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Q3992552 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Escolha ética do sujeito


    Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tornado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

     Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vitima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

    Para Jung, o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o indivíduo [...] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

    Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da específica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o maleficio fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.

(Silvério Tárrega. a editar)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Como o comando exige identificar a alternativa que traduz adequadamente o sentido do trecho, o critério é a equivalência semântica contextual. No segmento “Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vitima:”, “faz compreender” equivale a fazer entender/dar-se conta, e “condicionante decisiva” aponta para o fator determinante; por isso, a alternativa D é a que preserva o núcleo de sentido exigido pelo enunciado.

Tema central: equivalência semântica contextual
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque “sem sombra de reflexão mais séria” significa ausência total de reflexão séria, como mostra o trecho “à ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria.” A paráfrase troca “reflexão” por “revelação” e atribui a “sombra” um valor estranho ao contexto, ao propor “menos sombria”.
B
Errada
Está errada porque “acatamento irrefletido de uma escolha” significa aceitação ou submissão acrítica a uma escolha, conforme “o maleficio fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.” A reescrita desloca o sentido para “sujeição da crítica” e acrescenta “uma única opção”, elementos ausentes do texto.
C
Errada
Está errada porque “risco iminente de se sucumbir” significa perigo próximo ou imediato de ceder/submeter-se, como em “Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele.” A alternativa troca “iminente” por “transitório” e reduz “sucumbir” a “deixar-se tentar”, sentido mais fraco do que o do texto.
D
Certa
A alternativa D é correta porque mantém os dois núcleos semânticos do segmento original: compreensão e determinação. No contexto, “faz compreender” corresponde a levar à percepção, isto é, “dar-se conta”; e “condicionante decisiva” designa o elemento que condiciona e determina o “sucumbir” mencionado. Embora “cláusula” seja menos precisa que “condicionante”, a paráfrase conserva a ideia central e é a única opção semanticamente aceitável.
E
Errada
Está errada porque “ater-se cegamente” significa prender-se ou submeter-se sem exame crítico, como no trecho “o indivíduo [...] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade”. A paráfrase introduz “fé”, que não está no texto, e “irresoluto”, que contraria o valor de adesão cega.
Pegadinha da questão
A banca explorou trocas vocabulares apenas aparentemente próximas, mas semanticamente inadequadas no contexto, como “iminente” por “transitório”, “reflexão” por “revelação” e “ater-se cegamente” por ter “fé de modo irresoluto”. Também dificultou o reconhecimento da correta com o termo menos preciso “cláusula”, sem afetar o sentido global.
Dica para questões semelhantes
  • Em comando de paráfrase, verifique se a alternativa preserva o sentido do segmento inteiro, e não só de uma palavra isolada.
  • Elimine opções que acrescentem traços semânticos ausentes no texto, como “fé”, “única opção” ou “transitório”.
  • Em expressões contextuais como “sem sombra de” e “ater-se cegamente”, priorize o valor global da expressão no trecho, não o sentido literal de cada palavra.

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Comentários

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Aos que ficaram na dúvida em relação ao item E:

Significado de Irresoluto: algo sem resolução; que não se pode resolver: jogo irresoluto.

A banca provavelmente tentou confundir o candidato ao empregar o termo “irresoluto” em vez de “irredutível”.

Irresoluto: hesitante, incerto, indeciso, indefinido, inseguro, mutante, oscilante, titubeante, vacilante, vago.

Quem fez essa prova foi a FGV, não é possível.

Errei, fui mlk. :L

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