Acerca da construção dos versos, pode-se afirmar que José te...

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Q2169985 Português
Um novo José
Josias de Souza


Calma, José.
A festa não recomeçou,
a luz não acendeu,
a noite não esquentou,
o Malan não amoleceu.
Mas se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora Camdessus.
Continua sem mulher,
continua sem discurso,
continua sem carinho,
ainda não pode beber,
ainda não pode fumar,
cuspir ainda não pode,
a noite ainda é fria,
o dia ainda não veio,
o riso ainda não veio,
não veio ainda a utopia,
o Malan tem miopia,
mas nem tudo acabou,
nem tudo fugiu,
nem tudo mofou.
Se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora FMI.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
O Malan nada faria,
mas já há quem faça.
Ainda só, no escuro,
qual bicho-do-mato,
ainda sem teogonia,
ainda sem parede nua,
para se encostar,
ainda sem cavalo preto
que fuja a galope,
você ainda marcha, José!
Se voltar a pergunta:
José, para onde?
Diga: ora, Drummond,
por que tanta dúvida?
Elementar, elementar.
Sigo pra Washington.
E, por favor, poeta,
não me chame de José.
Me chame Joseph.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0410199904.htm>. Acesso em: 22 mar. 2023.

Acerca da construção dos versos, pode-se afirmar que José teria possibilidades de mudar sua situação. De todas as possibilidades, uma apresenta a hipótese, marcada por uma ideia de condicionalidade, mais extrema que as demais. Assinale a alternativa em que o verso sugere tal hipótese. 
Alternativas

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Tema central: Esta questão envolve interpretação de texto aliada ao reconhecimento do modo verbal do subjuntivo para expressar hipóteses, especialmente em construções condicionais.

Justificativa da Alternativa Correta (C): O verso “se você morresse...” utiliza o verbo “morrer” no pretérito imperfeito do subjuntivo, após a conjunção “se”. Segundo Evanildo Bechara, o subjuntivo costuma marcar hipóteses, desejos ou situações incertas e, neste caso, a condição apresentada é a mais extrema possível: a própria morte do personagem, superando todas as outras hipóteses citadas. É o exemplo clássico de condicionalidade extrema na estrutura sintática: “Se + verbo no subjuntivo...”. Assim, a alternativa C corresponde exatamente ao que se pediu: a hipótese mais extrema dentre as possibilidades levantadas nos versos.

Análise das alternativas incorretas:

A) “Mas se voltar a pergunta” – Aqui o verbo está no infinitivo (“voltar”), não há estrutura de condicionalidade envolvendo hipótese extrema, apenas sugere a possibilidade de repetição da pergunta. Não há, linguisticamente, uma ideia forte de risco ou impossibilidade.

B) “ainda não pode beber” – Uso do presente do indicativo. Trata-se de uma afirmação sobre impossibilidade no momento, sem qualquer hipótese ou condição envolvida.

D) “se você gritasse,” – Também no subjuntivo e dependente de uma condição, mas “gritar” não representa uma hipótese extrema. Trata-se de uma ação possível, sem a carga dramática da morte.

Estratégia para questões semelhantes: Atenção ao reconhecimento do modo subjuntivo e da função da conjunção “se”, que frequentemente introduz hipóteses, sejam prováveis ou improváveis. De acordo com Bechara, o subjuntivo exprime situações condicionais e incertas, e seu uso no pretérito imperfeito (“gritasse”, “morresse”) sempre sugere algo que depende de outra situação e pode não acontecer.

Dica: Sempre verifique o peso semântico do verbo na hipótese. Quanto mais irreal ou irremediável a condição, mais extrema é a hipótese sugerida.

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Resposta C, visto que é marcada por uma ideia de condicionalidade, mais extrema que as demais, a morte.

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