Questões de Concurso
Sobre variação linguística em português
Foram encontradas 1.554 questões
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista a expressão “dada de bandeja”, presente nessa passagem.
I- Encontra-se em sentido conotativo.
II- Encontra-se em sentido denotativo.
III- Assinala o uso da linguagem formal.
IV- Assume o valor semântico de “fácil”.
V- Assinala o uso da linguagem popular.
Estão CORRETAS as afirmativas
Analise as assertivas que seguem sobre o post abaixo:

Disponível em: https://www.instagram.com.Acesso em: 05 set. 2024.
I- O emprego da palavra “grana” é um exemplo do uso da linguagem em situação informal de interação.
II- O termo “pra” é uma forma desenvolvida de “para”, bastante empregado em contextos escritos e orais informais.
III- No terceiro e quarto quadrinhos, observa-se a repetição da forma “aí”, muito comum na linguagem oral informal.
IV- Avariação “cê tá” em vez de “você está” é uma marca de informalidade, no entanto, já aceita em documentos oficiais.
É CORRETO o que se afirma em:
O Poeta da Roça
Patativa do Assaré
Sou fio das mata, cantô da mão grossa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola
Cantando, pachola, à percura de amô
Não tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas eu sei o meu nome assiná
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre
E o fio do pobre não pode estudá
Meu verso rastero, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão
Meu verso só entra no campo, na roça
Na pobre paióça, da serra ao sertão
Só canto o buliço da vida apertada
Da lida pesada, das roça e dos e dos eito
E às veiz, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito
Eu canto o cabôco com suas cassada
Nas noite assombrada que tudo apavora
Por dentro das mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipóra
Eu canto o vaquêro vestido de côro
Brigando com o tôro no mato fechado
Que pega na ponta do brabo novio
Ganhando logio do dono do gado
Eu canto o mendigo de sujo farrapo
Coberto de trapo e mochila na mão
Que chora pedindo socorro dos home
E tomba de fome sem casa e sem pão
E assim, sem cobiça dos cofre luzente
Eu vivo contente e feliz com a sorte
Morando no campo, sem vê a cidade
Cantando as verdade das coisa do norte
Disponível em: <https://www.letras.mus.br/patativa-do-assare/872145/>. Acesso em: 12 mar. 2024.
O poema é construído por meio da variação linguística

I- Observa-se o emprego de uma linguagem formal, compatível com a linguagem jornalística.
II- Trata-se de um fragmento extraído de um jornal de circulação nacional, razão pela qual precisa manter o rigor formal da língua.
III- Trata-se de um fragmento extraído de um jornal local, razão pela qual não é necessário manter o rigor formal da língua.
É CORRETO o que se afirma em:
Leia o Texto III e responda à questão:
Texto III

Disponível em: https://www.instagram.com. Acesso em: 04 out. 2024.
I- Aforma reduzida “Tá” é uma forma bastante empregada no registro informal.
II- Aforma desenvolvida de “Tá tudo bem com você?” seria “Está tudo bem com você?”.
III- O enunciado “Tá tudo bem com você?” seria considerado formal em qualquer contexto.
IV- A forma desenvolvida de “Tá tudo bem com você?” seria “Estar tudo bem com você?”.
É CORRETO o que se afirma em:

Menino – Mãe, tenho uma coisa boa e uma coisa ruim pra contá pra sinhora!
Mãe – Qual é a boa?
Menino – No ano qui vem vou usá os mermo livros deste ano!
Assinale a afirmação correta sobre esse pequeno diálogo.
Eu estou − apesar de tudo oh apesar de tudo − estou sendo alegre neste instante já que passa se eu não o fixar com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria: mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. E a minha própria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, não sei ainda como, mas tem que ser. Viver é isto: a alegria do it. Viver é sentir sempre aquele friozinho na barriga. E conformar-se não como vencida, mas num allegro com brio.
Texto Adaptado
LISPECTOR, Clarice. Água viva. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1973, p.
A tragédia, entendida como a frustração inevitável e a destruição da vontade individual, vem a ser compreendida também como a alegria suprema da vida, tanto para o herói que morre, como para a audiência que a assiste [...] A "alegria trágica", como Nietzsche a caracteriza, marca a satisfação ou do desejo da morte ou da vontade de viver mais intensamente em face à morte − ou ambos.
POTKAY, Adam. A história da alegria: da Bíblia ao Renascimento tardio. São Paulo: Globo, 2010, p. 288.
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu preguntei a Deus do céu, uai
Por que tamanha judiação?
Nos versos de Luiz Gonzaga, o eu poético narra, em primeira pessoa, suas impressões sobre um determinado assunto.
Para isso, ele utiliza construções linguísticas próprias, constatadas pelo uso
Ele quem mesmo?
Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: “olha, não dá mais”. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: “mas agora eu tô comendo um lanche com amigos”. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?
Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele. Sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito!
Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora. Participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu. Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos, filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto.
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu…
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher demais para ele.
Ele quem mesmo?
(MEDEIROS, Martha. Recanto das Letras. Em: março de 2011.)
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014.
A escolha de uma variedade linguística socialmente estigmatizada, apresentada no trecho acima, influencia o estilo da narrativa de Carolina Maria de Jesus, na medida em que
Se a gente lembra só por lembrar O amor que a gente um dia perdeu Saudade inté que assim é bom Pro cabra se convencer Que é feliz sem saber Pois não sofreu
Porém se a gente vive a sonhar Com alguém que se deseja rever Saudade, entonce, aí é ruim Eu tiro isso por mim Que vivo doido a sofrer.
Compositores: Humberto Teixeira / Luis Gonzaga