Questões de Concurso Sobre variação linguística em português

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Q4352083 Português
Leia o texto e responda a questão: 

    Talvez muitos não se lembrem da música que dizia eu estava na peneira eu estava peneirando eu estava no namoro eu estava namorando. Mas a paródia é inevitável. Oitava na peneira oitava peneirando os vikings jogavam oitava esperando… E o Brasil cai nas oitavas da final.
    Putz, toda hora quem estava com a bola é a equipe vermelha. Eu bebia cerveja, a bola estava com eles. Ia ao banheiro, voltava: a bola estava com eles
    O Brasil dava alguns ataques epilépticos e quase marcava, mas a bola voltava a ficar com eles. Eu berrava: Tá parecendo o Vasco, cadê o meio de campo? Houve o penalty. Achava que o Vini ia bater. Mas não: o Bruno. Tudo bem, ele estava sendo o melhor jogador do Brasil. Mas bater penalty? Na hora que ele virou os zóios e deu uma paradinha, antecipei: perdeu. E fui pegar uma latinha. E a bola estava com os noruegueses. Falei pro meu filho no zapzap: uma hora vai levar.
    Claro que levou. Um, dois, podia ser mais. Quando tiraram o Rayan, tirei meu time de campo. Pô, Ancelotti.
    O futebol não é uma caixinha de surpresas. É um caixão, com sua presa.
    Só lamento ter visto meu neto de quatro anos chorando após a vitória da Noruega. Quem sabe as gerações futuras tenham uma sorte melhor. Eu já acho que nunca mais verei o Brasil hexacampeão. Terei quase oitenta na próxima Copa. E se passar dos oitenta, o radar me pega.

(https://cronicasdacopa.com.br/caio-maciel/oitava-napeneira-oitava-peneirando/)
Assinale a alternativa incorreta: 
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Q4352062 Português
A partir da leitura do texto, é possível inferir que:
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Q4352061 Português
No que concerne ao preconceito linguístico, a leitura do texto permite afirmar corretamente que:
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Q4350628 Português
Observe o cartaz de campanha postado no Instagram da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador em 27/7/26. 


https://www.instagram.com/smssalvador/ 
Na campanha em questão, o emprego da variedade linguística informal contribui principalmente para 
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Q4350406 Português
Em qualquer sociedade, os falantes ajustam sua maneira de utilizar a língua conforme a situação de comunicação, o tema abordado, o interlocutor e os objetivos da interação. Essa capacidade de adaptar a linguagem não significa abandonar a identidade linguística, mas ampliar os recursos expressivos para atender às diferentes demandas comunicativas. Assim, a convivência entre variedades linguísticas revela que a língua é dinâmica, heterogênea e socialmente compartilhada, permitindo ao falante selecionar registros mais ou menos formais de acordo com o contexto em que se encontra.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 39. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. Adaptado.

A leitura do texto permite inferir que o domínio da norma-padrão constitui apenas uma das competências linguísticas socialmente relevantes porque a comunicação eficaz depende também da capacidade de
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Q4348018 Português
Um professor do Ensino Fundamental planeja uma sequência didática em que os alunos devem:
1.Ler notícias e memes sobre um mesmo fato, comparando as linguagens empregadas em cada gênero;
2.Produzir um podcast sobre o tema, utilizando ferramentas digitais; 
3.Debater oralmente diferentes opiniões sobre o assunto, com escuta respeitosa às falas dos colegas de diferentes regiões do país, ainda que marcadas por variedades linguísticas distintas da norma-padrão.
Com base nas competências específicas de Língua Portuguesa previstas na BNCC para o Ensino Fundamental, e considerando as situações de aprendizagem propostas na sequência didática, julgue os itens a seguir.
I.A atividade de comparação entre notícia e meme sobre o mesmo fato mobiliza a competência relacionada ao uso de diferentes linguagens e práticas multissemióticas para a produção de sentidos.
II.A produção do podcast relaciona-se à competência de uso crítico e reflexivo de tecnologias digitais para produzir conhecimento e desenvolver projetos autorais.
III.A atividade de debate oral com escuta respeitosa a diferentes opiniões mobiliza a competência voltada à mobilização de práticas de linguagem para o posicionamento crítico diante de questões sociais relevantes.
IV.O respeito às variedades linguísticas dos colegas durante o debate oral deve ser articulado ao ensino da norma-padrão, de modo que os estudantes reconheçam diferentes formas de uso da língua, mas compreendam que as situações formais de comunicação exigem a substituição das variedades não padrão pela variedade de maior prestígio social.
É correto o que se afirma em:
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Q4346682 Português

Considere a tira a seguir:


3.jpg (307×110)


No terceiro quadro, há o emprego de uma palavra:

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Q4343865 Português
Ao organizar uma unidade de trabalho com uma turma de sétimo ano, um professor reúne um folheto de cordel produzido no sertão nordestino, a letra de uma canção de rap urbano, um relato de narrador indígena registrado por escrito e uma reportagem de jornal de circulação nacional. Solicita que os estudantes identifiquem quem fala em cada texto, para quem, em que suporte e com que finalidade, e propõe que registrem expressões próprias de cada um e discutam de onde elas vêm.
Assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE o princípio que sustenta esse conjunto de decisões.
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Q4339115 Português
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.

TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs

    Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
    Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa questão: a questão verdadeira é o que, para que e como ensiná-la.
     Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise linguística, que a referência não pode ser a gramática tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar (por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de pontos de gramática, como todas as regras de concordância, com suas exceções reconhecidas).
    O que deve ser ensinado não responde às imposições de organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas aos aspectos que precisam ser tematizados em função das necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de produção, leitura e escuta de textos.
     O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica metodologia de definição, classificação e exercitação, mas corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor, do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
    [...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação negativa.
     Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele escreva errado.
    Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem: o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição, mas por extensão da competência linguística e pela construção ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
    No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando as características e condições do contexto de produção, ou seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da linguagem.

(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
Infere-se da leitura do texto III a necessidade de adequação do ensino de Língua Portuguesa por um viés mais voltado para uma prática: 
Alternativas
Q4339112 Português
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.

TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs

    Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
    Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa questão: a questão verdadeira é o que, para que e como ensiná-la.
     Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise linguística, que a referência não pode ser a gramática tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar (por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de pontos de gramática, como todas as regras de concordância, com suas exceções reconhecidas).
    O que deve ser ensinado não responde às imposições de organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas aos aspectos que precisam ser tematizados em função das necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de produção, leitura e escuta de textos.
     O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica metodologia de definição, classificação e exercitação, mas corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor, do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
    [...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação negativa.
     Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele escreva errado.
    Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem: o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição, mas por extensão da competência linguística e pela construção ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
    No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando as características e condições do contexto de produção, ou seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da linguagem.

(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
“Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos.” (7º par.). Contextualmente, tal afirmação dos PCNs serve como referência de prática pedagógica para o profissional de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental ao sugerir que:
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Q4339111 Português
O texto II a seguir serve de base de análise para a questão.

TEXTO II
Caboclo do sertão
(Rita de Cássia)

Eu vou te levar onde canta o sabiá
Onde a lua nos espia com olhar de menina
O cheiro do mato vem surgindo das colinas
Nossa cama é a grama pra fazer amor, menina

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê

Lá tem um riacho para a gente se banhar 
Pegar peixe, nadar junto e até vadiar
Quando for de noite nós acende o nosso amor
Pois fogueira não tem frio, pois sou teu cobertor

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida a viver
Tudo pra eu e ocê

Quando for cedinho a passarada a cantar
Tem o sol alumiando pra nos acordar
Lá no paraíso tudo é feito com amor
Só faltava uma deusa, e você chegou...

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê

Fonte: Onde Canta o Sabiá - Rita de Cássia - LETRAS.MUS.BR
Assinale a alternativa que contém um verso retirado da letra da canção o qual se diferencie dos demais quanto à variação linguística.
Alternativas
Q4339106 Português
O texto I abaixo serve de base de análise para a questão.

TEXTO I

    Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frangod'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutum. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..."
    Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado.
    Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado — que o Mutum era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a ideia de poder trazê-lo desse jeito de cor, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas. Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia:
    — Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver...
    Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto todo sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém, concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço que tinha falado aquilo era que estava com a razão. [...]
    De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
     — Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
     — Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
     — E seu irmão Dito é o dono daqui?
    — Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
    — Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
    Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
    — Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
    — É Mãe, e os meninos...
    Estava Mãe, estava Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada.
    O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo:
   — Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?
    Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
    — Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim...
    E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
    — Olha, agora!
    Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu:
    — Miguilim, você é piticego... E ele respondeu:
  — Donazinha... Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora. [...]
    Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
    — Pra onde ele foi?
    — A foi p´ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s´embora para a cidade. Disse que, você querendo. Miguilim, ele junto te leva... O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. Você mesmo quer ir?
    Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até ao fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
     — Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram...
    E Mãe foi arrumar a roupinha dele. A Rosa matava galinha, para pôr na capanga, com farofa. Miguilim ia no cavalo Diamante — depois era vendido lá na cidade, o dinheiro ficava pra ele.
    — Mãe, é o mar? Ou é para a banda do Pau-Roxo, Mãe? É muito longe?
   — Mais longe é, meu filhinho. Mas é do lado do Pau-Roxo não. É o contrário... A Mãe suspirava suave.
    — Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu tudo?!
   — Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu tenho tanto amor... [...] O doutor chegou. 
    — Miguilim, você está aprontado? Está animoso? Miguilim abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao Papaco-o-Paco, ao gato Sossõe que lambia as mãozinhas se asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo.
     — Dá lembrança a seo Aristeu... Dá lembrança a seo Deográcias... Estava abraçado com Mãe. Podiam sair. Mas, então, de repente, Miguilim parou em frente do doutor. Todo tremia, quase sem coragem de dizer o que tinha vontade. Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia. Olhou Mãitina, que gostava de o ver de óculos, batia palmas-de-mão e gritava:
   — Cena, Corinta!... Olhou o redondo de pedrinhas, debaixo do jenipapeiro. Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz:
    — Tio Terêz, o senhor parece com o Pai... Todos choravam. O doutor limpou a goela, disse:
    — Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus olhos se enchem d´água...
     Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho veio. Sempre alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim... Nem sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punhalhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-oPaco falava, alto, falava.

ROSA, Guimarães. Campo Geral. Adaptado.
Veja as afirmações feitas sobre a Linguagem empregada no texto I, antes de analisar o que se pede.
I. Nota-se que os falantes do dialeto rural do sertão mineiro sofreram preconceito linguístico pelos personagens oriundos do contexto urbano.
II. Observa-se na obra uma inovação linguística quanto à expressividade diatópica do sertão mineiro, a partir da disposição da sintaxe e do emprego de neologismos por parte dos personagens.
III. Restringe-se o aspecto lexical da obra a uma linha escorreita de uso do idioma, o que gera conflito, muitas vezes, de natureza incompreensível por parte dos personagens oriundos de classes sociais diferentes.
IV. Evidencia-se uma diferença da modalidade sociolinguística envolvendo a fala de um personagem do contexto urbano, como José Lourenço, em relação à dos moradores do Mutum, como Miguilim e sua mãe Nhanina.
Pode-se dizer que se encontra correto o que fora dito somente em:
Alternativas
Q4321568 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A bola!


    Ninguém dá bola para a bola. Não é como a roda. A roda entrou para a história no dia em que foi inventada. Existem civilizações que não conheceram a roda. Já pensou nisso? Se eu fizer aqui uma pesquisa rápida, é capaz até de se descobrir o século em que foi inventada essa coisa tão simples, banal. A roda e sua invenção entraram para a história. Tem tanta importância como a pedra lascada e o Vale do Silício lá na Califórnia.


    E a bola? Quem foi que inventou a bola? Onde e pra quê? Invenção mais boba deve ter pensado um grego que passava por ali a caminho de uma sauna.


    É impossível tentar entender o mundo sem a roda. Já pensou levar aquelas pedras todas lá no Egito para construir as pirâmides, se não tivesse a roda e sua consequente carrocinha? E aqui vai a primeira dúvida. Aquele bando de egípcios, entre uma roda e uma pedra e outra, não batiam uma bolinha? Não temos registro.


    Mas tente, agora, entender o mundo sem a bola. E o esporte. Acho que fora о automobilismo, as lutas, a esgrima e o boxe, tudo gira em torno da bola. Mesmo que seja uma bola na trave.


    Desde a de pingue-pongue até a de basquete (que me parece ser a maior), a bola é a bola e ninguém tasca. A bola com as mãos, com os pés, com a cabeça e até com umas raquetes dando porradas nela. Sempre a bola.


    Outra coisa interessante é que a bola não evolui. Nasceu bola e é bola até hoje, ao contrário das rodas que hoje tem até com freio ABS. Tem até roda gigante. Tem até programa de televisão com nome dela: Roda Viva. Como se existisse uma roda morta.


    Voltemos à bola. Me intriga isso: quem inventou a bola? E mais: pra quê? A bola de gude, por exemplo. Será que os soldados de Napoleão jogavam bolinha de gude em terreno cheio de neve? Será que a bola, quando foi inventada, já tinha ar dentro ou era compacta, inteira, de pedra, por exemplo, e era usada só para se jogar lá de cima do castelo na cabeça dos invasores, aqueles dos aríetes? (...)


PRATA, Mário. A bola! Disponível em

<https://marioprata.com.br/a-bola/>

É correto afirmar que a linguagem apresentada no texto “A bola!": 
Alternativas
Q4317257 Português
O texto abaixo foi elaborado pela professora Márcia Rebêlo. Leia-o, atentamente, pois ele servirá de base para a questão.


A importância da preservação da água


    A água é um dos recursos naturais mais importantes para a vida no planeta. Utilizamos a água para beber, preparar alimentos, cuidar da higiene, produzir alimentos e realizar diversas atividades do dia a dia. Apesar de sua importância, mui tas pessoas ainda desperdiçam água e não percebem que esse recurso pode se tornar cada vez mais escasso em algumas regiões.


    Preservar a água é uma responsabilidade de todos. Atitudes simples, tais como, fechar a torneira enquanto esco vamos os dentes, consertar vazamentos e evitar banhos muito demorados, podem contribuir para diminuir o desperdício. A água é também um tesouro da natureza: se cuidarmos dela hoje, ajudaremos a garantir vida e qualidade de vida para as futuras gerações.


    Além do desperdício, a poluição dos rios, lagos e oceanos também representa uma grande ameaça à disponibilida de de água de qualidade. O descarte inadequado de lixo, produtos químicos e outros resíduos pode contaminar os ambien tes aquáticos e prejudicar pessoas, animais e plantas. Por isso, cuidar da água significa também preservar a natureza, des cartar o lixo corretamente e participar de ações que contribuam para a conservação do meio ambiente. Portanto, cuide sempre do meio ambiente e faça a sua parte.
Releia o trecho seguinte retirado do texto: “O descarte inadequado de lixo, produtos químicos e outros resíduos pode contaminar os ambientes aquáticos e prejudicar pessoas, animais e plantas” (3º parágrafo). A mesma ideia pode ser expressa de diferentes maneiras, de acordo com a situação comunicativa, com o grupo de falantes ou a região em que se encontram os interlocutores. Partindo dessa informação, observe as frases abaixo:

I. “O descarte inadequado de resíduos pode provocar a contaminação dos ambientes aquáticos.”

II. “Não joga lixo no rio, porque isso vai acabar com a água e com a vida!”

III. “Égua, mano, é muita sujeira poluindo os rios e matando os animais.”

IV. “Os resíduos jogados nos rios podem prejudicar a natureza.”

Assinale a assertiva que apresenta corretamente o tipo de variação linguística predominante em cada situação encontrada nas numerações acima, respectivamente. 
Alternativas
Q4302815 Português
Leia o texto a seguir e responda às questões

TEXTO II

Alunos têm melhor desempenho escolar quando professor está de bom humor, revela estudo 

Pesquisa com 17,5 mil estudantes revela que o bem-estar emocional do docente é fundamental para a qualidade do ensino e o sucesso escolar em diferentes culturas. 


Por Emily Santos, Redação G1

Uma pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia revelou que o sucesso acadêmico dos alunos está diretamente ligado ao estado emocional de seus professores. O estudo comprovou que docentes que sentem prazer em ensinar entregam aulas de melhor qualidade, o que aumenta o desempenho, o interesse e a confiança dos estudantes.

Por outro lado, emoções negativas do professor, como a raiva, estão associadas a métodos de ensino menos eficazes e a piores resultados dos alunos.

Os pesquisadores analisaram dados de 679 professores de matemática e mais de 17,5 mil alunos em países como Chile, China, Alemanha, México e Reino Unido. Durante o estudo, os estudantes passaram por lições semelhantes sobre equações, o que permitiu comparar como as emoções influenciavam turmas de diferentes culturas. A análise focou em como o humor do docente afeta a gestão da sala e a capacidade de desafiar o pensamento crítico dos jovens.

“Decidimos realizar esta pesquisa porque o ensino não é apenas uma atividade intelectual, mas também emocional. Queríamos entender toda essa cadeia de eventos que conecta como um professor se sente ao desempenho de um aluno”, aponta Marina Elena Pfeifer, líder do estudo e doutora pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique.

O achado central é que as emoções funcionam como um efeito dominó no ambiente escolar. Os sentimentos do professor não atingem o aluno de forma isolada, mas transformam a maneira como ele trabalha e interage com a turma.

Quando o docente está alegre, ele consegue organizar melhor o tempo e propor tarefas que estimulam o raciocínio profundo dos estudantes. Já a raiva prejudica essas práticas, criando um ambiente onde o aprendizado é dificultado.

De acordo com os autores, o bem-estar emocional dos educadores não deve ser tratado apenas como uma questão pessoal, mas como um fator crítico para o sucesso do sistema de ensino. O estudo sugere que o ato de ensinar é tanto uma atividade intelectual quanto emocional. Por isso, o suporte à saúde mental de quem ensina reflete diretamente na qualidade do que é aprendido por quem estuda.

O mecanismo de transmissão das emoções

A pesquisa identificou que as emoções do professor agem como gatilhos para comportamentos específicos em sala de aula. Sentimentos positivos, como a alegria, ajudam o docente a ampliar sua atenção e a buscar soluções criativas para os desafios pedagógicos. Isso permite que o professor seja mais flexível e consiga manter os alunos engajados por mais tempo.

Em contrapartida, a raiva tende a estreitar o foco mental do educador e dificultar o processamento de informações. Esse estado negativo pode levar o professor a adotar posturas mais autoritárias ou a culpar os alunos por falhas no processo de ensino. Como resultado, a qualidade da instrução cai e os estudantes perdem o estímulo para participar das atividades. 

O estudo resume o impacto das emoções em três pilares da qualidade do ensino:

  • Gestão da sala de aula: professores alegres resolvem interrupções com mais agilidade.

  • Relacionamento: o entusiasmo do docente favorece a criação de vínculos de apoio com os jovens.

  • Desafio intelectual: o prazer em ensinar está ligado ao uso de estratégias que fazem o aluno pensar criticamente.


Essas mudanças na forma de ensinar impactam diretamente a percepção do aluno sobre sua própria capacidade. Quando percebem um professor entusiasmado, os estudantes sentemse mais seguros para explorar conceitos complexos. Assim, o humor do professor molda a experiência de aprendizado muito antes da entrega das notas finais. “Nosso estudo mostra que as emoções de um professor não são meramente um subproduto do processo educacional, mas um contribuinte ativo para ele”, diz Marina Elena Pfeifer.


Semelhanças observadas em diferentes culturas 


Um dos pontos mais relevantes do levantamento foi a constância dos resultados em nações com realidades muito distintas. Apesar das diferenças econômicas e linguísticas entre países como China e Colômbia, a forma como a emoção do professor afeta o aluno seguiu o mesmo padrão. Isso indica que a dinâmica emocional no ensino é uma característica humana fundamental, e não um traço cultural isolado.


Os pesquisadores afirmam que, mesmo com métodos pedagógicos variados, o efeito dominó da alegria ou da raiva foi uma constante em todas as escolas analisadas. Esse padrão sugere que as interações sociais básicas em sala de aula respondem aos mesmos princípios psicológicos em qualquer lugar do mundo. A descoberta reforça a ideia de que o bem-estar do docente é uma necessidade universal para a educação.


Essa similaridade entre os países permite que as conclusões do estudo sejam aplicadas de forma ampla em políticas educacionais globais. Os autores chamam essa característica de universalidade relativa das dinâmicas emocionais. Isso significa que, embora a forma de expressar sentimentos varie, o impacto deles sobre a qualidade da aula é previsível.


Dessa forma, o estudo oferece uma base sólida para que sistemas de ensino de diferentes regiões adotem estratégias comuns de suporte ao docente. Entender que o mecanismo é o mesmo ajuda a planejar treinamentos que foquem na regulação emocional como parte da competência profissional. A pesquisa mostra que, independente do idioma, a linguagem das emoções é decisiva para o aprendizado.


Ciclos emocionais na rotina escolar


Os pesquisadores identificaram que a sala de aula é propensa à criação de ciclos emocionais que se alimentam sozinhos. Esses ciclos podem levar a turma a uma trajetória de sucesso ou de dificuldades persistentes ao longo do ano letivo.


No chamado ciclo virtuoso, a alegria do professor resulta em um ensino mais eficaz e no progresso dos alunos. Esse sucesso escolar, por sua vez, aumenta a satisfação e o orgulho do docente, reforçando sua felicidade.


Já o ciclo vicioso pode prender professores frustrados em uma espiral negativa de desempenho. A raiva compromete a gestão da classe, o que gera maus resultados nos testes e aumenta a irritação do educador. Sem uma intervenção, o professor pode se sentir cada vez mais incapaz de atingir seus objetivos pedagógicos.


O estudo mostra que essas emoções não são apenas subprodutos, mas participantes ativos da rotina. 


Como quebrar os ciclos


Para quebrar esses padrões negativos, é necessário ir além de novos materiais didáticos ou mudanças no currículo. O apoio à saúde mental e ao equilíbrio emocional do professor é apontado como a ferramenta principal para reverter esses ciclos.


Intervenções baseadas em atenção plena, conhecidas como mindfulness, são citadas como exemplos de práticas que ajudam o docente a regular seu humor.


Essas ações permitem que o professor recupere o controle sobre o ambiente da sala de aula antes que o desgaste emocional se torne permanente. O sucesso de um sistema de ensino depende, portanto, da capacidade de manter o educador motivado e saudável.


Quando o ciclo virtuoso é estabelecido, tanto o professor quanto os alunos saem beneficiados em sua trajetória escolar. 


Implicações para a gestão escolar 


O estudo conclui que apoiar o bem-estar dos professores deve ser uma prioridade estratégica para escolas e governos. Reduzir o estresse docente não é apenas uma questão de gentileza, mas uma medida essencial para garantir a eficácia do aprendizado. Escolas que investem em ambientes saudáveis para os educadores estão, na prática, investindo no rendimento acadêmico de seus estudantes. 


A gestão escolar pode atuar em várias frentes para proteger os recursos emocionais de sua equipe:


  • Redução de tarefas administrativas excessivas que geram esgotamento.


  • Oferecimento de treinamentos focados em competências de regulação emocional.


  • Criação de espaços de acolhimento para que professores lidem com situações desafiadoras.


  • Implementação de programas de prevenção ao estresse ocupacional e burnout.


Compreender que o ensino é uma atividade emocional ajuda a reformular os desafios da educação moderna. O professor deixa de ser visto apenas como um transmissor de conteúdo e passa a ser reconhecido como o gestor do clima da sala de aula. Essa mudança de visão é fundamental para que a comunidade escolar colabore na construção de um ambiente mais produtivo.


“A principal implicação no mundo real é que apoiar o bemestar emocional de um professor não é apenas 'algo bom de se ter' — é crítico para o sucesso do aluno”, avalia Marina Elena Pfeifer, líder do estudo.


Por fim, a pesquisa destaca que as emoções são contribuintes ativos e não meros resultados do processo educativo. O humor de quem ensina define se o aluno terá curiosidade ou resistência diante de uma nova matéria. Investir no equilíbrio de quem está à frente da turma é, segundo o estudo, o caminho mais curto para formar alunos mais confiantes e interessados.


(Fonte: Portal G1. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/06/01/humor-doprofessor-impacta-desempenho-escolar-dos-alunos-estudo.ghtml (adaptado). 

Em uma atividade de produção textual, um professor identifica construções linguísticas que não correspondem à norma-padrão e decide trabalhar essas ocorrências sem classificá-las previamente como “erros”. Para isso, propõe aos estudantes que comparem diferentes formas de dizer, observem os contextos em que circulam e analisem os efeitos produzidos por cada escolha linguística.
Essa prática pedagógica fundamenta-se na compreensão de que
Alternativas
Q4302608 Português

Para responder à questão, leia o texto III.


Texto III


    Durante uma viagem pelo Distrito de Bragança, o professor Joaquim resolveu passar uns dias na Vila Baticuteua. Ao conversar com os moradores do local, notou que uma mesma palavra podia apresentar pronúncias diversas, como o vocá bulo tia, que alguns falavam “tchia” e outros pronunciavam com o som inicial mais próximo de “tia”.


     O professor também observou que havia variações no uso do “s”. Alguns indivíduos mais jovens produziam o “s” chiado no final de palavras, como em meninos, com som de “mininush”, ou no meio de vocábulos, como mesmo, pronunci ado “meshmu”. Outros falantes falavam o “s” sem chiado, pronunciando “mininus” e “mesmu”.


     O Professor Joaquim concluiu que aquele seria um bom lócus de pesquisa para seus estudos sobre variação linguís tica fonética, que desenvolve no Núcleo de Fonética e Fonologia da Universidade Regional do Norte. Compreendendo que essas realizações são sistemáticas e condicionadas, resolveu iniciar seus registros em nota de campo para a constituição da proposta de pesquisa. 


(Texto fictício) 

Considerando o trecho “Compreendendo que essas realizações são sistemáticas e condicionadas, resolveu iniciar seus registros em nota de campo para a constituição da proposta de pesquisa”, os termos sistemáticas e condicionadas contribuem para a compreensão de que as variantes fonéticas 
Alternativas
Q4302605 Português

Para responder à questão, analise os textos I e II:


Texto I





Texto II 


“No Brasil, a diversidade linguística é uma marca cultural profunda, resultado de séculos de interações entre povos nativos, colonizadores europeus e imigrantes de várias partes do mundo [...] variações dialetais refletem as influências históricas, geográficas e culturais de cada região, tornando o português brasileiro uma língua rica em diversidade. Ao analisar os principais dialetos regionais do Brasil, torna-se evidente como essas variações desempenham um papel fundamental na identidade cultural de diferentes regiões”.


(CASTILHO, Divina Eterna. Variação linguística no Brasil: uma análise sobre os dialetos regionais. Revista Ilustração, Cruz Alta, v. 5, n. 10, p. 71 86, 2024. Disponível em: https://journal.editorailustracao.com.br/index.php/ilustracao/article/view/406. Acesso em: 17, jul., 2026.) 

Quais princípios sociolinguísticos possibilitam relacionar as ideias do texto II à situação comunicativa apresentada na charge (texto I)?


I. Variação linguística diamésica, variação diacrônica, comunidade de fala e bilinguismo;


II. Variação linguística diatópica, heterogeneidade linguística, adequação comunicativa e pertencimento cultural;


III. Prestígio linguístico, variação diafásica, diferenças entre variedade de prestígio e variedade popular;


IV. Mudança linguística, variação individual (idioleto) e alternância de código;


V. Estigma linguístico, variação linguística situacional e preconceito linguístico.


Selecione uma alternativa correta. 

Alternativas
Q4300833 Português

Leia o Texto II para responder à questão.



Texto II





Fonte: WILLTIRANDO. Disponível em: willtirando.com.br. Acesso em: 24 jun. 2026.

Na tirinha (Texto II), a personagem afirma: “Suas historinhas são sensacionais.” O emprego da palavra “historinhas” no diminutivo, e do termo “sensacionais” revela:
Alternativas
Q4295209 Português
Jogo do tigrinho e os perigos do mundo virtual


     Super em alta na mídia nas últimas semanas, o jogo do Tigrinho – que mais parece um cassino on-line, promete dinheiro fácil e rápido, segundo influenciadores e robôs desse mundão virtual.

     Se você é um usuário assíduo de redes sociais, especialmente do Instagram, pode ter recebido alguma notificação ou convite para seguir “influenciadores” e apostar no jogo para obter vantagens rápidas, ou até garantir uma vida de luxo, como querem vender.

    Mas se você tem um tiquinho de senso crítico, deve ter desconfiado que a coisa não é beeeeem dessa forma. Mas será que todos os usuários do mundão virtual têm esse senso crítico? Infelizmente, a resposta é não. Se tivessem, o jogo que promete ganhos extravagantes, não teria se propagado com tamanha rapidez.

   Ok, mas até aqui nenhuma novidade, pois os golpes sempre existiram. Anos atrás a gente ouvia falar do “conto paco” que acontecia nas ruas, nos golpes do “bilhete premiado”, ou das “saidinhas de banco”. E hoje essas fraudes ganharam uma nova roupagem, desta vez no mundo virtual, que conta com mecanismos de inteligência artificial, cores, movimento e atratividade, mas que não tem nenhum compromisso com a verdade.

    Todos sabemos que tempo excessivo em frente às telas + jogos de azar = problemas. Os jogos on-line podem trazer muitos prejuízos, sejam eles financeiros, sociais, psicológicos, ou todos eles juntos. Basta olhar os noticiários das últimas semanas, para constatar a enxurrada de problemas complexos trazidos pelo “inofensivo” joguinho. É assustador! São crianças e jovens roubando seus familiares para fazerem apostas, famílias que apostaram seus únicos bens, pessoas desesperadas pelos prejuízos, inúmeros viciados... uma verdadeira catástrofe.
 
     Além de nos mantermos bem informados e “vacinados” contra a desinformação, devemos nos questionar diante de todos os conteúdos. Mas será que isso é verdade? A imprensa oficial noticiou? As fontes que estão propagando são confiáveis?

    E ao fazermos compras ou pagamentos virtuais, devemos ser bastante criteriosos. A empresa realmente existe? Tem um histórico favorável? Como está avaliada? Possui selos de segurança? A oferta é boa demais pra ser verdade?

     Ah! E sempre, sempre devemos estar atentos aos nossos dados pessoais, que são um grande tesouro, especialmente para os estelionatários de plantão.

   Por fim, quando digo que é preciso se prevenir e questionar, não estou querendo desestimular o uso e consumo das redes sociais, mas sim, fazer com que esse consumo seja cada vez mais crítico e responsável. Só assim podemos construir um ambiente virtual mais saudável, ético e seguro para todos.


(Por: Ana Gabriela Simões Borges.Em 02/07/2024.Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br. Acesso em: abril de 2026.)
Assinale a opção em que NÃO há uma marca de oralidade. 
Alternativas
Q4279837 Português
SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL
CADASTRO NA PLATAFORMA TORCEDOR ARRETADO

O Torcedor Arretado é uma plataforma digital criada pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Defesa Social (SDS), para organizar informações sobre torcedores, clubes e torcidas organizadas.
O sistema ajuda os órgãos públicos a planejarem melhor a segurança nos jogos e eventos esportivos, reunindo informações importantes em um só lugar.
Entre as principais funções estão:

• Cadastro de torcedores e torcidas organizadas;
• Identificação dos integrantes das torcidas;
• Controle de pessoas impedidas de participar de eventos esportivos;
• Registro de ocorrências e histórico de comportamento em jogos;
• Acompanhamento de medidas judiciais ou administrativas;
• Solicitação de apoio para eventos, como escolta, entrada de materiais e organização de caravanas;
• Comunicação entre torcidas, clubes e órgãos de segurança.

O sistema também permite que as torcidas organizadas administrem seus membros e mantenham seus dados atualizados.
O Torcedor Arretado busca tornar a segurança nos estádios mais eficiente, permitindo que as autoridades trabalhem de forma preventiva, com informações atualizadas e melhor planejamento.

https://www.pe.gov.br

No nome da plataforma digital apresentada, o emprego do vocábulo "Arretado" produz um efeito de sentido que se explica, predominantemente, pelo fato de
Alternativas
Respostas
1: B
2: A
3: A
4: A
5: B
6: C
7: A
8: E
9: D
10: C
11: A
12: D
13: D
14: C
15: B
16: E
17: A
18: E
19: D
20: D