cortina de brim caipora,
Com teia caranguejeira
E enfeite ruim de caipira,
Fale fala brasileira
Que você enxerga bonito
Tanta luz nesta capoeira
Tal-e-qual numa gupiara³.
Misturo tudo num saco,
Mas gaúcho maranhense
Que para no Mato Grosso,
Bate este angu de caroço
Ver sopa de caruru4 ;
A vida é mesmo um buraco,
Bobo é quem não é tatu!
Eu sou um escritor difícil,
Porém culpa de quem é!…
Todo difícil é fácil,
Abasta a gente saber.
Bajé, pixé5 , chué6 , ôh “xavié”
De tão fácil virou fóssil,
O difícil é aprender!
Virtude de urubutinga7
De enxergar tudo de longe!
Não carece vestir tanga
Pra penetrar meu caçanje8 !
Você sabe o francês “singe”9
Mas não sabe o que é guariba?
— Pois é macaco, seu mano,
Que só sabe o que é da estranja10 .
ANDRADE, Mário de. Poesias completas. Edição crítica de Diléa Zanotto Manfio. Belo Horizonte:Ed) Itatiaia, 2005.
1. Lundu: “Peça popular apenas cantada, de caráter brejeiro, derivada da dança do mesmo nome, muito em voga nos salões da sociedade colonial, a partir do século XIX, influindo em algumas formas do folclore brasileiro atual”. (Dicionário Michaelis Online)
2. Enquizila: Aquilo que provoca quizila, ou seja, “Sentimento de repulsa ou aversão por alguém ou algo, sem uma explicação racional; antipatia, ojeriza”. (Dicionário Michaelis Online)
3. Gupiara: “Depósito de cascalho em lugar elevado, acima do nível das águas”. (Dicionário Michaelis Online)
4. Sopa de caruru: Prato afro-brasileiro; entre os ingredientes, está o caruru, vegetal comestível.
5. Pixé: “Diz-se de comida queimada ou em que entrou fumaça”. (Dicionário Michaelis Online)
6. Chué: “Ordinário ou de pouco valor; apoucado, reles”. (Dicionário Michaelis Online)
7. Urubutinga: Espécie de urubu.
8. Caçanje: “Português malfalado ou mal escrito”. (Dicionário Michaelis Online)
9. Singe: Do francês, macaco.
10. Estranja: Relativo ao estrangeiro.
Leia atentamente as afirmações a seguir:
I – No próprio poema, Mário de Andrade identifica a solução para que os leitores não o considerem um escritor difícil: que falem e aprendam a “fala brasileira”.
II – No décimo verso, Mário de Andrade dá um conselho ao seu leitor, por meio do emprego do modo verbal imperativo.
III – Nos dois últimos versos, o escritor utiliza-se do discurso indireto para indicar o significado da palavra guariba
É (São) correta(s) a(s) afirmação (ões):
Observe os quadrinhos da tirinha abaixo para responder a questão.

AS LETRAS
Na tênue casca de verde arbusto
Gravei teu nome, depois parti;
Foram-se os anos, foram-se os meses,
Foram-se os dias, acho-me aqui.
Mas ai! O arbusto se fez tão alto,
Teu nome erguendo que não mais vi!
E nessas letras que aos céus subiam Meus belos sonhos de amor perdi!
(Fagundes Varella. Disponível em: www.grude.ufmg.br)
I. É uma característica linguística mais recentes do português brasileiro o amplo uso de objeto nulo, como em “Comprei um bolo e comi” ao invés de “Comprei um bolo e o comi”. II. A Língua Portuguesa pertence ao grupo das Línguas Românicas, também chamadas de neolatinas, resultado das transformações que aconteceram no latim vulgar levado à Península Ibérica.
Marque a alternativa CORRETA:
UM EXEMPLO
Sírio Possenti
Publicado em 25 de novembro de 2016
Ref.: https://blogdosirioblog.wordpress.com/ [adaptado]
UM EXEMPLO
Sírio Possenti
Publicado em 25 de novembro de 2016
Ref.: https://blogdosirioblog.wordpress.com/ [adaptado]
Está CORRETA a leitura do excerto “(o terno indica uma classe social que não é
a popular)” em:
Texto para responder à questão.
Barbara
Tinha um medo terrível do mundo lá fora. Meu quarto era o único lugar seguro do mundo - e ainda assim não punha minha mão no fogo quanto ao interior dos armários. Dormir na casa de um amigo, para mim, equivalia a conhecer a Coréia do Norte. Acordava no meio da noite aos prantos e ligava pros meus pais virem me buscar. Durante anos tive pesadelos por causa da capa de um VHS de terror - sim, só vi a capa. Me afastei de um amigo por causa de um adesivo que ele tinha no caderno -um a caveira sangrando. Não podia ver esse amigo que o adesivo me vinha à mente e eu começava a tremer e chorar. Sim, eu tinha problemas sérios. E não vou dizer quantos anos eu tinha. Só vou dizer que era uma idade em que tudo isso já era bastante constrangedor.
Minha irmã Barbara tinha três anos de idade quando chegou em casa da escola e começou a fazer as malas. "Aonde você pensa que vai?" - minha mãe perguntou. "Vou passar o fim de semana com o Yannick na praça seca". Minha mãe, que nunca tinha ouvido falar no Yannick ou na praça seca, achou que a filha estivesse delirando até que, poucas horas depois, o próprio Yannick, um rapaz mais velho, de quatro anos de idade, toca a campainha, acompanhado dos pais: "Vim buscar a Barbara, a gente combinou de ir à Praça Seca". Lembro de observar a picape indo embora com minha irmã na caçamba como quem se despede para sempre. "O mundo lá fora vai te trucidar!" eu dizia com os olhos, "Ainda dá tempo de desistir!", mas ela nem sequer olhava pra trás. Apostei com a minha mãe: "Não dou meia hora pra ela ligar chorando". Barbara não ligou em meia hora, nem em 24, nem em 48. Só reapareceu no domingo, com a mochila cheia de goiabas que ela mesma tinha catado. Alguns arranhões, nada mais. Se hoje não tenho muito medo de sair de casa - só tenho um pouco - é porque vi a Barbara sobrevivendo.
Aos 17 anos, Barbara foi morar sozinha em outro continente. Achei que ela fosse ligar chorando na primeira noite. Não ligou. Aos 28, já se formou, escreveu peça, foi à China, fala cinco línguas e acorda às sete pra correr na praia com o namorado.
Nesse sábado, os dois vão se casar. Isso, casar. Tentei explicar que casar hoje em dia é tão obsoleto quanto abrir uma vídeo locadora. "Barbara, você sabe o que te espera? Você sabia que todo casamento acaba em divórcio ou em morte? Ainda dá tempo de desistir." Na caçamba da picape, ela não olha pra trás. Minha irmã mais nova me ensina diariamente a não ter medo do mundo.
DUVIVIER, Gregório. Barbara. Folha de S. Paulo, Folhapress, 27 jun. 2016.Disponível em http://www1.folha.uol.com.br./colunas/ gregorioduvivier/2016/06/1785988-barbara.shtml
I. A forma verbal “trabaiá” não obedece aos princípios convencionais de conjugação e grafia da gramática normativa. II. Há o uso de uma linguagem simples e objetiva. Ademais, apesar de não haver muitas ligações por meio de recursos de ordem gramatical em alguns versos, pode-se fazer a inferenciação mediante as “pistas” expressas no texto.
Marque a alternativa CORRETA:
I. A forma verbal “pudê” não obedece aos princípios convencionais de conjugação e grafia da gramática normativa. II. Há, no texto, o apelo constante a inversões que tornam a linguagem de difícil compreensão.
Marque a alternativa CORRETA:
Leia abaixo um fragmento da canção “Samba do Arnesto”, de Adoniran Barbosa.
“O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumos não encontremos ninguém
Nós voltermos com uma baita de uma reiva
Da outra vez nós num vai mais
Nóis não semos tatu!”
Nessa canção existe uma predominância de linguagem: