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Q3992663 Português
Centenas de brasileiros voltaram do Reino Unido em voos bancados pelo governo britânico


O Itamaraty confirmou que mais de seiscentos brasileiros retornaram ao Brasil em três voos partindo de Londres entre agosto e setembro deste ano. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o retorno foi voluntário.

Segundo nota do Itamaraty, o governo do Reino Unido propôs organizar voos de retorno voluntário ao Brasil aos imigrantes brasileiros, realizados por companhias aéreas comerciais e bancados pelos britânicos.

O programa oferece passagens aéreas e auxílio financeiro para os migrantes que desejam retornar e se restabelecer em seu país de origem. O consentimento brasileiro ao programa, que está incorporado aos princípios de assistência consular brasileira, baseia-se no requisito de que a participação é voluntária e poderá ser revisto, a qualquer tempo, caso esses termos sejam alterados.

Desde março deste ano, o Reino Unido adotou novas regras de imigração, apertando cerco contra imigrantes no país. A principal mudança foi o aumento do salário mínimo exigido tanto para conseguir um visto de trabalho quanto para trazer um dependente: 38.700 libras brutas por ano (ou cerca de R$ 297 mil, na cotação atual).

Outros destaques das novas regras de imigração são: estudantes não poderão mais imigrar com dependentes, exceto se estiverem matriculados em cursos de pós-graduação designados como "programas de pesquisa".

Além disso, também não poderão mudar seu visto de estudante para um de trabalho antes da conclusão dos estudos.

O programa de retorno voluntário é oferecido aos imigrantes que não têm visto de permanência no Reino Unido. Para aderir ao programa, é preciso responder a alguns critérios, como ter passado o prazo de permanência do visto ou ter feito pedido de asilo. Pessoas que desejam retirar pedido de permanência no país ou aquelas que têm um atestado confirmando que são vítimas de escravidão moderna também podem ser elegíveis.

O serviço de retorno voluntário fornece até três mil libras (cerca de R$ 23.072 na cotação atual) em suporte financeiro para sair do país. O dinheiro é fornecido por meio de um cartão que somente pode ser usado no país de origem.

Os brasileiros estão entre as três nacionalidades que mais retornaram aos seus países no ano passado. Segundo informações contidas no site do Home Office, "no ano que terminou em 30 de setembro de 2023, "as principais nacionalidades entre os retornados foram albanesa (20%), indiana (15%) e brasileira (12%)".

A grande maioria das pessoas que chegou ao Reino Unido era de países fora da União Europeia. De acordo com o Itamaraty, existem 230 mil brasileiros vivendo atualmente naquela região. É a segunda maior comunidade brasileira na Europa, perdendo somente para Portugal, com 513 mil.

Morar e trabalhar na Inglaterra pode ser o sonho de muitos brasileiros, mas a realidade pode ser diferente daquela imaginada. Em outubro, a BBC News Brasil revelou a vida precária - com moradias em acampamentos - que muitos brasileiros levam naquele país, chamando o sonho de uma vida melhor de "ilusão".

O maior vilão é o alto custo de vida, reflexo de uma crise econômica que teve o auge em 2022, quando a inflação chegou aos dois dígitos, e em 2023, quando o país ficou oficialmente em recessão. Assim, a maior parte da população foi impactada com altas nos preços dos alimentos, de energia e, em especial, dos aluguéis que, só no último ano, subiram 8,4%.


https://tinyurl.com/2dt6zrc6
O programa oferece passagens aéreas e auxílio financeiro para os migrantes que desejam retornar e se restabelecer em seu país de origem.

O número de substantivos presentes na frase é de: 
Alternativas
Q3992662 Português
Centenas de brasileiros voltaram do Reino Unido em voos bancados pelo governo britânico


O Itamaraty confirmou que mais de seiscentos brasileiros retornaram ao Brasil em três voos partindo de Londres entre agosto e setembro deste ano. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o retorno foi voluntário.

Segundo nota do Itamaraty, o governo do Reino Unido propôs organizar voos de retorno voluntário ao Brasil aos imigrantes brasileiros, realizados por companhias aéreas comerciais e bancados pelos britânicos.

O programa oferece passagens aéreas e auxílio financeiro para os migrantes que desejam retornar e se restabelecer em seu país de origem. O consentimento brasileiro ao programa, que está incorporado aos princípios de assistência consular brasileira, baseia-se no requisito de que a participação é voluntária e poderá ser revisto, a qualquer tempo, caso esses termos sejam alterados.

Desde março deste ano, o Reino Unido adotou novas regras de imigração, apertando cerco contra imigrantes no país. A principal mudança foi o aumento do salário mínimo exigido tanto para conseguir um visto de trabalho quanto para trazer um dependente: 38.700 libras brutas por ano (ou cerca de R$ 297 mil, na cotação atual).

Outros destaques das novas regras de imigração são: estudantes não poderão mais imigrar com dependentes, exceto se estiverem matriculados em cursos de pós-graduação designados como "programas de pesquisa".

Além disso, também não poderão mudar seu visto de estudante para um de trabalho antes da conclusão dos estudos.

O programa de retorno voluntário é oferecido aos imigrantes que não têm visto de permanência no Reino Unido. Para aderir ao programa, é preciso responder a alguns critérios, como ter passado o prazo de permanência do visto ou ter feito pedido de asilo. Pessoas que desejam retirar pedido de permanência no país ou aquelas que têm um atestado confirmando que são vítimas de escravidão moderna também podem ser elegíveis.

O serviço de retorno voluntário fornece até três mil libras (cerca de R$ 23.072 na cotação atual) em suporte financeiro para sair do país. O dinheiro é fornecido por meio de um cartão que somente pode ser usado no país de origem.

Os brasileiros estão entre as três nacionalidades que mais retornaram aos seus países no ano passado. Segundo informações contidas no site do Home Office, "no ano que terminou em 30 de setembro de 2023, "as principais nacionalidades entre os retornados foram albanesa (20%), indiana (15%) e brasileira (12%)".

A grande maioria das pessoas que chegou ao Reino Unido era de países fora da União Europeia. De acordo com o Itamaraty, existem 230 mil brasileiros vivendo atualmente naquela região. É a segunda maior comunidade brasileira na Europa, perdendo somente para Portugal, com 513 mil.

Morar e trabalhar na Inglaterra pode ser o sonho de muitos brasileiros, mas a realidade pode ser diferente daquela imaginada. Em outubro, a BBC News Brasil revelou a vida precária - com moradias em acampamentos - que muitos brasileiros levam naquele país, chamando o sonho de uma vida melhor de "ilusão".

O maior vilão é o alto custo de vida, reflexo de uma crise econômica que teve o auge em 2022, quando a inflação chegou aos dois dígitos, e em 2023, quando o país ficou oficialmente em recessão. Assim, a maior parte da população foi impactada com altas nos preços dos alimentos, de energia e, em especial, dos aluguéis que, só no último ano, subiram 8,4%.


https://tinyurl.com/2dt6zrc6

De acordo com o Itamaraty, existem 230 mil brasileiros vivendo atualmente naquela região.

Assinale a opção correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase. 

Alternativas
Q3992661 Português
Centenas de brasileiros voltaram do Reino Unido em voos bancados pelo governo britânico


O Itamaraty confirmou que mais de seiscentos brasileiros retornaram ao Brasil em três voos partindo de Londres entre agosto e setembro deste ano. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o retorno foi voluntário.

Segundo nota do Itamaraty, o governo do Reino Unido propôs organizar voos de retorno voluntário ao Brasil aos imigrantes brasileiros, realizados por companhias aéreas comerciais e bancados pelos britânicos.

O programa oferece passagens aéreas e auxílio financeiro para os migrantes que desejam retornar e se restabelecer em seu país de origem. O consentimento brasileiro ao programa, que está incorporado aos princípios de assistência consular brasileira, baseia-se no requisito de que a participação é voluntária e poderá ser revisto, a qualquer tempo, caso esses termos sejam alterados.

Desde março deste ano, o Reino Unido adotou novas regras de imigração, apertando cerco contra imigrantes no país. A principal mudança foi o aumento do salário mínimo exigido tanto para conseguir um visto de trabalho quanto para trazer um dependente: 38.700 libras brutas por ano (ou cerca de R$ 297 mil, na cotação atual).

Outros destaques das novas regras de imigração são: estudantes não poderão mais imigrar com dependentes, exceto se estiverem matriculados em cursos de pós-graduação designados como "programas de pesquisa".

Além disso, também não poderão mudar seu visto de estudante para um de trabalho antes da conclusão dos estudos.

O programa de retorno voluntário é oferecido aos imigrantes que não têm visto de permanência no Reino Unido. Para aderir ao programa, é preciso responder a alguns critérios, como ter passado o prazo de permanência do visto ou ter feito pedido de asilo. Pessoas que desejam retirar pedido de permanência no país ou aquelas que têm um atestado confirmando que são vítimas de escravidão moderna também podem ser elegíveis.

O serviço de retorno voluntário fornece até três mil libras (cerca de R$ 23.072 na cotação atual) em suporte financeiro para sair do país. O dinheiro é fornecido por meio de um cartão que somente pode ser usado no país de origem.

Os brasileiros estão entre as três nacionalidades que mais retornaram aos seus países no ano passado. Segundo informações contidas no site do Home Office, "no ano que terminou em 30 de setembro de 2023, "as principais nacionalidades entre os retornados foram albanesa (20%), indiana (15%) e brasileira (12%)".

A grande maioria das pessoas que chegou ao Reino Unido era de países fora da União Europeia. De acordo com o Itamaraty, existem 230 mil brasileiros vivendo atualmente naquela região. É a segunda maior comunidade brasileira na Europa, perdendo somente para Portugal, com 513 mil.

Morar e trabalhar na Inglaterra pode ser o sonho de muitos brasileiros, mas a realidade pode ser diferente daquela imaginada. Em outubro, a BBC News Brasil revelou a vida precária - com moradias em acampamentos - que muitos brasileiros levam naquele país, chamando o sonho de uma vida melhor de "ilusão".

O maior vilão é o alto custo de vida, reflexo de uma crise econômica que teve o auge em 2022, quando a inflação chegou aos dois dígitos, e em 2023, quando o país ficou oficialmente em recessão. Assim, a maior parte da população foi impactada com altas nos preços dos alimentos, de energia e, em especial, dos aluguéis que, só no último ano, subiram 8,4%.


https://tinyurl.com/2dt6zrc6
Morar e trabalhar na Inglaterra pode ser o sonho de muitos brasileiros, "mas a realidade pode ser diferente daquela imaginada".
A expressão destacada trata-se de uma oração: 
Alternativas
Q3992660 Português
Centenas de brasileiros voltaram do Reino Unido em voos bancados pelo governo britânico


O Itamaraty confirmou que mais de seiscentos brasileiros retornaram ao Brasil em três voos partindo de Londres entre agosto e setembro deste ano. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o retorno foi voluntário.

Segundo nota do Itamaraty, o governo do Reino Unido propôs organizar voos de retorno voluntário ao Brasil aos imigrantes brasileiros, realizados por companhias aéreas comerciais e bancados pelos britânicos.

O programa oferece passagens aéreas e auxílio financeiro para os migrantes que desejam retornar e se restabelecer em seu país de origem. O consentimento brasileiro ao programa, que está incorporado aos princípios de assistência consular brasileira, baseia-se no requisito de que a participação é voluntária e poderá ser revisto, a qualquer tempo, caso esses termos sejam alterados.

Desde março deste ano, o Reino Unido adotou novas regras de imigração, apertando cerco contra imigrantes no país. A principal mudança foi o aumento do salário mínimo exigido tanto para conseguir um visto de trabalho quanto para trazer um dependente: 38.700 libras brutas por ano (ou cerca de R$ 297 mil, na cotação atual).

Outros destaques das novas regras de imigração são: estudantes não poderão mais imigrar com dependentes, exceto se estiverem matriculados em cursos de pós-graduação designados como "programas de pesquisa".

Além disso, também não poderão mudar seu visto de estudante para um de trabalho antes da conclusão dos estudos.

O programa de retorno voluntário é oferecido aos imigrantes que não têm visto de permanência no Reino Unido. Para aderir ao programa, é preciso responder a alguns critérios, como ter passado o prazo de permanência do visto ou ter feito pedido de asilo. Pessoas que desejam retirar pedido de permanência no país ou aquelas que têm um atestado confirmando que são vítimas de escravidão moderna também podem ser elegíveis.

O serviço de retorno voluntário fornece até três mil libras (cerca de R$ 23.072 na cotação atual) em suporte financeiro para sair do país. O dinheiro é fornecido por meio de um cartão que somente pode ser usado no país de origem.

Os brasileiros estão entre as três nacionalidades que mais retornaram aos seus países no ano passado. Segundo informações contidas no site do Home Office, "no ano que terminou em 30 de setembro de 2023, "as principais nacionalidades entre os retornados foram albanesa (20%), indiana (15%) e brasileira (12%)".

A grande maioria das pessoas que chegou ao Reino Unido era de países fora da União Europeia. De acordo com o Itamaraty, existem 230 mil brasileiros vivendo atualmente naquela região. É a segunda maior comunidade brasileira na Europa, perdendo somente para Portugal, com 513 mil.

Morar e trabalhar na Inglaterra pode ser o sonho de muitos brasileiros, mas a realidade pode ser diferente daquela imaginada. Em outubro, a BBC News Brasil revelou a vida precária - com moradias em acampamentos - que muitos brasileiros levam naquele país, chamando o sonho de uma vida melhor de "ilusão".

O maior vilão é o alto custo de vida, reflexo de uma crise econômica que teve o auge em 2022, quando a inflação chegou aos dois dígitos, e em 2023, quando o país ficou oficialmente em recessão. Assim, a maior parte da população foi impactada com altas nos preços dos alimentos, de energia e, em especial, dos aluguéis que, só no último ano, subiram 8,4%.


https://tinyurl.com/2dt6zrc6
Pessoas que desejam retirar pedido de permanência no país ou aquelas que têm um atestado confirmando "que são vítimas de escravidão moderna" também podem ser elegíveis.
A expressão destacada trata-se de uma oração: 
Alternativas
Q3992659 Português
Centenas de brasileiros voltaram do Reino Unido em voos bancados pelo governo britânico


O Itamaraty confirmou que mais de seiscentos brasileiros retornaram ao Brasil em três voos partindo de Londres entre agosto e setembro deste ano. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o retorno foi voluntário.

Segundo nota do Itamaraty, o governo do Reino Unido propôs organizar voos de retorno voluntário ao Brasil aos imigrantes brasileiros, realizados por companhias aéreas comerciais e bancados pelos britânicos.

O programa oferece passagens aéreas e auxílio financeiro para os migrantes que desejam retornar e se restabelecer em seu país de origem. O consentimento brasileiro ao programa, que está incorporado aos princípios de assistência consular brasileira, baseia-se no requisito de que a participação é voluntária e poderá ser revisto, a qualquer tempo, caso esses termos sejam alterados.

Desde março deste ano, o Reino Unido adotou novas regras de imigração, apertando cerco contra imigrantes no país. A principal mudança foi o aumento do salário mínimo exigido tanto para conseguir um visto de trabalho quanto para trazer um dependente: 38.700 libras brutas por ano (ou cerca de R$ 297 mil, na cotação atual).

Outros destaques das novas regras de imigração são: estudantes não poderão mais imigrar com dependentes, exceto se estiverem matriculados em cursos de pós-graduação designados como "programas de pesquisa".

Além disso, também não poderão mudar seu visto de estudante para um de trabalho antes da conclusão dos estudos.

O programa de retorno voluntário é oferecido aos imigrantes que não têm visto de permanência no Reino Unido. Para aderir ao programa, é preciso responder a alguns critérios, como ter passado o prazo de permanência do visto ou ter feito pedido de asilo. Pessoas que desejam retirar pedido de permanência no país ou aquelas que têm um atestado confirmando que são vítimas de escravidão moderna também podem ser elegíveis.

O serviço de retorno voluntário fornece até três mil libras (cerca de R$ 23.072 na cotação atual) em suporte financeiro para sair do país. O dinheiro é fornecido por meio de um cartão que somente pode ser usado no país de origem.

Os brasileiros estão entre as três nacionalidades que mais retornaram aos seus países no ano passado. Segundo informações contidas no site do Home Office, "no ano que terminou em 30 de setembro de 2023, "as principais nacionalidades entre os retornados foram albanesa (20%), indiana (15%) e brasileira (12%)".

A grande maioria das pessoas que chegou ao Reino Unido era de países fora da União Europeia. De acordo com o Itamaraty, existem 230 mil brasileiros vivendo atualmente naquela região. É a segunda maior comunidade brasileira na Europa, perdendo somente para Portugal, com 513 mil.

Morar e trabalhar na Inglaterra pode ser o sonho de muitos brasileiros, mas a realidade pode ser diferente daquela imaginada. Em outubro, a BBC News Brasil revelou a vida precária - com moradias em acampamentos - que muitos brasileiros levam naquele país, chamando o sonho de uma vida melhor de "ilusão".

O maior vilão é o alto custo de vida, reflexo de uma crise econômica que teve o auge em 2022, quando a inflação chegou aos dois dígitos, e em 2023, quando o país ficou oficialmente em recessão. Assim, a maior parte da população foi impactada com altas nos preços dos alimentos, de energia e, em especial, dos aluguéis que, só no último ano, subiram 8,4%.


https://tinyurl.com/2dt6zrc6
O programa "oferece" passagens aéreas e auxílio financeiro para os migrantes que "desejam" retornar e se restabelecer em seu país de origem.
Conjugando os verbos destacados no futuro do pretérito do indicativo e no pretérito imperfeito do subjuntivo, respectivamente, tem-se: 
Alternativas
Q3992552 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Escolha ética do sujeito


    Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tornado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

     Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vitima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

    Para Jung, o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o indivíduo [...] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

    Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da específica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o maleficio fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.

(Silvério Tárrega. a editar)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Alternativas
Q3992551 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Escolha ética do sujeito


    Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tornado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

     Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vitima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

    Para Jung, o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o indivíduo [...] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

    Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da específica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o maleficio fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.

(Silvério Tárrega. a editar)
A complexa e contraditória moral do homem pode ser deduzida da seguinte passagem do texto:
Alternativas
Q3992460 Português
Atenção: Considere o trecho do romance A visão das plantas para responder à questão.


    Por maiores que fossem os cuidados do jardineiro, às plantas tanto lhes fazia viver ou morrer. Tanto lhes dava que ele se finasse no sono ou voltasse ao quintal todos os dias. Tanto lhes dava que tivesse encontrado nelas uma razão de viver ou as amasse.

   Se lhes faltasse a rega, murchariam. Não seria por mal, não o levavam a mal. Nada esperavam dele. Se em vez das mãos do jardineiro Celestino viessem outras em seu auxílio, decerto notariam, mas não porque se tivessem afeiçoado aos dedos do capitão, ou porque entre homem e jardim se tivesse estabelecido uma amizade.

  As plantas não estavam cientes da homologia. Desconheciam a sua forma e a ciência que as governava. Bebiam, existiam. Tinham até meio de se governarem sozinhas e de se manterem num compromisso com a terra, a chuva e o vento. Morresse o homem e, alforriadas, iniciariam a sua tomada da casa.


(ALMEIDA, Djaimilia Pereira de. A visão das plantas. Todavia, edição digital. Adaptado)
A vírgula foi empregada para separar itens de uma enumeração no trecho:
Alternativas
Q3992455 Português

Atenção: Considere o poema A poesia, de Francisco Alvim, para responder à questão.



Q7_9.png (238×537)

No pоеmа, 
Alternativas
Q3992452 Português
Atenção: Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão.

    
    "O Inferno são os outros" -diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Clos, e eu respondo: "eu que o diga!" Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler isto.

    Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), quе ита vez estávamos nós dois num bar e no meio da conversa ele disse fremente:

    - Isso é o maior verso da língua portuguesa!

    Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emília, Emília, Emília, eu não posso mais".


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. (4º parágrafo).

Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
Alternativas
Q3991652 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

DeepSeek, OpenAI, Microsoft, Alibaba, a água, a
Amazônia e a COP30


'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos; avanço da inteligência artificial depende de recurso escasso


Adriano Stringhini Professor da Fundação Dom Cabral, é membro do Imagine Brasil, do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV e do “Todos pela COP30”; ex-diretor da Sabesp


    Muito se tem falado sobre inteligência artificial após as versões 4.0 de DeepSeek e Alibaba surgirem. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que “iremos beber da fonte”. É nesse contexto que ouso emitir parcas reflexões sobre o impacto ambiental do avanço da IA no consumo de água e energia.

    Horas na Netflix, redes sociais, e-mails, transacionar criptomoedas. Tudo isso pede uma colossal infraestrutura global, “cidades data centers” e cabos que dariam mais de 80 voltas na Terra. Alimentar as plataformas online exige mais potência das máquinas, o que implica maior consumo de água e energia.

    A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que, em 2022, os data centers consumiram 460 terawatt-hora (TWh) de energia no planeta. Com o crescimento da IA, esse consumo aumentará para 1.050 TWh até 2026. O valor é o dobro do consumo anual de energia elétrica no Brasil, de aproximadamente 500 TWh. [...]

    Esses sistemas, a pleno vapor, precisam de ventilação para evitar o superaquecimento. Esse resfriamento, para ser eficiente (leia-se menor custo), utiliza muita água, um recurso escasso. Além disso, sabemos que os chips usados no treinamento de IA consomem muito mais água do que os de servidores comuns (acelerado pelo forte investimento em IA generativa em 2022). [...]

    Diante desse cenário, é preciso “beber da fonte”, mas devemos lembrar que nós somos a fonte. Brasil e a Amazônia são a fonte principal de água do mundo, que, ao final, é essencial para sistemas de IA. Água é energia — e, como bem lembrou o filme Matrix (1999), não há inteligência artificial sem energia.

    A Amazônia é um oceano subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, o que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Essa água nutre toda a vida da Amazônia, do planeta. O Saga seria capaz de abastecer o planeta inteiro durante 250 anos. São mais de 150 quatrilhões de litros de água doce, o nosso verdadeiro petróleo.

    Frise-se: não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers. O que proponho aqui é que a sociedade gaste tempo no Google pesquisando mais sobre como economizar água e levar saneamento para todos em vez de gastá-la pesquisando no Google, ChatGPT e DeepSeek qual dos três é melhor ou pior, ou mais ou menos seguro. Afinal, sem água no mundo, nenhum dos três irá funcionar.

    Na COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro, teremos a oportunidade de falar sobre a importância de ampliar o reúso da água para a refrigeração dos data centers, mas, principalmente, alertar o mundo sobre a necessidade de preservar a “Amazônia hídrica”, os rios voadores e os rios/oceanos subterrâneos. [...]

    Sem verde não há água; sem água não há verde; sem verde e sem água não há vida — nem natural nem artificial. Essa é a verdadeira “busca profunda” (“deep seek”) que devemos almejar: ampliar a resiliência e a consciência hídrica dos povos.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/deepseekopenai-microsoft-alibaba-a-agua-a-amazonia-e-a-cop30.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025. 
Assinale a alternativa em que o item “que” em destaque pode ser substituído por “qual” sem que isso prejudique a sintaxe e/ou a semântica do excerto. 
Alternativas
Q3991651 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

DeepSeek, OpenAI, Microsoft, Alibaba, a água, a
Amazônia e a COP30


'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos; avanço da inteligência artificial depende de recurso escasso


Adriano Stringhini Professor da Fundação Dom Cabral, é membro do Imagine Brasil, do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV e do “Todos pela COP30”; ex-diretor da Sabesp


    Muito se tem falado sobre inteligência artificial após as versões 4.0 de DeepSeek e Alibaba surgirem. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que “iremos beber da fonte”. É nesse contexto que ouso emitir parcas reflexões sobre o impacto ambiental do avanço da IA no consumo de água e energia.

    Horas na Netflix, redes sociais, e-mails, transacionar criptomoedas. Tudo isso pede uma colossal infraestrutura global, “cidades data centers” e cabos que dariam mais de 80 voltas na Terra. Alimentar as plataformas online exige mais potência das máquinas, o que implica maior consumo de água e energia.

    A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que, em 2022, os data centers consumiram 460 terawatt-hora (TWh) de energia no planeta. Com o crescimento da IA, esse consumo aumentará para 1.050 TWh até 2026. O valor é o dobro do consumo anual de energia elétrica no Brasil, de aproximadamente 500 TWh. [...]

    Esses sistemas, a pleno vapor, precisam de ventilação para evitar o superaquecimento. Esse resfriamento, para ser eficiente (leia-se menor custo), utiliza muita água, um recurso escasso. Além disso, sabemos que os chips usados no treinamento de IA consomem muito mais água do que os de servidores comuns (acelerado pelo forte investimento em IA generativa em 2022). [...]

    Diante desse cenário, é preciso “beber da fonte”, mas devemos lembrar que nós somos a fonte. Brasil e a Amazônia são a fonte principal de água do mundo, que, ao final, é essencial para sistemas de IA. Água é energia — e, como bem lembrou o filme Matrix (1999), não há inteligência artificial sem energia.

    A Amazônia é um oceano subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, o que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Essa água nutre toda a vida da Amazônia, do planeta. O Saga seria capaz de abastecer o planeta inteiro durante 250 anos. São mais de 150 quatrilhões de litros de água doce, o nosso verdadeiro petróleo.

    Frise-se: não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers. O que proponho aqui é que a sociedade gaste tempo no Google pesquisando mais sobre como economizar água e levar saneamento para todos em vez de gastá-la pesquisando no Google, ChatGPT e DeepSeek qual dos três é melhor ou pior, ou mais ou menos seguro. Afinal, sem água no mundo, nenhum dos três irá funcionar.

    Na COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro, teremos a oportunidade de falar sobre a importância de ampliar o reúso da água para a refrigeração dos data centers, mas, principalmente, alertar o mundo sobre a necessidade de preservar a “Amazônia hídrica”, os rios voadores e os rios/oceanos subterrâneos. [...]

    Sem verde não há água; sem água não há verde; sem verde e sem água não há vida — nem natural nem artificial. Essa é a verdadeira “busca profunda” (“deep seek”) que devemos almejar: ampliar a resiliência e a consciência hídrica dos povos.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/deepseekopenai-microsoft-alibaba-a-agua-a-amazonia-e-a-cop30.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025. 
Sobre a formação e a grafia das palavras “ex-diretor”, “criptomoedas”, “infraestrutura”, “superaquecimento”, “subterrâneo” e “reúso”, presentes no texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3991650 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

DeepSeek, OpenAI, Microsoft, Alibaba, a água, a
Amazônia e a COP30


'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos; avanço da inteligência artificial depende de recurso escasso


Adriano Stringhini Professor da Fundação Dom Cabral, é membro do Imagine Brasil, do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV e do “Todos pela COP30”; ex-diretor da Sabesp


    Muito se tem falado sobre inteligência artificial após as versões 4.0 de DeepSeek e Alibaba surgirem. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que “iremos beber da fonte”. É nesse contexto que ouso emitir parcas reflexões sobre o impacto ambiental do avanço da IA no consumo de água e energia.

    Horas na Netflix, redes sociais, e-mails, transacionar criptomoedas. Tudo isso pede uma colossal infraestrutura global, “cidades data centers” e cabos que dariam mais de 80 voltas na Terra. Alimentar as plataformas online exige mais potência das máquinas, o que implica maior consumo de água e energia.

    A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que, em 2022, os data centers consumiram 460 terawatt-hora (TWh) de energia no planeta. Com o crescimento da IA, esse consumo aumentará para 1.050 TWh até 2026. O valor é o dobro do consumo anual de energia elétrica no Brasil, de aproximadamente 500 TWh. [...]

    Esses sistemas, a pleno vapor, precisam de ventilação para evitar o superaquecimento. Esse resfriamento, para ser eficiente (leia-se menor custo), utiliza muita água, um recurso escasso. Além disso, sabemos que os chips usados no treinamento de IA consomem muito mais água do que os de servidores comuns (acelerado pelo forte investimento em IA generativa em 2022). [...]

    Diante desse cenário, é preciso “beber da fonte”, mas devemos lembrar que nós somos a fonte. Brasil e a Amazônia são a fonte principal de água do mundo, que, ao final, é essencial para sistemas de IA. Água é energia — e, como bem lembrou o filme Matrix (1999), não há inteligência artificial sem energia.

    A Amazônia é um oceano subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, o que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Essa água nutre toda a vida da Amazônia, do planeta. O Saga seria capaz de abastecer o planeta inteiro durante 250 anos. São mais de 150 quatrilhões de litros de água doce, o nosso verdadeiro petróleo.

    Frise-se: não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers. O que proponho aqui é que a sociedade gaste tempo no Google pesquisando mais sobre como economizar água e levar saneamento para todos em vez de gastá-la pesquisando no Google, ChatGPT e DeepSeek qual dos três é melhor ou pior, ou mais ou menos seguro. Afinal, sem água no mundo, nenhum dos três irá funcionar.

    Na COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro, teremos a oportunidade de falar sobre a importância de ampliar o reúso da água para a refrigeração dos data centers, mas, principalmente, alertar o mundo sobre a necessidade de preservar a “Amazônia hídrica”, os rios voadores e os rios/oceanos subterrâneos. [...]

    Sem verde não há água; sem água não há verde; sem verde e sem água não há vida — nem natural nem artificial. Essa é a verdadeira “busca profunda” (“deep seek”) que devemos almejar: ampliar a resiliência e a consciência hídrica dos povos.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/deepseekopenai-microsoft-alibaba-a-agua-a-amazonia-e-a-cop30.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025. 
Assinale a alternativa em que o uso da(s) vírgula(s) é facultativo do ponto de vista sintático. 
Alternativas
Q3991648 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

DeepSeek, OpenAI, Microsoft, Alibaba, a água, a
Amazônia e a COP30


'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos; avanço da inteligência artificial depende de recurso escasso


Adriano Stringhini Professor da Fundação Dom Cabral, é membro do Imagine Brasil, do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV e do “Todos pela COP30”; ex-diretor da Sabesp


    Muito se tem falado sobre inteligência artificial após as versões 4.0 de DeepSeek e Alibaba surgirem. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que “iremos beber da fonte”. É nesse contexto que ouso emitir parcas reflexões sobre o impacto ambiental do avanço da IA no consumo de água e energia.

    Horas na Netflix, redes sociais, e-mails, transacionar criptomoedas. Tudo isso pede uma colossal infraestrutura global, “cidades data centers” e cabos que dariam mais de 80 voltas na Terra. Alimentar as plataformas online exige mais potência das máquinas, o que implica maior consumo de água e energia.

    A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que, em 2022, os data centers consumiram 460 terawatt-hora (TWh) de energia no planeta. Com o crescimento da IA, esse consumo aumentará para 1.050 TWh até 2026. O valor é o dobro do consumo anual de energia elétrica no Brasil, de aproximadamente 500 TWh. [...]

    Esses sistemas, a pleno vapor, precisam de ventilação para evitar o superaquecimento. Esse resfriamento, para ser eficiente (leia-se menor custo), utiliza muita água, um recurso escasso. Além disso, sabemos que os chips usados no treinamento de IA consomem muito mais água do que os de servidores comuns (acelerado pelo forte investimento em IA generativa em 2022). [...]

    Diante desse cenário, é preciso “beber da fonte”, mas devemos lembrar que nós somos a fonte. Brasil e a Amazônia são a fonte principal de água do mundo, que, ao final, é essencial para sistemas de IA. Água é energia — e, como bem lembrou o filme Matrix (1999), não há inteligência artificial sem energia.

    A Amazônia é um oceano subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, o que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Essa água nutre toda a vida da Amazônia, do planeta. O Saga seria capaz de abastecer o planeta inteiro durante 250 anos. São mais de 150 quatrilhões de litros de água doce, o nosso verdadeiro petróleo.

    Frise-se: não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers. O que proponho aqui é que a sociedade gaste tempo no Google pesquisando mais sobre como economizar água e levar saneamento para todos em vez de gastá-la pesquisando no Google, ChatGPT e DeepSeek qual dos três é melhor ou pior, ou mais ou menos seguro. Afinal, sem água no mundo, nenhum dos três irá funcionar.

    Na COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro, teremos a oportunidade de falar sobre a importância de ampliar o reúso da água para a refrigeração dos data centers, mas, principalmente, alertar o mundo sobre a necessidade de preservar a “Amazônia hídrica”, os rios voadores e os rios/oceanos subterrâneos. [...]

    Sem verde não há água; sem água não há verde; sem verde e sem água não há vida — nem natural nem artificial. Essa é a verdadeira “busca profunda” (“deep seek”) que devemos almejar: ampliar a resiliência e a consciência hídrica dos povos.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/deepseekopenai-microsoft-alibaba-a-agua-a-amazonia-e-a-cop30.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025. 
A respeito das relações sintático-semânticas estabelecidas entre partes do texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3991647 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

DeepSeek, OpenAI, Microsoft, Alibaba, a água, a
Amazônia e a COP30


'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos; avanço da inteligência artificial depende de recurso escasso


Adriano Stringhini Professor da Fundação Dom Cabral, é membro do Imagine Brasil, do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV e do “Todos pela COP30”; ex-diretor da Sabesp


    Muito se tem falado sobre inteligência artificial após as versões 4.0 de DeepSeek e Alibaba surgirem. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que “iremos beber da fonte”. É nesse contexto que ouso emitir parcas reflexões sobre o impacto ambiental do avanço da IA no consumo de água e energia.

    Horas na Netflix, redes sociais, e-mails, transacionar criptomoedas. Tudo isso pede uma colossal infraestrutura global, “cidades data centers” e cabos que dariam mais de 80 voltas na Terra. Alimentar as plataformas online exige mais potência das máquinas, o que implica maior consumo de água e energia.

    A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que, em 2022, os data centers consumiram 460 terawatt-hora (TWh) de energia no planeta. Com o crescimento da IA, esse consumo aumentará para 1.050 TWh até 2026. O valor é o dobro do consumo anual de energia elétrica no Brasil, de aproximadamente 500 TWh. [...]

    Esses sistemas, a pleno vapor, precisam de ventilação para evitar o superaquecimento. Esse resfriamento, para ser eficiente (leia-se menor custo), utiliza muita água, um recurso escasso. Além disso, sabemos que os chips usados no treinamento de IA consomem muito mais água do que os de servidores comuns (acelerado pelo forte investimento em IA generativa em 2022). [...]

    Diante desse cenário, é preciso “beber da fonte”, mas devemos lembrar que nós somos a fonte. Brasil e a Amazônia são a fonte principal de água do mundo, que, ao final, é essencial para sistemas de IA. Água é energia — e, como bem lembrou o filme Matrix (1999), não há inteligência artificial sem energia.

    A Amazônia é um oceano subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, o que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Essa água nutre toda a vida da Amazônia, do planeta. O Saga seria capaz de abastecer o planeta inteiro durante 250 anos. São mais de 150 quatrilhões de litros de água doce, o nosso verdadeiro petróleo.

    Frise-se: não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers. O que proponho aqui é que a sociedade gaste tempo no Google pesquisando mais sobre como economizar água e levar saneamento para todos em vez de gastá-la pesquisando no Google, ChatGPT e DeepSeek qual dos três é melhor ou pior, ou mais ou menos seguro. Afinal, sem água no mundo, nenhum dos três irá funcionar.

    Na COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro, teremos a oportunidade de falar sobre a importância de ampliar o reúso da água para a refrigeração dos data centers, mas, principalmente, alertar o mundo sobre a necessidade de preservar a “Amazônia hídrica”, os rios voadores e os rios/oceanos subterrâneos. [...]

    Sem verde não há água; sem água não há verde; sem verde e sem água não há vida — nem natural nem artificial. Essa é a verdadeira “busca profunda” (“deep seek”) que devemos almejar: ampliar a resiliência e a consciência hídrica dos povos.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/deepseekopenai-microsoft-alibaba-a-agua-a-amazonia-e-a-cop30.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025. 
Assinale a alternativa em que o termo destacado pode ser substituído pelo que está entre parênteses sem que isso altere o sentido geral do excerto. 
Alternativas
Q3991644 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

DeepSeek, OpenAI, Microsoft, Alibaba, a água, a
Amazônia e a COP30


'Busca profunda' que devemos almejar é ampliar a consciência hídrica dos povos; avanço da inteligência artificial depende de recurso escasso


Adriano Stringhini Professor da Fundação Dom Cabral, é membro do Imagine Brasil, do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV e do “Todos pela COP30”; ex-diretor da Sabesp


    Muito se tem falado sobre inteligência artificial após as versões 4.0 de DeepSeek e Alibaba surgirem. A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, diz que “iremos beber da fonte”. É nesse contexto que ouso emitir parcas reflexões sobre o impacto ambiental do avanço da IA no consumo de água e energia.

    Horas na Netflix, redes sociais, e-mails, transacionar criptomoedas. Tudo isso pede uma colossal infraestrutura global, “cidades data centers” e cabos que dariam mais de 80 voltas na Terra. Alimentar as plataformas online exige mais potência das máquinas, o que implica maior consumo de água e energia.

    A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que, em 2022, os data centers consumiram 460 terawatt-hora (TWh) de energia no planeta. Com o crescimento da IA, esse consumo aumentará para 1.050 TWh até 2026. O valor é o dobro do consumo anual de energia elétrica no Brasil, de aproximadamente 500 TWh. [...]

    Esses sistemas, a pleno vapor, precisam de ventilação para evitar o superaquecimento. Esse resfriamento, para ser eficiente (leia-se menor custo), utiliza muita água, um recurso escasso. Além disso, sabemos que os chips usados no treinamento de IA consomem muito mais água do que os de servidores comuns (acelerado pelo forte investimento em IA generativa em 2022). [...]

    Diante desse cenário, é preciso “beber da fonte”, mas devemos lembrar que nós somos a fonte. Brasil e a Amazônia são a fonte principal de água do mundo, que, ao final, é essencial para sistemas de IA. Água é energia — e, como bem lembrou o filme Matrix (1999), não há inteligência artificial sem energia.

    A Amazônia é um oceano subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, o que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Essa água nutre toda a vida da Amazônia, do planeta. O Saga seria capaz de abastecer o planeta inteiro durante 250 anos. São mais de 150 quatrilhões de litros de água doce, o nosso verdadeiro petróleo.

    Frise-se: não estou sugerindo que se use água da Amazônia para resfriar data centers. O que proponho aqui é que a sociedade gaste tempo no Google pesquisando mais sobre como economizar água e levar saneamento para todos em vez de gastá-la pesquisando no Google, ChatGPT e DeepSeek qual dos três é melhor ou pior, ou mais ou menos seguro. Afinal, sem água no mundo, nenhum dos três irá funcionar.

    Na COP30, que ocorrerá em Belém, em novembro, teremos a oportunidade de falar sobre a importância de ampliar o reúso da água para a refrigeração dos data centers, mas, principalmente, alertar o mundo sobre a necessidade de preservar a “Amazônia hídrica”, os rios voadores e os rios/oceanos subterrâneos. [...]

    Sem verde não há água; sem água não há verde; sem verde e sem água não há vida — nem natural nem artificial. Essa é a verdadeira “busca profunda” (“deep seek”) que devemos almejar: ampliar a resiliência e a consciência hídrica dos povos.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/02/deepseekopenai-microsoft-alibaba-a-agua-a-amazonia-e-a-cop30.shtml. Acesso em: 26 mar. 2025. 
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q3991119 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão

Texto 2

Do burnout ao propósito: a nova jornada
psicológica nas organizações

Caminho consiste em abordagens preventivas, que
fomentem um ciclo virtuoso de produtividade,
comprometimento e bem-estar

Clécio Branco

O trabalho sempre ocupou um lugar central em nossas vidas – mas raramente a saúde de quem trabalha foi tratada com a mesma importância. Isso começa a mudar, ainda que lentamente. Agora, até mesmo a linguagem normativa dá sinais de transformação: a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais – como ansiedade, estresse e depressão – como parte da realidade que precisa ser cuidada no ambiente laboral.

Esse avanço regulatório é consequência de um cenário que já vinha se agravando: o crescimento dos transtornos mentais associados ao trabalho, os altos índices de afastamento e a dificuldade de retenção e engajamento dos profissionais. O adoecimento psíquico se tornou, infelizmente, uma marca da era contemporânea.

Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado. Os departamentos de pessoal, no passado, limitavam-se à lógica da produtividade. A saúde mental só passou a ser levada a sério quando os impactos econômicos do esgotamento se tornaram evidentes.

Hoje, a transformação é mais profunda. Vivemos na chamada sociedade do desempenho, em que a pressão não vem apenas do chefe: ela está internalizada. Cada profissional tornou-se gestor de si mesmo, cobrando-se o tempo todo, respondendo a e-mails no jantar, gerenciando metas pessoais como se fosse uma empresa. O telefone celular se transformou no símbolo dessa vigilância constante, dissolvendo as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida.

Nesse contexto, o trabalho deixou de ser apenas atividade e passou a ser identidade. E isso trouxe consequências. Condições como burnout, déficit de atenção e ansiedade crônica têm se tornado comuns – não por fragilidade individual, mas por estruturas que não reconhecem limites humanos.

As novas gerações não se reconhecem mais nos modelos tradicionais. A ideia de uma carreira estável numa única empresa parece anacrônica. Ganha espaço uma busca por propósito, por coerência entre o que se faz e o que se acredita. O trabalhador contemporâneo quer mais do que salário: quer sentido, autonomia e saúde emocional.

Esse cenário exige um novo olhar das empresas. A "ecosofia", proposta pelo filósofo Félix Guattari, oferece uma chave de leitura interessante ao propor o cuidado simultâneo com três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa. Negligenciar uma dessas esferas compromete o sistema como um todo.

A saúde no trabalho, portanto, não pode mais ser pensada apenas como ergonomia ou ergonomia emocional. É preciso ir além dos benefícios pontuais e promover uma mudança cultural real – onde cuidar da mente não seja exceção, mas prática cotidiana.

Apesar do avanço tecnológico, as relações de trabalho não acompanharam essa evolução. Elas se tornaram mais líquidas, mais impessoais e, muitas vezes, mais desumanas. Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação.

Sem saúde, a realização pessoal torna-se inviável; sem realização, o engajamento sustentável é impossível. O caminho consiste em políticas eficazes de saúde ocupacional, com abordagens preventivas, que fomentem um ciclo virtuoso de produtividade, comprometimento e bem-estar nas organizações.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/doburnout-ao-proposito-a-nova-jornada-psicologica-nasorganizacoes.shtml. Acesso em: 30 jun. 2025.
Assinale a alternativa que analisa corretamente o excerto “A ideia de uma carreira estável numa única empresa parece anacrônica. Ganha espaço uma busca por propósito [...]”. 
Alternativas
Q3991118 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão

Texto 2

Do burnout ao propósito: a nova jornada
psicológica nas organizações

Caminho consiste em abordagens preventivas, que
fomentem um ciclo virtuoso de produtividade,
comprometimento e bem-estar

Clécio Branco

O trabalho sempre ocupou um lugar central em nossas vidas – mas raramente a saúde de quem trabalha foi tratada com a mesma importância. Isso começa a mudar, ainda que lentamente. Agora, até mesmo a linguagem normativa dá sinais de transformação: a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais – como ansiedade, estresse e depressão – como parte da realidade que precisa ser cuidada no ambiente laboral.

Esse avanço regulatório é consequência de um cenário que já vinha se agravando: o crescimento dos transtornos mentais associados ao trabalho, os altos índices de afastamento e a dificuldade de retenção e engajamento dos profissionais. O adoecimento psíquico se tornou, infelizmente, uma marca da era contemporânea.

Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado. Os departamentos de pessoal, no passado, limitavam-se à lógica da produtividade. A saúde mental só passou a ser levada a sério quando os impactos econômicos do esgotamento se tornaram evidentes.

Hoje, a transformação é mais profunda. Vivemos na chamada sociedade do desempenho, em que a pressão não vem apenas do chefe: ela está internalizada. Cada profissional tornou-se gestor de si mesmo, cobrando-se o tempo todo, respondendo a e-mails no jantar, gerenciando metas pessoais como se fosse uma empresa. O telefone celular se transformou no símbolo dessa vigilância constante, dissolvendo as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida.

Nesse contexto, o trabalho deixou de ser apenas atividade e passou a ser identidade. E isso trouxe consequências. Condições como burnout, déficit de atenção e ansiedade crônica têm se tornado comuns – não por fragilidade individual, mas por estruturas que não reconhecem limites humanos.

As novas gerações não se reconhecem mais nos modelos tradicionais. A ideia de uma carreira estável numa única empresa parece anacrônica. Ganha espaço uma busca por propósito, por coerência entre o que se faz e o que se acredita. O trabalhador contemporâneo quer mais do que salário: quer sentido, autonomia e saúde emocional.

Esse cenário exige um novo olhar das empresas. A "ecosofia", proposta pelo filósofo Félix Guattari, oferece uma chave de leitura interessante ao propor o cuidado simultâneo com três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa. Negligenciar uma dessas esferas compromete o sistema como um todo.

A saúde no trabalho, portanto, não pode mais ser pensada apenas como ergonomia ou ergonomia emocional. É preciso ir além dos benefícios pontuais e promover uma mudança cultural real – onde cuidar da mente não seja exceção, mas prática cotidiana.

Apesar do avanço tecnológico, as relações de trabalho não acompanharam essa evolução. Elas se tornaram mais líquidas, mais impessoais e, muitas vezes, mais desumanas. Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação.

Sem saúde, a realização pessoal torna-se inviável; sem realização, o engajamento sustentável é impossível. O caminho consiste em políticas eficazes de saúde ocupacional, com abordagens preventivas, que fomentem um ciclo virtuoso de produtividade, comprometimento e bem-estar nas organizações.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/doburnout-ao-proposito-a-nova-jornada-psicologica-nasorganizacoes.shtml. Acesso em: 30 jun. 2025.
No excerto “Cada profissional tornou-se gestor de si mesmo [...], gerenciando metas pessoais como se fosse uma empresa.”, o termo destacado sinaliza a presença de qual figura de linguagem?
Alternativas
Q3991117 Português
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Texto 2

Do burnout ao propósito: a nova jornada
psicológica nas organizações

Caminho consiste em abordagens preventivas, que
fomentem um ciclo virtuoso de produtividade,
comprometimento e bem-estar

Clécio Branco

O trabalho sempre ocupou um lugar central em nossas vidas – mas raramente a saúde de quem trabalha foi tratada com a mesma importância. Isso começa a mudar, ainda que lentamente. Agora, até mesmo a linguagem normativa dá sinais de transformação: a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais – como ansiedade, estresse e depressão – como parte da realidade que precisa ser cuidada no ambiente laboral.

Esse avanço regulatório é consequência de um cenário que já vinha se agravando: o crescimento dos transtornos mentais associados ao trabalho, os altos índices de afastamento e a dificuldade de retenção e engajamento dos profissionais. O adoecimento psíquico se tornou, infelizmente, uma marca da era contemporânea.

Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado. Os departamentos de pessoal, no passado, limitavam-se à lógica da produtividade. A saúde mental só passou a ser levada a sério quando os impactos econômicos do esgotamento se tornaram evidentes.

Hoje, a transformação é mais profunda. Vivemos na chamada sociedade do desempenho, em que a pressão não vem apenas do chefe: ela está internalizada. Cada profissional tornou-se gestor de si mesmo, cobrando-se o tempo todo, respondendo a e-mails no jantar, gerenciando metas pessoais como se fosse uma empresa. O telefone celular se transformou no símbolo dessa vigilância constante, dissolvendo as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida.

Nesse contexto, o trabalho deixou de ser apenas atividade e passou a ser identidade. E isso trouxe consequências. Condições como burnout, déficit de atenção e ansiedade crônica têm se tornado comuns – não por fragilidade individual, mas por estruturas que não reconhecem limites humanos.

As novas gerações não se reconhecem mais nos modelos tradicionais. A ideia de uma carreira estável numa única empresa parece anacrônica. Ganha espaço uma busca por propósito, por coerência entre o que se faz e o que se acredita. O trabalhador contemporâneo quer mais do que salário: quer sentido, autonomia e saúde emocional.

Esse cenário exige um novo olhar das empresas. A "ecosofia", proposta pelo filósofo Félix Guattari, oferece uma chave de leitura interessante ao propor o cuidado simultâneo com três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa. Negligenciar uma dessas esferas compromete o sistema como um todo.

A saúde no trabalho, portanto, não pode mais ser pensada apenas como ergonomia ou ergonomia emocional. É preciso ir além dos benefícios pontuais e promover uma mudança cultural real – onde cuidar da mente não seja exceção, mas prática cotidiana.

Apesar do avanço tecnológico, as relações de trabalho não acompanharam essa evolução. Elas se tornaram mais líquidas, mais impessoais e, muitas vezes, mais desumanas. Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação.

Sem saúde, a realização pessoal torna-se inviável; sem realização, o engajamento sustentável é impossível. O caminho consiste em políticas eficazes de saúde ocupacional, com abordagens preventivas, que fomentem um ciclo virtuoso de produtividade, comprometimento e bem-estar nas organizações.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/doburnout-ao-proposito-a-nova-jornada-psicologica-nasorganizacoes.shtml. Acesso em: 30 jun. 2025.
Assinale a alternativa que analisa corretamente a função do(s) elemento(s) destacado(s). 
Alternativas
Q3991116 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão

Texto 2

Do burnout ao propósito: a nova jornada
psicológica nas organizações

Caminho consiste em abordagens preventivas, que
fomentem um ciclo virtuoso de produtividade,
comprometimento e bem-estar

Clécio Branco

O trabalho sempre ocupou um lugar central em nossas vidas – mas raramente a saúde de quem trabalha foi tratada com a mesma importância. Isso começa a mudar, ainda que lentamente. Agora, até mesmo a linguagem normativa dá sinais de transformação: a nova redação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que entra em vigor neste mês, passa a reconhecer os riscos psicossociais – como ansiedade, estresse e depressão – como parte da realidade que precisa ser cuidada no ambiente laboral.

Esse avanço regulatório é consequência de um cenário que já vinha se agravando: o crescimento dos transtornos mentais associados ao trabalho, os altos índices de afastamento e a dificuldade de retenção e engajamento dos profissionais. O adoecimento psíquico se tornou, infelizmente, uma marca da era contemporânea.

Desde os primórdios da industrialização, o bem-estar dos trabalhadores foi negligenciado. Os departamentos de pessoal, no passado, limitavam-se à lógica da produtividade. A saúde mental só passou a ser levada a sério quando os impactos econômicos do esgotamento se tornaram evidentes.

Hoje, a transformação é mais profunda. Vivemos na chamada sociedade do desempenho, em que a pressão não vem apenas do chefe: ela está internalizada. Cada profissional tornou-se gestor de si mesmo, cobrando-se o tempo todo, respondendo a e-mails no jantar, gerenciando metas pessoais como se fosse uma empresa. O telefone celular se transformou no símbolo dessa vigilância constante, dissolvendo as fronteiras entre tempo de trabalho e tempo de vida.

Nesse contexto, o trabalho deixou de ser apenas atividade e passou a ser identidade. E isso trouxe consequências. Condições como burnout, déficit de atenção e ansiedade crônica têm se tornado comuns – não por fragilidade individual, mas por estruturas que não reconhecem limites humanos.

As novas gerações não se reconhecem mais nos modelos tradicionais. A ideia de uma carreira estável numa única empresa parece anacrônica. Ganha espaço uma busca por propósito, por coerência entre o que se faz e o que se acredita. O trabalhador contemporâneo quer mais do que salário: quer sentido, autonomia e saúde emocional.

Esse cenário exige um novo olhar das empresas. A "ecosofia", proposta pelo filósofo Félix Guattari, oferece uma chave de leitura interessante ao propor o cuidado simultâneo com três dimensões: o ambiente, as relações sociais e o mundo interno de cada pessoa. Negligenciar uma dessas esferas compromete o sistema como um todo.

A saúde no trabalho, portanto, não pode mais ser pensada apenas como ergonomia ou ergonomia emocional. É preciso ir além dos benefícios pontuais e promover uma mudança cultural real – onde cuidar da mente não seja exceção, mas prática cotidiana.

Apesar do avanço tecnológico, as relações de trabalho não acompanharam essa evolução. Elas se tornaram mais líquidas, mais impessoais e, muitas vezes, mais desumanas. Normas como a NR-17 já apontavam para fatores biopsicossociais, mas a mudança necessária não virá apenas por meio da legislação.

Sem saúde, a realização pessoal torna-se inviável; sem realização, o engajamento sustentável é impossível. O caminho consiste em políticas eficazes de saúde ocupacional, com abordagens preventivas, que fomentem um ciclo virtuoso de produtividade, comprometimento e bem-estar nas organizações.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/doburnout-ao-proposito-a-nova-jornada-psicologica-nasorganizacoes.shtml. Acesso em: 30 jun. 2025.
Assinale a alternativa em que a expressão destacada aponta para um referente do contexto extralinguístico. 
Alternativas
Respostas
19381: D
19382: B
19383: A
19384: C
19385: C
19386: D
19387: E
19388: E
19389: E
19390: B
19391: C
19392: B
19393: A
19394: B
19395: D
19396: E
19397: B
19398: D
19399: C
19400: A