Questões de Concurso
Sobre variação linguística em português
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Marcuschi assume que, de acordo com as diferentes posições existentes, pode-se ver a língua:
i) como forma ou estrutura – um sistema de regras que defende a autonomia do sistema diante das condições de produção;
ii) como instrumento – transmissor de informações, sistema de codificação;
iii) como atividade cognitiva – ato de criação e expressão do pensamento típica da espécie humana;
iv) como atividade sociointerativa situada – a perspectiva sociointeracionista relaciona os aspectos históricos e discursivos.
(adaptado de: MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Cortez, 2008).
Considerando as diferentes correntes apresentadas por Marcuschi, assinale aquela que representa a concepção de língua como atividade sociointerativa:
Analise as afirmações abaixo, relativas a variação linguística.
1 – Uma característica de todas as línguas do mundo é que elas não são unas, não são uniformes, apresentando variedades.
2 – As línguas mostram formas variadas, entre outras razões, porque a sociedade é dividida em grupos sociais.
3 – Na escrita, há sempre interlocução, enquanto a fala ocorre fora dela.
4 – As variedades linguísticas sofrem um julgamento social.
5 – Variantes diafásicas são as que mostram diferenças de uma região para outra.
Assinale a opção que indica as afirmativas corretas.
"É sempre necessário que as circunstâncias em que as palavras forem proferidas sejam de algum modo, apropriadas" (Austin 1990, p. 26, Quando Dizer é Fazer: palavra e ação).
A linguagem é entendida, na perspectiva da Pragmática, como uma atividade intersubjetiva e intencional. Desse modo, as práticas discursivas são as linguagens em ação em que os indivíduos produzem sentidos e se posicionam em suas relações sociais do dia a dia. A linguagem que se processa entre falantes e interlocutores é sempre uma linguagem social, que produz ações e consequências. Estas ideias acerca da linguagem e das práticas discursivas têm como base a teoria dos atos de fala desenvolvida por Austin (1976), em que é possível fazer através do dizer.
É incorreto afirmar sobre a polidez na comunicação:
“Língua solta”
Você fala direito? Aposto que sim. Mas aposto também que, no calor de uma conversa animada, você já se flagrou engolindo o r de um verbo no modo infinitivo. A letra s, quando indica plural, costuma ser devorada nas rodas mais finas de bate-papo especialmente em São Paulo. Já os mineiros (até os doutores!) traçam sem piedade o d que compõe o gerúndio. No país todo, come-se às toneladas o primeiro a da preposição para. A primeira sílaba de todas as formas do verbo estar, então, essa já é uma iguaria difícil de achar. Portanto, poucos se espantam ao ouvir uma frase assim:
“Num vô consegui durmi purquê os cara tão tocano muito alto.”
Isso é errado?
Depende. Se os seus olhos quase saltaram da órbita ao fitar a frase acima, leia em voz alta para perceber que ela não soa tão absurda. Expressões como tocano e vô consegui atentam contra a norma-padrão da língua portuguesa – ensinada na escola para preservar um código comum a todos os falantes do idioma. Do ponto de vista da linguística, entretanto, elas são só objetos de estudo. Retratam fielmente aquilo que o português brasileiro é hoje. E fornecem pistas sobre o que a língua padronizada pode vir a ser daqui a 10, 100 ou 1 000 anos.
Um biólogo nunca diria que uma bactéria está errada, afirma o linguista Ronald Beline, da USP. A linguística – ciência que estuda a linguagem assim como a biologia se ocupa dos seres vivos – tampouco pode dizer se uma palavra está certa ou errada. De certo modo, a linguagem também é um organismo vivo. Elementos linguísticos, como células, nascem e morrem o tempo todo, modificando o sistema. Em todos os idiomas, palavras se alongam, encurtam e trocam de significado; expressões são criadas enquanto outras perdem a razão de existir; substantivos, verbos, adjetivos e advérbios emprestam sentido uns aos outros.
Embora a linguística esteja longe de ser uma ciência exata, ela já foi capaz de identificar regras mais ou menos fixas no comportamento errático da linguagem verbal. Os mecanismos que regem essas metamorfoses são analisados no livro The Unfolding of Language (O Desdobramento da Linguagem, sem tradução para o português), uma das poucas obras digeríveis para quem não é familiarizado com o tema nem com o jargão de quem o estuda. Segundo seu autor, o israelense Guy Deutscher, a linguagem é um recife de metáforas mortas.
Disponível em: <https://super.abril.com.br/ciencia/lingua-portuguesa-a-lingua-solta/>
“Língua solta”
Você fala direito? Aposto que sim. Mas aposto também que, no calor de uma conversa animada, você já se flagrou engolindo o r de um verbo no modo infinitivo. A letra s, quando indica plural, costuma ser devorada nas rodas mais finas de bate-papo especialmente em São Paulo. Já os mineiros (até os doutores!) traçam sem piedade o d que compõe o gerúndio. No país todo, come-se às toneladas o primeiro a da preposição para. A primeira sílaba de todas as formas do verbo estar, então, essa já é uma iguaria difícil de achar. Portanto, poucos se espantam ao ouvir uma frase assim:
“Num vô consegui durmi purquê os cara tão tocano muito alto.”
Isso é errado?
Depende. Se os seus olhos quase saltaram da órbita ao fitar a frase acima, leia em voz alta para perceber que ela não soa tão absurda. Expressões como tocano e vô consegui atentam contra a norma-padrão da língua portuguesa – ensinada na escola para preservar um código comum a todos os falantes do idioma. Do ponto de vista da linguística, entretanto, elas são só objetos de estudo. Retratam fielmente aquilo que o português brasileiro é hoje. E fornecem pistas sobre o que a língua padronizada pode vir a ser daqui a 10, 100 ou 1 000 anos.
Um biólogo nunca diria que uma bactéria está errada, afirma o linguista Ronald Beline, da USP. A linguística – ciência que estuda a linguagem assim como a biologia se ocupa dos seres vivos – tampouco pode dizer se uma palavra está certa ou errada. De certo modo, a linguagem também é um organismo vivo. Elementos linguísticos, como células, nascem e morrem o tempo todo, modificando o sistema. Em todos os idiomas, palavras se alongam, encurtam e trocam de significado; expressões são criadas enquanto outras perdem a razão de existir; substantivos, verbos, adjetivos e advérbios emprestam sentido uns aos outros.
Embora a linguística esteja longe de ser uma ciência exata, ela já foi capaz de identificar regras mais ou menos fixas no comportamento errático da linguagem verbal. Os mecanismos que regem essas metamorfoses são analisados no livro The Unfolding of Language (O Desdobramento da Linguagem, sem tradução para o português), uma das poucas obras digeríveis para quem não é familiarizado com o tema nem com o jargão de quem o estuda. Segundo seu autor, o israelense Guy Deutscher, a linguagem é um recife de metáforas mortas.
Disponível em: <https://super.abril.com.br/ciencia/lingua-portuguesa-a-lingua-solta/>
Leia o texto abaixo para responder a questão.

As mariposas
Adoniran Barbosa
As mariposa quando chega o frio
Fica dando volta em volta da lâmpida pra se esquentar
Elas roda, roda, roda e dispois se senta
Em cima do prato da lâmpida pra descansar
Eu sou a lâmpida
E as muié é as mariposa
Que fica dando volta em volta de mim
Toda noite só pra me beijar
Disponível em:<http;//www.vagalume.com.br/adoniran-barbosa/as-mariposas.html>
Observe a imagem abaixo retirada do Facebook e marque V ou F nos parênteses:

( ) A linguagem utilizada pelos falantes impediu uma comunicação eficiente entre os dois personagens.
( ) A linguagem utilizada pelos personagens é influenciada por fatores sociais e regionais.
( ) Esse modo de falar, considerado “matuto”, é inaceitável em qualquer situação, porque prejudica a comunicação.
( ) Esse modo de falar, mesmo sendo considerado “matuto”, pode ser usada em algumas situações, desde que mesmo cumpra sua intenção comunicativa.
( ) Existem diversos modos de falar, e todos eles têm uma explicação para o seu uso. Por isso não se deve ter nenhum tipo de preconceito em relação aos “modos de falar”.
O preenchimento CORRETO dos parênteses está na alternativa:
I- O uso da forma verbal abreviada “tá”, em vez de “está” não constitui um erro, apesar de ser proferido por um médico, pois reflete o
envolvimento dos personagens no processo interacional; além disso, justifica-se em razão do propósito comunicativo do gênero
textual – a charge.
II- Em “assistindo a todos os programas”, a relação de regência revela o uso da linguagem exigido pela gramática normativa, de
modo que, na frase como um todo, verifica-se uma incompatibilidade entre este uso e o emprego da forma verbal auxiliar.
III- Considerando que a frase “eu prometo” é proferida pelos vários candidatos que se apresentam nos debates e programas eleitorais,
a estrutura “nós prometemos” é que seria adequada.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Observe a imagem abaixo retirada do Facebook e marque Vou F nos parênteses:

(<http://www.bodegaiato.com.br/> Acesso em: 20/10/2018)
( ) A linguagem utilizada pelos falantes impediu uma comunicação eficiente entre os dois personagens.
( ) A linguagem utilizada pelos personagens é influenciada por fatores sociais e regionais.
( ) Esse modo de falar, considerado “matuto”, é inaceitável em qualquer situação, porque prejudica a comunicação.
( ) Esse modo de falar, mesmo sendo considerado “matuto”, pode ser usada em algumas situações, desde que mesmo cumpra sua intenção comunicativa.
( ) Existem diversos modos de falar, e todos eles têm uma explicação para o seu uso. Por isso não se deve ter nenhum tipo de preconceito em relação aos “modos de falar”.
O preenchimento CORRETO dos parênteses está na alternativa:
