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Leia o Texto I para responder à questão.

Inteligência Artificial pode ser usada na escola? Entenda os limites e saiba como estabelecer regras

Uso ético da IA na Educação depende do incentivo a discussões a respeito do tema, mas também da criação de diretrizes para orientar boas práticas

Por Dimítria Coutinho - 27/08/2025

        Dentro da escola, os alunos podem usar a Inteligência Artificial (IA) para criar textos? E para corrigir produções? Já os professores, estão autorizados a criarem planos de aula com a IA? Ou isso é proibido? Essas são algumas das várias perguntas que surgem quando o assunto é o uso da IA, sobretudo a generativa, dentro das escolas.

        Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas, os limites ainda não parecem bem estabelecidos. Diante disso, fica evidente a importância de trabalhar a ética relacionada à IA, garantindo que seu uso seja crítico, seguro e responsável.

        “Dentro do processo de aprendizagem, o estudante precisa ser capaz de navegar por um mundo altamente mediado por tecnologias e depois saber fazer suas próprias escolhas. Para o professor, é a mesma coisa: ele tem que se sentir capaz de fazer escolhas pedagógicas e entender que não precisa ser um expert em IA para utilizá-la”, afirma Giselle Santos, consultora pedagógica de inovação e gestão de portfólio do Instituto Escolas Criativas.

        Enquanto alguns professores ainda têm medo da IA, outros já estão usando e abusando dela, muitas vezes sem pensar muito nas consequências. É preciso, porém, encontrar um caminho do meio, defende Soraya Lacerda, coordenadora do maker space da Casa Thomas Jefferson, um centro binacional conhecido pelo ensino da Língua Inglesa, em Brasília. “Vivemos um momento no qual todos estão testando os limites não só das ferramentas de IA, mas também do seu conhecimento, do uso e da interação dessas tecnologias com sua sala de aula”, observa ela. 

        IA: riscos e potenciais

        Nesse meio do caminho sugerido pela especialista, estão as boas práticas de uso pedagógico da IA. Em primeiro lugar, é necessário entender as potencialidades da IA na educação básica, mas sem ignorar seus riscos, que não são poucos.

        Para Lynn Alves, doutora em Educação e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), um dos grandes potenciais da IA em sala de aula é seu uso como uma assistente. É ela quem vai otimizar tarefas, indicar diferentes formas para resolver um problema, mostrar erros em um texto e ajudar a buscar informações. Vale a pena esclarecer que, mesmo que sirva de apoio ou suporte, está nas mãos de quem a usa a IA a tarefa de orientar e mediar as interações com a plataforma escolhida. 

        A escola, por sua vez, precisa impulsionar a autonomia dos estudantes e seu protagonismo. Mas abraça a responsabilidade de ensiná-los a se tornarem curadores do que a IA entrega. Isso significa checar, procurar outras fontes, se inspirar para resolver os problemas por si só e, acima de tudo, utilizar as informações para construir um pensamento crítico acerca do mundo e, também, das tecnologias. Acima de tudo, é fazer reflexões críticas a ponto de perceber se os resultados são confiáveis, atualizados e não tendenciosos. “Primeiro, o próprio professor tem que aprender a usar a IA dessa forma para que ele possa orientar os alunos para o uso cuidadoso, ético e de qualidade”, defende a professora. 

        Entre os riscos da IA, um dos mais importantes é a possibilidade de gerar informações falsas, sem qualquer tipo de referência ancorada na realidade. A isso, dá-se o nome de alucinações: é quando a IA entrega um conteúdo de forma muito convincente, com cara de verdade, mas é mentira. Ao interagir com os chatbots de IA sem recorte crítico, os estudantes tendem a acreditar em suas respostas, não colocando em cheque as informações devolvidas. Caso o aluno não esteja bem fundamentado nos conteúdos – ou seja, não aprendeu –, existe o risco de delegar a gestão do conhecimento para a IA em vez de fazer uso dessas ferramentas de forma produtiva. 

        “Quando você pergunta a uma IA generativa sobre um tema muito específico da nossa cultura, corre o risco de vir uma informação totalmente enviesada e equivocada, com questões ideológicas inclusive, que comprometem a fidedignidade daquele fato histórico”, exemplifica Lynn. 
        
        Para que os estudantes tenham autonomia para tomar esse tipo de decisão, vale abordar a questão da ética dentro da escola. Giselle aconselha não se resumir a orientações, mas ensinar a turma a questionar sempre que acessar uma plataforma: quem a programou? Qual a intenção da empresa? Qual o contexto em que essa IA foi criada? Por que será que ela me deu essa resposta?

        “É interessante trabalhar a ética na forma de perguntas que estimulem o pensamento e que esses estudantes passem a ser também decisores, não só consumidores. A formação é muito mais cidadã quando você não decide pelo estudante, mas o informa para que ele decida por ele mesmo”, argumenta Giselle.

Fonte: COUTINHO, Dimítria. Inteligência Artificial pode ser usada na escola? Entenda os limites e saiba como estabelecer regras. In: Revista Nova Escola. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/22442/diretrizes-uso-etico-de-inteligencia-artificial-ia-nas-escolas Acesso em: 23 dez. 2025. [adaptado]
Com base no Texto, analise as assertivas a seguir.
I- No trecho “Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas”, a forma verbal “estejam fazendo” é uma locução verbal no modo subjuntivo que recebe valor concessivo pelo uso da conjunção “embora” início da oração.
II- Em “A escola, por sua vez, precisa impulsionar a autonomia dos estudantes”, o termo “dos estudantes” exerce a função sintática de objeto indireto, uma vez que completa o sentido do verbo “impulsionar”.
III- No segmento “As IAs são treinadas a partir de bancos de dados”, a construção está na voz passiva analítica, com o sujeito paciente “As IAs” e o agente da passiva implícito.
IV- No período “Quando você pergunta a uma IA generativa sobre um tema muito específico da nossa cultura”, a oração introduzida por “quando” exerce função de oração subordinada adverbial.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a análise morfossintática dos trechos efetivamente citados na base — “Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas [...] A escola, por sua vez, precisa impulsionar a autonomia dos estudantes [...] Quando você pergunta a uma IA generativa sobre um tema muito específico da nossa cultura” —, nos quais se reconhecem a locução verbal no subjuntivo em oração concessiva, a regência de “impulsionar” com objeto direto “a autonomia” e não objeto indireto “dos estudantes”, além da oração temporal iniciada por “quando”; por isso, a assertiva II é a única incompatível e a alternativa correta é E.

Tema central: Análise morfossintática verbal
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque exclui a assertiva I, que está correta. No trecho “Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas”, há locução verbal no subjuntivo e a conjunção “embora” introduz oração concessiva.
B
Errada
Está errada porque inclui a assertiva II, que é a única incorreta. Em “precisa impulsionar a autonomia dos estudantes”, o verbo “impulsionar” é transitivo direto; o complemento verbal é “a autonomia dos estudantes”, e “dos estudantes” não exerce função de objeto indireto do verbo, mas se liga ao nome “autonomia”. Além disso, a alternativa ainda exclui III e IV, que estão corretas.
C
Errada
Está errada porque também inclui a assertiva II. O erro está em tomar “dos estudantes” como objeto indireto apenas por ser termo preposicionado. Pela estrutura do trecho, ele integra o sintagma nominal “a autonomia dos estudantes”, não completa o verbo “impulsionar” como objeto indireto.
D
Errada
Está errada porque exclui a assertiva III, que está correta. Na estrutura “são treinadas”, há voz passiva analítica: sujeito paciente, auxiliar “ser” e particípio, com agente da passiva não expresso.
E
Certa
A alternativa E está correta porque reúne exatamente as assertivas válidas. Em I, “estejam fazendo” é locução verbal formada por auxiliar no presente do subjuntivo e gerúndio, e o valor concessivo da oração vem de “Embora”. Em III, a construção “são treinadas” configura voz passiva analítica, com sujeito paciente, auxiliar “ser” e particípio. Em IV, a oração introduzida por “Quando” expressa circunstância de tempo, portanto é subordinada adverbial temporal. A única assertiva incompatível com essa análise é a II.
Pegadinha da questão
A confusão central está em associar automaticamente termo preposicionado a objeto indireto: em “a autonomia dos estudantes”, o segmento “dos estudantes” não é complemento do verbo “impulsionar”, mas termo ligado ao nome “autonomia”.
Dica para questões semelhantes
  • Separe o complemento do verbo dos termos internos do sintagma nominal antes de classificar objeto direto ou indireto.
  • Em orações com “embora” e “quando”, identifique primeiro o valor da conjunção; isso define a relação semântica da oração.
  • Reconheça voz passiva analítica pela estrutura auxiliar “ser” + particípio e verifique se o sujeito recebe a ação.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

  • I- Correta: "Embora" é conjunção subordinativa concessiva e exige o modo subjuntivo ("estejam fazendo").
  • II- Incorreta: O termo "dos estudantes" funciona como complemento nominal do substantivo "autonomia", não objeto indireto do verbo.
  • III- Correta: A estrutura "são treinadas" é voz passiva analítica (verbo ser + particípio), onde "As IAs" é sujeito paciente, e o agente da passiva (quem treina) está implícito.
  • IV- Correta: "Quando" introduz uma oração subordinada adverbial temporal (ou condicional, dependendo do contexto total da frase). 

I. “Embora muitos docentes e estudantes já estejam fazendo uso dessas plataformas”

Verdadeiro. A expressão “estejam fazendo” é uma locução verbal (verbo auxiliar estar + gerúndio fazendo) no presente do subjuntivo. A conjunção “embora” introduz uma oração subordinada adverbial concessiva, conferindo valor de concessão à oração.

II “A escola, por sua vez, precisa impulsionar a autonomia dos estudantes”,

Falso. O verbo impulsionar é transitivo direto. O termo “a autonomia dos estudantes” funciona como objeto direto. A expressão “dos estudantes” é apenas um complemento nominal ligado ao substantivo “autonomia”, e não objeto indireto.

III “As IAs são treinadas a partir de bancos de dados”.

Verdadeiro. Há voz passiva analítica:

  • sujeito paciente: “As IAs”;
  • verbo auxiliar: “são”;
  • particípio: “treinadas”.
  • O agente da passiva não aparece expresso, estando implícito.

IV “Quando você pergunta a uma IA generativa sobre um tema muito específico da nossa cultura”. Verdadeiro.

A oração iniciada por “quando” expressa circunstância de tempo, sendo uma oração subordinada adverbial temporal.

---

Gabarito:

E) I, III e IV.

realmente não entendo pq esse item I está correto "estejam fazendo" está no subjuntivo?

subjuntivo indica possibilidade, hipótese, desejo

não consigo ver uma hipótese nessa expressão para basear que ela está no subjuntivo, a ação está literalmente acontecendo

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