Questões de Concurso Sobre português

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Q3699746 Português
A frase “Eu nasci há dez mil anos atrás” apresenta um erro gramatical que não prejudica a comunicação e pode ser utilizado como recurso linguístico por artistas e escritores. Assinale a alternativa em que a correção gramatical legitima a norma padrão.
Alternativas
Q3699745 Português
Marque a alternativa que expressa o valor causal da conjunção “como”:
Alternativas
Q3699744 Português
Leia o Texto 2 para responder a questão


Andorinha
(Manuel Bandeira)


Andorinha lá fora está dizendo:

— "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa...
A respeito das normas gramaticais da sintaxe, no poema “Andorinha” a alternativa correta é:
Alternativas
Q3699743 Português
Leia o Texto 2 para responder a questão


Andorinha
(Manuel Bandeira)


Andorinha lá fora está dizendo:

— "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa...
A vírgula no início do verso em destaque na segunda estrofe demarca:
Alternativas
Q3699742 Português
Leia o Texto 2 para responder a questão


Andorinha
(Manuel Bandeira)


Andorinha lá fora está dizendo:

— "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa...
Sobre o poema, podemos afirmar que:
Alternativas
Q3699741 Português
De acordo com a regra de acentuação, assinale a alternativa que apresenta uma ambiguidade, uma vez que o acento diferencial deixou de existir com a reforma ortográfica. 
Alternativas
Q3699740 Português
A condição dos agricultores quilombolas denuncia uma omissão histórica:

• A dificuldade em garantir a titulação das terras revela a lentidão do Estado em efetivar direitos constitucionais.
• A exclusão nos programas de apoio à agricultura familiar reflete o preconceito estrutural.
• O racismo ambiental se manifesta com clareza: são territórios quilombolas os mais impactados por barragens, mineração, expansão de fronteiras agrícolas e ausência de infraestrutura básica.

O segmento em destaque após os dois pontos no excerto acima, cumpre a função de:
Alternativas
Q3699739 Português
Leia o Texto 1 para responder a questão


Agricultores quilombolas: a ferida da marginalização histórica

Por Afonso Peche Filho


    A história dos agricultores quilombolas é inseparável da escravidão. Durante séculos, seus ancestrais foram explorados como mão de obra fundamental para o desenvolvimento econômico do país. Após a abolição formal, não houve entrega de terras, reparação financeira ou políticas efetivas de reintegração. O vazio deixado pelo Estado perpetuou um ciclo de exclusão, empurrando comunidades inteiras para territórios disputados, quase sempre invisíveis no debate público.

    Essa herança pesa até hoje: os descendentes daqueles que construíram materialmente a base econômica e cultural da nação continuam enfrentando a falta de acesso a recursos, direitos territoriais e reconhecimento social.

    A marginalização aparece na forma de preconceito racial, desvalorização cultural e ausência de políticas públicas adequadas. Agricultores quilombolas, frequentemente, são retratados como “atrasados” ou como “ocupantes ilegítimos” de terras, quando, na verdade, são guardiões de um patrimônio ancestral de manejo da terra e de organização comunitária.

O Estado, ao invés de garantir proteção, muitas vezes atua de forma ambígua, favorecendo interesses de grandes proprietários, mineradoras ou grileiros. Essa situação transforma os quilombolas em “estranhos” dentro de seu próprio território, como se não fossem parte legítima do país que ajudaram a construir.

O peso do conhecimento e da tradição

    O conhecimento agrícola quilombola nasceu da necessidade de sobrevivência em condições adversas. Trata-se de um saber construído coletivamente, que alia práticas de cultivo à preservação ambiental, muitas vezes alinhadas às premissas contemporâneas da agroecologia e da agricultura regenerativa.

    É preciso reconhecer que a hoje tão badalada técnica dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) tem sua origem prática e cultural nas experiências quilombolas e indígenas, que há séculos combinam cultivos agrícolas com espécies arbóreas de forma integrada e sustentável. Essa herança, porém, foi em grande medida apropriada por setores acadêmicos e técnicos majoritariamente brancos, que sistematizaram conceitos, transformaram práticas em manuais e passaram a difundi-las sem o devido reconhecimento de suas raízes históricas.

     Esse processo representa uma traição ética: a apropriação de um conhecimento que não nasceu nos centros de pesquisa, mas na luta cotidiana de comunidades que resistiram à escravidão e ao abandono. A deslealdade está não apenas em negar a autoria quilombola, mas também em lucrar e ganhar prestígio em cima de saberes desenvolvidos no contexto da resistência cultural e produtiva.

    A condição dos agricultores quilombolas denuncia uma omissão histórica:

    • A dificuldade em garantir a titulação das terras revela a lentidão do Estado em efetivar direitos constitucionais.

    • A exclusão nos programas de apoio à agricultura familiar reflete o preconceito estrutural.

     • O racismo ambiental se manifesta com clareza: são territórios quilombolas os mais impactados por barragens, mineração, expansão de fronteiras agrícolas e ausência de infraestrutura básica.

    Esses agricultores, mesmo diante de tantas barreiras, continuam produzindo, preservando a biodiversidade, mantendo tradições e oferecendo contribuições fundamentais para a segurança alimentar do país.

    A marginalização dos agricultores quilombolas é uma ferida aberta no tecido social brasileiro. São descendentes de pessoas escravizadas que, em vez de reparação histórica, seguem enfrentando preconceito, violência e negação de direitos.

    A sociedade brasileira precisa reconhecer que não se trata apenas de uma questão de terras ou de agricultura, mas de justiça social, de reparação histórica e de valorização cultural. Manter essas comunidades à margem significa perpetuar a contradição de um país que foi erguido pelo trabalho de seus antepassados, mas insiste em negar a seus descendentes dignidade e pertencimento.

    O futuro exige mais do que discursos: requer políticas públicas firmes, reconhecimento da diversidade cultural e social e, sobretudo, a coragem de reparar erros históricos. Entre esses reparos, está o reconhecimento explícito de que práticas hoje valorizadas como inovadoras, como os SAFs, têm raízes quilombolas e que o apagamento dessa origem constitui uma atitude desleal. Somente com esse resgate ético será possível construir uma agricultura verdadeiramente justa, sustentável e inclusiva.

Afonso Peche Filho é pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas. Disponível em:

https://www.brasildefato.com.br/2025/09/17/agricultoresquilombolas-a-ferida-da-marginalizacao-historica/. Acesso em 17/09/2025. (adaptado)
Na organização do texto, assinale a alternativa que representa a sequência linguística predominante.
Alternativas
Q3699738 Português
Leia o Texto 1 para responder a questão


Agricultores quilombolas: a ferida da marginalização histórica

Por Afonso Peche Filho


    A história dos agricultores quilombolas é inseparável da escravidão. Durante séculos, seus ancestrais foram explorados como mão de obra fundamental para o desenvolvimento econômico do país. Após a abolição formal, não houve entrega de terras, reparação financeira ou políticas efetivas de reintegração. O vazio deixado pelo Estado perpetuou um ciclo de exclusão, empurrando comunidades inteiras para territórios disputados, quase sempre invisíveis no debate público.

    Essa herança pesa até hoje: os descendentes daqueles que construíram materialmente a base econômica e cultural da nação continuam enfrentando a falta de acesso a recursos, direitos territoriais e reconhecimento social.

    A marginalização aparece na forma de preconceito racial, desvalorização cultural e ausência de políticas públicas adequadas. Agricultores quilombolas, frequentemente, são retratados como “atrasados” ou como “ocupantes ilegítimos” de terras, quando, na verdade, são guardiões de um patrimônio ancestral de manejo da terra e de organização comunitária.

O Estado, ao invés de garantir proteção, muitas vezes atua de forma ambígua, favorecendo interesses de grandes proprietários, mineradoras ou grileiros. Essa situação transforma os quilombolas em “estranhos” dentro de seu próprio território, como se não fossem parte legítima do país que ajudaram a construir.

O peso do conhecimento e da tradição

    O conhecimento agrícola quilombola nasceu da necessidade de sobrevivência em condições adversas. Trata-se de um saber construído coletivamente, que alia práticas de cultivo à preservação ambiental, muitas vezes alinhadas às premissas contemporâneas da agroecologia e da agricultura regenerativa.

    É preciso reconhecer que a hoje tão badalada técnica dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) tem sua origem prática e cultural nas experiências quilombolas e indígenas, que há séculos combinam cultivos agrícolas com espécies arbóreas de forma integrada e sustentável. Essa herança, porém, foi em grande medida apropriada por setores acadêmicos e técnicos majoritariamente brancos, que sistematizaram conceitos, transformaram práticas em manuais e passaram a difundi-las sem o devido reconhecimento de suas raízes históricas.

     Esse processo representa uma traição ética: a apropriação de um conhecimento que não nasceu nos centros de pesquisa, mas na luta cotidiana de comunidades que resistiram à escravidão e ao abandono. A deslealdade está não apenas em negar a autoria quilombola, mas também em lucrar e ganhar prestígio em cima de saberes desenvolvidos no contexto da resistência cultural e produtiva.

    A condição dos agricultores quilombolas denuncia uma omissão histórica:

    • A dificuldade em garantir a titulação das terras revela a lentidão do Estado em efetivar direitos constitucionais.

    • A exclusão nos programas de apoio à agricultura familiar reflete o preconceito estrutural.

     • O racismo ambiental se manifesta com clareza: são territórios quilombolas os mais impactados por barragens, mineração, expansão de fronteiras agrícolas e ausência de infraestrutura básica.

    Esses agricultores, mesmo diante de tantas barreiras, continuam produzindo, preservando a biodiversidade, mantendo tradições e oferecendo contribuições fundamentais para a segurança alimentar do país.

    A marginalização dos agricultores quilombolas é uma ferida aberta no tecido social brasileiro. São descendentes de pessoas escravizadas que, em vez de reparação histórica, seguem enfrentando preconceito, violência e negação de direitos.

    A sociedade brasileira precisa reconhecer que não se trata apenas de uma questão de terras ou de agricultura, mas de justiça social, de reparação histórica e de valorização cultural. Manter essas comunidades à margem significa perpetuar a contradição de um país que foi erguido pelo trabalho de seus antepassados, mas insiste em negar a seus descendentes dignidade e pertencimento.

    O futuro exige mais do que discursos: requer políticas públicas firmes, reconhecimento da diversidade cultural e social e, sobretudo, a coragem de reparar erros históricos. Entre esses reparos, está o reconhecimento explícito de que práticas hoje valorizadas como inovadoras, como os SAFs, têm raízes quilombolas e que o apagamento dessa origem constitui uma atitude desleal. Somente com esse resgate ético será possível construir uma agricultura verdadeiramente justa, sustentável e inclusiva.

Afonso Peche Filho é pesquisador Científico do Instituto Agronômico de Campinas. Disponível em:

https://www.brasildefato.com.br/2025/09/17/agricultoresquilombolas-a-ferida-da-marginalizacao-historica/. Acesso em 17/09/2025. (adaptado)
Todas as alternativas expressam o argumento do autor do texto, exceto: 
Alternativas
Q3699697 Português
Durante a aplicação da prova não foi possível identificar o porquê da ausência do fiscal. No período, empregou-se corretamente a forma do porquê. Assinale a alternativa em que NÃO ocorre a adequação.
Alternativas
Q3699696 Português
Desde a Reforma Ortográfica, o alfabeto brasileiro soma 26 letras, incluindo o k (consoante), w (consoante ou semivogal) e y (vogal ou semivogal), que passaram a ser usadas em várias situações. O processo de legitimação da língua, dentre outros, acontece pela incorporação de vocábulos em dicionários e gramáticas, sendo assim, assinale a palavra que NÃO consta no VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3699695 Português
“A deslealdade está não apenas em negar a autoria quilombola, mas também em lucrar e ganhar prestígio em cima de saberes desenvolvidos no contexto da resistência cultural e produtiva.” A palavra em destaque exemplifica o processo de derivação prefixal e sufixal. Assinale a alternativa em que NÃO se repete o mesmo processo de formação de palavras:
Alternativas
Q3699694 Português
Morfologicamente, uma palavra “tem significação própria e existência isolada”. A depender do contexto, assume significados variados como, por exemplo, o substantivo “pressa”, que no trecho da canção de Belchior “Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão/O meu som e a minha fúria/E esta pressa de viver/E este jeito de deixar sempre de lado a certeza/E arriscar tudo de novo com paixão”, alude a
Alternativas
Q3699693 Português
Sobre a ocorrência de crase, assinale a alternativa que NÃO exemplifica o fenômeno gramatical.
Alternativas
Q3699692 Português
Considere o Texto 2 para responder a questão


(Gilberto Gil/João Donato)

A paz invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais


A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz


Eu pensei em mim, eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição, só a guerra faz
Nosso amor em paz


Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos ais


A paz invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais


A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz


Eu pensei em mim, eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição, só a guerra faz
Nosso amor em paz


Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos ais
Nos versos 1 e 2 (em negrito na 2ª estrofe), o sujeito do verbo “invadir” é:
Alternativas
Q3699691 Português
Considere o Texto 2 para responder a questão


(Gilberto Gil/João Donato)

A paz invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais


A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz


Eu pensei em mim, eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição, só a guerra faz
Nosso amor em paz


Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos ais


A paz invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais


A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz


Eu pensei em mim, eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição, só a guerra faz
Nosso amor em paz


Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos ais
Sobre o texto apresentado:
Alternativas
Q3699690 Português

Leia o texto 1 para responder a questão


O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro (trecho)


    “O Brasil e os brasileiros, sua gestação como povo, é o que trataremos de reconstituir e compreender nos capítulos seguintes. Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos.


     Nessa confluência, que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo (Ribeiro, 1970), num novo modelo de estruturação societária. Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais delas oriundos. Também novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existam.


      Povo novo, ainda, porque é um novo modelo de estruturação societária, que inaugura uma forma singular de organização socioeconômica, fundada num tipo renovado de escravismo e numa servidão continuada ao mercado mundial. Novo, inclusive, pela inverossímil alegria e espantosa vontade de felicidade, num povo tão sacrificado, que alenta e comove a todos os brasileiros. 


     Velho, porém, porque se viabiliza como um proletariado externo. Quer dizer, como um implante ultramarino da expansão europeia que não existe para si mesmo, mas para gerar lucros exportáveis pelo exercício da função de provedor colonial de bens para o mercado mundial, através do desgaste da população que recruta no país ou importa.


     A sociedade e a cultura brasileiras são conformadas como variantes da versão lusitana da tradição civilizatória europeia ocidental, diferenciadas por coloridos herdados dos índios americanos e dos negros africanos. O Brasil emerge, assim, como um renovo mutante, remarcado de características próprias, mas atado genesicamente à matriz portuguesa, cujas potencialidades insuspeitadas de ser e de crescer só aqui se realizariam plenamente.


      A confluência de tantas e tão variadas matrizes formadoras poderia ter resultado numa sociedade multiétnica, dilacerada pela oposição de componentes diferenciados e imiscíveis. Ocorreu justamente o contrário, uma vez que, apesar de sobreviverem na fisionomia somática e no espírito dos brasileiros os signos de sua múltipla ancestralidade, não se diferenciaram em antagônicas minorias raciais, culturais ou regionais, vinculadas a lealdades étnicas próprias e disputantes de autonomia frente à nação.”


Considerando os aspectos coesivos do texto, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3699689 Português

Leia o texto 1 para responder a questão


O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro (trecho)


    “O Brasil e os brasileiros, sua gestação como povo, é o que trataremos de reconstituir e compreender nos capítulos seguintes. Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos.


     Nessa confluência, que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo (Ribeiro, 1970), num novo modelo de estruturação societária. Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais delas oriundos. Também novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existam.


      Povo novo, ainda, porque é um novo modelo de estruturação societária, que inaugura uma forma singular de organização socioeconômica, fundada num tipo renovado de escravismo e numa servidão continuada ao mercado mundial. Novo, inclusive, pela inverossímil alegria e espantosa vontade de felicidade, num povo tão sacrificado, que alenta e comove a todos os brasileiros. 


     Velho, porém, porque se viabiliza como um proletariado externo. Quer dizer, como um implante ultramarino da expansão europeia que não existe para si mesmo, mas para gerar lucros exportáveis pelo exercício da função de provedor colonial de bens para o mercado mundial, através do desgaste da população que recruta no país ou importa.


     A sociedade e a cultura brasileiras são conformadas como variantes da versão lusitana da tradição civilizatória europeia ocidental, diferenciadas por coloridos herdados dos índios americanos e dos negros africanos. O Brasil emerge, assim, como um renovo mutante, remarcado de características próprias, mas atado genesicamente à matriz portuguesa, cujas potencialidades insuspeitadas de ser e de crescer só aqui se realizariam plenamente.


      A confluência de tantas e tão variadas matrizes formadoras poderia ter resultado numa sociedade multiétnica, dilacerada pela oposição de componentes diferenciados e imiscíveis. Ocorreu justamente o contrário, uma vez que, apesar de sobreviverem na fisionomia somática e no espírito dos brasileiros os signos de sua múltipla ancestralidade, não se diferenciaram em antagônicas minorias raciais, culturais ou regionais, vinculadas a lealdades étnicas próprias e disputantes de autonomia frente à nação.”


No termo em negrito na 1ª linha do segundo parágrafo do texto, a retirada das vírgulas: 
Alternativas
Q3699688 Português

Leia o texto 1 para responder a questão


O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro (trecho)


    “O Brasil e os brasileiros, sua gestação como povo, é o que trataremos de reconstituir e compreender nos capítulos seguintes. Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos.


     Nessa confluência, que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo (Ribeiro, 1970), num novo modelo de estruturação societária. Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais delas oriundos. Também novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova, um novo gênero humano diferente de quantos existam.


      Povo novo, ainda, porque é um novo modelo de estruturação societária, que inaugura uma forma singular de organização socioeconômica, fundada num tipo renovado de escravismo e numa servidão continuada ao mercado mundial. Novo, inclusive, pela inverossímil alegria e espantosa vontade de felicidade, num povo tão sacrificado, que alenta e comove a todos os brasileiros. 


     Velho, porém, porque se viabiliza como um proletariado externo. Quer dizer, como um implante ultramarino da expansão europeia que não existe para si mesmo, mas para gerar lucros exportáveis pelo exercício da função de provedor colonial de bens para o mercado mundial, através do desgaste da população que recruta no país ou importa.


     A sociedade e a cultura brasileiras são conformadas como variantes da versão lusitana da tradição civilizatória europeia ocidental, diferenciadas por coloridos herdados dos índios americanos e dos negros africanos. O Brasil emerge, assim, como um renovo mutante, remarcado de características próprias, mas atado genesicamente à matriz portuguesa, cujas potencialidades insuspeitadas de ser e de crescer só aqui se realizariam plenamente.


      A confluência de tantas e tão variadas matrizes formadoras poderia ter resultado numa sociedade multiétnica, dilacerada pela oposição de componentes diferenciados e imiscíveis. Ocorreu justamente o contrário, uma vez que, apesar de sobreviverem na fisionomia somática e no espírito dos brasileiros os signos de sua múltipla ancestralidade, não se diferenciaram em antagônicas minorias raciais, culturais ou regionais, vinculadas a lealdades étnicas próprias e disputantes de autonomia frente à nação.”


O texto discorre sobre:
Alternativas
Q3699594 Português

Leia com atenção o texto a seguir para responder à questão.


João sempre provoca Carla no recreio, em um canto do pátio. Maria, merendeira da escola, reparou recentemente nesse comportamento, quando passou ali por acaso. Ela resolveu observar, nos dias seguintes, viu que aquilo acontecia muitas vezes e ficou preocupada. Na segunda-feira passada, Maria escutou João dizer aos amigos que gosta de deixar Carla nervosa, porque “ela fica vermelha de raiva. É muito engraçado!”. Maria se admirou ao perceber que os amigos frequentemente veem o que João faz com Carla, mas nunca participam diretamente. Como a escola de Maria tem um programa de combate ao bullying, ela levou o caso para a reunião da equipe.

De acordo com as ideias apresentadas por Camargo (2009), os amigos de João são
Alternativas
Respostas
32121: B
32122: B
32123: A
32124: C
32125: C
32126: E
32127: D
32128: E
32129: C
32130: C
32131: B
32132: B
32133: C
32134: A
32135: D
32136: E
32137: C
32138: A
32139: D
32140: B