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Q3917066 Português

Sinais sutis de subdesenvolvimento


    Existem sinais claros para identificar um lugar subdesenvolvido: esgoto a céu aberto, lixo acumulado nas ruas e nas calçadas, subnutrição, gente morrendo de doenças para as quais já existem vacina e remédio, como disenteria e tuberculose. Agora, existem muitos outros sinais de uma cultura subdesenvolvida, primitiva até, sinais sutis de que ainda não nos encontramos num estágio mais avançado e desejado de civilidade e desenvolvimento.

    Viajar para um lugar no exterior indiscutivelmente mais civilizado e desenvolvido e depois voltar ao Brasil e chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos é um choque. Nosso maior e mais movimentado aeroporto já nos recebe no Terminal 3 com um cheiro fétido de esgoto vindo dos banheiros ou sabe-se lá de onde. Carrinhos para colocar a bagagem? “Estamos em falta hoje”, me disse o rapazinho simpático, que com outros dois funcionários conversavam tranquilamente sobre o nada escorados numa parede perto da esteira. Alguém tomar a iniciativa de informar a falta dos carrinhos ou ir buscar? Zero. Proatividade e produtividade nem de longe são pontos fortes aqui.

    Depois, se via lixo espalhado por todo lado: embalagens de biscoito e de chocolate, copinhos e garrafinhas de plástico, papéis, guardanapos no chão, nas poltronas, nas mesinhas perto dos tótens de carregar celular. Pior foi ver a porquice (sim, porquice, coisa de gente porca) no portão de embarque de determinada companhia aérea: restos de adesivos e cartões de embarque jogados no chão e mais papéis, num claro sinal de desleixo da equipe. Por menor que seja o salário de alguém, manter seu local de trabalho limpo e organizado é o mínimo que qualquer profissional deve fazer. Mas o papinho sobre os acontecimentos do final de semana parecia bem animado; e os longos cílios postiços e as unhas compridas e pontudas irretocáveis exibiam um “autocuidado” contrastante com o desleixo ao redor do balcão.

    Eu era do tipo que chamava a atenção de quem jogava lixo na rua. Eu era do tipo que até mesmo juntava o lixo dos outros e colocava na lixeira para manter um lugar limpo. Não faço mais isso. Cansei. Lutar praticamente sozinha por espaços públicos mais civilizados é uma luta cansativa e frustrante, porque outro sinal sutil de subdesenvolvimento é essa coisa de “não dá nada”: as pessoas descumprem as regras mínimas de civilidade — como jogar o lixo na lata de lixo ou não fazer o seu trabalho direito — e nada acontece com elas, nem mesmo uma reprimenda.

    O máximo que posso fazer é manter meu lar, meu quintal, minha calçada, o “meu jardim” o melhor e mais civilizado que posso. Se aqui não dão conta nem dos graves sinais de subdesenvolvimento, como a falta de saneamento básico, o que dirá o resto.


Autora: Candice Soldatelli - GZH (adaptado). 

Na oração “Proatividade e produtividade nem de longe são pontos fortes aqui.”, o sujeito classifica-se como:
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Q3917065 Português

Sinais sutis de subdesenvolvimento


    Existem sinais claros para identificar um lugar subdesenvolvido: esgoto a céu aberto, lixo acumulado nas ruas e nas calçadas, subnutrição, gente morrendo de doenças para as quais já existem vacina e remédio, como disenteria e tuberculose. Agora, existem muitos outros sinais de uma cultura subdesenvolvida, primitiva até, sinais sutis de que ainda não nos encontramos num estágio mais avançado e desejado de civilidade e desenvolvimento.

    Viajar para um lugar no exterior indiscutivelmente mais civilizado e desenvolvido e depois voltar ao Brasil e chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos é um choque. Nosso maior e mais movimentado aeroporto já nos recebe no Terminal 3 com um cheiro fétido de esgoto vindo dos banheiros ou sabe-se lá de onde. Carrinhos para colocar a bagagem? “Estamos em falta hoje”, me disse o rapazinho simpático, que com outros dois funcionários conversavam tranquilamente sobre o nada escorados numa parede perto da esteira. Alguém tomar a iniciativa de informar a falta dos carrinhos ou ir buscar? Zero. Proatividade e produtividade nem de longe são pontos fortes aqui.

    Depois, se via lixo espalhado por todo lado: embalagens de biscoito e de chocolate, copinhos e garrafinhas de plástico, papéis, guardanapos no chão, nas poltronas, nas mesinhas perto dos tótens de carregar celular. Pior foi ver a porquice (sim, porquice, coisa de gente porca) no portão de embarque de determinada companhia aérea: restos de adesivos e cartões de embarque jogados no chão e mais papéis, num claro sinal de desleixo da equipe. Por menor que seja o salário de alguém, manter seu local de trabalho limpo e organizado é o mínimo que qualquer profissional deve fazer. Mas o papinho sobre os acontecimentos do final de semana parecia bem animado; e os longos cílios postiços e as unhas compridas e pontudas irretocáveis exibiam um “autocuidado” contrastante com o desleixo ao redor do balcão.

    Eu era do tipo que chamava a atenção de quem jogava lixo na rua. Eu era do tipo que até mesmo juntava o lixo dos outros e colocava na lixeira para manter um lugar limpo. Não faço mais isso. Cansei. Lutar praticamente sozinha por espaços públicos mais civilizados é uma luta cansativa e frustrante, porque outro sinal sutil de subdesenvolvimento é essa coisa de “não dá nada”: as pessoas descumprem as regras mínimas de civilidade — como jogar o lixo na lata de lixo ou não fazer o seu trabalho direito — e nada acontece com elas, nem mesmo uma reprimenda.

    O máximo que posso fazer é manter meu lar, meu quintal, minha calçada, o “meu jardim” o melhor e mais civilizado que posso. Se aqui não dão conta nem dos graves sinais de subdesenvolvimento, como a falta de saneamento básico, o que dirá o resto.


Autora: Candice Soldatelli - GZH (adaptado). 

No trecho em que a autora afirma que determinadas atitudes não geram “nem mesmo uma reprimenda”, o termo destacado assume, no contexto do texto, o sentido de
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Q3917064 Português

Sinais sutis de subdesenvolvimento


    Existem sinais claros para identificar um lugar subdesenvolvido: esgoto a céu aberto, lixo acumulado nas ruas e nas calçadas, subnutrição, gente morrendo de doenças para as quais já existem vacina e remédio, como disenteria e tuberculose. Agora, existem muitos outros sinais de uma cultura subdesenvolvida, primitiva até, sinais sutis de que ainda não nos encontramos num estágio mais avançado e desejado de civilidade e desenvolvimento.

    Viajar para um lugar no exterior indiscutivelmente mais civilizado e desenvolvido e depois voltar ao Brasil e chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos é um choque. Nosso maior e mais movimentado aeroporto já nos recebe no Terminal 3 com um cheiro fétido de esgoto vindo dos banheiros ou sabe-se lá de onde. Carrinhos para colocar a bagagem? “Estamos em falta hoje”, me disse o rapazinho simpático, que com outros dois funcionários conversavam tranquilamente sobre o nada escorados numa parede perto da esteira. Alguém tomar a iniciativa de informar a falta dos carrinhos ou ir buscar? Zero. Proatividade e produtividade nem de longe são pontos fortes aqui.

    Depois, se via lixo espalhado por todo lado: embalagens de biscoito e de chocolate, copinhos e garrafinhas de plástico, papéis, guardanapos no chão, nas poltronas, nas mesinhas perto dos tótens de carregar celular. Pior foi ver a porquice (sim, porquice, coisa de gente porca) no portão de embarque de determinada companhia aérea: restos de adesivos e cartões de embarque jogados no chão e mais papéis, num claro sinal de desleixo da equipe. Por menor que seja o salário de alguém, manter seu local de trabalho limpo e organizado é o mínimo que qualquer profissional deve fazer. Mas o papinho sobre os acontecimentos do final de semana parecia bem animado; e os longos cílios postiços e as unhas compridas e pontudas irretocáveis exibiam um “autocuidado” contrastante com o desleixo ao redor do balcão.

    Eu era do tipo que chamava a atenção de quem jogava lixo na rua. Eu era do tipo que até mesmo juntava o lixo dos outros e colocava na lixeira para manter um lugar limpo. Não faço mais isso. Cansei. Lutar praticamente sozinha por espaços públicos mais civilizados é uma luta cansativa e frustrante, porque outro sinal sutil de subdesenvolvimento é essa coisa de “não dá nada”: as pessoas descumprem as regras mínimas de civilidade — como jogar o lixo na lata de lixo ou não fazer o seu trabalho direito — e nada acontece com elas, nem mesmo uma reprimenda.

    O máximo que posso fazer é manter meu lar, meu quintal, minha calçada, o “meu jardim” o melhor e mais civilizado que posso. Se aqui não dão conta nem dos graves sinais de subdesenvolvimento, como a falta de saneamento básico, o que dirá o resto.


Autora: Candice Soldatelli - GZH (adaptado). 

No texto, ao distinguir entre “sinais claros” e “sinais sutis” de subdesenvolvimento, a autora pretende evidenciar que: 
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Q3917063 Português

Sinais sutis de subdesenvolvimento


    Existem sinais claros para identificar um lugar subdesenvolvido: esgoto a céu aberto, lixo acumulado nas ruas e nas calçadas, subnutrição, gente morrendo de doenças para as quais já existem vacina e remédio, como disenteria e tuberculose. Agora, existem muitos outros sinais de uma cultura subdesenvolvida, primitiva até, sinais sutis de que ainda não nos encontramos num estágio mais avançado e desejado de civilidade e desenvolvimento.

    Viajar para um lugar no exterior indiscutivelmente mais civilizado e desenvolvido e depois voltar ao Brasil e chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos é um choque. Nosso maior e mais movimentado aeroporto já nos recebe no Terminal 3 com um cheiro fétido de esgoto vindo dos banheiros ou sabe-se lá de onde. Carrinhos para colocar a bagagem? “Estamos em falta hoje”, me disse o rapazinho simpático, que com outros dois funcionários conversavam tranquilamente sobre o nada escorados numa parede perto da esteira. Alguém tomar a iniciativa de informar a falta dos carrinhos ou ir buscar? Zero. Proatividade e produtividade nem de longe são pontos fortes aqui.

    Depois, se via lixo espalhado por todo lado: embalagens de biscoito e de chocolate, copinhos e garrafinhas de plástico, papéis, guardanapos no chão, nas poltronas, nas mesinhas perto dos tótens de carregar celular. Pior foi ver a porquice (sim, porquice, coisa de gente porca) no portão de embarque de determinada companhia aérea: restos de adesivos e cartões de embarque jogados no chão e mais papéis, num claro sinal de desleixo da equipe. Por menor que seja o salário de alguém, manter seu local de trabalho limpo e organizado é o mínimo que qualquer profissional deve fazer. Mas o papinho sobre os acontecimentos do final de semana parecia bem animado; e os longos cílios postiços e as unhas compridas e pontudas irretocáveis exibiam um “autocuidado” contrastante com o desleixo ao redor do balcão.

    Eu era do tipo que chamava a atenção de quem jogava lixo na rua. Eu era do tipo que até mesmo juntava o lixo dos outros e colocava na lixeira para manter um lugar limpo. Não faço mais isso. Cansei. Lutar praticamente sozinha por espaços públicos mais civilizados é uma luta cansativa e frustrante, porque outro sinal sutil de subdesenvolvimento é essa coisa de “não dá nada”: as pessoas descumprem as regras mínimas de civilidade — como jogar o lixo na lata de lixo ou não fazer o seu trabalho direito — e nada acontece com elas, nem mesmo uma reprimenda.

    O máximo que posso fazer é manter meu lar, meu quintal, minha calçada, o “meu jardim” o melhor e mais civilizado que posso. Se aqui não dão conta nem dos graves sinais de subdesenvolvimento, como a falta de saneamento básico, o que dirá o resto.


Autora: Candice Soldatelli - GZH (adaptado). 

No período Não faço mais isso, qual das palavras é classificada, gramaticalmente, como verbo? 
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Q3917032 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
No trecho: "Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta...", a partícula destacada classifica-se morfologicamente como:
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Q3917031 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
No trecho: "Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa", o verbo destacado classifica-se, quanto à sua transitividade, como:
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Q3917030 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
No trecho: "A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva", as vírgulas foram empregadas para isolar um elemento que exerce a função de:
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Q3917029 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
Analise a classe gramatical das palavras destacadas no fragmento: "O convite é simples, direto, econômico...". No contexto em que estão inseridas, essas palavras classificam-se como:
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Q3917028 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
No trecho: "a narrativa circula há gerações como aviso e assombro", e mais adiante ao descrever o rio como uma "voz", o autor utiliza recursos expressivos para atribuir características humanas ou intensificar o mistério do ambiente. A figura de linguagem que consiste em atribuir características de seres vivos a objetos inanimados, como o rio no texto, é: 
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Q3917027 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
Considere o trecho: "A lenda persiste porque não depende apenas da geografia...". A oração em destaque estabelece com a oração principal uma relação de:
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Q3917026 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
No período: "A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta", as orações introduzidas pelo termo destacado classificam-se como:
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Q3917025 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
No trecho "O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto", o efeito de sentido pretendido pelo autor é enfatizar que:
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Q3917024 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
Considerando a situação comunicativa do texto — um ensaio que analisa a persistência de narrativas folclóricas no contexto urbano contemporâneo — o autor posicionase como: 
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Q3916796 Português
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.


    Mas o grande perigo da crítica é um dedutivismo ingênuo que, partindo de uma pré-noção, acha no seu campo de pesquisas apenas aquilo que procura. Veja-se, por exemplo, o caso de Taine. Já Edmond Schérer, num dos seus "estudos" mais felizes, apontava os lados fracos da interpretação tainiana da arte ou da história literária. Em vez de proceder por indução, Taine deduz forçosamente de uma ideia preconcebida as componentes que deverão formar o caráter de uma épоca оu o espírito de uma literatura.

   Sem dúvida, o crítico não pode prescindir de uma hipótese, como o cientista, para abrir uma picada no mato virgem dos fatos. Mas também não deve esquecer que, além da clareira mensurável, começa a exuberância das probabilidades, como uma floresta de interrogações. Respeitar o outro lado provável das coisas, admitir em tudo a parte do indeterminado é uma boa tática para quem não gosta de tropeçar em surpresas irônicas.


(Adaptado de: MEYER, Augusto, "Mas...", Machado de Assis (1935-1958). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2008, p. 65)
Acerca das estratégias de argumentação no texto,
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Q3916793 Português
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.


   Se para os olhos de um leigo a floresta amazônica é uma floresta virgem e intocada, o que pesquisas têm demonstrado é que a Amazônia é um grande jardim, plantado por povos indígenas por meio da influência de diferentes aspectos socioculturais.

   Na Amazônia, aquilo que não indígenas entendem como "natureza" (a floresta, os animais, os rios etc.), muitos povos indígenas entendem como ambientes culturais onde relações sociais, incluindo entre humanos e não humanos, ocorrem. Tais relações se refletem em transformações da paisagem que têm gerado biodiversidade na região há milhares de anos.

  Embora a Amazônia seja habitada há cerca de 13 mil anos, quando pensamos em antigas civilizações, pensamos nos incas, astecas, maias ou egípcios, provavelmente por essas civilizações terem modificado suas paisagens por meio de grandes arquiteturas, como as pirâmides. Entretanto, modificações milenares nas paisagens amazônicas têm sido descobertas nas últimas décadas, colocando a região, suas antigas populações humanas, no mesmo patamar dessas que aprendemos a cultuar como grandes civilizações.


(Adaptado de: FRANCO-MORAES, Juliano. "A Amazônia não é uma floresta virgem, mas um jardim plantado pelos povos indígenas". Disponível em: https://esginsights.com.br)
Uma decorrência da descoberta de que a Amazônia é um imenso jardim cultivado é a 
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Q3916792 Português
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.


   Como é possível, pergunta La Boétie, que a maioria obedeça a um só, não apenas lhe obedeça, mas o sirva, não apenas o sirva mas queira servi-lo?

   A natureza e o alcance de tal questão excluem de saída que se possa reduzi-la a essa ou àquela situação histórica concreta. А possibilidade de formular uma interrogação tão destrutiva remete, simples mas heroicamente, a uma lógica dos contrários: se sou capaz de me espantar que a servidão voluntária seja a invariante comum a todas as sociedades, a minha mas também aquelas sobre as quais me informam os livros, é evidentemente porque imagino o contrário de tal sociedade, é porque imagino a possibilidade lógica de uma sociedade que ignore a servidão voluntária. Heroísmo e liberdade de La Boétie: basta essa ligeira e fácil passagem da história à lógica, basta essa abertura no que é o mais naturalmente evidente, basta essa brecha na convicção geral de que não se poderia pensar a sociedade sem sua divisão entre dominantes e dominados. Ao espantar-se com isso, ao recusar a evidência natural, o jovem La Boétie transcende toda a história conhecida para dizer: outra coisa é possível.

(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. Arqueologia da Violência. São Paulo: CosacNaify, 2004, p. 147-8)
Em consonância com a argumentação do texto, questionar a naturalidade de algo significa
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Q3916789 Português
O analfabetismo em matemática, uma incapacidade de lidar confortavelmente com as noções fundamentais de número e probabilidade, atormenta grande quantidade de cidadãos esclarecidos sob outros aspectos. As mesmas pessoas que têm arrepios quando palavras como "implicar" e “inferir” são confundidas, reagem sem o menor sinal de embaraço até aos mais egrégios solecismos numéricos. Lembro-me de que, certa noite, ouvi uma pessoa numa festa deitando falação sobre a diferença entre "continuamente" e "ininterruptamente". Mais tarde, naquela mesma noite, estávamos vendo o noticiário na tevê, e o serviço de previsão do tempo anunciou que havia uma probabilidade de 50% de chover no sábado e 50% de chover no domingo, concluindo que havia, portanto, 100% de probabilidade de chover no fim de semana. O comentário foi muito bem-aceito pelo pretenso gramático. Mesmo depois que lhe expliquei o erro, ele não ficou nem de longe tão indignado quanto teria ficado se o locutor tivesse cometido um erro com o sujeito de uma reduzida participial. De fato, ao contrário de outras deficiências, que são disfarçadas, o analfabetismo matemático é frequentemente alardeado: [...] "Gosto de pessoas, não de números." Ou: "Sempre odiei matemática.”
Parte da razão desse orgulho obstinado pelo analfabetismo em matemática é que, em geral, suas consequências não são tão óbvias como as de outra natureza. Por isso, e porque acredito firmemente que as pessoas reagem melhor a detalhes ilustrativos do que a uma exposição geral, este livro examinará muitos exemplos reais de analfabetismo em matemática - entre eles, trapaças com ações, escolha de uma esposa, psicologia de jornal, afirmações sobre dieta e medicina, o risco do terrorismo, astrologia, recordes esportivos, eleições, [...] loterias e testes de drogas.

(PAULOS, John Allen. Analfabetismo em matemática e suas consequências. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994)

De acordo com a argumentação do autor, a causa do problema apresentado por ele no texto é
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Q3916784 Português
[...] Podemos interpretar a ciência como uит тара, como uma representação de como vemos a natureza (o território). Neste caso, Borges está criticando cientistas que acreditam, inocentemente, que o que fazem é produzir um mapa perfeito da realidade.
A analogia é bem apropriada, dado que captura tanto os objetivos quanto as frustrações da pesquisa científica: queremos aprender o máximo possível sobre o mundo e traduzir o que aprendemos em um mapa que outros podem ler. Quanto mais aprendemos, mais detalhado fica o mapa. Entretanto, como o filósofo francês Bernard Le Bovier de Fontenelle já sabia em 1686, podemos ver apenas uma fração do que existe. Por consequência, qualquer mapa que produzimos é necessariamente incompleto. [...]

(Marcelo Gleiser, 12/08/2018. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelogleiser/2018/08/mapeando-a-realidadeem-busca-de-uma-perfeicao-inatingivel.shtml)

Considere cinco pesquisas científicas fictícias cujos objetivos fossem desenvolver:

I. uma droga capaz de curar todos os tipos de lesões cancerígenas.
II. uma liga metálica capaz de resistir a temperaturas mais altas do que as ligas atuais.
III. uma ferramenta de inteligência artificial capaz de compor uma sinfonia.
IV. uma bateria para carros elétricos com vida útil dez vezes maior do que a das atuais.
V. um robô humanoide capaz de conduzir um ônibus em uma grande cidade.

Entre essas pesquisas científicas, aquela que poderia ser criticada usando um argumento análogo ao apresentado no texto de Marcelo Gleiser é
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Q3916783 Português
A tática de Robert Kennedy Jr., o secretário de Saúde de Trump, para reduzir a lista de vacinas recomendadas pelo governo federal até que tem seu apelo. Ele diz que está apenas usando de bom senso e espelhando as recomendações da Dinamarca - uma nação rica da Europa que apresenta indicadores de saúde bem melhores que os dos EUA.
Um incauto até poderia se sentir tentado a abraçar o argumento. Não só a Dinamarca, mas vários países europeus têm listas de vacinas da infância bem mais curtas que a dos EUA. E que no velho continente existem bons sistemas de saúde pública e as doenças infecciosas estão mais contidas do que no novo mundo. Ali, sai bem mais barato diagnosticar e tratar precocemente os poucos casos que surgirão do que vacinar todas as crianças contra moléstias que elas nunca pegarão.
E as autoridades sanitárias europeias não padecem do antivacinismo ideológico. Se a situação epidemiológica mudar, as vacinas serão rapidamente incluídas no calendário de imunizações.

(Hélio Schwartsman, 30/12/2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2025/12/faca-a-americadoente-de-novo.shtml

A crítica do articulista ao argumento de Robert Kennedy Jr. pode ser resumida pelo fato de que
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Q3916767 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Uma escolha para viver


      Li em algum lugar uma fábula interessante. Sem ser literal, preservo o sentido que me ficou dela.

      Na Criação do mundo, um dos intendentes do Céu foi encarregado de definir o tempo de vida que cada espécie deveria ter.

   Disse o intendente para a Tartaruga: - Você se dá bem com essa couraça, com essa neutralidade, com essa indiferença aos homens... Vai durar muitos e muitos anos.

     Diante do Papagaio, sentenciou: – Essa ideia de plagiar os humanos, imitando-os e gozando-os, divertindo-os e divertindo-se, faz de você um malandrão... Bem merece uma vida longa.

     E assim foi seguindo o intendente, dotando as criaturas da longevidade que lhe parecia justa, a partir do critério adotado.

   Chegou a vez do Cachorro. O intendente, surpreso, olhou bem nos olhos dele, avaliou seu temperamento, reconheceu suas intenções e não teve dúvida:

   - Quer dizer que você já decidiu ser amigo incondicional dos homens? Permanecerá como companheiro fiel até dos que pouсо venham a se importar com você? E seguirá os andarilhos nas estradas, se estreitará com os miseráveis nos cantos e nos becos, irá morar com os viciados sob as pontes? Pois então vou te aquinhoar com uns poucos anos: que tua virtude valha teu sacrifício.

    Assim sentenciado, o Cachorro abanou o rabo e olhou em volta, irrequieto, à procura de um amigo humano. Dispunha-se a ficar ao lado dele, fosse quem fosse: iria consolá-lo das aflições que viesse a sentir, compartilharia com ele as pequenas alegrias, enfrentaria com ele as chateações deste mundo.


(Alarico Valado, a editar)
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
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Respostas
13221: C
13222: A
13223: E
13224: B
13225: D
13226: B
13227: D
13228: C
13229: A
13230: A
13231: B
13232: D
13233: B
13234: B
13235: E
13236: C
13237: B
13238: A
13239: E
13240: A