Questões de Concurso Sobre português
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Leia os textos a seguir.
TRECHO DO TEXTO I “
Aí a parada sugere, para a segunda‑feira, salada de batatas, frango com legumes, creme de papaia. Para a terça, salada de legumes, papaia com batatas, creme de frango. E assim por diante.”
TEXTO III

Disponível em: https://www.tumblr.com/tirasarmandinho/159508335599/tirinha-original. Acesso em: 11 ago. 2025.
Com base no uso dos sinais de pontuação empregados nos dois textos, assinale a alternativa incorreta.
TRECHO DO TEXTO I
“[O caderno de receitas da minha mãe] sumiu, foi perdido. Talvez esteja no meio das tralhas na casa da velha, talvez tenha sido emprestado e nunca devolvido.”
TEXTO II
Disponível em: https://digofreitas.com/tag/chef/. Acesso em: 11 ago. 2025.
Considere o trecho do texto I e o texto II e preencha as lacunas da afirmativa a seguir.
De acordo com Cegalla (2010, p. 259), “Advérbio é uma palavra que modifica o sentido do verbo, do adjetivo e do próprio advérbio. A maioria dos advérbios modifica o verbo, ao qual acrescentam uma circunstância”. Segundo esse postulado, no trecho do texto I, a palavra __________ modifica o verbo “esteja”, atribuindo‑lhe um sentido de dúvida ou possibilidade. Já no texto II, o termo __________ introduz uma interrogativa direta e tem a função de modificar o verbo “arranjar”, indicando localidade.
Assinale a alternativa que apresenta as palavras que preenchem correta e respectivamente as lacunas da afirmativa anterior.
“Numa das palestras, foi apresentado um troço (programa? aplicativo?) destinado a criar cardápios para restaurantes que trabalham com menu fixo no almoço. Você alimenta a coisa com parâmetros como estilo culinário, custo e número de serviços.”
Qual é a função da linguagem predominante no referido trecho, e somente nele?
“Ninguém se incomoda ou anota nada à mão. Aliado a isso, quase ninguém recorre à mídia física quando quer cozinhar algo diferente. Eu tenho dezenas de livros de culinária que raramente são tocados. É muito mais prático buscar informação on‑line.”
Com base no trecho apresentado, analise as afirmativas a seguir sobre concordância, regência e colocação pronominal.
I. Em “Ninguém se incomoda”, o uso de “se” está correto, porque a palavra “ninguém” atrai o pronome para antes do verbo (próclise).
II. O emprego de “são tocados” está incorreto; o certo é grafar “é tocada” para concordar com o termo “culinária”.
III. Em “Aliado a isso”, há crase antes de “isso”; portanto, o certo é escrever: “à isso”.
IV. O verbo “recorrer” pede a preposição “a”; por isso, está certo escrever “recorre à mídia física”.
Estão corretas as afirmativas
“Como a mãe está inacessível, presa em sua cabeça com Alzheimer avançado, disponho apenas de meus próprios recursos quando quero reproduzir uma receita dela.”
Considere a coesão, a coerência, a argumentação e outros fatores de textualidade e assinale a alternativa correta.
( ) A expressão “preencher lacunas” é empregada de forma literal, indicando que o autor está copiando receitas esquecidas em espaços deixados em branco.
( ) A frase “Sou um cara das antigas” sugere que o autor utiliza linguagem conotativa, expressando sua identificação com valores e hábitos do passado.
( ) As palavras “experiência” e “gosto” são sinônimos no contexto em que aparecem, pois ambas indicam preferências pessoais ligadas ao ato de cozinhar.
( ) A expressão “memória sensorial” é usada em sentido denotativo, referindo‑se às lembranças concretas ativadas pelos sentidos, como cheiro, paladar e visão.
Assinale a sequência correta.
I. O autor usa uma lembrança pessoal para refletir, de forma crítica, sobre como a tecnologia vem tomando o lugar de experiências humanas.
II. O texto é uma reportagem informativa, com linguagem neutra, que apresenta soluções para o fim dos cadernos de receitas.
III. O texto é uma crônica, escrita em tom coloquial e opinativo, com ironia e subjetividade, discutindo os efeitos da tecnologia no dia a dia.
IV. O texto é uma narrativa de ficção, com personagens inventados, criada apenas para divertir o leitor.
Estão corretas as afirmativas
Identifique o que esse desvio revela nesse contexto e assinale a alternativa correta.
( ) No trecho “A inovação dispensa a necessidade de um chef. Ela prescinde de criatividade.”, o autor expressa ironia ao destacar a ausência de criatividade na IA.
( ) No início do texto, o efeito de sentido da lembrança do caderno de receitas da mãe associa‑se a uma memória afetiva que contrasta com a impessoalidade da IA.
( ) Na frase “Inteligência artificial não cria nada, só recicla conhecimento gerado por humanos.”, veicula‑se a convicção de que as novas tecnologias podem criar receitas culinárias inovadoras.
( ) Na passagem “Ninguém mais tem caderno de receitas, nem as mães.”, está claro que as pessoas ignoram ser questão de tempo a inteligência artificial substituir os cadernos de receitas.
Assinale a sequência correta.
Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!
Sabichonismo é uma doença que explora e
agrava nossa insegurança com a língua
Sérgio Rodrigues
O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista que se aproveita da insegurança do falante médio, intimidado com a normatividade da língua, para convencê‑lo de que contraria regras em série — todas imaginárias.
Por exemplo: “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!”, grita o sabichão. (Por alguma razão, sabichões gostam de gritar)
É mentira dele, claro: além de existir algo que se chama ênfase, o mundo sempre foi cheio de fatos falsos, para não mencionar os hipotéticos, os fictícios, os que dependem de fé etc.
Mesmo assim, é comum que o fato sabichão seja acolhido. O mecanismo psíquico que nos leva a encarar quem nos “corrige” como detentor de um saber superior é o mesmo que garante o sucesso internético de vídeos como “você bebeu água errado a vida inteira: aprenda”.
Sim, todo mundo sempre usou a expressão “dois pesos e duas medidas”, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto. Aí vem o sabichão e, por saber pouco, anuncia na praça: “O certo é um peso e duas medidas!”.
O sabichonismo pode ser do tipo literalista, que eu chamo de podólatra da letra: “Não existe gol de bola parada, bola parada não entra”; “Risco de vida está errado, o certo é risco de morte”.
Também pode ter corte lógico‑matemático, encrencado com a dupla negativa do português: “Se você diz que não viu nada, então viu alguma coisa”. Pode ser purista, amalucado: “O certo é ab‑rupto”.
O único objetivo do sabichonismo é afirmar a posição de poder de quem o exerce. Embora seja muitas vezes diletante, seu caráter falsamente educativo faz com que assuma com frequência a forma de atividade profissional, caso em que provoca estragos maiores.
Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.
A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar.
Quando nos deixamos convencer de que o certo é “esculpido em Carrara” — em vez de “cuspido e escarrado”, bela versão lusófona de uma ideia presente no inglês “spitting image” e em outras línguas —, podemos ter a sensação inebriante de que nada no mundo é o que parece.
Contentes de descobrir tal joia perdida do conhecimento universal — “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu!” —, saímos espalhando a boa nova.
E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.
Todo cuidado com ele!
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,
Cotidiano, 1 maio 2025, p. A 41 (adaptado).
Leia os textos a seguir.
TRECHO DO TEXTO I
“A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar”.
TEXTO IV


Disponível em: https://x.com/Quadrinhorama/status/1691057077882609664. Acesso em: 11 ago. 2025.
Segundo Sarmento (2013, p. 13), “Para que haja comunicação bem‑sucedida, é fundamental que os produtores dos textos e seus leitores / ouvintes compartilhem conhecimentos e conheçam as convenções que regem as situações sociais de que participam. Palavras, gestos, expressões corporais e faciais fazem parte da linguagem e têm seus significados convencionados socialmente. [...] Além da linguagem verbal, existem as linguagens não verbais. Há, ainda, as linguagens mistas.”
Com base no enunciado de Sarmento, assinale a alternativa que apresenta corretamente a principal diferença entre o trecho do texto I e o texto IV (tirinha), segundo o conceito de linguagem.
Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!
Sabichonismo é uma doença que explora e
agrava nossa insegurança com a língua
Sérgio Rodrigues
O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista que se aproveita da insegurança do falante médio, intimidado com a normatividade da língua, para convencê‑lo de que contraria regras em série — todas imaginárias.
Por exemplo: “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!”, grita o sabichão. (Por alguma razão, sabichões gostam de gritar)
É mentira dele, claro: além de existir algo que se chama ênfase, o mundo sempre foi cheio de fatos falsos, para não mencionar os hipotéticos, os fictícios, os que dependem de fé etc.
Mesmo assim, é comum que o fato sabichão seja acolhido. O mecanismo psíquico que nos leva a encarar quem nos “corrige” como detentor de um saber superior é o mesmo que garante o sucesso internético de vídeos como “você bebeu água errado a vida inteira: aprenda”.
Sim, todo mundo sempre usou a expressão “dois pesos e duas medidas”, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto. Aí vem o sabichão e, por saber pouco, anuncia na praça: “O certo é um peso e duas medidas!”.
O sabichonismo pode ser do tipo literalista, que eu chamo de podólatra da letra: “Não existe gol de bola parada, bola parada não entra”; “Risco de vida está errado, o certo é risco de morte”.
Também pode ter corte lógico‑matemático, encrencado com a dupla negativa do português: “Se você diz que não viu nada, então viu alguma coisa”. Pode ser purista, amalucado: “O certo é ab‑rupto”.
O único objetivo do sabichonismo é afirmar a posição de poder de quem o exerce. Embora seja muitas vezes diletante, seu caráter falsamente educativo faz com que assuma com frequência a forma de atividade profissional, caso em que provoca estragos maiores.
Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.
A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar.
Quando nos deixamos convencer de que o certo é “esculpido em Carrara” — em vez de “cuspido e escarrado”, bela versão lusófona de uma ideia presente no inglês “spitting image” e em outras línguas —, podemos ter a sensação inebriante de que nada no mundo é o que parece.
Contentes de descobrir tal joia perdida do conhecimento universal — “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu!” —, saímos espalhando a boa nova.
E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.
Todo cuidado com ele!
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,
Cotidiano, 1 maio 2025, p. A 41 (adaptado).
TRECHO DO TEXTO I
“Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.”
TEXTO III
Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br/quadrinhos/2024/07/09/piratas‑do-tiete-laerte.shtml. Acesso em: 11 ago. 2025. Analise as afirmativas a seguir, relativas a aspectos fonéticos e gramaticais, de acordo com a norma‑padrão da língua portuguesa.
I. As palavras “África”, “América” e “Ásia” são acentuadas por serem terminadas em “a”, e todas as proparoxítonas com essa terminação recebem acento gráfico.
II. A expressão “mapa mundi” está grafada corretamente, pois palavras estrangeiras não devem ser hifenizadas ou acentuadas quando incorporadas ao português.
III. O hífen em “má‑fé” está de acordo com a norma‑padrão, pois o referido sinal gráfico foi usado para ligar elementos que formam uma unidade lexical com sentido próprio.
IV. O emprego da crase no trecho modificado do trecho do texto I “Devemos estar atentos à sabedoria e à honestidade” está correto, porque o adjetivo “atentos” exige a preposição “a”, e os substantivos femininos admitem o artigo definido “a”.
Estão corretas as afirmativas