A complexa e contraditória moral do homem pode ser deduzida ...

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Q3992551 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Escolha ética do sujeito


    Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tornado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

     Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vitima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

    Para Jung, o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o indivíduo [...] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

    Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da específica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o maleficio fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.

(Silvério Tárrega. a editar)
A complexa e contraditória moral do homem pode ser deduzida da seguinte passagem do texto:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério é semântico-textual: o comando pede a passagem que sintetiza a ideia de moral humana complexa e contraditória, e o trecho decisivo é "Para Jung, o bem e o mal \"constituem, juntamente, um todo paradoxal\".". Como essa formulação explicita a coexistência contraditória entre os polos morais, ela conduz ao gabarito E.

Tema central: moral humana paradoxal
Análise das alternativas
A
Errada
O trecho fala em submissão à "ideologia mais confortável e simplificadora", isto é, mostra uma fuga da complexidade moral. Trata-se de exemplo de comportamento humano derivado do problema discutido, não da passagem que define a moral como contraditória.
B
Errada
A expressão "nosso acatamento irrefletido de uma escolha" nomeia uma postura de adesão acrítica. Isso descreve uma consequência da dificuldade moral e da simplificação dos valores, mas não explicita a estrutura paradoxal da moral humana.
C
Errada
Esse trecho focaliza apenas o risco de sucumbir ao mal. Como a questão pede a passagem que revela a moral complexa e contraditória, seria necessário o enunciado da coexistência entre bem e mal; a menção isolada ao mal é semanticamente insuficiente.
D
Errada
O trecho trata da "submissão sem volta" a valores já firmados e cristalizados, isto é, critica a prisão em polarizações mecânicas. Ele denuncia a simplificação moral, mas não formula positivamente a moral humana como paradoxal.
E
Certa
A alternativa E está correta porque contém a formulação central do texto: bem e mal aparecem como realidade conjunta e paradoxal. Essa é a passagem que permite deduzir diretamente a moral humana como complexa e contraditória, conforme exige o comando.
Pegadinha da questão
A banca opõe a tese central do texto aos seus desdobramentos: várias alternativas trazem exemplos de submissão, simplificação ou automatismo moral, mas a resposta correta é a única que enuncia diretamente a contradição constitutiva entre bem e mal.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando pedir a passagem de que se deduz uma ideia geral, procure o trecho mais conceitual, não um exemplo comportamental.
  • Diferencie tese de consequência: crítica à simplificação moral não é o mesmo que definição da moral humana.
  • Em interpretação, localize a palavra-chave do comando no texto; aqui, a noção decisiva estava condensada em "todo paradoxal".

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Comentários

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Gabarito letra E

A palavra "paradoxal" ajudou muito.

A

nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificada. - SUBMETE - CONFORTAVEL

B

nosso acatamento irrefletido de uma escolha. - ACATAR IRREFLETIR - NÃO TEM LUTA

C

Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. EU ESCOLHI E JÁ SEI O RISCO

D

nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados. JÁ SUBMETI E PRONTO

E

o bem e o mal "constituem, juntamente, um todo paradoxal". - BEM DIFERENTE DE MAL, PARADOXO.

Paradoxal = Contraditório. Daí já ajudou muito.

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ChatGPT/Gemini

E) o bem e o mal “constituem, juntamente, um todo paradoxal”.

Comentário

A questão pede a passagem que permite deduzir a complexidade e contradição da moral humana.

A palavra-chave é justamente:

  • “paradoxal” → algo contraditório, complexo, que reúne elementos aparentemente opostos.

Quando Carl Gustav Jung afirma que: “o bem e o mal constituem, juntamente, um todo paradoxal”,

ele mostra que a moral humana não é simples nem totalmente separada entre “bem absoluto” e “mal absoluto”. Há tensão, ambiguidade e complexidade nas escolhas humanas.

Essa é exatamente a ideia pedida no enunciado.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

As alternativas A, B, C e D trazem trechos que ilustram o comportamento de fuga dessa complexidade, e não a definição da moral em si:

  • A) nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificada.
  • Incorreta. Isso descreve uma atitude de covardia intelectual ou conveniência do sujeito para fugir da complexidade, buscando o que é "mais fácil".
  • B) nosso acatamento irrefletido de uma escolha.
  • Incorreta. Mostra o automatismo e a falta de reflexão, que é o "malefício fundamental" apontado no texto, não a natureza complexa da moral.
  • C) Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele.
  • Incorreta. Trata-se de um alerta de Jung sobre o perigo do contágio psíquico pelo mal ou da perda de consciência ao lidar com ele, mas não sintetiza a ideia de uma moral contraditória.
  • D) nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados.
  • Incorreta. Descreve o processo de cristalização e engessamento do julgamento (polarizações mecânicas), que simplifica a moral em vez de encará-la em sua contradição viva.

Quando o enunciado usa expressões como:

  • “complexa”,
  • “contraditória”,
  • “ambígua”,

procure no texto palavras semanticamente equivalentes:

  • paradoxal,
  • ambivalente,
  • contraditório,
  • tensão,
  • dualidade.

Aqui, “todo paradoxal” praticamente entrega o gabarito.

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