Questões de Concurso
Sobre variação linguística em português
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A questão refere ao texto reproduzido a seguir.
O Pai, o Chefe, o Rei
VELHINHO TRABALHADOR, João bebe demais, aos gritos até hora perdida da noite.
Sóbrio é manso e de boa sombra, o chapéu humilde na mão. Com idade, fraco da cabeça, embriagase fácil; sempre a faquinha na cinta, ameaça espetar os outros. Assanhado, persegue as moças na estrada.
Em casa, olho branco de boi bêbado, atropela a mulher e os sete filhos. Muito calma, a velha não discute, ganha o terreiro com o menor no colo.
João bate a garrafa na mesa, esmurra a parede, afinal aquieta-se. Maria e os filhos vão-se chegando à porta, espiam de longe, desconfiados. A velha traz a gamela de água esperta e, enquanto ele molha os pés, serve o viradinho com torresmo.
João se diverte a azucrinar a pobre:
— Tenho outra mais moça.
Chega da roça o André, quebrou milho o dia inteiro. As crianças deitadas, a mãe come de pé ao lado do fogão, no meio da algazarra:
— Epa, vaca velha!
O moço, desafiado pelo pai, bebe meio litro de cachaça.
— Pai, deixe a mãe em paz.
— Filho meu não pode comigo.
— O senhor está bêbado, pai.
O velho nega ao filho o direito:
— Aqui não sou nada? Não mando na minha casa?
— E pra ter sossego hei de sangrar alguém?
A dona pede ao marido não grite e ao filho não responda. João insiste, um pouco alegre, mas não bêbado.
O moço não pode assim falar com o pai e chefe da casa:
— Você é bandido? Quer me sangrar?
Não provoque, repete o moço, bem nervoso. Em seguida derruba a cadeira e espatifa a garrafa.
— Vai me esfolar, valentão?
André alcança na parede a espingarda. O velho desfere soco na mesa:
— Se for macho atire. — Outro murro mais forte. — Atire, que mata um homem.
O moço bate no joelho do pai, sentado no banquinho, a sombra do chapéu no olho:
— Quer provar? Mostro o que é homem.
— Filho meu não pode comigo.
André carrega um cartucho no cano direito.
— Não é macho, seu moço.
Mãos na cabeça, a velha brada por todos os santos do céu.
— Já que pede eu te mato — e André aperta o gatilho.
João cai do banquinho, geme, a mulher acuda. Pegam-no o filho e a dona, deitado na cama.
— Ele me duvidou — diz o moço — eu atirei.
— Atirou no pai, no chefe, no rei. Não é mais ninguém.
O velho dá uns gritos, logo se arruína, espuma no canto da boca. Erguendo a mão fechada, pragueja o filho, e morre.
TREVISAN, Dalton. Guerra Conjugal. 12 ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.
Avalie o trecho a seguir.
João cai do banquinho, geme, a mulher acuda. Pegam-no o filho e a dona, deitado na cama. — Ele me duvidou — diz o moço — eu atirei.
Nesse trecho, o modo como se utiliza
I. Emprega-se o registro formal e culto, que confere autoridade ao emissor do texto.
II. Há registro de coloquialismo representado pelas expressões “arvoram” e “benevolente”, visando a tornar o texto mais acessível.
III. Observa-se o uso de jargão jurídico, para inserir o debate no campo legal.
Está correto o que se afirma em:
“[...] os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões.”
De acordo com o texto, a Guinlagem do Camaco é caracterizada como uma variação linguística
I. A sociedade atual move-se em torno das pessoas, das suas histórias, de seus costumes, suas experiências de vida, enfim, da informação individualizada.
II. Naturalmente, o processo de comunicação está relacionado de modo íntimo com esse macromercado de seres humanos [...]
III. [...] que precisam de informação e comunicação todos os dias, da mesma maneira que precisam do ar que respiram.
IV. Com a mídia eletrônica, as informações diferenciam-se de outros meios tradicionais como, por exemplo, a impressão ou a transmissão por ondas eletromagnéticas.
Os fragmentos que apresentam marcas de uma variação de registro da língua mais descontraída são:
Aquecimento além de 1,5 °C ameaça saúde, agricultura e economia
Por Rafael Cardoso

(Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-09/aquecimento-alem-de15degc-ameaca-saude-agricultura-e-economia – texto adaptado especialmente para esta prova).
Texto 3
Para resolver a questão, leia o texto abaixo:
“A mim, desde muito jovem, sempre me agradou um discurso sem arestas, não importa se feito por um camponês ingênuo diante do mundo ou por um sociólogo do porte de Gilberto Freyre. (…) Tomava-o, quase sempre, como exemplo para falar do problema da colocação dos pronomes objetivos nas sentenças, sublinhando a boniteza do seu estilo. Dificilmente, de acordo ou não com a gramática, Gilberto Freyre escrevia uma feiura.
Foi ele que, sem nenhuma dificuldade, numa primeira experiência estética, me fez, entre um ‘ela vinha-se aproximando’ e um ‘ela vinha se aproximando’, optar pela segunda hipótese, devido à sonoridade que resulta do desligamento do se do verbo auxiliar vinha que lhe ‘dá’ a liberdade de se deixar atrair pelo a do verbo principal aproximando. O se de vinha-se passa a ser s’a quando se liberta daquele verbo e quase se aconchega ao a de aproximando.”
FREIRE, Paulo, Pedagogia da esperança, Ed. Paz & Terra, 22ª edição, Rio de Janeiro e São Paulo, 2015, p. 101.
A colocação pronominal assinala grande distinção entre o uso cotidiano do falante da língua, inclusive em veículos de imprensa, e as recomendações da norma culta.
No Texto 3, o autor explica sua preferência pela forma “ela vinha se aproximando” em vez de “ela vinha-se aproximando”, ou seja, o pronome enclítico em relação ao verbo auxiliar ou proclítico em relação ao principal. A defesa do autor por uma das formas revela explicações que destacam a sonoridade e o estilo.
Essa reflexão aponta que:
Observe o emprego das seguintes estruturas no texto:
• “experiência vagabunda”;
• “os seus livrinhos”;
• “A leitura é uma droga perigosa: vicia”;
• “as coisas maravilhosas que moram dentro do livro”.
Assinale a alternativa correta considerando os conceitos de variação linguística (adequação situacional) e os efeitos de sentido pretendidos pelo autor.
I. Na frase 'Eu comprava mais, se dispusesse de dinheiro e tempo disponíveis para ir às lojas', observa-se linguagem formal.
II. Em 'A gente não deve terminar a prova antes do tempo solicitado', observa-se a linguagem informal, embora a concordância esteja adequada.
III. Em 'Meus tios conseguiram que visassem os seus passaportes', observa-se linguagem formal.
IV. Em 'As madrinhas do casamento chegaram trajando vestidos cinzas', observa-se linguagem informal.
Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.
Texto 01
Minha mãe recebeu flores todo dia 12 durante vinte e sete anos. Nunca soubemos quem mandava. As flores sempre chegavam pela manhã. Sempre eram girassóis. Sempre acompanhadas do mesmo cartão: “Espero que você esteja feliz.” Nada mais. Sem nome. Sem assinatura. Meu pai nunca pareceu se incomodar. Pelo contrário. Era ele quem colocava as flores no vaso da sala. Quando eu perguntava quem enviava, ele apenas sorria. – Algumas perguntas não precisam de resposta.
Achei estranho a vida inteira. Principalmente porque o dia 12 não era aniversário dela. Nem data de casamento. Nem Dia das Mães. Não era nada que fizesse sentido. Então meu pai morreu. E, pela primeira vez em vinte e sete anos, o dia 12 chegou sem flores. Minha mãe passou o dia inteiro em silêncio. Naquela noite, encontrei-a sentada na varanda, segurando uma fotografia antiga. Ela chorava. Perguntei quem era o homem na foto. Ela demorou para responder. Depois disse: – Foi o meu primeiro amor.
Descobri, naquela noite, uma história que ela nunca havia contado. Quando tinha dezoito anos, minha mãe namorava um rapaz chamado Miguel. Os dois planejavam se casar. Mas ele sofreu um acidente e morreu poucos meses antes do casamento. O dia 12 era a data em que eles deveriam ter subido ao altar. Fiquei em choque. Então fiz a pergunta óbvia: – Era ele quem mandava as flores? Minha mãe me olhou e chorou ainda mais. Depois balançou a cabeça. – Não. Era seu pai.
Demorei alguns segundos para entender. Ela continuou: – Quando nos casamos, contei a ele sobre o Miguel. Contei também que o dia 12 era o único dia do ano em que eu sentia saudade de uma vida que nunca aconteceu.
Meu pai não disse nada. No mês seguinte, apareceram os primeiros girassóis. Durante vinte e sete anos. Sem falhar uma única vez. Olhei novamente para a fotografia. Meu pai passou quase três décadas enviando flores à esposa em nome de outro homem.
Não porque tivesse perdido uma disputa. Não porque quisesse ser comparado. Mas porque amava minha mãe o suficiente para respeitar até as saudades que ela trazia dentro dela. Hoje, quando alguém me pergunta o que é amor, eu nunca sei responder direito. Só lembro de um homem que, durante vinte e sete anos, escolheu não ter ciúmes de um fantasma. E de uma mulher que, todos os dias 12, recebia flores de dois amores ao mesmo tempo.
Disponível em: https://www.threads.com/@sophie_v.marrie/post/DacMrfFrFJ?xmt=AQG0EiTpNW3Ub2P88vAstJYVyTUMHElI8PDzMS5e6SIIEM_yUnJb9Npeh9M6MXXMpL7eGR4N&slof=1). Acesso em: 15 jul. 2026.
Observe a tirinha a seguir.

Ao explorar essa tirinha em uma atividade de leitura nos Anos Iniciais, o professor busca levar os alunos a compreender como as escolhas linguísticas contribuem para a caracterização da personagem e para a produção de efeitos de sentido na tirinha.
Nesse contexto, é correto afirmar que as escolhas linguísticas do personagem Chico Bento

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 39. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. Adaptado.
A leitura do texto permite inferir que o domínio da norma-padrão constitui apenas uma das competências linguísticas socialmente relevantes porque a comunicação eficaz depende também da capacidade de
1.Ler notícias e memes sobre um mesmo fato, comparando as linguagens empregadas em cada gênero;
2.Produzir um podcast sobre o tema, utilizando ferramentas digitais;
3.Debater oralmente diferentes opiniões sobre o assunto, com escuta respeitosa às falas dos colegas de diferentes regiões do país, ainda que marcadas por variedades linguísticas distintas da norma-padrão.
Com base nas competências específicas de Língua Portuguesa previstas na BNCC para o Ensino Fundamental, e considerando as situações de aprendizagem propostas na sequência didática, julgue os itens a seguir.
I.A atividade de comparação entre notícia e meme sobre o mesmo fato mobiliza a competência relacionada ao uso de diferentes linguagens e práticas multissemióticas para a produção de sentidos.
II.A produção do podcast relaciona-se à competência de uso crítico e reflexivo de tecnologias digitais para produzir conhecimento e desenvolver projetos autorais.
III.A atividade de debate oral com escuta respeitosa a diferentes opiniões mobiliza a competência voltada à mobilização de práticas de linguagem para o posicionamento crítico diante de questões sociais relevantes.
IV.O respeito às variedades linguísticas dos colegas durante o debate oral deve ser articulado ao ensino da norma-padrão, de modo que os estudantes reconheçam diferentes formas de uso da língua, mas compreendam que as situações formais de comunicação exigem a substituição das variedades não padrão pela variedade de maior prestígio social.
É correto o que se afirma em:
Considere a tira a seguir:

No terceiro quadro, há o emprego de uma palavra:
Assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE o princípio que sustenta esse conjunto de decisões.
