Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2170730 Português
A vivência cultural humana está sempre envolta em linguagem, e todos os nossos textos situam-se nessas vivências estabilizadas em gêneros. Nesse contexto, é central a ideia de que a língua é uma atividade socio interativa de caráter cognitivo, sistemática e instauradora de ordens diversas na sociedade. O funcionamento de uma língua no dia a dia é, mais do que tudo, um processo de integração social. Claro que não é a língua que discrimina ou que age, mas nós que com ela agimos e produzimos sentido. (MARCUSCHI, 2008)
Considerando-se o trecho de Marcuschi (2008), observe a produção de sentido nesta história em quadrinhos. Imagem associada para resolução da questão



Sobre os textos e suas possíveis análises, foram feitas estas afirmativas. Analise-as.
I. Os sentidos são construídos por meio das experiências e conhecimento de mundo dos interlocutores. Dessa maneira, um mesmo enunciado produzido por um autor, com intenções específicas, pode gerar diferentes interpretações a depender de cada interlocutor.
II. Os significados são fixos no próprio enunciado, seja ele oral ou escrito, e devem ser decodificados pelos interlocutores, a partir de um sistema de codificação impessoal e universal para todos os usuários do código.
III. Para produção de sentidos na história em quadrinhos, é necessário considerar os diversos modos semióticos, não somente o código verbal. Nesse processo de significação, o usuário da língua possui um papel agentivo no processo de compreensão textual.
IV. Um enunciado pode ter seu significado alterado em função de fatores contextuais, por exemplo, na língua falada, gestos, movimentos corporais, expressões físicas/faciais, entonação dentre outros. Por isso, a leitura das múltiplas linguagens é importante para a construção de sentido.


Estão corretas as afirmativas

Alternativas
Q2170727 Português
De acordo com Rildo Cosson (2018, p. 29):
O segredo maior da literatura é justamente o envolvimento único que ela nos proporciona em um mundo feito de palavras. O conhecimento de como esse mundo é articulado, como ele age sobre nós, não eliminará seu poder, antes o fortalecerá porque estará apoiado no conhecimento que ilumina e não na escuridão da ignorância.
O modo como a leitura do texto literário é tratada no texto reflete uma concepção de texto literário e de letramento literário que convergem com todas as assertivas seguir, exceto:
Alternativas
Q2170726 Português
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Classifique as afirmativas sobre o texto como ( V ) verdadeiras ou ( F ) falsas.
( ) Como forma de expressar a exaltação da terra natal, o poema propõe, em sua segunda estrofe, intertextualidade com o Hino Nacional Brasileiro. Essa construção parafrástica se dá de forma especular com os versos “Nossos bosques têm mais vida/ Nossa vida, no teu seio, mais amores”.
( ) De modo a representar os ideais de liberdade apregoados pela Escola Romântica, Gonçalves Dias rompe com as estruturas Clássicas e Neoclássicas da produção poética e escreve uma canção, estrutura textual menos enrijecida que o soneto, aproveitando-se do recurso de rimas em versos brancos.

( ) De forma geral, os elementos poéticos presentes no texto exploram intensamente as relações entre palavra e música, imprimindo ritmo e cadência aos versos a partir da seleção lexical e de recursos de metrificação. Essas são características próprias da canção, enquanto estrutura poética.
( ) Para construir o sentimento de saudade da própria terra, o eu lírico constrói um ambiente nostálgico a partir da comparação entre o tempo presente e o tempo passado. Essa noção de deslocamento temporal ocorre por meio dos usos dos advérbios cá e lá, presentes em quase todas as estrofes.
A sequência correta de classificação, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q2170725 Português

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Qual destas análises do poema está correta?

Alternativas
Q2170724 Português
Sermão vigésimo sétimo, com o santíssimo sacramento exposto[...]
Padre Antônio Vieira          Sabei, pois, todos os que sois chamados escravos, que não é escravo tudo o que sois. Todo  o homem é composto de corpo e alma; mas o que é e se chama escravo, não é todo o homem, senão só metade dele. Até os Gentios, que tinham pouco conhecimento das almas, conheceram esta verdade e fizeram esta distinção. [...] Excelentemente Sêneca: [...] “Quem cuida que o que se chama escravo é o homem todo, erra e não sabe o que diz: a melhor parte do homem, que é a alma, é isenta" de todo o domínio alheio, e não pode ser cativa. O corpo, e somente o corpo, sim[...].      [...] neste vosso mesmo Brasil, quando quereis dizer que Fulano tem muitos ou poucos escravos, porque dizeis que tem tantas ou tantas peças? - Porque os primeiros que lhes puseram este nome, quiseram significar, sábia e cristãmente, que a sujeição que o escravo tem ao senhor, e o domínio que o senhor tem sobre o escravo, só consiste no corpo. Os homens não são feitos de uma só peça, como os anjos e os brutos. Os anjos e os brutos (para que nos expliquemos assim) são inteiriços; o anjo, por que todo é espírito; o bruto, porque todo é corpo. O homem não. É feito de duas peças - alma e corpo. E porque o senhor do escravo só é senhor de uma destas peças, e a capaz de domínio, que é o corpo, por isso chamais aos vossos escravos peças. E se esta derivação vos não contenta, digamos que chamais peças aos vossos escravos, assim como dizemos: uma peça de ouro, uma peça de prata, uma peça de seda, ou de qualquer outra cousa das que não têm alma. [...]
Classifique as afirmativas feitas sobre o texto “Sermão vigésimo sétimo, como santíssimo sacramento exposto [...]” como (V) verdadeiras ou (F) falsas.
( ) A associação dos sentidos dos termos peça e corpo, proposta pelo Padre Antônio Vieira na escrita do Sermão, permite a construção de uma relação hiponímica que é sustentada no decorrer do último parágrafo do texto.
( ) A doutrinação religiosa presente no Sermão é marcada pela discussão de temas que revelam interesses políticos e econômicos, o que fica evidente a partir do uso contra positivo destinado aos termos “corpo” e “alma”.
( ) A justificativa do processo de escravização de pessoas é elaborada a partir da ideia de que o ser humano é composto de uma parte material e outra imaterial, estratégia que se institui por meio do uso de antíteses.
( ) A prosa moralista e religiosa presente no Sermão, marcas do estilo cultista predominante na escrita do texto, busca justificar e defender a submissão de pessoas negras à condição de escravização imposta pela estrutura colonial

A sequência correta de classificação, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q2170723 Português
Desmatar é matar duas vezes
   As palavras possuem várias formas de serem interpretadas. Prefixos e sufixos alteram conceitos e ideias, mudando muitas vezes nossas conclusões. Analisá-las profundamente pode nos proporcionar novos entendimentos acerca de um tema antigo.
     Refletir sobre conceitos consolidados nos permite ampliar nossos limites do conhecimento e trazer luz a caminhos ainda obscuros.
    O prefixo “des-” indica uma ação contrária. Desfazer é cancelar o que foi feito. Descontaminar é limpar o que foi poluído. Mas, nem sempre é assim. Matar significa tirar a vida de alguém. Desmatar não significa trazer a vida de volta.
    Desmatar implica em retirar a cobertura vegetal de determinado local. Assim, ao contrário do uso comum, o prefixo “des-” não significa negação ou oposição ao ato de matar. Significa sim, um valor intensificador, reforçativo.

GODOI, Emiliano Lobo. Desmatar é matar duas vezes. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/noblat/desmatar-e-matar-duas-vezes-por-emiliano-lobo-de-godoy/.Acesso em: 13fev. 2023.
Analise as afirmativas feitas sobre o texto:
I. O emprego da metalinguagem está relacionado a uma crítica à preservação ambiental. II. O prefixo “des-” também intensifica o sentido das palavras “desbancar” e “destruição”. III. O autor argumenta que analisar palavras permite a aquisição de novos conhecimentos. IV. O texto sugere que o sentido das palavras depende do conhecimento prévio do faltante.
Estão corretas apenas as afirmativas
Alternativas
Q2170720 Português
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Conforme Travaglia (2009) “[o]s dialetos na dimensão territorial, geográfica ou regional representamavariação que acontece entre pessoas de diferentes regiões em que se fala a mesma língua”. Sendo assim, ao propor uma atividade para se trabalhar as variações linguísticas, a partir da letra de música acima, Antunes (2007) sugere que a escola “saiba desenvolver a capacidade dos alunos para acolher as diferenças, com o máximo respeito por aqueles que as apresentam”.
Com base nos autores, qual destas propostas está mais adequada para o trabalho na disciplina de língua portuguesa com a letra de música apresentada?
Alternativas
Q2170718 Português
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Com base nas intenções comunicativas e nos recursos linguísticos e visuais empregados em um texto, determinadas funções são atribuídas à linguagem. A função que predomina nessa campanha publicitária é a conativa, uma vez que ela
Alternativas
Q2170585 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


              Prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é utopia 


                                                                                                                                         Por Pedro Guerra



  1. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas – texto adaptado especialmente para esta prova).


‘Contudo’ (l. 05), sem que haja qualquer alteração no contexto de ocorrência, pode ser substituído por:
Alternativas
Q2170583 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


              Prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é utopia 


                                                                                                                                         Por Pedro Guerra



  1. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas – texto adaptado especialmente para esta prova).


Entre as palavras abaixo listadas, assinale aquela que, em outro contexto, assumiria classe gramatical diferente da que tem no texto caso fosse retirado o acento gráfico.
Alternativas
Q2170582 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


              Prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é utopia 


                                                                                                                                         Por Pedro Guerra



  1. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas – texto adaptado especialmente para esta prova).


A expressão ‘além do’, ao ser utilizada na linha 16 no texto, liga enunciados que:
Alternativas
Q2170579 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


              Prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é utopia 


                                                                                                                                         Por Pedro Guerra



  1. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas – texto adaptado especialmente para esta prova).


Qual das seguintes alternativas melhor explica o sentido que o autor quis dar à expressão ‘dei a cara a tapa’ (l. 04)?
Alternativas
Q2170444 Português
Inclusão: com quase 60 anos, atração da Disneylândia ganha personagens cadeirantes pela primeira vez.


        Na Disneylândia, o primeiro parque da Disney, que fica na Califórnia (EUA), as celebrações natalinas começaram e uma de suas principais atrações, “It’s a Small World”, ganhou dois novos personagens em cadeiras de rodas. É a primeira vez em 67 anos de história do parque que personagens em cadeiras de rodas aparecem na atração. A iniciativa faz parte de ações da companhia para ampliar a inclusão e a representação da diversidade em seus brinquedos.

        Os dois novos integrantes estão entre os cerca de 300 bonecos fantasiados que representam crianças de diversas nações cantando. Na verdade, ambos apareciam na atração de pé anteriormente. Agora, um deles está na ________ latino-americana enquanto o outro surge na ________ final.

        Ambos devem se tornar fixos na atração. As versões do brinquedo nos parques da Disney em Orlando, na Flórida, e em Paris também vão receber personagens cadeirantes no próximo ano.

        “A Disney claramente vê o benefício de atrair um público maior ao se tornar mais inclusiva. Precisamos ver mais disso na cultura, nos parques temáticos e no entretenimento como um todo se quisermos ser representantes do maior grupo minoritário do mundo”, afirma Jillian Houghton, CEO da Disability: IN, organização sem fins lucrativos que luta por uma maior inclusão de pessoas com deficiência na sociedade.

        “Esse ___________ é parte dos nossos esforços de olhar para o nosso resort com uma lupa para que possamos encontrar oportunidades de aumentar nossa inclusão”, confirma Kim Irvine, da Walt Disney Imagineering.

        Criada para a Feira Mundial de Nova York de 1964- 1965, “It’s a Small World” fez grande sucesso e foi levada para parque da Califórnia em 1966 e atualmente está presente também nos parques de Orlando, Tóquio, Paris e Hong Kong.

(Fonte: Hypeness - adaptado.)
Em conformidade com o texto, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
(_) Em quase 70 anos de existência da Disneylândia, personagens em cadeiras de rodas continuam sem aparecer na atração.
(_) A principal atração natalina, a “It’s a Small World”, ganhou dois novos personagens em cadeiras de rodas, os quais não apareciam anteriormente na atração.
(_) A “It’s a Small World” foi criada para a Feira Mundial de Nova York de 1964-1965, mas não fez grande sucesso.
(_) O CEO da Disability: IN afirmou que a Disney claramente vê o benefício de atrair um público maior ao se tornar mais inclusiva.
Alternativas
Q2170000 Português
A ESCOLA AINDA TEM LUGAR PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES?
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
(Fernando Pessoa)


     A epígrafe deste texto, um fragmento do poema "Liberdade", incluído na obra Cancioneiro de Fernando Pessoa, certamente daria aos adolescentes de hoje muito pano para manga. Visto assim, fora de seu contexto poético, descolado do conjunto da produção do grande poeta português, poderia facilmente confundir-se com a voz de um estudante, confirmando a imagem de que estudar, ler e conhecer literatura são coisas sem sabor, ligadas ao universo da obrigação, distantes dos prazeres encontrados na natureza e (por que não?) na vida. Mas poderia, também, dependendo do que o professor faz com esse conjunto de versos, de como os faz chegar aos alunos, funcionar como elo entre as gerações "pós-modernas", sua forma de sentir e se relacionar com o mundo, e essa fala viva que vem do passado, inteiramente impregnada do presente. [...]
      Penso que esta é a motivação do trabalho que William Cereja vem desenvolvendo há anos. Cada um de seus livros revela a busca incessante de caminhos capazes de despertar o leitor adormecido em cada estudante, de confrontá-lo com as linguagens que o cercam, de impulsioná-lo para a condição de sujeito crítico. Entretanto, como autor participante e em permanente contato com professores e alunos, William vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis professores.
      Esta constatação pode parecer desanimadora, uma vez que o despreparo dos estudantes revela-se não apenas diante do texto literário, mas diante de qualquer tipo de texto, como confirmam diferentes pesquisas. Foi ela, entretanto, que motivou William a esboçar mais um gesto em direção à leitura e aos leitores.
      [...]
     O trabalho que está diante do leitor, portanto, é obra de um autor múltiplo, sujeito do ensino, da pesquisa e da proposição de consistentes alternativas. [...]
   Se terminasse aí, o trabalho não seria assinado por William Cereja e sua visão crítica e participativa. A proposta de implementar o que ele denomina "perspectiva dialógica do texto literário" parece, sem dúvida, uma saída possível para que a escola se afirme (re-afirme?) como um lugar de formação de leitores competentes para o texto e para a vida.
       [...]

BRAIT, Beth. A escola ainda tem lugar para a formação de leitores competentes? Prefácio. In: –––. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005.
De acordo com o texto, a tríade: organização curricular, papel da escola e trabalho docente representa um contexto possível, no entanto:
Alternativas
Q2169999 Português
A ESCOLA AINDA TEM LUGAR PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES?
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
(Fernando Pessoa)


     A epígrafe deste texto, um fragmento do poema "Liberdade", incluído na obra Cancioneiro de Fernando Pessoa, certamente daria aos adolescentes de hoje muito pano para manga. Visto assim, fora de seu contexto poético, descolado do conjunto da produção do grande poeta português, poderia facilmente confundir-se com a voz de um estudante, confirmando a imagem de que estudar, ler e conhecer literatura são coisas sem sabor, ligadas ao universo da obrigação, distantes dos prazeres encontrados na natureza e (por que não?) na vida. Mas poderia, também, dependendo do que o professor faz com esse conjunto de versos, de como os faz chegar aos alunos, funcionar como elo entre as gerações "pós-modernas", sua forma de sentir e se relacionar com o mundo, e essa fala viva que vem do passado, inteiramente impregnada do presente. [...]
      Penso que esta é a motivação do trabalho que William Cereja vem desenvolvendo há anos. Cada um de seus livros revela a busca incessante de caminhos capazes de despertar o leitor adormecido em cada estudante, de confrontá-lo com as linguagens que o cercam, de impulsioná-lo para a condição de sujeito crítico. Entretanto, como autor participante e em permanente contato com professores e alunos, William vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis professores.
      Esta constatação pode parecer desanimadora, uma vez que o despreparo dos estudantes revela-se não apenas diante do texto literário, mas diante de qualquer tipo de texto, como confirmam diferentes pesquisas. Foi ela, entretanto, que motivou William a esboçar mais um gesto em direção à leitura e aos leitores.
      [...]
     O trabalho que está diante do leitor, portanto, é obra de um autor múltiplo, sujeito do ensino, da pesquisa e da proposição de consistentes alternativas. [...]
   Se terminasse aí, o trabalho não seria assinado por William Cereja e sua visão crítica e participativa. A proposta de implementar o que ele denomina "perspectiva dialógica do texto literário" parece, sem dúvida, uma saída possível para que a escola se afirme (re-afirme?) como um lugar de formação de leitores competentes para o texto e para a vida.
       [...]

BRAIT, Beth. A escola ainda tem lugar para a formação de leitores competentes? Prefácio. In: –––. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005.
Com relação às construções discursivas evidenciadas pela autora Beth Brait, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q2169997 Português
III

      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
     Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
     A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.   
    Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia.
      [...]
    O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas, fazendo compras.
     [...] A fábrica de massas italianas, ali mesmo da vizinhança, começou a trabalhar, engrossando o barulho com o seu arfar monótono de máquina a vapor. [...] Um carroção de lixo entrou com grande barulho de rodas na pedra, seguido de uma algazarra medonha algaraviada pelo carroceiro contra o burro. E, durante muito tempo, fez-se um vaivém de mercadores. [...] Cada vendedor tinha o seu modo especial de apregoar, destacando-se o homem das sardinhas, com as cestas do peixe dependuradas, à moda de balança, de um pau que ele trazia ao ombro. Nada mais foi preciso do que o seu primeiro guincho estridente e gutural para surgirem logo, como por encanto, uma enorme variedade de gatos, que vieram correndo acercar-se dele com grande familiaridade, roçando-se-lhe nas pernas arregaçadas e miando suplicantemente. O sardinheiro os afastava com o pé, enquanto vendia o seu peixe à porta das casinhas, mas os bichanos não desistiam e continuavam a implorar, arranhando os cestos que o homem cuidadosamente tapava mal servia ao freguês. Para ver-se livre por um instante dos importunos era necessário atirar para bem longe um punhado de sardinhas, sobre o qual se precipitava logo, aos pulos, o grupo dos pedinchões.
[...]

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 15. ed. São Paulo: Ática, 2018. p. 35-36
No que se refere aos recursos expressivos que contribuem para compreensão da relevância que o cortiço tem para o universo da história narrada, como sendo seu principal espaço, considere as seguintes afirmações:

I. Há, no trecho “Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.”, uma atribuição de humanização ao cortiço que, após uma noite de sono, desperta, evidenciando o uso da prosopopeia ou personificação. II. A verossimilhança como possibilidade de verdade no universo da narrativa azevediana determina o teor expressivo e realista do romance, numa emblemática composição arcadista. III. A linguagem metafórica, muito presente na construção de textos literários, atribui um sentido conotativo à seguinte passagem: “Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo.”.
Está correto, em relação ao texto, o que se afirma em:
Alternativas
Q2169993 Português


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Compreende-se por intertextualidade a inter-relação existente entre as produções humanas, cujo intuito é estabelecer diálogos entre as diversas vozes discursivas a partir de um texto com outro preexistente, sugerindo novos sentidos. Esse recurso linguístico trabalha e existe dentro de uma produção cultural, literária, pictórica, musical ou cinematográfica. A partir da análise comparativa entre essas duas obras, buscando a relação intertextual pautada na linguagem não verbal, a releitura de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, numa perspectiva contemporânea, representa:

Alternativas
Q2169985 Português
Um novo José
Josias de Souza


Calma, José.
A festa não recomeçou,
a luz não acendeu,
a noite não esquentou,
o Malan não amoleceu.
Mas se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora Camdessus.
Continua sem mulher,
continua sem discurso,
continua sem carinho,
ainda não pode beber,
ainda não pode fumar,
cuspir ainda não pode,
a noite ainda é fria,
o dia ainda não veio,
o riso ainda não veio,
não veio ainda a utopia,
o Malan tem miopia,
mas nem tudo acabou,
nem tudo fugiu,
nem tudo mofou.
Se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora FMI.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
O Malan nada faria,
mas já há quem faça.
Ainda só, no escuro,
qual bicho-do-mato,
ainda sem teogonia,
ainda sem parede nua,
para se encostar,
ainda sem cavalo preto
que fuja a galope,
você ainda marcha, José!
Se voltar a pergunta:
José, para onde?
Diga: ora, Drummond,
por que tanta dúvida?
Elementar, elementar.
Sigo pra Washington.
E, por favor, poeta,
não me chame de José.
Me chame Joseph.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0410199904.htm>. Acesso em: 22 mar. 2023.

Acerca da construção dos versos, pode-se afirmar que José teria possibilidades de mudar sua situação. De todas as possibilidades, uma apresenta a hipótese, marcada por uma ideia de condicionalidade, mais extrema que as demais. Assinale a alternativa em que o verso sugere tal hipótese. 
Alternativas
Q2169984 Português
Um novo José
Josias de Souza


Calma, José.
A festa não recomeçou,
a luz não acendeu,
a noite não esquentou,
o Malan não amoleceu.
Mas se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora Camdessus.
Continua sem mulher,
continua sem discurso,
continua sem carinho,
ainda não pode beber,
ainda não pode fumar,
cuspir ainda não pode,
a noite ainda é fria,
o dia ainda não veio,
o riso ainda não veio,
não veio ainda a utopia,
o Malan tem miopia,
mas nem tudo acabou,
nem tudo fugiu,
nem tudo mofou.
Se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora FMI.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
O Malan nada faria,
mas já há quem faça.
Ainda só, no escuro,
qual bicho-do-mato,
ainda sem teogonia,
ainda sem parede nua,
para se encostar,
ainda sem cavalo preto
que fuja a galope,
você ainda marcha, José!
Se voltar a pergunta:
José, para onde?
Diga: ora, Drummond,
por que tanta dúvida?
Elementar, elementar.
Sigo pra Washington.
E, por favor, poeta,
não me chame de José.
Me chame Joseph.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0410199904.htm>. Acesso em: 22 mar. 2023.

O texto produzido por Josias de Souza apresenta uma nítida intertextualidade com o poema escrito por Drummond de Andrade. No entanto, é possível observar que se trata de um artigo de opinião na forma de um poema. Com base nos estudos sobre gêneros textuais, é incorreto afirmar que: 
Alternativas
Q2169966 Português
      O ego se estabelece por meio de uma divisão da psique humana, na qual a identidade se separa em duas partes que poderíamos chamar de “eu” e “meu”. Portanto, todo ego é esquizofrênico, para usar a palavra no seu significado popular, que designa personalidade dividida. Nós vivemos com uma imagem mental de nós mesmos, um eu conceitual com quem temos um relacionamento. A vida em si torna-se conceitualizada e separada de quem somos quando falamos “minha vida”. No momento em que dizemos ou pensamos “minha vida” e acreditamos nessa ideia (em vez de considerá-la uma mera convenção linguística), entramos na esfera da ilusão. Se existe algo como “minha vida”, concluímos que “eu” e “vida” são duas coisas separadas. Assim, podemos também perder a vida, nosso valioso bem imaginário. A morte torna-se uma realidade aparente e uma ameaça. As palavras e os conceitos dividem a vida em segmentos isolados que não têm realidade própria. Poderíamos até mesmo dizer que o conceito “minha vida” é a ilusão original da separação, a origem do ego. Por exemplo, se eu e a vida somos dois, se seu existo separado dela, então estou separado de todas as coisas, de todos os seres, de todas as pessoas. Mas como eu poderia existir separado da vida? Qual “eu” poderia existir dissociado dela, à parte do Ser? É completamente impossível. Portanto, não existe algo como “minha vida”, e nós não temos uma vida. Nós somos a vida. Nós e a vida somos um. Não é possível ser de outra maneira. Portanto, como poderíamos perder nossa vida? Como poderíamos perder algo que não temos? Como poderíamos perder algo que nós somos? É impossível.


(Eckhart Tolle – Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência.)
Sobre o texto, marque a alternativa incorreta:
Alternativas
Respostas
17561: C
17562: C
17563: A
17564: B
17565: C
17566: B
17567: E
17568: A
17569: E
17570: B
17571: A
17572: E
17573: D
17574: D
17575: B
17576: C
17577: B
17578: C
17579: C
17580: D