Questões de Concurso
Sobre morfologia em português
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De acordo com a tirinha, no primeiro quadrinho, (essa); no segundo, (da); no terceiro, (é), no quarto (não), são respectivamente:
( ) Derivação sufixal, (ou sufixação): resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical.
( ) Derivação parassintética, (ou parassíntese): ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. É um processo que dá origem principalmente a verbos, obtidos a partir de substantivos e adjetivos.
( ) Derivação regressiva: ocorre quando se retira a parte de uma palavra primitiva, obtendo-se por essa redução uma palavra derivada. É um processo, particularmente, produtivo para a formação de substantivos a partir de verbos, principalmente, os da primeira e os da segunda conjugações. Esses substantivos, chamados por isso deverbais, indicam sempre o nome de uma ação. O mecanismo para sua obtenção é simples: substitui-se a terminação verbal formada pela vogal temática + desinência de infinitivo (-ar ou -er) por uma das vogais temáticas nominais (-a, -e, ou -o).
( ) Derivação imprópria: ocorre quando determinada palavra, sem sofrer nenhum acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical.
O mistério de Ney Matogrosso jamais se revela completamente
Decifrá-lo é impossível. Recriá-lo, não.
Jesuíta Barbosa, ator, intérprete de Ney Matogrosso em "Homem com H"
[...] Uma das cenas mais marcantes das filmagens aconteceu quando eu contracenei com Bruno Montaleone, que interpreta o Marco de Maria. Os dois estão na cama. Ney abre o exame com o resultado negativo para o HIV. Silêncio. O de seu parceiro, no entanto, tinha dado positivo. Ney fica sem chão porque pensou que contrairia o vírus como muitos dos seus amigos e amores naquele período. Lembro que no dia em que fizemos essa cena, o Ney Matogrosso real estava numa cadeira sentado junto à equipe de filmagem, na frente da cama, olhando para mim e para o Montaleone. Não tinha como não sentir ou abstrair de sua presença no set. As poucas pessoas da equipe que acompanhavam a gravação estavam muito concentradas. Foi um momento doloroso para os dois e importantíssimo para a história que estávamos contando.
Apesar de estar inteiro na cena, meus olhos desviavam para observar as reações de Ney. Pensava no que ele estaria sentindo e trazia aquela tensão para a minha interpretação. Entendi que aquilo que estávamos encenando não era uma lembrança distante do passado, mas algo que ainda estava muito vivo.
Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto. Ele foi tomado pela cena, pela suposta ficção, e começou a chorar compulsivamente. "Eu não sou assim, eu não sou assim." Repetia a mesma frase várias vezes. Por um momento, pensei que ele estava se referindo à minha interpretação. Mas não era isso, ele não estava julgando a cena. Estava, na verdade, protestando contra aquele sentimento que o fazia chorar. Pude ver um Ney Matogrosso vulnerável, com medo e angustiado. Peguei aquela frase que não estava no roteiro e a inseri no filme: "Eu não sou assim." Então, quando você, leitor, assistir a esta cena, saiba que a frase foi dita pelo Ney Matogrosso real na coxia do set. Aquilo foi uma simbiose, uma troca de experiências e de sensações. Foi uma recriação da vida e certamente um dos momentos mais importantes que vivi fazendo cinema.
Assisti ao primeiro corte do filme ao lado do Ney. Estava muito nervoso e ele segurou na minha mão. Chorei muito e quis o colo dele. E ele me deu colo, me amparou. Ele também estava emocionado. Este homem, que sabe acolher o outro em momentos de fraqueza, é também caloroso e diacrítico. Homem cujo peito transborda amor neste mundo hostil. Um homem-águia voando leve, muito leve. Águia que, às vezes, faz uma bela manobra, vem e pousa.
(Disponível em:
https://piaui.folha.uol.com.br/o-misterio-de-ney-matogrosso-jamais-se-revela-completamente/. Acesso em 21 ago. 2025. Adaptado.)
Em um determinado momento, Ney se levantou da cadeira. Parecia inquieto.
I.O verbo levantar-se está conjugado no pretérito perfeito do indicativo, sinalizando um fato pontual, iniciado e finalizado.
II.O verbo parecer está conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo. Apesar de o fato estar acabado no passado, ele revela um sentido de incerteza a respeito da inquietação do sujeito.
III.O período poderia ser reescrito da seguinte maneira, sem prejuízo no sentido: Em um determinado momento, Ney se levantaria da cadeira, parecendo inquieto.
É correto o que se afirma em:
I. Meus livros preferidos são os de suspense.
II. Ele desperdiçou o seu tempo com bobagens.
III. Este segredo deve ficar apenas entre nós.
pode-se afirmar que:
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Um coelho
Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.
Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.
Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]
Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.
Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:
— E o coelho?
— Não sei. Não tenho jogado no bicho
— Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).
— Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!
— É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.
Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.
A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.
Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.
OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de
Janeiro, 1969. Disponível em
<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>.
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Um coelho
Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.
Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.
Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]
Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.
Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:
— E o coelho?
— Não sei. Não tenho jogado no bicho
— Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).
— Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!
— É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.
Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.
A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.
Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.
OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de
Janeiro, 1969. Disponível em
<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>.
“Olhos fechados
Pra te encontrar
Não estou ao seu lado
Mas posso sonhar
Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar” (Paralamas do Sucesso)
Em relação às palavras destacadas na letra de música acima, é correto afirmar que:
Analise as frases abaixo e assinale a alternativa que apresenta o número de lacunas que podem ser preenchidas corretamente com “mal”.
- Sofri um ___-estar súbito.
- Um grande ___ da humanidade é que nem sempre o bem vence; mas permanece sempre a esperança de que passe o ___ presságio.
- ___ o homem chegou ao trabalho, já vieram com um ___ negócio para ele.
Hoje eu quero voltar sozinho (2014)
Leonardo, um adolescente cego, tenta se encontrar no mundo enquanto lida com a mãe superprotetora e luta por uma maior independência. Ele quer liberdade, uma história de amor e se livrar dos estereótipos que as pessoas colocaram sobre ele. No meio do caos da adolescência, Gabriel, o menino recém-chegado na cidade, o incentiva na sua jornada de autoconhecimento. Em uma narrativa leve e delicada, os dois personagens vivenciam o mundo que sempre quiseram explorar.
(Júlia Custódio. Quando os protagonistas LGBTQIA+ passam longe do estereótipo. Disponível em: < https://vidasimples.co/diversidade/cinco-filmes-com-protagonistas-lgbtqi a/ >. Acesso em 26 jun. 2025. Adaptado.)
A partir da leitura do excerto, analise as assertivas que seguem:
I.As expressões "um adolescente cego" e "o menino recém-chegado na cidade" têm o mesmo valor sintático: ambas são apostos explicativos, reiterando a identidade dos personagens do filme.
II.A palavra "superprotetora" é uma palavra composta por prefixação e não exige o uso do hífen porque a palavra que segue ao prefixo não se inicia com h ou r.
III.Em "recém-chegado" o hífen é facultativo, uma vez que são duas palavras independentes e o uso ou o não uso do hífen é indiferente: Espera-se que o "recém lançado" livro alcance leitores em todo o país.
IV.A respeito do gênero textual do excerto, é uma sinopse do filme, uma vez que apenas resume o enredo, sem que a autora emita opinião.
É correto o que se afirma em:
(I) É certo que ele fala bem.
(II) É certo que ele fala bem mal.
Em relação às frases acima, é correto afirmar que:
“Não se preocupe. Aja de acordo com a ética. Mesmo que todos se abstivessem de suas obrigações, você não deveria desistir, como já fizera diversas outras vezes.”
Em relação às formas verbais destacadas no enunciado acima, é correto afirmar que:
Assinale a alternativa em que as palavras preenchem corretamente as lacunas da frase abaixo, na mesma ordem.
“Com o objetivo de _______ o trabalho, a turma deveria _______ datas, _______ o conteúdo e _______ um estilo de escrita bastante moderno.”
Leia a citação a seguir, de Gilbert Keith Chesterton, para responder às questão:
O certo é certo, mesmo que ninguém o faça. O errado é errado, mesmo que todos estejam errados sobre isso.
(Disponível em: https://www. chesterton.org. Tradução livre)
Considere o enunciado a seguir, em que devem ser empregados os verbos destacados na citação:
Na ocasião, os técnicos recomendaram que se ___________ alguma coisa para contornar as dificuldades que os usuários porventura ____________ enfrentando.
Assinale a alternativa em que esses verbos preenchem as lacunas de acordo com a norma-padrão de correlação verbal.
“O verbo _____ forma-se por prefixo e sufixo ao mesmo tempo; a expressão _____ passa a outra classe sem mudar de forma.”
Marque a opção que preenche CORRETA e respectivamente as lacunas.