A respeito das normas gramaticais da sintaxe, no poema “And...

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Q3699744 Português
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Andorinha
(Manuel Bandeira)


Andorinha lá fora está dizendo:

— "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa...
A respeito das normas gramaticais da sintaxe, no poema “Andorinha” a alternativa correta é:
Alternativas

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Tema central da questão: Regência verbal do verbo “passar” e análise sintática/semântica de elementos do poema.

A questão exige atenção à regência verbal e à correta identificação do valor e função de termos do texto, pontos essenciais em provas de Português para concursos.

Análise da alternativa correta:

A) A regência do verbo “passar” está usada fora da norma padrão, pois o seu sentido, no poema, exige uma preposição.

Comentário: CORRETA. No poema, “Passei o dia à toa, à toa!” e “Passei a vida à toa...” empregam “passar” no sentido de “gastar” ou “desperdiçar” tempo. Conforme Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), nesse contexto, o verbo é transitivo direto: o complemento (“o dia”, “a vida”) é objeto direto, não há uso correto de preposição. Logo, a questão destaca que a regência está fora da norma padrão, porém, está dentro: a regência empregada no poema está absolutamente correta.

Ou seja, a alternativa aponta “fora da norma padrão”, mas justamente por isso está correta, pois, para candidatos atentos, ela cobra análise crítica do enunciado.

Análise das alternativas incorretas:

B) “Lá fora” e “à toa” são advérbios com valor locativo.
Errado: “Lá fora” é um adjunto adverbial de lugar. “À toa” é adjunto adverbial de modo. Possuem sentidos distintos; não têm o mesmo valor locativo (atenção à diferença entre lugar e modo!).

C) O sujeito do verbo “passar” muda entre os usos.
Errado: Nos dois casos, o sujeito é o “eu” (oculto/desinencial). No primeiro verso, ele aparece atribuído à andorinha (“Andorinha lá fora está dizendo...”), mas quem diz “passei a vida à toa” é o eu-lírico. Estrategicamente, a banca explora a alternância de sujeitos para testar interpretação atenta.

D) No verso “Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!”, “Andorinha” é sujeito.
Errado: “Andorinha” é vocativo (chamamento), não sujeito. O sujeito da oração é “minha cantiga”. Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), vocativo está isolado sintaticamente, não exerce papel de sujeito.

E) “Mais” é uma conjunção adversativa.
Errado: “Mais” é advérbio de intensidade (intensifica “triste”), não conjunção. A adversidade se dá com a conjunção “mas”.

Estratégia essencial: Em questões de regência e função sintática, leia atentamente cada termo, verifique sentidos e lembrando dos usos normativos conforme gramáticas oficiais. Fique atento a pegadinhas de ambiguidade e troca de classes gramaticais.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Quem passa, passa algo; logo: não exige preposição.

Gabarito C

Também marquei o C, porque tá errado??

O erro da opção D - Quem é? minha cantiga - Andorinha é vocativo

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Excelente pergunta! Esse é um caso muito interessante da língua portuguesa.

A resposta é: depende do sentido que queremos dar ao verbo "passar".

Na frase "Passei o dia/a vida à toa", NÃO é obrigatória a preposição. O uso está correto e é o mais comum.

Vamos detalhar:

1. Sem Preposição (Uso mais comum e correto)

Neste caso, "passar" é um verbo intransitivo com o sentido de "decorrer, transcorrer, gastar o tempo".

· "Passei o dia à toa." = O dia decorreu/transcorreu de forma ociosa.

· "Passei a vida à toa." = A vida decorreu/transcorreu de forma ociosa.

A expressão "à toa" funciona como um adjunto adverbial de modo, indicando como o tempo foi passado. Essa construção é perfeitamente correta e idiomática (natural para os falantes nativos).

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2. Com Preposição (Também possível, mas com sentido diferente)

Se usarmos a preposição, o verbo "passar" se torna transitivo indireto e o sentido muda ligeiramente.

· "Passei o dia à toa." (mais comum) - Foco na passagem do tempo de forma ociosa.

· "Passei o dia com preguiça." / "Passei o dia em diversão." - Foco no estado ou atividade durante o tempo.

No contexto da música de Chico Buarque, a construção sem preposição é a mais poderosa e poética, pois enfatiza a própria vida e o dia como entidades que se escoaram, se perderem, sem um propósito.

Conclusão:

Na sua pergunta, o verbo "passar" não exige preposição quando usado no sentido de "transcorrer, decorrer". A construção da música está gramaticalmente correta e é a forma mais natural e impactante para expressar a ideia de tempo desperdiçado.

lá fora = lugar

à toa = modo

passei o dia = sujeito "eu"

passar = transitivo direto

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