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Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. (4º parágrafo). ...

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Q3992452 Português
Atenção: Considere o início da crônica "Sobre o inferno", de Rubem Braga, para responder à questão.

    
    "O Inferno são os outros" -diz esse desagradável senhor Sartre no final de Huis Clos, e eu respondo: "eu que o diga!" Hoje estou com pendor para confissões; vontade de abrir meu peito em praça pública; quem for pessoa discreta, e se aborrecer com derrames desses, tenha a bondade de não continuar a ler isto.

    Conheci um homem que estava tão apaixonado, tão apaixonado por uma mulher (acho que ela não gostava dele), quе ита vez estávamos nós dois num bar e no meio da conversa ele disse fremente:

    - Isso é o maior verso da língua portuguesa!

    Fiquei pateta, pois não escutara verso nenhum. Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. Havia conversas na mesa ao lado, ruídos vários lá dentro, autos e ônibus que passavam, um bonde na outra rua, um violoncelo tocando num rádio qualquer, e lá no finzinho disso, longe, longe, um outro rádio com o samba que mal se podia ouvir e só era reconhecível pelos fragmentos de música que nos chegavam. O maior verso da língua portuguesa estava na letra daquele samba e avisava que "Emília, Emília, Emília, eu não posso mais".


(Adaptado de: BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2017)
Ele então pediu silêncio, e que ouvisse. (4º parágrafo).

Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em "Ele então pediu silêncio, e que ouvisse.", a estrutura é de discurso indireto com verbo de solicitação: "pediu" rege uma oração com "que" + subjuntivo, e isso marca um pedido dirigido ao interlocutor. Ao transpor esse conteúdo para o discurso direto, o valor verbal deixa de ser relato subordinado e passa a ser formulação direta do pedido, exigindo a forma injuntiva correspondente para "você": "ouça".

Tema central: discurso indireto e direto
Análise das alternativas
A
Errada
"ouço" está na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo e expressa fala do eu, não pedido dirigido ao interlocutor. A transposição exigida não é para enunciação do narrador, mas para reprodução direta de uma solicitação.
B
Certa
A alternativa B está correta porque traduz corretamente, em fala direta, o conteúdo de solicitação presente em "pediu ... que ouvisse". No discurso indireto, o pedido aparece subordinado e no subjuntivo; no direto, esse mesmo pedido deve ser enunciado diretamente ao interlocutor, com valor de imperativo. Para o tratamento de "você", a forma adequada é "ouça".
C
Errada
"ouviu" está no pretérito perfeito do indicativo e indica fato consumado. Isso quebra o valor de pedido existente em "pediu ... que ouvisse", que, no discurso direto, deve aparecer como ordem ou solicitação, não como ação já realizada.
D
Errada
"ouvi" está na 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo. Além de mudar a pessoa verbal, transforma o conteúdo em relato de ação passada, quando o trecho original veicula um pedido ao interlocutor.
E
Errada
"ouvia" está no pretérito imperfeito do indicativo, com valor descritivo ou habitual, inadequado para formular pedido direto. A semelhança sonora com "ouvisse" não autoriza a troca, porque o critério decisivo é a função discursiva de solicitação.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre converter a forma verbal por semelhança morfológica e converter pelo valor discursivo da construção. Como "pediu" introduz um pedido, "que ouvisse" não vai para uma forma do passado nem do indicativo: vai para a formulação direta da solicitação, "ouça".
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro o valor do verbo introdutor: se ele indica pedido, ordem ou solicitação, a fala direta tende a assumir forma injuntiva.
  • Em estruturas de discurso indireto com "que" + subjuntivo, não converta o verbo por semelhança de tempo; converta pela função que ele exerce no enunciado.
  • Na passagem para o discurso direto, verifique se o conteúdo passa a ser dirigido ao interlocutor; se passar, a forma verbal deve refletir essa interlocução direta.

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Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

O discurso direto é a reprodução exata, literal e fiel da fala de uma personagem ou interlocutor

Verbos que indica quem fala como: disse , respondeu

Gabarito B

na minha cabeça: ouva

assertiva: ouça

eheheheheh

direta: Então ele disse: Silêncio! Ouça!

Presente do subjuntivo, futuro do subjuntivo e imperativo vira preterito do subjuntivo

GABARITO - B

O discurso direto é caracterizado por ser uma transcrição exata da fala das personagens, sem participação do narrador.

O que é o discurso indireto?

O discurso indireto é caracterizado por ser uma intervenção do narrador no discurso ao utilizar as suas próprias palavras para reproduzir as falas das personagens.

A aluna afirmou:

— Preciso estudar muito para o teste.

discurso indireto:

A aluna afirmara que precisava estudar muito para o teste.

DISCURSO DIRETO

• Citação fiel, retratando as exatas palavras do personagem

• Narrado em 1º pessoa (BIZU: lembre-se do próprio personagem falando)

• Presença de dois pontos, travessões ou aspas para marcar as falas

Exemplo: O aluno afirmou: “sou inteligente”

Exemplo: Ela perguntou: “você gostou?”

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