Questões de Concurso Sobre português
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Adaptado de CNN Brasil. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/promessa-de-2008-de-uniao-daucrania-a-otan-deve-ser-desfeita-diz-russia/
Após a leitura do texto, é CORRETO afirmar que:
Considere o poema a seguir, de Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola:
(…)
Hoje somos
as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico
somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos com fome
com sede com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos
Amanhã
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura
(…)
Neto, Agostinho. Sagrada Esperança. 9a ed. Lisboa: Sá da Costa, 1979, p. 9-10.
O poema busca evocar o(a):
( ) A favela, a partir da visão apresentada no livro e da sua escritora, é o “quarto de despejo” de uma cidade.
( ) O livro é um diário, cujo narrador é autor e personagem; a narrativa não tem cunho autobiográfico.
( ) Em muitas partes do livro, há o rompimento com a formalidade da língua portuguesa, a norma padrão.
( ) O livro é um diário, pois quem escreve é a mesma pessoa que viveu as histórias contadas. Ele é narrado em primeira pessoa, portanto o ponto de vista apresentado é a do narrador.
( ) Quarto de despejo não pode ser considerado um livro que trata das desigualdades racial, de gênero e de classe.
Assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA de V e F, de cima para baixo:
I. “Marginais” não se refere apenas ao local de pessoas marginalizadas pela miséria cotidiana, mas também a alguns que vivem à margem da lei.
II. Apesar de a narrativa se referir às pessoas que são marginalizadas em vários aspectos, na Favela do Canindé não há a presença de marginais.
III. Os “marginais” fazem referência apenas aos catadores de lixo da favela do Canindé.
Assinale a alternativa CORRETA:
Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.
Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
– Não é ninguém, é o padeiro!
Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
"Então você não é ninguém?"
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "não é ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, é o padeiro!"
E assobiava pelas escadas.
Sobre o texto, considere as seguintes afirmativas:
I. O gênero textual é o expositivo, em virtude de expor a vida simples de um carteiro.
II. Por apresentar um texto curto, com linguagem simples e objetiva, a narrativa se caracteriza como um conto.
III. O texto tem um toque memorialístico, motivado pelo consumo de um pão do dia anterior.
IV.A ideologia implícita ao texto o coloca a favor das pessoas simples e sem poderes na sociedade.
V. Ao longo da vida, o padeiro foi humilhado por pessoas que não atentavam para a sua condição humana.
VI.Apresentam adjetivos e/ou locuções adjetivas os seguintes trechos: “jornais da véspera” e “ele abriu um sorriso largo”.
Assinale a alternativa CORRETA: