Em consonância com a argumentação do texto, questionar a nat...
Gabarito comentado
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a oposição entre “evidência natural” e “outra coisa é possível”: ao recusar o que parece natural, o texto desnaturaliza a servidão voluntária e a desloca para o campo do que pode ser historicamente compreendido como construído; por isso, a alternativa correta é a que traduz esse movimento de desnaturalização.
- Quando o texto opõe “natural” a “outra coisa é possível”, o sentido costuma ser: o fenômeno não é necessário, mas contingente e produzido.
- Não confunda frequência histórica com natureza: algo recorrente pode ser precisamente o que o texto está desnaturalizando.
- Se a alternativa leva o texto para teleologia, essência imutável ou método estrutural, confirme antes se esses temas aparecem de fato no excerto.
- Em questões de interpretação, observe se o texto rompe uma evidência social; esse rompimento costuma deslocar o fenômeno do campo do natural para o do histórico-cultural.
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Comentários
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Pra mim houve extrapolação da banca
A alternativa correta é:
C
✅ Entendendo o ponto central do texto
O antropólogo Pierre Clastres mostra que Étienne de La Boétie faz algo decisivo:
Ele questiona o que parecia “natural” (a servidão voluntária)
E ao fazer isso:
- rompe com a ideia de que isso é inevitável
- mostra que “outra coisa é possível”
O que significa “questionar a naturalidade”?
No contexto do texto:
Significa deixar de ver algo como:
- natural
- inevitável
- dado pela natureza
➡️ E passar a entendê-lo como:
✔ algo construído
✔ algo que poderia ser diferente
✔ algo ligado à organização social (cultura)
✔ Por que a alternativa C está correta?
“fazer com que passe a ser considerado como fruto da cultura...”
✔ Exatamente o que o texto propõe:
- a servidão não é “natural”
- é uma construção social
- portanto, pode ser questionada e modificada
❌ Por que as outras estão erradas?
A)
❌ Fala em “submeter a natureza à lógica”
- O texto não discute natureza nesse sentido abstrato
B)
❌ Foca na relação natureza × cultura
- Mas o texto não trata de transformação da natureza
- Trata de desnaturalização de um fenômeno social
D)
❌ Diz “pôr em xeque sua historicidade”
- O texto faz o oposto:
- mostra que não é algo natural, mas histórico/social
E)
❌ Fala em “estabelecer uma constante”
- O texto rompe com a ideia de constante
- Mostra que algo tido como constante pode ser questionado
A) Incorreta. Embora o texto fale em "passagem da história à lógica", ele não sugere que a finalidade da natureza deva ser negada. O foco não é a "ausência de finalidade" das características naturais, mas sim o questionamento de por que aceitamos certas estruturas sociais (como a servidão) como se fossem leis da natureza.
B) Incorreta. O texto não trata de uma "intuição" sobre a modificação da natureza pela cultura em benefício da sociedade. Ele trata de uma ruptura lógica: o espanto diante do que todos consideram normal. O objetivo de La Boétie é pensar a possibilidade de uma sociedade diferente, e não apenas medir modificações culturais.
C) Correta. Esta alternativa traduz o conceito de "recusar a evidência natural". Quando La Boétie se espanta com a "servidão voluntária", ele deixa de vê-la como algo biológico ou inevitável (natural) e passa a encará-la como uma construção social e política (fruto da cultura). Ao fazer isso, ele abre caminho para estudar a intencionalidade (por que a maioria quer servir?), permitindo dizer que "outra coisa é possível".
D) Incorreta. O autor propõe o exato oposto. Questionar a naturalidade é justamente mostrar que o fenômeno é sujeito a mudanças. Ao dizer que a servidão não é natural, ela passa a ser histórica e, portanto, transformável. A alternativa erra ao falar em "aspectos não sujeitos a mudanças".
E) Incorreta. O texto critica a busca por uma "invariante comum" ou uma "constante" que justifique a dominação. O "heroísmo" de La Boétie, segundo Clastres, está em romper com a "convicção geral" de que a divisão entre dominantes e dominados é uma constante estrutural da sociedade.
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