Questões de Concurso
Sobre morfologia - pronomes em português
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Transbordando memórias
Maria Luiza Glovacki
Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.
O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.
Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.
E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.
Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.
O rio transbordou. E eu também transbordei.
Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026.
- Entre e ela, era tudo de bom.
- Para , fazer aquilo não era sacrifício.
- Em termos de dedicação, ele é melhor do que .
- Para passar no exame, tenho que estudar.
Assinale a alternativa que apresenta a junção correta dos dois enunciados a seguir:
- Aquele é um artista famoso.
- Eu lhe falei dos talentos do artista.
- uma mão naquilo que você puder.
- Peço que no que for necessário.
- Eu jamais do que você fez por nós.
- Vocês gostariam de um exemplo do que estou falando?"
Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita do trecho acima totalmente correta.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Se o flaneur* do século 19 prenunciava a crise de identidade, hoje o cidadão globalizado tem de se entender com seus outros espaços e tempos, que não passam somente pelo estar aqui e agora. Aqui não mais representa um lugar, e agora não mais representa um momento.
É claro que não se trata aqui de um tratado sobre guerra/terrorismo, ou mesmo sobre o conceito de nação, mas sim de tentar, pelo viés artístico, apontar as transformações por que passa nossa cultura contemporânea, marcada pela visualidade e por um estágio de intensa mistura entre as mais diversas formas de construção imagética, na qual temos de lidar com a crise das passagens entre real-virtual-real.
Para o filósofo Alain Renaud, que se tem destacado por suas análises das relações entre a cultura e a tecnologia, a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo. Dentro dessas novas estruturas, aquela que o autor denomina "imagem espetáculo" é substituída pelo "simulacro interativo", o que gera uma transformação radical não apenas no conceito de representação, mas, sobretudo, na relação com o real.
Se analisarmos a mídia, a indústria cultural vem (re)tratando a sociedade como um espetáculo; ela tem autoridade para transformar eventos tão díspares como guerra ou vida cotidiana em simulacros de shows e games. Podemos afirmar que não estamos mais no terreno do Grande Irmão, de George Orwel, em seu livro 1984, e sim imersos no universo descrito por Peter Weil no filme Truman Show (1998), que narra a história de um vendedor de seguros (Jim Carrey) que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando descobre que é o astro, desde que nasceu, de um show de televisão dedicado a acompanhar todos os passos de sua existência.
Não é gratuito, aqui, substituir uma referência literária por uma cinematográfica. É claro que a indústria cultural não despreza a literatura, mas o cinema há muito tempo substituiu no imaginário popular, ou das massas, para usar uma expressão cara à indústria cultural, a referência cultural. [...]
(Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/a-moda-como-manifesto-da-arte/. Acesso em: 02 jul. 2026. Adaptado.) *pessoa (do sexo masculino) que perambula, observando o que vê; flanador
(__)No terceiro parágrafo, o autor faz a seguinte construção: Dentro dessas novas estruturas . O pronome demonstrativo "essas" estabelece uma relação com algo que já foi mencionado explícita ou implicitamente no texto. No caso, o leitor precisa mobilizar seus conhecimentos prévios e compreender que o pronome se refere ao conjunto de ideias expressas em "a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo", interpretando quais "novas estruturas" estão contidas dentro desse conjunto.
(__)Ainda no terceiro parágrafo, o pronome demonstrativo "aquela" não tem referente explícito no texto, o que torna impossível para o leitor deduzir ou entender a respeito de que o autor trata. Isso resulta em um problema de coesão textual.
(__)No trecho: a noção de visibilidade cultural hoje está ligada aos processos de simulação interativa, que permitem antecipar o real físico, reproduzi-lo e manipulá-lo , o pronome relativo "que" se refere a "processos" (de simulação interativa) e poderia ser substituído por "os quais", mantendo o sentido do texto.
(__)No quarto parágrafo, especificamente no trecho que narra a história de um vendedor de seguros (Jim Carrey) que tem sua vida virada de cabeça para baixo , o primeiro pronome destacado tem como referente Truman Show. Já o segundo deixou o trecho ambíguo porque não é possível identificar com clareza se ele se refere a "vendedor de seguros" ou a "Jim Carrey".
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
- Para _________ chegar a tempo à exposição, vai ser necessário madrugar.
- Para ________, prestigiar tão renomado evento vai ser um prazer.
- Não havia nenhum desacerto entre ________ e ela; só que não deu certo nossa relação.
- Traga para _______ avaliar todos os quadros da sua coleção.
- _________ os lápis que estão na mesa, aos quais _______ durante a nossa conversa.
- Jamais ________ uma desfeita dessa; peço que isso não ___________.
Em relação às palavras destacadas no pensamento acima, considere as seguintes afirmativas:
(i) Apenas duas são de natureza pronominal.
(ii) Todas têm sentido indefinido.
(iii) Apenas uma é pronome pessoal.
(iv) Apenas uma é pronome adjetivo enfático.
Estão corretas apenas:
Reescrevendo a parte destacada do pensamento acima fazendo referência a "elas" (terceira pessoa do plural no feminino), fica correta a seguinte construção:

Radioactive: quem foi Marie Curie, cientista retratada no novo sucesso da Netflix
Personagem principal do filme “Radioactive”, Marie Curie tem uma história impressionante. Conheça a trajetória dessa cientista!
Cientista premiada nas categorias Física e Química, Marie Curie é a única mulher a ter recebido dois prêmios Nobel e a única pessoa a ser premiada em duas áreas científicas diferentes. Um dos motivos pelos quais Marie Curie se tornou conhecida como uma grande cientista foi quando estudou o urânio, com seu marido, Pierre Curie. Marie usou, pela primeira vez, o termo “radioatividade”, referindo-se à descoberta feita pelo cientista Henri Becquerel. Os Curie descobriram que o urânio emitia radiação pelos próprios átomos, não por alguma interação molecular. Marie Curie prosseguiu na pesquisa com os minérios de urânio e, em 1898, descobriu dois novos elementos químicos, o polônio, nomeado em homenagem a seu país natal, e o rádio.
Sua pesquisa lhe rendeu o prêmio Nobel de Física e também o de Química. Em 1903, Marie Curie recebeu a honra com seu marido, Pierre Curie, e com o cientista segunda premiação veio em 1911, pela descoberta dos elementos polônio e rádio.
Rapidamente, Marie Curie desenvolveu aplicações médicas para suas descobertas. Na Primeira Guerra Mundial, Curie montou unidades móveis de raio-x. Estima-se que o esforço de Curie tenha sido o responsável pelas radiografias de mais de um milhão de soldados. Suas histórias de guerra são relatadas no livro Radiologia na Guerra, lançado em 1919.
Seus trabalhos foram um sucesso e suas pesquisas corriam a todo vapor, mas não se sabia ainda do perigo de ter contato com a radiação. Assim, Marie Curie não tomava nenhum cuidado específico ao lidar com os elementos. Andava com tubos de ensaio com amostras de rádio em seu bolso de jaleco, fazia diversas radiografias sem a devida proteção e com isso passou anos sendo contaminada.
Após anos de contaminação, Curie faleceu. Algumas fontes atribuem sua morte à leucemia, outras à anemia a plástica, mas a própria Curie atribuía a doença à exposição aos raios-x durante a guerra. De fato, uma análise de seus restos mortais em 1995 mostrou que seu corpo não apresentava vestígios de Rádio. Os livros de anotações de Marie Curie, por outro lado, contam com alto nível de radiação e devem ser pegos com a devida proteção.
A respeito dos aspectos linguísticos e do vocabulário empregado no texto, julgue o item seguinte.
Na oração “Sua pesquisa lhe rendeu o prêmio Nobel de Física e também o de Química.”, o pronome “lhe” poderia ser substituído, sem alteração de sentido, pelo pronome a.
Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
( ) Em “Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta”, “se” é pronome reflexivo.
( ) Em “o leitor se depara com ‘Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem’”, “se” é índice de indeterminação do sujeito. ( ) Em “para ver se as pessoas ao redor topam entrar no nosso mundo”, “se” é conjunção integrante.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: