Questões de Concurso Sobre variação linguística em português

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Q4134625 Português
Eles tinham saído de véspera, de manhã, da canoa. Eram duas horas da tarde. Cordulina, que vinha quase cambaleando, sentou-se numa pedra e falou, numa voz quebrada e penosa:

-Chico, eu não posso mais... Acho até que vou morrer. Dá-me aquela zoeira na cabeça!

Chico Bento olhou dolorosamente a mulher. O cabelo em falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por cima do rosto, envesgando os olhos, roçando a boca. A pele, empretecida como uma casca, pregueava nos braços e nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada descobriam. (...)

No colo da mulher, o Duquinha, também era só osso e pele, levava, com um gemido abafado, a mãozinha imunda, os dedos ressequidos, aos pobres olhos doentes. E com outra tateava o peito da mãe, mas num movimento tão fraco e tão triste que era mais uma tentativa do que um gesto. Lentamente o vaqueiro voltou as costas; cabisbaixo, o Pedro o seguiu.

E foram andando à toa, devagarinho, costeando a margem da caatinga. 

 Quinze' de Rachel de Queiróz)

https://canal.cecierj.edu.br/012016/c5e34a6d5f7ebf426484725dfe84cd8 2.pd 
Considerando o trecho de 'O Quinze' de Rachel de Queiroz e os efeitos de sentido, norma padrão e variedades linguísticas, analise as afirmativas a seguir e identifique a incorreta.
Alternativas
Q4134237 Português
Assinale a alternativa correta quanto ao nível de linguagem presente na estrofe da música Querido diário, de Chico Buarque.

Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q4132823 Português

Leia o texto e responda a questão.



Filho do Dono



Não sou profeta

Nem tão pouco visionário

Mas o diário desse mundo tá na cara

Um viajante

Na boléia do destino

Sou mais um fio da tesoura e da navalha



Levando a vida

Tiro verso da cartola

Chora, viola, nesse mundo sem amor

Desigualdade

Rima com hipocrisia

Não tem verso nem poesia que console um cantador



A natureza na fumaça se mistura

Morre a criatura

E o planeta sente a dor



O desespero

No olhar de uma criança

A humanidade fecha os olhos pra não ver

Televisão de fantasia e violência

Aumenta o crime

Cresce a fome do poder



Boi com sede bebe lama

Barriga seca não dá sono

Eu não sou dono do mundo

Mas tenho culpa

Porque sou filho do dono

[...]



por flávio josé

disponível em: https://www.letras.mus.br/flavio-jose/306921/

Leia o trecho a seguir: “Não sou profeta/ Nem tão pouco visionário/ Mas o diário desse mundo tá na cara/ Um viajante/ Na boléia do destino/Sou mais um fio da tesoura e da navalha”.



A partir da leitura, analise as proposições a seguir.



I. O termo tá é considerado um registro informal da língua portuguesa.


II. Os termos, profeta e visionário, tem a mesma ideia de prever o futuro.


III. O termo não é um advérbio segundo a gramatica normativa.



Após análise, conclui-se que: 

Alternativas
Q4131716 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1 

A carne


A carne mais barata do mercado

É a carne negra

(Tá ligado que não é fácil, né, mano?)

Se liga aí

[...] 

Que vai de graça pro presídio

E para debaixo do plástico

E vai de graça pro subemprego

E pros hospitais psiquiátricos

[...]

Que fez e faz história

Segurando esse país no braço, meu irmão

O cabra que não se sente revoltado

Porque o revólver já está engatilhado

E o vingador eleito

Mas muito bem intencionado


JORGE, Seu; YUKA, Marcelo; CAPPELLETTI, Ulisses. A carne. Letra da canção. Disponível em: https://www.letras.mus.br/elza-soares/a-carne/. Acesso em: 28 maio 2025. [Adaptado]. 
Em trechos da canção, ocorrem formas linguísticas que não seguem o padrão da variedade escrita formal, integrando escolhas de linguagem características do uso cotidiano. Esse emprego exemplifica variação
Alternativas
Q4122701 Português

Por que a IA jamais será consciente, segundo um Nobel de Física


     Alguém ainda precisa fazer uma série de TV sobre a possibilidade de a inteligência artificial ser consciente ou não. Nos últimos meses, esse debate pegou fogo. Houve desde trocas de ofensas entre cientistas no Twitter (X) até abaixo-assinado chamando de "pseudociência" teorias que indicam que as IAs nunca poderão ser conscientes.

    Esse é um debate altamente polarizado. De um lado, há aqueles que defendem que sim, as IAs podem se tornar conscientes, se é que já não o são. Um dos grandes expoentes desse campo é Patrick Butlin, da Universidade de Oxford. Com colegas, escreveu um célebre estudo que traz uma longa lista de critérios que eles analisam para ter certeza se uma IA é consciente. Com base neles, analisou as IAs atuais e chegou a duas conclusões.

    A primeira é que nenhuma IA do presente é consciente (ainda que várias atinjam vários dos critérios, mas não todos). A segunda é que não existe nenhuma barreira técnica para construir uma IA que satisfaça todos os indicadores de consciência. Em outras palavras, na visão dele, as IAs podem, sim, ter consciência. Nessa mesma linha, o pesquisador Kyle Fish (que trabalha para a Anthropic) gosta de dizer que existe hoje uma chance de 15% a 20% de que as IAs do presente tenham alguma forma de consciência.

    Nos anos 1980, o físico (e vencedor do Prêmio Nobel) Roger Penrose postulou que humanos observando esses sistemas "de fora" conseguem ver essas verdades. Logo, a compreensão consciente humana não pode ser reduzida a nenhum algoritmo. E nenhum computador conseguirá replicá-la.

    Essa ideia ganhou dimensões ainda mais interessantes quando Penrose começou a trabalhar com o anestesiologista Stuart Hameroff. Hameroff pesquisa um dos grandes mistérios da medicina: ninguém sabe como os anestésicos gerais funcionam.

    Eles desligam a consciência, mas deixam intactas as demais funções cerebrais. Isso é difícil de explicar pela teoria padrão de que a consciência emerge da atividade elétrica do cérebro. Para entender onde ela "mora", seria importante então entender o efeito dos anestésicos.

    Ao ler o livro de Penrose sobre a irredutibilidade computacional da mente, ele teve uma ideia. Os anestésicos atuam sobre estruturas dos neurônios chamadas microtúbulos. Na sua visão, essas estruturas funcionam como computadores quânticos, que vivem em superposição até "colapsarem" de forma orquestrada.

    Se ela estiver correta, as IAs jamais poderão ser conscientes. E nem os computadores quânticos, que possuem coerência quântica, mas não a estrutura "orquestrada" da mente humana. Em outras palavras: aplique um anestésico em um ser consciente e sua consciência cessará temporariamente. Aplique um anestésico em uma IA e o máximo que pode acontecer é um curto-circuito.


Ronaldo Lemos. Disponível em https://www1.folha.uol. com.br/colunas/ronaldolemos/2026/04/ acesso em 26 de abril de 2026(Adaptado).

No trecho “Nos últimos meses, esse debate pegou fogo”, a expressão destacada, em contraste com a temática científica do texto, produz um efeito de sentido que pode ser corretamente descrito como 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: TJ-BA Prova: FGV - 2026 - TJ-BA - Juiz Leigo |
Q4102056 Português
A variação linguística se manifesta desde o nível mais elevado e coletivo – quando comparamos, por exemplo, o português falado em dois países diferentes (Brasil e Angola) – até o nível mais baixo e individual, quando observamos o modo de falar de uma única pessoa, a tal ponto que é possível dizer que o número de “línguas” num país é o mesmo de habitantes de seu território. Entre esses dois níveis extremos, a variação é observada em diversos outros níveis: grandes regiões, estados, regiões dentro dos estados, classes sociais, faixas etárias, níveis de renda, graus de escolarização, profissões, acesso às tecnologias de informação, usos escritos e usos falados.
BAGNO, Marcos. Disponível em https://www.ceale.fae.ufmg.br

O texto apresenta diferentes níveis em que a variação linguística pode ser observada.

A partir da explicação do autor, conclui-se que a variação linguística
Alternativas
Q4089303 Português

Leia o Texto I para responder à questão.



Texto I



Dinheiro oculto



Estudo rastreia pagamentos não declarados recebidos por autores de duas revistas de psiquiatria



    Pesquisadores de duas escolas de medicina do estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avaliaram a prevalência e a magnitude de conflitos de interesse financeiro entre médicos que publicaram artigos em duas revistas influentes da área de psiquiatria: o American Journal of Psychiatry (AJP) e o Journal of the American MedicalAssociation Psychiatry (Jama-PSY).

    O levantamento, divulgado na revista médica eletrônica BMJ Open, observou que cerca de US$ 4,5 milhões foram pagos por patrocinadores privados, notadamente da indústria farmacêutica, a 27 autores médicos de 74 artigos nas duas revistas, mas 14% desse valor (US$ 645.135) não foram declarados pelos pesquisadores aos periódicos. Entre os pagamentos não divulgados, que incluíam honorários de consultoria ou de palestrante, alimentação e bebidas e auxílio para viagens, 83% foram destinados para coordenadores dos projetos (US$ 532.841) e os 17% restantes (US$ 112.295) para outros pesquisadores dos projetos.

    O estudo também identificou um grupo de 10 autores altamente remunerados – oito homens e duas mulheres –, que conduziram 12 ensaios clínicos randomizados de medicamentos para depressão, ansiedade, transtorno do espectro autista, entre outros. Eles responderam por 84,8% (AJP) e 99,6% (JAMA-PSY) de todos os pagamentos não divulgados às revistas. Seus nomes não foram revelados no estudo.

    Para chegar aos resultados, fez-se o cruzamento de duas fontes de informação. Uma delas são os valores declarados pelos médicos às duas revistas, cujas políticas editoriais exigem que autores informem suas relações financeiras com patrocinadores nos 36 meses anteriores à publicação. A outra é o banco de dados do Open Payments, um programa nacional que exige que empresas produtoras de medicamentos e dispositivos médicos informem “valores transferidos” a médicos, enfermeiros-chefes e hospitais, a fim de tornar transparentes e permitir a fiscalização de eventuais conflitos de interesse. Nesse banco, são contabilizados desde almoços a profissionais da saúde pagos por representantes comerciais de empresas até bolsas de pesquisa e a compra de participação acionária de empresas pertencentes a médicos.

    O levantamento alerta que os conflitos de interesse na pesquisa psiquiátrica representam um desafio ético persistente. “Vínculos financeiros podem influenciar indevidamente os resultados dos estudos, com pesquisas financiadas pela indústria frequentemente apresentando resultados favoráveis aos produtos do patrocinador”, escreveram os autores. “Esse viés é particularmente preocupante nos contextos da pesquisa psiquiátrica, onde ainda há uma carência de biomarcadores objetivos para a maioria dos transtornos mentais.”

    Segundo eles, os achados evidenciam possíveis lacunas nas políticas editoriais de periódicos. Uma forma de resolvê-las seria criar mecanismos independentes de verificação cruzada, como a exigência de links para perfis do Open Payments durante a submissão de artigos a revistas.



Fonte: PESQUISAFAPESP. Dinheiro Oculto. 21 jan. 2026, 8:05. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/dinheiro-oculto/. 21 jan. 2026 às 8:05. Acesso em: 18 mar. 2026 [adaptado]. 

Com base na observação da linguagem empregada no Texto I, é CORRETO afirmar que trata-se de uma linguagem: 
Alternativas
Q4072392 Português

O que podemos aprender com as ‘lições’ da história?

Em quem confiar?


        O título coloca uma palavra entre aspas. O leitor esperto e a leitora atenta já intuíram que o cronista desconfia do termo. Você já viu algo sobre a história ser “mestra da vida”, mesmo não sabendo que um dos pais da ideia é o romano Cícero. “Precisamos estudar história para não repeti-la” também é conceito popular. Os positivistas diziam que os mortos governavam os vivos, analisando o peso da experiência sobre nós. Os historiadores modernos, estes estranhos seres, dizem que não se aprende algo moral com a história. Em quem confiar?

      O ser humano é randômico. Cada indivíduo é único e irrepetível. Duas turmas de alunos, dois filhos diferentes, dois namoros: tudo parece ecoar Heráclito e seu rio mutante eterno. Gostamos de padrões e generalizações. Amamos previsibilidade. O caos é mais do que uma entidade grega: é o eixo estruturante da vida.

       Quero um princípio pedagógico-moral como “lição da história”. Irritados com a crise em Atenas, os cidadãos deram todo poder ao legislador Drácon (século 7 a.C.). Ao escrever as leis, decidiu punir o roubo e o assassinato com a pena capital. A ideia sedutora: estabelecer um princípio pétreo – todos saberiam que qualquer desvio era punido com rigor extremo. O resultado esperado? Surgiria uma sociedade como a das abelhas: sem crime, com cada pessoa agindo sem prejudicar o grupo. O resultado? Desastroso. O código draconiano foi abandonado. Lição? Aparentemente, leis mais duras não resolvem o crime. Códigos pesados não instauram o paraíso na pólis.

      Vamos esquecer a Grécia. Avancemos ao Novo Mundo. O motorista brasileiro ultrapassa a velocidade legal nas estradas do nosso País. Nos EUA, o mesmo condutor costuma virar exemplo ao volante. Por quê? Lá ele sabe que a polícia pega, multa e prende com facilidade. Na América do Norte, o cidadão vive uma transformação. O motivo? Óbvio: a dureza da lei e dos seus agentes. Então, fracassando na Grécia, Drácon triunfa nos EUA? No nosso senso comum, um dos problemas da violência no Brasil é a impunidade. Qual a lição a aprender? A pena de morte ou a lei duríssima seriam inúteis ou eficazes?

      Meu avô materno foi um pai severo. A ascendência alemã e o luteranismo estimulavam crença em regras imutáveis. Os três filhos, por exemplo, não podiam conversar à mesa. Só os genitores falavam. Havia tarefas e horários inflexíveis. As punições eram severas. Resultado de regras “draconianas” e punições físicas? Minha mãe tornou-se uma mulher totalmente dominada pela ideia de ordem e meu tio, em contrapartida, um rebelde contumaz que enfrentava o pai mesmo diante da força explícita. Minha mãe foi  enquadrada e meu tio nunca baixou a cerviz. Mesmo sangue, mesma família, mesmo ambiente: como concluir sobre as lições pedagógicas do velho Schlusen (sobrenome de solteira da minha mãe)? A variação seria de gênero? Minha mãe, mais velha, seguiu a sina da submissão? Na Bíblia, o mais novo é candidato à rebeldia: Esaú e Jacó, por exemplo. Qual a lição real?

     Seria bom se a História funcionasse como um conto infantil moral: o mal é poderoso, mas triunfa o bem constante e resiliente. Não é assim. Há ditadores que morrem de forma terrível, como Mussolini. Há outros que chegam ao fim em pleno poder, como Stalin. Há democratas assassinados e tiranos bem-sucedidos. Canalhas também envelhecem e alguns vivem prolongada e serena aposentadoria. Princípios metafísicos como “lei do retorno” ou “carma” são explicações que emergem do nosso desejo de lógica de fundo moral. Como seria bom se houvesse esta matemática precisa: “fez o mal, sofrerá no futuro”. Gente fiel pode ser traída, generosos são esmagados, ladrões seguem firme na carreira e violentos possuem um fã-clube. Escrevendo assim, não interprete que afirmo ser o mundo um lugar ruim e incorrigível. O que digo talvez seja pior: não existe lógica moral. Exemplos? O ditador Ceaucescu (Romênia) caiu do poder e foi fuzilado. Foi acompanhado por sua esposa na tragédia final. Porém... Martin Luther King também foi assassinado. Já o nazista Mengele... nadava tranquilo no dia da morte, depois de uma vida de horrores inomináveis. Bondade não garante sucesso, tampouco maldade é salvo-conduto para a bem-aventurança sobre a Terra. Falta traço moral ao processo histórico. Claro, posso imaginar que após a vida existe a vitória moral com Paraíso e Inferno, mas, como historiador, só posso trabalhar com o mundo visível e documentado aqui e agora.

    A contingência não segue código moral. O avião cai com bons e ruins. Recompensas ou punições (como reguladores de ação humana) podem existir no plano das crenças. Geralmente, a ética é mais sustentável como projeto, mas a já citada “contingência” reina.

    No mundo real, Chapeuzinho Vermelho não é boa ou ruim: ela está cruzando uma área onde o lobo é predador. A Vovó não é vítima, é apenas proteína aos olhos da natureza lupina. O caçador é tão assassino quando o lobo: ambos sobrevivem destruindo vidas. E a vitória da bela Chapeuzinho? Bem, perguntem ao humano Andersen, que coletou a história. Se ela fosse redigida pelos lobos, teríamos um peludo mártir da violência. A esperança de justiça é um desejo, um suspiro breve na eternidade. Nossa meta é uma régua moral; a história ri da nossa pretensão


Autor: Leandro Karnal.

No trecho “Você já viu algo sobre a história ser ‘mestra da vida’”, o emprego do pronome você aproxima o cronista do leitor e cria efeito de interlocução direta. Nesse uso, você funciona como pronome ______, empregado com valor informal.
Qual alternativa preenche corretamente a lacuna? 
Alternativas
Q4072011 Português
“Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for...” (Grande Sertão: Veredas) 
Considerando a variação linguística presente no fragmento, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4071041 Português

A RAÇA SUPERIOR



Walcyr Carrasco




Disponível em: https://comissaodecultura.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/06/walcyr-carrasco-pequenos-d

elitos-e-outras-crc3b4nicas.pdf (Adaptado).

Leia os excertos e analise o uso da linguagem informal:

I - “Quando está a fim, deita-se de patas para cima e lança um olhar bem pidoncho.” (linhas 18 e 19)
II - “sem levantar uma pata, o cachorro faz com que os seres humanos trabalhem torrando neurônios, tempo e dinheiro simplesmente para alimentá-los!” (linhas 10 a 12)
III - “Eu me sentia no cúmulo da felicidade só de receber essas lambidinhas!” (linha 15 e 16)
IV - “Se alguém faz festa para todo mundo que conhece, rebolando como um cãozinho, vem o veredicto: — Ih! Está com carência afetiva.” (linhas 24 a 26)
V - “Chegamos ao X da questão.” (linha 43)

Considerando as marcas de oralidade e informalidade presentes nos excertos, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q4063543 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Por que a gente precisa de escolas e universidades?

Meus 20 anos de pesquisa sobre o que nos torna humanos contradizem meus colegas. Eles, munidos de milhões de dólares investidos em seus laboratórios bem-equipados, insistem em buscar genes e moléculas e sequências que devem ter evoluído de maneira diferente exclusivamente em nossa espécie. Eu, munida de uns poucos milhares providos primeiro pela Faperj, depois pelo CNPq, e mais recentemente pela Universidade Vanderbilt, onde trabalho, insisto que não somos especiais.

Mostrei que não somos ponto fora da curva. Meus dados deixam claro que não temos um cérebro aberrantemente maior, não temos mais neurônios do que deveríamos, não vivemos mais do que o esperado para um primata com o nosso número de neurônios corticais. Destes nós temos, sim, mais do que qualquer outro animal, e com mais neurônios corticais, como mostrei em 2019, ganhamos o que realmente nos torna humanos: tempo.

Temos uma combinação de muitos neurônios corticais e tempo de vida que nenhuma outra espécie tem, porque com mais neurônios corticais a vida fica mais lenta e mais longa (tartarugas, tubarões, morcegos e baleias "roubam" tempo funcionando em temperaturas mais baixas, mas isso é outra história). Com tantos neurônios, nós humanos levamos mais de uma década como crianças, livres para explorar o mundo e aprender com adultos, com crianças mais velhas, com avós e até bisavós – porque humanos, cheios de neurônios corticais, ultrapassam as dez décadas de vida. Camundongos, em comparação, têm apenas dois meses para aprender a ser adultos, e só dois anos para passar adiante o que aprenderam.

É essa sobreposição de gerações, resultado do maior tempo de vida que vem com ser primata da espécie humana, que nos torna mais do que nossa biologia. Só com ela, somos o Homo sapiens da idade da pedra. Mas com a sobreposição de gerações, as descobertas e invenções de cada leva de adultos são passadas adiante para a geração seguinte, que assim não começa a vida do zero. Com a sobreposição de gerações, e somente com ela, é que a transferência e a sobrevivência do conhecimento construído por cada humano se torna possível.

A sobreposição geracional começa na família, mas é aumentada exponencialmente graças a uma dessas invenções humanas: a escola. O que acontece de tão transformador na escola é que projetos de humanos têm tempo protegido para interagir com humanos adultos e aprender com eles, de forma sistematizada e eficiente, todo o conhecimento que a humanidade já construiu de mais importante para funcionarmos no planeta.

A universidade, neste sentido, é apenas a continuação da escola – cada vez mais imprescindível –, conforme não para de aumentar o corpo de conhecimento necessário para ser um ser humano funcional numa sociedade que tornamos cada vez mais complexa. E, na universidade, a sobreposição se estende por três gerações: os alunos, seus professores, e os professores destes.

Escolas e universidades são, portanto, os centros de sobreposição geracional onde os membros da espécie têm a oportunidade de aprender a ser humanos modernos. E nas universidades, onde jovens adultos têm tempo protegido para fazer pesquisa e construir conhecimento novo, eles empurram as fronteiras do que é ser humano – e passam isso adiante.

Não deveria haver nada mais precioso para a continuidade e o progresso de um país, portanto, do que garantir acesso livre e universal de seus cidadãos a escolas e universidades. Simples assim.


Herculano-Houzel, S. Por que a gente precisa de escolas e universidades? Folha de S. Paulo, Ciência, 30 maio 2025, p. A41 (adaptado).
Leia os textos.

Texto I
“Com tantos neurônios, nós humanos levamos mais de uma década como crianças, livres para explorar o mundo e aprender com adultos, com crianças mais velhas, com avós e até bisavós – porque humanos, cheios de neurônios corticais, ultrapassam as dez décadas de vida.”

Texto II

Captura_de tela 2026-05-20 154015.png (507×339)

Disponível em: https://vidadesuporte.com.br/suporte-a-serie/morte-dos-neuronios/. Acesso em: 3 mar. 2026.

A comparação entre o Texto I e o Texto II evidencia diferentes usos da Língua Portuguesa. Considerando aspectos de variação linguística e de registro, é correto afirmar que
Alternativas
Q4059601 Português




Otto Lara Resende. Qual é a fala padrão do brasileiro, agora? In: Folha de S.Paulo. 6 set. 1992. Internet: (com adaptações).

De acordo com o texto, o encontro realizado na Bahia em 1956 buscava 
Alternativas
Q4023522 Português

Com base nos conhecimentos sobre variações linguísticas, complete a lacuna do texto a seguir:


____ são palavras ou expressões próprias de determinados grupos sociais, como adolescentes ou comunidades marginalizadas. Exemplos recentes incluem "crush", "lacrar" e "sextou". Também existem as mais antigas, como "broto", as regionais, como o termo carioca "sussa", e expressões típicas da favela, como "quebrada".


A variação linguística que preenche de forma CORRETA a lacuna acima é:

Alternativas
Q4016549 Português
Sobre variação linguística, fenômeno que foge do escopo de desvio da norma padrão, como preconiza Bagno (2015), analise os textos:

                                                            

Abestado: Apalermado, imbecil, idiota, estúpido, otário. Pessoa que não entende nada. Em notória alusão ao animal, ou seja, uma besta.

Achar graça: Rir, sorrir. Ex.: "A menina achou muita graça da minha piada!".

Aí dento: Resposta a qualquer provocação.

Aluir: Mover-se, mexer-se. Ex.: "Se alui cara, arranja um trabalho!".

Amancebado(a): Pessoa solteira que vive maritalmente com outra. O mesmo que amigado(a).

Amansa-corno: Marca de aguardente produzida no Nordeste que ficou muito famosa pela originalidade do nome. O fabricante aproveitou um dos muitos apelidos desse destilado de cana-de-açúcar, autenticamente brasileiro, para dar nome ao seu produto.

CUNHA, Paulo José. Grande Enciclopédia Internacional de
Piauiês. Teresina: Oficina da Palavra, 2012. 

O “Piauiês” é um dicionário de termos ou expressões características do estado do Piauí. No âmbito dos estudos da Sociolinguística, de Labov, Bagno, Bortoni-Ricardo e outros, o fenômeno da variação linguística é considerado uma importante manifestação da riqueza cultural dos falantes; fatores geográficos, cronológico e sociais, por exemplo, podem influenciar nos diferentes modos de expressão comunicativa. Partindo do exposto, assinale a alternativa que traz o tipo de variação que melhor representa a obra citada:
Alternativas
Q3937021 Português
O papel das bibliotecas escolares para o incentivo à leitura e à formação

        Ler e falar sobre livros deveria ser uma prática cotidiana nas escolas. No entanto, a leitura, por si só, não basta.

        Vivemos um momento em que a leitura, embora reconhecida por seus inúmeros benefícios, ainda não ocupa o lugar que deveria na vida das pessoas, especialmente de crianças e jovens. Segundo a sexta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, grande parte da população tem um consumo de livros limitado, concentrado em temas religiosos, didáticos e best‑sellers de impacto midiático. Assim, a escola surge como um ambiente fundamental para transformar essa realidade.

        Historicamente, a leitura foi instrumento de poder de instituições e grupos sociais. É essencial compreendê‑la, assim como o acesso à arte, à informação e à educação, como direitos de todos, fundamentais para a democracia. Uma escola sem biblioteca comunica silenciosamente que a leitura não é importante. Sua ausência priva os alunos de experiências humanas e universais, fundamentais à formação integral.

        Para que a leitura deixe de ser obrigação e passe a ser um convite, é preciso ressignificar a relação com ela desde a infância. Ler e falar sobre livros deveria ser uma prática cotidiana nas escolas. É preciso criar estratégias que aproximem seus usos escolares dos usos sociais, favorecer a compreensão profunda dos textos e desenvolver a fluência e o hábito leitor. Nesse sentido, destaca‑se o papel dos mediadores de leitura, que podem ser professores, bibliotecários ou outros educadores.

        As bibliotecas devem construir acervos amplos e diversos, com qualidade editorial e gráfica, que estimulem a interação do leitor com as histórias e reflitam o contexto social da escola. Devem oferecer recursos que desenvolvam o letramento informacional e o pensamento crítico, sempre em diálogo com o projeto pedagógico e os interesses da comunidade escolar.

       Transformar o Brasil em um país de leitores exige o esforço conjunto de escolas, governos, comunidades e famílias. Começa com pequenas ações: ler para as crianças, criar espaços de leitura sensível, valorizar a diversidade de narrativas e cultivar uma cultura de amor pelos livros. Uma nação leitora desenvolve cidadãos mais críticos, articulados e capazes de transformar sua realidade, ampliando o vocabulário, a capacidade de argumentar e o compromisso com uma sociedade mais democrática.

Internet:<correiobraziliense.com.br>  (com adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir.


A linguagem utilizada no texto é igualmente adequada para redes sociais, conversas informais entre estudantes e documentos oficiais, não exigindo qualquer adaptação de registro linguístico.

Alternativas
Q3924675 Português
O fenômeno da variação linguística diastrática (social) se manifesta exclusivamente por meio de diferenças lexicais, como o uso de gírias, não abrangendo aspectos fonológicos ou sintáticos da língua. 
Alternativas
Q3909559 Português
Colorindo Sentimentos

− Mamãe, qual cor você acha que tem o amor?

− Acho que vermelho, porque o coração e tudo ligado ao amor é vermelho.

− Durante a pandemia, eu escutava muito um álbum do Emicida. As músicas falavam sobre união, força e relações afetivas. Na música principal, ele diz que o amor é amarelo.

− Amarelo? Como assim?

− Ele fala de um amor mais amplo, ligado à empatia, às pessoas e à união. Um trecho famoso diz: "Tudo que nóis tem é nóis".

− E você, que cor acha que o amor tem?

− Antes eu achava que era só vermelho, como o amor romântico. Mas hoje vejo que também pode ser amarelo.

Quando penso nas pessoas importantes da minha vida, percebo que o amor não é uma única cor. O vermelho representa o amor entre um casal, mas o amarelo representa o carinho, a amizade e os laços que nos unem.

− Qual o nome da música?

− Principia. 

− E o álbum?

− Amarelo.

Texto Adaptado

LOPES, Damaris Caroline. Colorindo sentimentos. In: UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: USP, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 199/1094/4129 . Acesso em: 22 fev. 2026.
No trecho "Um trecho famoso diz: 'Tudo que nóis tem é nóis'.", a fala citada apresenta traços que se afastam da norma-padrão. Considerando os estudos sobre variação linguística e as modalidades de uso da língua, assinale a alternativa que interpreta corretamente o fenômeno observado.
Alternativas
Q3865536 Português
Leia a tirinha de Armandinho.

texto6.png (657×195)

Disponível em: https://www.tumblr.com/tirasarmandinho. Acesso em: 28 dez. 2025. 
O fenômeno da variação linguística é inerente a todas as línguas humanas, o que significa dizer que elas variam no tempo, no espaço, em diferentes classes sociais, nos variados contextos de uso.
A tirinha de Armandinho exemplifica esse fenômeno linguístico, salientando que: 
Alternativas
Q3859381 Português
A oralidade no ambiente escolar, diferentemente da escrita, não exige um trabalho pedagógico sistemático, uma vez que o domínio da fala se desenvolve naturalmente na interação diária, sem a necessidade de estratégias de ensino específicas para aprimorar a expressão e compreensão oral formal.
Alternativas
Q3859379 Português
A concepção da linguagem como interação, em contraste com a visão instrumental ou representacional, preconiza que a língua não é apenas um instrumento para transmitir informações ou um espelho da realidade, mas sim uma forma de ação social que constitui os sujeitos e as relações, sendo indissociável dos contextos de uso.
Alternativas
Respostas
61: B
62: C
63: C
64: C
65: D
66: C
67: D
68: B
69: A
70: A
71: D
72: C
73: D
74: E
75: E
76: E
77: C
78: B
79: E
80: C