No trecho: "Diz-se que, em tempos em que a travessia era ma...

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Q3917032 Português
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O Barqueiro do Paraíba é uma daquelas lendas que parecem nascer do próprio ritmo do rio. Em Jacareí, onde o Paraíba do Sul atravessa a cidade e organiza paisagens, pontes e memórias, a narrativa circula há gerações como aviso e assombro. Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta e dependia de embarcações, um homem passou a surgir nas margens em noites silenciosas. A presença dele não vinha acompanhada de pressa nem de conversa: vinha como um chamado, como se o rio, de repente, tivesse voz. E, quando a neblina baixa, a água parece engolir ruídos, deixando o cenário pronto para que qualquer sombra ganhe sentido.

A figura é descrita como enigmática, quase sempre sem rosto: há versões em que ele permanece de costas, evitando que o passageiro o reconheça. O convite é simples, direto, econômico — “suba”, “entre”, “passagem” — como se a travessia fosse apenas mais uma rotina. A diferença é o destino: quem aceita, segundo o relato popular, não é visto novamente. A canoa segue, mas não retorna; o barqueiro oferece caminho, mas não garante volta. O terror da lenda está menos no grito e mais na normalidade do gesto, como se o extraordinário se escondesse dentro de um serviço comum. Com o tempo, o Barqueiro vira símbolo de um medo antigo: o de atravessar limites sem saber o preço. O rio, que sustenta transporte e trabalho, também pode ser lido como fronteira — entre bairros, entre tempos, entre vida cotidiana e aquilo que não se explica. Não é por acaso que muitas versões situam a aparição em noites de neblina ou sem luar, quando o contorno do mundo perde nitidez e a água parece maior do que as margens. A história, então, opera como regra social e imaginação coletiva: ela regula o risco e, ao mesmo tempo, dá forma ao mistério.

Hoje, mesmo com pontes e cidade iluminada, a lenda persiste porque não depende apenas da geografia: depende da sensação de que certos lugares guardam um resto de passado. O Paraíba do Sul segue atravessando Jacareí, carregando histórias, enchentes, pescarias e rotas, e a memória do barqueiro se encaixa nessa corrente como um eco. Ao ser recontada, a narrativa reforça uma ideia simples e poderosa: há travessias que mudam a gente — e há convites que, por mais calmos que pareçam, exigem desconfiança quando vêm de dentro da neblina.
No trecho: "Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta...", a partícula destacada classifica-se morfologicamente como:
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Comentários

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Explicação:

No trecho:

“Diz-se que, em tempos em que a travessia era mais incerta...”

O verbo “diz” está na 3ª pessoa do singular, e o “se” serve para indeterminar quem diz (não sabemos quem afirma isso).

É equivalente a dizer:

“Alguém diz que…” ou “Dizem que…”

Por que não são as outras?

A) pronome reflexivo ❌

Não há ideia de alguém praticando ação sobre si mesmo (ex: ele se machucou).

B) partícula de realce ❌

O “se” não é dispensável aqui; ele tem função sintática importante.

C) conjunção integrante ❌

Quem exerce esse papel é o “que”, não o “se”.

Dica rápida:

Se o verbo está na 3ª pessoa do singular + “se” e não há sujeito claro →

geralmente é índice de indeterminação do sujeito.

Fonte : Chatgpt

não poderia ser a B também?

  1. O Verbo: O verbo "dizer" aqui é transitivo.
  2. A Oração: O que vem depois ("que em tempos...") é uma Oração Objetiva Direta.
  3. O "SE": Quando o "se" acompanha um verbo que introduz uma oração inteira como complemento, ele serve para indeterminar quem diz.
  4. O Teste: Você sabe que algo é dito, mas não sabe quem diz.

índice de indeterminação do sujeito não seria uma análise sintática? A questão está pedindo uma análise morfológica

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