Questões de Concurso
Sobre sintaxe em português
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[Sucuri, cascavel, coral, caninana.]1 O Brasil é um país com uma grande diversidade de cobras. Sejam elas venenosas ou não, de uma mesma cor ou de cores diferentes, há muitas pessoas que temem cruzar o caminho desses répteis.
De todas as cobras, o título de “campeã” de picadas de pessoas no Brasil pertence à jararaca (cobras do gênero Bothrops), segundo informações do Instituto Butantan, instituição de pesquisa sediada na cidade de São Paulo. No país, 69,3% dos acidentes envolvendo serpentes são de picada de jararaca — considerando só o estado de São Paulo, o número chega a 90% dos casos.
A jararaca tem uma característica marcante chamada policromatismo: seu padrão de cor varia de cobra para cobra, abrangendo [“tons marrons escuros ou claros, verdes, acinzentados ou amarelos”]2, informa o Butantan. O animal apresenta também manchas geralmente mais escuras na lateral do corpo.
O comprimento dos machos é de aproximadamente 1 metro, ao passo que as fêmeas chegam a 1,5 metro — o motivo é que elas precisam de espaço para abrigar os embriões, pois carregam os ovos no interior do corpo.
Essa cobra pode ser encontrada da Bahia ao Rio Grande do Sul, normalmente em áreas de Mata Atlântica, além de regiões da Argentina e do Paraguai que fazem fronteira com o Brasil.
O efeito do veneno da jararaca muda conforme a idade do réptil. Nos exemplares juvenis, tem ação anticoagulante. Já no caso de jararacas adultas, a ação inflamatória é mais intensa.
Em adultos, os principais sintomas, segundo o Butantan, são dor e inchaço local, além da possibilidade de sangramento em mucosas (como gengivas). Há ainda o risco de complicações, como infecção e necrose na região da picada e insuficiência renal.
Para evitar ser picado, use calçados fechados, de preferência de cano alto quando for andar em meio ao mato. Ao manipular folhas, lenhas, palhas, lixo ou entulho (que podem servir de abrigo para diferentes cobras), é importante usar luvas.
Se avistar uma jararaca na natureza, mantenha distância e não toque o animal. Em áreas urbanas e residenciais, as autoridades competentes, como Corpo de Bombeiros e serviços de controle de zoonoses, devem ser acionadas para capturar a cobra.
O soro antiofídico é o único tratamento eficaz contra picadas de serpentes venenosas. Quanto antes for feita a aplicação, sempre com acompanhamento médico, menores são as chances de complicações.
Somente na região das Américas, estima-se que 57 mil pessoas por ano sejam mordidas por serpentes venenosas, com uma taxa de letalidade de 0,6%. No entanto, estima-se que esses números sejam ainda subnotificados, já que muitos casos sequer são reportados às autoridades médicas.
Fonte: National Geographic Brasil. Adaptado.
"A linguagem não é apenas instrumento; ela é a possibilidade do próprio humano. Se a habitamos de modo apressado, nossa morada se empobrece. Por isso, não podemos esquecer de que o uso das palavras sempre decidiu o futuro da humanidade."
Com base nas normas de regência, colocação pronominal e crase, assinale a alternativa correta:
A ILUSÃO DA CLAREZA IMEDIATA
Vivemos em uma época que idolatra a rapidez. A informação precisa ser instantânea, a resposta deve surgir antes mesmo da formulação completa da pergunta, e o pensamento, comprimido em fragmentos facilmente consumíveis, parece ter se tornado mais um produto na prateleira do cotidiano. Nesse cenário, emerge uma curiosa inversão: quanto mais acessível se torna o conteúdo, menos disposição temos para compreendê-lo em profundidade.
A linguagem, que outrora exigia elaboração, silêncio e tempo, passa a ser pressionada por uma lógica de eficiência. Não se trata apenas de comunicar, mas de comunicar rapidamente. A clareza, nesse contexto, deixa de ser resultado de um processo intelectual e passa a ser confundida com simplificação extrema. No entanto, simplificar não é, necessariamente, esclarecer.
Há uma diferença substancial entre tornar algo inteligível e reduzi-lo a um esboço empobrecido. O primeiro movimento exige domínio, articulação e consciência das nuances; o segundo, frequentemente, implica supressão, perda e, em muitos casos, distorção. Ao privilegiarmos o imediato, abrimos mão da densidade — e, com ela, da possibilidade de compreender o mundo em sua complexidade.
Esse fenômeno não se limita ao campo da linguagem. Ele se infiltra nas relações humanas, na forma como debatemos ideias e até mesmo na maneira como construímos nossas convicções. Opiniões são formadas com base em recortes, julgamentos são proferidos sem maturação, e o diálogo cede espaço a monólogos simultâneos, nos quais ninguém escuta, mas todos respondem.
Paradoxalmente, nunca tivemos tanto acesso à informação, e, ainda assim, somos cada vez mais suscetíveis à superficialidade. Isso ocorre porque o acesso, por si só, não garante assimilação. Pelo contrário, pode produzir a ilusão de conhecimento — uma sensação enganosa de domínio que dispensa o esforço real de compreender.
A ilusão da clareza imediata, portanto, não reside apenas na linguagem, mas na forma como nos relacionamos com o saber. Quando acreditamos que entender é o mesmo que consumir rapidamente, substituímos o pensamento pelo reflexo, a análise pela reação e o conhecimento pela aparência de saber.
Talvez o maior risco não seja a ignorância declarada, mas a convicção apressada. Afinal, quem reconhece que não sabe ainda pode aprender; mas quem acredita que já compreendeu, dificilmente se dispõe a pensar novamente.
Em relação à regência verbal, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.
( ) Aquela professora vivia implicando comigo.
( ) Ana decidiu desobedecer os pais.
( ) É necessário aliar a responsabilidade ambiental ao crescimento econômico.
Em conformidade com as regras de concordância nominal, assinalar a alternativa cujos elementos preenchem as lacunas abaixo CORRETAMENTE.
I. Água-de-colônia é __________ para o rosto.
II. Encontramos os portões abertos ___________.
III. _________ pai e mãe, amamos vocês!
IV. Fui ao mercado e comprei frango e carne _________.
A PALAVRA COMO LIMITE DO MUNDO
Dizer é delimitar. Sempre que nomeamos algo, traçamos contornos, selecionamos sentidos e, inevitavelmente, excluímos possibilidades. A linguagem, longe de ser um espelho fiel da realidade, funciona como um filtro: organiza o caos do mundo em categorias compreensíveis, ainda que imperfeitas.
Nesse processo, não apenas comunicamos, mas também construímos aquilo que julgamos compreender. Uma mesma situação pode ser descrita de múltiplas formas, e cada escolha lexical carrega uma perspectiva implícita. Não é por acaso que debates acalorados muitas vezes não decorrem de fatos distintos, mas de palavras diferentes para nomear o mesmo fenômeno.
Há, portanto, uma dimensão de poder na linguagem. Quem nomeia, define; quem define, orienta o olhar. Expressões aparentemente neutras podem carregar juízos de valor, e termos técnicos podem conferir uma aura de legitimidade a ideias que, em essência, não são menos controversas.
Isso não significa que a linguagem deva ser abandonada ou desacreditada, mas compreendida em sua complexidade. Ao tomar consciência de seus mecanismos, o falante torna se menos refém das palavras e mais capaz de utilizá-las com precisão e responsabilidade.
Entretanto, em um cenário marcado pela pressa e pela simplificação, tende-se a ignorar essa dimensão crítica. Palavras são repetidas sem reflexão, conceitos são utilizados de maneira imprecisa e, pouco a pouco, o discurso perde densidade. Não se trata apenas de falar menos, mas de dizer pior.
Tal empobrecimento não é apenas estilístico. Ele compromete a própria capacidade de pensar, uma vez que o raciocínio se estrutura linguisticamente. Quando o vocabulário se estreita, o pensamento também se contrai, e o mundo, antes múltiplo, parece reduzir-se a versões simplificadas de si mesmo.
Talvez, por isso, o desafio contemporâneo não seja apenas falar, mas reaprender a dizer.
A PALAVRA COMO LIMITE DO MUNDO
Dizer é delimitar. Sempre que nomeamos algo, traçamos contornos, selecionamos sentidos e, inevitavelmente, excluímos possibilidades. A linguagem, longe de ser um espelho fiel da realidade, funciona como um filtro: organiza o caos do mundo em categorias compreensíveis, ainda que imperfeitas.
Nesse processo, não apenas comunicamos, mas também construímos aquilo que julgamos compreender. Uma mesma situação pode ser descrita de múltiplas formas, e cada escolha lexical carrega uma perspectiva implícita. Não é por acaso que debates acalorados muitas vezes não decorrem de fatos distintos, mas de palavras diferentes para nomear o mesmo fenômeno.
Há, portanto, uma dimensão de poder na linguagem. Quem nomeia, define; quem define, orienta o olhar. Expressões aparentemente neutras podem carregar juízos de valor, e termos técnicos podem conferir uma aura de legitimidade a ideias que, em essência, não são menos controversas.
Isso não significa que a linguagem deva ser abandonada ou desacreditada, mas compreendida em sua complexidade. Ao tomar consciência de seus mecanismos, o falante torna se menos refém das palavras e mais capaz de utilizá-las com precisão e responsabilidade.
Entretanto, em um cenário marcado pela pressa e pela simplificação, tende-se a ignorar essa dimensão crítica. Palavras são repetidas sem reflexão, conceitos são utilizados de maneira imprecisa e, pouco a pouco, o discurso perde densidade. Não se trata apenas de falar menos, mas de dizer pior.
Tal empobrecimento não é apenas estilístico. Ele compromete a própria capacidade de pensar, uma vez que o raciocínio se estrutura linguisticamente. Quando o vocabulário se estreita, o pensamento também se contrai, e o mundo, antes múltiplo, parece reduzir-se a versões simplificadas de si mesmo.
Talvez, por isso, o desafio contemporâneo não seja apenas falar, mas reaprender a dizer.
A PALAVRA COMO LIMITE DO MUNDO
Dizer é delimitar. Sempre que nomeamos algo, traçamos contornos, selecionamos sentidos e, inevitavelmente, excluímos possibilidades. A linguagem, longe de ser um espelho fiel da realidade, funciona como um filtro: organiza o caos do mundo em categorias compreensíveis, ainda que imperfeitas.
Nesse processo, não apenas comunicamos, mas também construímos aquilo que julgamos compreender. Uma mesma situação pode ser descrita de múltiplas formas, e cada escolha lexical carrega uma perspectiva implícita. Não é por acaso que debates acalorados muitas vezes não decorrem de fatos distintos, mas de palavras diferentes para nomear o mesmo fenômeno.
Há, portanto, uma dimensão de poder na linguagem. Quem nomeia, define; quem define, orienta o olhar. Expressões aparentemente neutras podem carregar juízos de valor, e termos técnicos podem conferir uma aura de legitimidade a ideias que, em essência, não são menos controversas.
Isso não significa que a linguagem deva ser abandonada ou desacreditada, mas compreendida em sua complexidade. Ao tomar consciência de seus mecanismos, o falante torna se menos refém das palavras e mais capaz de utilizá-las com precisão e responsabilidade.
Entretanto, em um cenário marcado pela pressa e pela simplificação, tende-se a ignorar essa dimensão crítica. Palavras são repetidas sem reflexão, conceitos são utilizados de maneira imprecisa e, pouco a pouco, o discurso perde densidade. Não se trata apenas de falar menos, mas de dizer pior.
Tal empobrecimento não é apenas estilístico. Ele compromete a própria capacidade de pensar, uma vez que o raciocínio se estrutura linguisticamente. Quando o vocabulário se estreita, o pensamento também se contrai, e o mundo, antes múltiplo, parece reduzir-se a versões simplificadas de si mesmo.
Talvez, por isso, o desafio contemporâneo não seja apenas falar, mas reaprender a dizer.
A PALAVRA COMO LIMITE DO MUNDO
Dizer é delimitar. Sempre que nomeamos algo, traçamos contornos, selecionamos sentidos e, inevitavelmente, excluímos possibilidades. A linguagem, longe de ser um espelho fiel da realidade, funciona como um filtro: organiza o caos do mundo em categorias compreensíveis, ainda que imperfeitas.
Nesse processo, não apenas comunicamos, mas também construímos aquilo que julgamos compreender. Uma mesma situação pode ser descrita de múltiplas formas, e cada escolha lexical carrega uma perspectiva implícita. Não é por acaso que debates acalorados muitas vezes não decorrem de fatos distintos, mas de palavras diferentes para nomear o mesmo fenômeno.
Há, portanto, uma dimensão de poder na linguagem. Quem nomeia, define; quem define, orienta o olhar. Expressões aparentemente neutras podem carregar juízos de valor, e termos técnicos podem conferir uma aura de legitimidade a ideias que, em essência, não são menos controversas.
Isso não significa que a linguagem deva ser abandonada ou desacreditada, mas compreendida em sua complexidade. Ao tomar consciência de seus mecanismos, o falante torna se menos refém das palavras e mais capaz de utilizá-las com precisão e responsabilidade.
Entretanto, em um cenário marcado pela pressa e pela simplificação, tende-se a ignorar essa dimensão crítica. Palavras são repetidas sem reflexão, conceitos são utilizados de maneira imprecisa e, pouco a pouco, o discurso perde densidade. Não se trata apenas de falar menos, mas de dizer pior.
Tal empobrecimento não é apenas estilístico. Ele compromete a própria capacidade de pensar, uma vez que o raciocínio se estrutura linguisticamente. Quando o vocabulário se estreita, o pensamento também se contrai, e o mundo, antes múltiplo, parece reduzir-se a versões simplificadas de si mesmo.
Talvez, por isso, o desafio contemporâneo não seja apenas falar, mas reaprender a dizer.
I- No trecho “fica evidente a importância de trabalhar a ética relacionada à IA, garantindo que seu uso seja crítico, seguro e responsável”, o “que” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta, exigida pelo verbo “garantir”.
II- Em “entender que não precisa ser um expert em IA para utilizá-la”, o “que” exerce a função de conjunção integrante, introduzindo uma oração subordinada substantiva completiva nominal.
III- No segmento “um momento no qual todos estão testando os limites não só das ferramentas de IA, mas também do seu conhecimento, do uso e da interação dessas tecnologias com sua sala de aula”, na relação relativa “momento no qual”, pode ser reescrito como “momento em que”, sem prejuízo sintático ou semântico.
IV- Em “as perguntas que surgem quando o assunto é o uso da IA”, o “que” funciona como pronome relativo, retomando o antecedente “perguntas” e exercendo função sintática na oração subordinada.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
I- No trecho “Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas”, a forma verbal “estejam fazendo” é uma locução verbal no modo subjuntivo que recebe valor concessivo pelo uso da conjunção “embora” início da oração.
II- Em “A escola, por sua vez, precisa impulsionar a autonomia dos estudantes”, o termo “dos estudantes” exerce a função sintática de objeto indireto, uma vez que completa o sentido do verbo “impulsionar”.
III- No segmento “As IAs são treinadas a partir de bancos de dados”, a construção está na voz passiva analítica, com o sujeito paciente “As IAs” e o agente da passiva implícito.
IV- No período “Quando você pergunta a uma IA generativa sobre um tema muito específico da nossa cultura”, a oração introduzida por “quando” exerce função de oração subordinada adverbial.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
O VALOR DAS PALAVRAS
As palavras fazem parte do nosso dia a dia. Com elas, contamos histórias, expressamos sentimentos e compartilhamos ideias. No entanto, nem sempre percebemos o peso que elas carregam. Uma mesma palavra pode ter diferentes significados, dependendo do contexto em que é usada.
Quando alguém diz que está com o “coração pesado”, por exemplo, não quer dizer que o órgão físico mudou de peso, mas sim que está triste ou preocupado. Esse uso mostra como a linguagem pode ir além do sentido literal, criando novas formas de expressão.
Além disso, escolher bem as palavras é importante para evitar mal-entendidos. Uma frase mal construída pode gerar dúvidas ou até conflitos. Por isso, é fundamental conhecer o significado das palavras e saber utilizá-las corretamente.
Aprender a usar a língua não é apenas decorar regras, mas compreender como ela funciona no cotidiano. Quanto mais praticamos a leitura e a escrita, mais ampliamos nossa capacidade de comunicação.
Na frase “As palavras fazem parte do nosso dia a dia”, o sujeito é:
Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.
Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9.
Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.
Em "a realidade do mundo e do ser se torna" (primeiro período), a flexão do verbo no plural estaria de acordo com a previsão gramatical, visto que a concordância seria feita com os elementos coordenados da estrutura que forma o sujeito da oração, que são os determinantes da criação artística.
Ainda antes do dia de São José, o prefeito inaugurou a escola, que teve a construção — com telhas de cerâmica que nenhuma casa de trabalhador poderia ter — concluída no verão. O prédio recebeu o nome de Antônio Peixoto, pai dos Peixoto. Homem que, diziam, foi proprietário da fazenda, mas nunca havia posto os pés ali. Todos os moradores estiveram presentes à inauguração: as mulheres de lenço na cabeça; os homens de chapéu e enxada na mão; as crianças rindo da novidade, um pequeno prédio de três salas, e sem o tal banheiro que ninguém tinha mesmo. Da família Peixoto se fez presente também a irmã mais velha, que nunca havia visto por ali. (...) Quando retiraram o papel que cobria a placa com o nome de seu pai falecido, ela quase caiu, num choro convulsivo que fez com que seus irmãos a amparassem para que não desabasse de vez no chão. Nenhuma palavra de agradecimento a meu pai, que, na noite em que celebrava o jerê de santa Bárbara, havia pedido, quase ordenado, o cumprimento da promessa de construção da escola feita à santa no passado. Mas ele estava lá, em pé, um dos primeiros da audiência, segurando a mão de Domingas, e ao lado de minha mãe, com o rosto satisfeito. Pouco importava, poderia ver em seu semblante a luta que havia travado com as forças da encantada santa Bárbara para que tivéssemos um destino diferente do seu, para que não fôssemos analfabetos. Meu pai não sabia nem mesmo assinar o nome, e fez o que estava ao seu alcance para trazer uma escola para a fazenda, para que aprendêssemos letra e matemática.
Itamar Vieira Júnior. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2018, p. 95-96.
Julgue o item que se segue, em relação ao texto precedente.
No sétimo período, os termos "da promessa", "de construção" e "da escola" são complementos nominais dos nomes "cumprimento", "promessa" e "construção", respectivamente, na estrutura "o cumprimento da promessa de construção da escola".
Carta LXV
Ao padre provincial do Brasil 1654
Com esta frota partimos pelo rio Tocantins, aproveitando-nos da enchente da maré, que só até aqui nos acompanhou, prometendo-nos muita felicidade na jornada. (...) À meia noite fizemos pabóca, que é a frase com que cá se chama o partir, corrompendo a palavra da terra, e nos dias seguintes passamos às praias da viração. Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma. Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas. (...) A estas mesmas praias vem, no seu tempo, quase todo o Pará a fazer a pesca das tartarugas. (...) A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado. Os ovos são como os de galinha na cor, e quase no sabor, a casca, mais branca, e de figura diferente, porque são redondos (...); e o modo como se faz esta pesca requer mais notícia que indústria, pela muita cautela e pouca resistência das tartarugas. Quando vêm a desembarcar nestas praias, trazem diante duas, como sentinelas, que vêm a espiar com muita pausa; logo depois destas, com bom espaço vêm oito ou dez, como descobridores do campo, e depois delas, em maior distância, vem todo o exército das tartarugas, que consta de muito milhares. Se as primeiras e as segundas sentem algum rumor, voltam para trás, e todas se somem num momento: por isso os que vêm à pesca se escondem todos atrás dos matos e esperam de emboscada com grande quietação e silêncio. Saem, pois, as duas primeiras espias, passeiam de alto a baixo toda a praia, e como estas acham o campo livre, saem também as da vanguarda, e fazem muito devagar a mesma vigia e, como dão a campanha por segura, entram à água e voltam, e depois dela sai toda a multidão do exército com os escudos às costas, e começam a cobrir as praias e correr em grande tropel para o mais alto delas. Aplica-se cada uma a fazer sua cova, e, quando já não saem mais e estão entretidas umas no trabalho, outras já na dor daquela ocupação, rebentam então os pescadores da emboscada, tomam a parte da praia e, remetendo as tartarugas, não fazem mais que ir virando e deixando, porque em estando viradas de costas não se podem mais bulir, e por isso estas praias e estas tartarugas se chamam de viração (...).
Antônio Vieira. Cartas. V. 1, São Paulo: Globo, p. 277-279.
A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue o item a seguir.
No período "Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma.", a preposição "por" introduz oração subordinada adverbial causal nas duas ocorrências.
Carta LXV
Ao padre provincial do Brasil 1654
Com esta frota partimos pelo rio Tocantins, aproveitando-nos da enchente da maré, que só até aqui nos acompanhou, prometendo-nos muita felicidade na jornada. (...) À meia noite fizemos pabóca, que é a frase com que cá se chama o partir, corrompendo a palavra da terra, e nos dias seguintes passamos às praias da viração. Parecerá que se chamam assim por correr nelas vento fresco; mas a razão por que os portugueses lhe deram este nome é a que direi a V. Rev.ma. Nos meses de outubro e novembro, saem do mar e do rio do Pará grande quantidade de tartarugas, que vêm criar nos areais de algumas ilhas que pelo meio deste Tocantins estão lançadas. (...) A estas mesmas praias vem, no seu tempo, quase todo o Pará a fazer a pesca das tartarugas. (...) A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado. Os ovos são como os de galinha na cor, e quase no sabor, a casca, mais branca, e de figura diferente, porque são redondos (...); e o modo como se faz esta pesca requer mais notícia que indústria, pela muita cautela e pouca resistência das tartarugas. Quando vêm a desembarcar nestas praias, trazem diante duas, como sentinelas, que vêm a espiar com muita pausa; logo depois destas, com bom espaço vêm oito ou dez, como descobridores do campo, e depois delas, em maior distância, vem todo o exército das tartarugas, que consta de muito milhares. Se as primeiras e as segundas sentem algum rumor, voltam para trás, e todas se somem num momento: por isso os que vêm à pesca se escondem todos atrás dos matos e esperam de emboscada com grande quietação e silêncio. Saem, pois, as duas primeiras espias, passeiam de alto a baixo toda a praia, e como estas acham o campo livre, saem também as da vanguarda, e fazem muito devagar a mesma vigia e, como dão a campanha por segura, entram à água e voltam, e depois dela sai toda a multidão do exército com os escudos às costas, e começam a cobrir as praias e correr em grande tropel para o mais alto delas. Aplica-se cada uma a fazer sua cova, e, quando já não saem mais e estão entretidas umas no trabalho, outras já na dor daquela ocupação, rebentam então os pescadores da emboscada, tomam a parte da praia e, remetendo as tartarugas, não fazem mais que ir virando e deixando, porque em estando viradas de costas não se podem mais bulir, e por isso estas praias e estas tartarugas se chamam de viração (...).
Antônio Vieira. Cartas. V. 1, São Paulo: Globo, p. 277-279.
A respeito do texto precedente e de seus aspectos linguísticos e literários, julgue o item a seguir.
No trecho "A carne é como a de carneiro, e se fazem dela os mesmos guisados, que mais parecem de carne que de pescado", o segmento "de carneiro" vincula-se sintaticamente ao termo elíptico "carne" como adjunto adnominal, enquanto os segmentos "de carne" e "de pescado" vinculam-se sintaticamente ao termo "guisados" como predicativos do sujeito.