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Q2170000 Português
A ESCOLA AINDA TEM LUGAR PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES?
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
(Fernando Pessoa)


     A epígrafe deste texto, um fragmento do poema "Liberdade", incluído na obra Cancioneiro de Fernando Pessoa, certamente daria aos adolescentes de hoje muito pano para manga. Visto assim, fora de seu contexto poético, descolado do conjunto da produção do grande poeta português, poderia facilmente confundir-se com a voz de um estudante, confirmando a imagem de que estudar, ler e conhecer literatura são coisas sem sabor, ligadas ao universo da obrigação, distantes dos prazeres encontrados na natureza e (por que não?) na vida. Mas poderia, também, dependendo do que o professor faz com esse conjunto de versos, de como os faz chegar aos alunos, funcionar como elo entre as gerações "pós-modernas", sua forma de sentir e se relacionar com o mundo, e essa fala viva que vem do passado, inteiramente impregnada do presente. [...]
      Penso que esta é a motivação do trabalho que William Cereja vem desenvolvendo há anos. Cada um de seus livros revela a busca incessante de caminhos capazes de despertar o leitor adormecido em cada estudante, de confrontá-lo com as linguagens que o cercam, de impulsioná-lo para a condição de sujeito crítico. Entretanto, como autor participante e em permanente contato com professores e alunos, William vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis professores.
      Esta constatação pode parecer desanimadora, uma vez que o despreparo dos estudantes revela-se não apenas diante do texto literário, mas diante de qualquer tipo de texto, como confirmam diferentes pesquisas. Foi ela, entretanto, que motivou William a esboçar mais um gesto em direção à leitura e aos leitores.
      [...]
     O trabalho que está diante do leitor, portanto, é obra de um autor múltiplo, sujeito do ensino, da pesquisa e da proposição de consistentes alternativas. [...]
   Se terminasse aí, o trabalho não seria assinado por William Cereja e sua visão crítica e participativa. A proposta de implementar o que ele denomina "perspectiva dialógica do texto literário" parece, sem dúvida, uma saída possível para que a escola se afirme (re-afirme?) como um lugar de formação de leitores competentes para o texto e para a vida.
       [...]

BRAIT, Beth. A escola ainda tem lugar para a formação de leitores competentes? Prefácio. In: –––. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005.
De acordo com o texto, a tríade: organização curricular, papel da escola e trabalho docente representa um contexto possível, no entanto:
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto, centrada na compreensão da competência leitora dos estudantes, isto é, sua capacidade de entender, refletir e analisar textos em diferentes contextos, aspecto cobrado de forma recorrente em provas para professores.

Justificativa da alternativa correta:

A alternativa D) “Os estudantes têm demonstrado inexperiência quanto à competência leitora.” é a correta porque reflete fielmente a mensagem central do texto. Segundo o trecho: “os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis professores”. Ou seja, o autor destaca que mesmo com a atuação dos professores e das instituições, persiste o despreparo dos estudantes na leitura.

A estratégia para chegar a essa alternativa envolve a busca pelo dado explícito no texto. Ao identificar termos como “despreparados para ler” e “inexperiência leitora”, vemos a correspondência direta à alternativa D.

Análise das alternativas incorretas:

A) “A comunidade escolar não é atuante...”
Essa opção está incorreta pois o texto reconhece o empenho de escolas, professores e diretrizes, contrariando a ideia de inatividade da comunidade escolar. O erro comum aqui é deduzir uma crítica à comunidade quando, na verdade, a crítica recai sobre o resultado, não sobre o esforço.

B) “Não há uma plena participação do sujeito enquanto protagonista...”
Apesar de o texto tratar da formação do leitor crítico, não afirma a ausência de protagonismo ou participação cidadã como principal problema dos alunos, tornando esta alternativa também inadequada.

C) “O professor precisa repensar...”
Embora o texto valorize o papel do professor e suas propostas, não indica como questão central a necessidade de “repensar a sociedade leitora”, e sim destaca o problema do despreparo dos estudantes. Trata-se de uma distração clássica: uma verdade genérica não apoiada pelo trecho examinado.

Dica para concursos: Sempre confronte cada alternativa com o texto, buscando palavras-chave e dados explícitos ou inferências diretas. Desconfie de generalizações e “traduções livres” demais.

Referência: Conforme preconizam William Cereja e Irandé Antunes, a leitura atenta é o caminho para identificar o sentido exato pretendido pelo autor e para não cair em “pegadinhas” interpretativas da banca.

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Resposta: D "William vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis professores".

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