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Q3917029 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
Analise a classe gramatical das palavras destacadas no fragmento: "O convite é simples, direto, econômico...". No contexto em que estão inseridas, essas palavras classificam-se como:
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho "O convite é simples, direto, econômico", as palavras destacadas atribuem qualidades ao substantivo "convite" após o verbo de ligação "é"; por isso, no contexto, classificam-se como adjetivos.

Tema central: Classificação de adjetivos no contexto
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque as palavras destacadas não nomeiam entidade, objeto ou conceito. No trecho, elas não funcionam como nomes; funcionam como caracterizações de "convite". O critério que elimina a alternativa é direto: substantivo nomeia, enquanto aqui os termos qualificam.
B
Errada
Está errada porque "simples", "direto" e "econômico" não modificam verbo, adjetivo ou outro advérbio. Elas se ligam ao sujeito "O convite" por meio do verbo de ligação "é", atribuindo-lhe qualidade. A posição após o verbo pode confundir, mas não há valor circunstancial, que seria próprio de advérbio.
C
Certa
A alternativa C está correta porque "simples", "direto" e "econômico" caracterizam o nome "convite" no trecho dado. O critério decisivo é morfológico no contexto: são palavras que exprimem qualidades atribuídas a um substantivo, o que corresponde à classe dos adjetivos. A estrutura com o verbo de ligação "é" confirma essa relação qualificadora no predicado nominal.
D
Errada
Está errada porque as palavras destacadas não substituem nome nem o acompanham com valor de referência. No fragmento, elas não retomam nenhum referente; apenas expressam qualidades de "convite". Por isso, não podem ser classificadas como pronomes.
Pegadinha da questão
A confusão real está em tomar a função sintática de predicativo como se ela anulasse a classe morfológica, ou em achar que, por estarem depois de "é", as palavras seriam advérbios. A questão cobra a classe no contexto, e nesse contexto elas qualificam o sujeito.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique a palavra no trecho dado, não por usos possíveis em outros contextos.
  • Se o termo atribui qualidade a um substantivo, o critério aponta para adjetivo.
  • Quando houver verbo de ligação, verifique se o termo após ele caracteriza o sujeito em vez de modificar o verbo.
  • Não confunda função sintática na oração com classe gramatical da palavra.

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“O convite é simples, direto, econômico...”

Palavras destacadas: simples, direto, econômico

Análise morfológica

simples → adjetivo

direto → adjetivo

econômico → adjetivo

Essas palavras expressam características do substantivo “convite”, portanto pertencem à classe dos adjetivos.

Fonte:ChatGpt

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