Questões de Concurso Sobre português
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A única explicação inadequada é:
“— Talvez o melhor fosse liquidar a coisa hoje mesmo!... — Ainda estou muito fraco... observou lastimoso o convalescente. — Mas o teu porrete está forte! E além disso cá estamos nós dois. Tu podes até ficar em casa, se quiseres...
— Isso é que não! atalhou aquele. Não dou o meu quinhão pelos dentes da boca!
— Eu cá também vou que o melhor seria pespegar-lhe hoje mesmo a sova... declarou o outro. Pão de um dia para outro fica duro! — E eu estou-lhe com uma gana!...
— Pois seja hoje mesmo! resolveu Jerônimo. E o dinheiro lá está em casa, quarenta pra cada um! Em seguida à mela corre logo o cobre! E ao depois vai a gente tomar uma fartadela de vinho fino!
— A que horas nos juntamos?
— Logo ao cair da noite, aqui mesmo. Está dito? — E será feito, se Deus quiser!”
Abaixo aparecem citadas algumas características da língua falada que são exemplificadas com trechos do texto.
Assinale a opção em que o exemplo dado não é adequado à característica dada.
Veja, por exemplo, o relato de uma experiência de um visitante do Museu do Louvre, ao ver o quadro da Mona Lisa:
“Ao ver o quadro ali tão próximo, foi um choque: tudo aquilo ao mesmo tempo na minha mente e no meu sentimento me deixou em choque e não sei o que destacar para que você me entenda. Fiquei em transe e vou ver o que posso dizer para que você compreenda o que eu senti, mas vai ser difícil.”
Nesse caso, o problema da linguagem é
“Tanto luta e pena o bom escritor quanto o péssimo, quanto o medíocre. Quer dizer, o artista inferior dá à sua obra as mesmas horas de trabalho, o mesmo idealismo, os mesmos sacrifícios, os mesmos sonhos que dá à sua o bom artista, o grande artista. Talvez o primeiro dê até mais sacrifício, mais realismo, pois que o bom tem o seu prêmio em aplausos, e o outro trabalha à toa, só recebe em paga a indiferença ou o esquecimento.”
A ideia da tarefa de escrever nesse pequeno texto se repete na seguinte citação:
Nessa visão, seria um exemplo de boa escrita a seguinte frase:
Assim, se um diplomata quer elogiar uma jogada de futebol a alguns outros torcedores da arquibancada, a forma mais adequada seria:
Segundo os modos de organização discursiva, o trecho é classificado como
A respeito desse segmento, é correto afirmar que
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
Sua inserção no mundo acontece pela observação cotidiana das atividades dos adultos, uma observação e participação heterodoxa que possibilitam que elas
Leia o texto a seguir:
Você já parou para pensar como fotos perfeitas têm impacto na forma como a gente se vê? A era dos filtros virou assunto mundial _______ ela mudou nossa relação com nós mesmos e com os outros.
Esses filtros podem dar outra cor _______ pele, alterar o formato do rosto e até modificar o cenário. Psicólogos estão atentos_______ transformação. Os filtros podem alimentar a insatisfação com a própria imagem, gerando ansiedade e até transtornos alimentares.
Vários motivos ajudam a explicar _______ os filtros dominaram as redes. Primeiro, a tecnologia ficou acessível e simples. Além disso, os influenciadores digitais impulsionaram essa moda, mostrando que “ficar bem na foto” era uma arte necessária para o sucesso on-line.
(“A era dos filtros está transformando a autoestima hoje”, 25.05.2025.
Disponível em: www.uai.com.br. Adaptado)
As lacunas do texto são completadas, correta e respectivamente, por:
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Meus pais sempre me pareceram, aos olhos da criança que fui, perfeitos. Eu agradecia a Deus por ter nascido em um lar tão abençoado, onde tudo funcionava, e ai de quem duvidasse. Até que cresci e passei eu mesma a duvidar: ora, quem é perfeito? Eu me furtaria a vergonha de passar o resto da vida inebriada pela própria ilusão. Passei a glorificar o imperfeito e segui amando todos eles, já que ninguém é perfeito.
Estou longe de desprezar genialidades, como uma foto de Sebastião Salgado, uma página de Guimarães Rosa, o canto de Caetano Veloso. Aproximam-se do sagrado. Mas quando desço desse altar e caio no mundano, é pela imperfeição que me enamoro.
Faço todo esse preâmbulo para que eu possa exaltar o que está fora de foco. O abandono da excelência a favor da essência. Andamos obcecados por qualidade técnica, filtros que eliminam defeitos, nenhum ruído escapando, nenhum fio solto, a artificialidade substituindo o que é verdadeiro. A essência, ao contrário, é inexata, transcende, se move, esparrama. A essência não se falsifica, transforma a própria falha em gozo. Sabe que o excelente, ou é um gênio, ou um impostor.
Adoro, especialmente, fotos desfocadas, com sua imperfeição poética, humana. São retratos em movimento: da gente dançando, correndo, gesticulando. Somos borrões capturados por olhares objetivos, mas está para nascer quem nos possa reduzir a uma única dimensão. Temos várias versões sobrepostas, somos reais assim como somos fictícios, seres indeterminados fazendo o possível para se enquadrar, só que um pedaço de nós sempre invade o contorno limitador e escorre para fora. Queremos ser vistos com nitidez, eu sei, mas também somos aquele ser indefinido por trás do espelho embaçado no banheiro.
(Martha Medeiros. “A arte de falhar: um elogio ao que está fora de foco”,
27.07.2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com. Adaptado)