Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3787789 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Positividade Tóxica


Robert e Julia formam um belo casal, segundo os comentários dos amigos nas fotos publicadas em suas redes sociais. Quase todos os dias, após o trabalho, Robert chega em casa estressado e angustiado, por essa razão acabam desabafando com a esposa. Esses dias, o rapaz cabisbaixo disse a Júlia:

— Ai, ai, ai... estou tão cansado que não vejo a hora de tomar um bom banho, comer alguma coisa e dormir.

A esposa, com uma voz animada, respondeu: — Eu também estou exausta, mas não podemos deixar isso nos desaminar. Daqui a um pouquinho, após o jantar, temos de fazer um bolo juntos, conforme prometemos ontem aos nossos seguidores. Então, vá logo... primeiramente, coloque o meu celular para carregar, depois tome banho e arrume-se.

Robert, com um olhar abatido, disse:

— Confesso que não estou mais aguentando essa vida na vitrine digital. Há meses venho sentindo algo estranho dentro de mim que eu não consigo expressar. Conversei com a minha mãe, ela me disse para procurar um psicólogo urgente.

Julia, em ideia contrária à sogra, respondeu em tom alto.

— Que psicólogo nada... pare com essa bobeira! Sua mãe é exagerada. Esqueceu que seu horóscopo é de touro?! Sorria! Olhe à sua volta, assista os videozinhos das redes sociais, leia aqueles livros sobre como ganhar dinheiro; afinal de contas, a vida é como um macarrão instantâneo, daquela marca famosa, em três minutos podemos partir, então vamos aproveitar ao máximo! Aff, que psicólogo nada...


PEREIRA, Gisele Carvalho. Positividade Tóxica. In: CALICCHIO, Fátima Christina; CARNEIRO, Otávio Felipe (org.). Crônicas e Minicontos: histórias reflexivas de professores em formação [recurso eletrônico]. Maringá − PR: UniCV, 2024. Disponível em: https://unicv.edu.br/wp-content/uploads/2024/06/Livro-de-Cronicas-e-Mi nicontos-Projeto-GOPT-1-1.pdf . Acesso em: 21 nov. 2025.
Com base na leitura atenta do texto apresentado, julgue a alternativa correta quanto à interpretação e aos efeitos discursivos construídos pelas personagens no diálogo apresentado.
Alternativas
Q3787738 Português
A ampliação das interações por meio das tecnologias digitais tem provocado mudanças significativas nas práticas de linguagem, em especial naquelas relacionadas à oralidade. Em ambientes como podcasts, videoconferências, transmissões ao vivo e redes sociais, observa-se a emergência de gêneros orais mediados por suportes digitais, com implicações diretas para o ensino de Língua Portuguesa. Considerando esse cenário contemporâneo e os fundamentos teóricos sobre a oralidade, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3787737 Português

Acerca dos modos de organização textual e das formas de enunciação, analise as afirmativas a seguir:



I. A descrição, como modo de composição textual, pressupõe a estabilidade dos referentes e a imobilidade das ações, o que a torna incompatível com o uso de verbos de ação e com a progressividade sintática que caracteriza os relatos.


II. A narração se estrutura sobre uma lógica de sucessividade temporal, ainda que a ordem cronológica dos eventos narrados possa ser reorganizada no plano do discurso segundo marcas textuais de anacronia ou paralelismo episódico.


III. O discurso indireto livre, ao mesclar vozes enunciativas sem demarcação formal explícita, permite a sobreposição entre o narrador e o personagem, criando um efeito de oscilação referencial que complexifica a distinção entre relato e enunciação.



É correto o que se afirma em

Alternativas
Q3787736 Português

Em relação ao funcionamento estilístico das figuras de linguagem, considere as proposições abaixo, e assinale V (verdadeira) ou F (falsa):



(__) A metáfora distingue-se da metonímia por sua base associativa imagética e pela ausência de contiguidade real entre os termos envolvidos, sendo a aproximação resultado de um deslocamento analógico subjetivo.


(__) A antítese realiza um contraste entre termos semanticamente opostos, produzindo um paradoxo lógico que leva à suspensão da significação literal em favor de uma ambiguidade programada.


(__) A sinestesia promove o cruzamento sensorial entre domínios perceptivos distintos, sendo interpretada como uma figura de natureza puramente estilística, desvinculada de implicações semânticas ou cognitivas.



Assinale a alternativa com a sequência correta:

Alternativas
Q3787735 Português

"O movimento do __________ emergiu no século XX como tentativa de reconfigurar a produção simbólica em diferentes campos artísticos, contestando os mecanismos perceptivos baseados na lógica racional. Sua proposta, delineada inicialmente em manifesto, implicava na dissolução de fronteiras entre instâncias conscientes e inconscientes, na subversão dos vínculos formais entre linguagem e sentido, e na defesa de uma escrita automatizada como método criativo."


Assinale a alternativa que corretamente completa a lacuna no excerto: 

Alternativas
Q3787730 Português

Leia o excerto a seguir, extraído de um documento orientador do ensino de Língua Portuguesa:


"A leitura, entendida como prática discursiva, desloca-se da ideia de mera decodificação para uma experiência interacional complexa, em que o sujeito-leitor atua como coautor dos sentidos, reelaborando-os à luz de seu repertório e das múltiplas materialidades textuais com que interage."


Considerando os fundamentos teóricos da linguística textual e os princípios que norteiam o ensino de leitura nos documentos curriculares oficiais, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação compatível com os desdobramentos pedagógicos desse entendimento.

Alternativas
Q3787728 Português

A respeito da relação entre a norma culta e o ensino da língua portuguesa no contexto escolar brasileiro, analise as proposições a seguir e a relação lógica entre elas:



I. A imposição da norma culta como paradigma absoluto de correção nos ambientes escolares frequentemente compromete a construção de uma competência linguística crítica, ao limitar as possibilidades de reflexão sobre o funcionamento real da língua.



PORQUE



II. A norma culta, sendo um produto historicamente legitimado por práticas institucionais, apresenta-se como uma instância objetiva, isenta de marcas ideológicas, o que justifica seu uso preferencial no processo de letramento formal.



Com base nessas proposições, assinale a opção correta: 

Alternativas
Q3787725 Português
No quarto dia da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), os debates destacaram a centralidade do bem-estar humano nas estratégias de adaptação climática, ressaltando a integração entre saúde, educação e justiça como base para fortalecer comunidades. Considerando esse contexto, qual dimensão se apresenta como essencial para orientar políticas públicas de adaptação? 
Alternativas
Q3787363 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    O desenvolvimento da Inteligência Artificial Generativa (IAG) depende do treinamento de vastos conjuntos de informações para que o modelo aprenda sobre linguagem, padrões e conhecimento geral. Esses dados podem incluir textos, imagens ou vídeos, os quais frequentemente são protegidos por direitos autorais.

    Se, por um lado, a criatividade e o conteúdo humano precisam ser preservados e recompensados, por outro, regras rígidas de direitos autorais para o treinamento da IAG podem trazer efeitos colaterais preocupantes, tais como: custos proibitivos para empresas de pequeno porte, aumentando a vantagem competitiva das grandes empresas; fuga de centros de IA para países mais permissivos; menor precisão diante da menor quantidade de dados; e repressão da pesquisa aberta e concentração de inovação em ambientes fechados.

    O conteúdo, enquanto obra passível de proteção, é utilizado somente como insumo técnico para ensinar o modelo sobre as relações estatísticas entre os seus elementos. Embora esses vetores não reproduzam diretamente a obra original e os modelos não armazenem os dados como um banco de referência consultável, eles podem carregar sua estrutura em forma matemática, o que poderia levar à conclusão de que, a partir disso, seria possível reconstruir o conteúdo protegido.

    Diferentemente de um livro digital ou de uma música arquivada, esses sistemas não guardam cada obra de forma individual, mas extraem padrões estatísticos gerais a partir do conjunto de uma grande massa toda. A memorização de trechos específicos pode ocorrer, mas em pequena escala. Em geral, o modelo generaliza e o impacto de cada obra isolada se dilui dentro da massa de dados, não havendo como rastrear a contribuição unitária. Isso torna inadequado tratar o treinamento desses modelos como se fosse equivalente ao uso individualizado de uma obra musical, jornalística ou literária.

    No Brasil, há fundamentos jurídicos que permitem a aplicação do “uso justo”, conforme entendimentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a Lei de Direitos Autorais, quando: se tratar de situação especial; não prejudicar a exploração normal da obra; e não causar dano injustificado aos interesses do autor.

    Em geral, no caso do “treinamento justo”, os argumentos são: os dados são utilizados apenas como insumos técnicos, para ensinar padrões estatísticos, e não para copiar as obras originais; o aprendizado de máquina é comparável ao processo humano de indução e generalização; e a responsabilização deve ser aplicada em relação aos resultados produzidos que violem direitos autorais.

    Ou seja, o tema é desafiador e de alta complexidade, sob a perspectiva técnica e jurídica. A tensão entre garantir a remuneração e o reconhecimento dos criadores, por um lado, e não inviabilizar a inovação tecnológica, por outro, exige abordagem regulatória cuidadosa, proporcional e tecnologicamente embasada.


(Rony Vainzof. Treinamento da IA, direitos autorais e regulação. www.estadao.com.br, 21.10.2025. Adaptado)
 Está em conformidade com o que se afirma no texto e com a norma-padrão de concordância verbal e nominal a frase:
Alternativas
Q3787298 Português

Como a capacitação digital está transformando o mercado de trabalho 


Por Alexandre Max


(Disponível em: www.terra.com.br/noticias/educacao/carreira/opiniao – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Em relação ao texto, analise as assertivas a seguir:

I. O mercado de trabalho postula que os funcionários estejam sempre em processo de atualização para enfrentar as mudanças que a tecnologia promove no ambiente de trabalho.
II. Aprimoramento digital é condição para permanecer nas empresas; entretanto prescinde de cursos e atualizações a todo momento.
III. Treinamento, capacitação, comportamentos, proatividade, entre outros, são aspectos fundamentais para o atual mercado de trabalho.

Quais estão corretas? 
Alternativas
Q3787297 Português

Como a capacitação digital está transformando o mercado de trabalho 


Por Alexandre Max


(Disponível em: www.terra.com.br/noticias/educacao/carreira/opiniao – texto adaptado especialmente para esta prova). 

São temas abordados no texto, EXCETO: 
Alternativas
Q3787295 Português
Para responder a questão, considere a seguinte frase, retirada do texto:


“Ao investir nesses novos formatos de capacitação, as empresas têm a oportunidade não só de melhorar a produtividade e a qualidade de seus serviços, mas também de reter talentos”. 
Considerando a frase acima, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

( ) A expressão “Ao investir” poderia ser substituída por “Conquanto se invista”, sem causar alteração de sentido.
( ) Os termos correlatos “não só... mas também” estabelecem uma conexão de coordenação entre as orações.
( ) Se a expressão “não só... mas também” fosse substituída por “não só... mas ainda”, o sentido original seria mantido.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q3787294 Português

Como a capacitação digital está transformando o mercado de trabalho 


Por Alexandre Max


(Disponível em: www.terra.com.br/noticias/educacao/carreira/opiniao – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Considerando o seguinte trecho, retirado do texto, “É nesse cenário que novos formatos de aprendizagem, como ensino remoto e aplicativos, surgem como soluções estratégicas, incitando desenvolvimento”, analise as assertivas abaixo:

I. Já havia outro ou outros formatos de aprendizagem.
II. Os novos formatos estão relacionados apenas ao ensino remoto e aos aplicativos.
III. Não se pode delimitar quantos serão os novos tipos de aprendizagem.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q3787292 Português

Como a capacitação digital está transformando o mercado de trabalho 


Por Alexandre Max


(Disponível em: www.terra.com.br/noticias/educacao/carreira/opiniao – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Com base no texto, analise as assertivas abaixo:

I. No trecho “exi....e que os funcionários, especialmente aqueles em funções operacionais”, a palavra “aqueles” se refere a “funcionários”.
II. No trecho “Plataformas digitais e treinamentos a distância permitem que colaboradores, que antes ficavam __ margem de bons programas de capacitação”, o vocábulo “que” (2ª ocorrência) retoma “colaboradores”.
III. No trecho “Isso demonstra a importância de programas que também foquem o desenvolvimento de habilidades interpessoais” (l. 17-18), o vocábulo “Isso” faz referência à informação que será imediatamente enunciada.

Quais estão corretas? 
Alternativas
Q3787233 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    O desenvolvimento da Inteligência Artificial Generativa (IAG) depende do treinamento de vastos conjuntos de informações para que o modelo aprenda sobre linguagem, padrões e conhecimento geral. Esses dados podem incluir textos, imagens ou vídeos, os quais frequentemente são protegidos por direitos autorais.

    Se, por um lado, a criatividade e o conteúdo humano precisam ser preservados e recompensados, por outro, regras rígidas de direitos autorais para o treinamento da IAG podem trazer efeitos colaterais preocupantes, tais como: custos proibitivos para empresas de pequeno porte, aumentando a vantagem competitiva das grandes empresas; fuga de centros de IA para países mais permissivos; menor precisão diante da menor quantidade de dados; e repressão da pesquisa aberta e concentração de inovação em ambientes fechados.

    O conteúdo, enquanto obra passível de proteção, é utilizado somente como insumo técnico para ensinar o modelo sobre as relações estatísticas entre os seus elementos. Embora esses vetores não reproduzam diretamente a obra original e os modelos não armazenem os dados como um banco de referência consultável, eles podem carregar sua estrutura em forma matemática, o que poderia levar à conclusão de que, a partir disso, seria possível reconstruir o conteúdo protegido.

    Diferentemente de um livro digital ou de uma música arquivada, esses sistemas não guardam cada obra de forma individual, mas extraem padrões estatísticos gerais a partir do conjunto de uma grande massa toda. A memorização de trechos específicos pode ocorrer, mas em pequena escala. Em geral, o modelo generaliza e o impacto de cada obra isolada se dilui dentro da massa de dados, não havendo como rastrear a contribuição unitária. Isso torna inadequado tratar o treinamento desses modelos como se fosse equivalente ao uso individualizado de uma obra musical, jornalística ou literária.

     No Brasil, há fundamentos jurídicos que permitem a aplicação do “uso justo”, conforme entendimentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a Lei de Direitos Autorais, quando: se tratar de situação especial; não prejudicar a exploração normal da obra; e não causar dano injustificado aos interesses do autor.

    Em geral, no caso do “treinamento justo”, os argumentos são: os dados são utilizados apenas como insumos técnicos, para ensinar padrões estatísticos, e não para copiar as obras originais; o aprendizado de máquina é comparável ao processo humano de indução e generalização; e a responsabilização deve ser aplicada em relação aos resultados produzidos que violem direitos autorais.

Ou seja, o tema é desafiador e de alta complexidade, sob a perspectiva técnica e jurídica. A tensão entre garantir a remuneração e o reconhecimento dos criadores, por um lado, e não inviabilizar a inovação tecnológica, por outro, exige abordagem regulatória cuidadosa, proporcional e tecnologicamente embasada.


(Rony Vainzof. Treinamento da IA, direitos autorais e regulação. www.estadao.com.br, 21.10.2025. Adaptado)
Está em conformidade com o que se afirma no texto e com a norma-padrão de concordância verbal e nominal a frase:
Alternativas
Q3787192 Português

Texto para a questão.



O direito de papel 



    No dia 26 de agosto de 1789, os deputados franceses lançaram um dos grandes documentos da modernidade: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Era um vigoroso manifesto iluminista contra o Antigo Regime. Foi uma resposta ao crescimento dos movimentos sociais no verão de 1789, nas tensas semanas entre a queda da Bastilha, a onda de saques do Grande Medo e o fim dos direitos feudais (4 de agosto). Na semana que vem, o documento completa 228 anos.



    Os artigos da Declaração demolem o prédio secular do Absolutismo de Direito divino e da desigualdade social pelo nascimento. Era um novo mundo, pelo menos no papel. Deputados homens, na maioria de origem burguesa, refizeram o mundo pela sua perspectiva. Quando uma voz dissidente e feminina, Olympe de Gouges, lançou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi parar na guilhotina. Sejamos justos: a guilhotina não era machista. A lâmina ignorou gênero: matou Danton, Robespierre, Luís XVI, Maria Antonieta, freiras carmelitas e Lavoisier. 



    O texto de 26 de agosto é fundacional nas suas glórias e limitações. Suas ideias varreram a Europa e atravessaram o oceano. A Revolução de 1789 resultou na tirania napoleônica, porém, curiosamente, foi Napoleão que difundiu muitos legados revolucionários, inclusive o sistema métrico decimal. Os ingleses se orgulham de não terem sido invadidos pelo corso, juntam a seu nacionalismo invicto as jardas, as libras e até “stones”.



    Em 1948, a jovem ONU revisitou a Declaração. A Segunda Guerra Mundial ainda contabilizava seus genocídios e a Guerra Fria estremecia Berlim. A Assembleia aproveitou o momento e organizou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.



    É impossível discordar de uma única linha do texto. Ali está o melhor da humanidade como nós sonharíamos que ela fosse: tolerante, democrática, igualitária e respeitadora das diferenças. Ali o Homo sapiens, na sua sangrenta trajetória de guerras e preconceitos, deu uma pequena parada, respirou fundo e sonhou que as coisas poderiam ser de outra maneira. De muitas formas, o texto da ONU cumpre a origem da palavra dupla: o não lugar e o lugar bom. Se você nunca leu o texto de 1948, vale a pena consultá-lo como uma baliza de valores. 



    Meus alunos sempre questionam a validade de tais documentos. Do que adiantaria dizer que todos os homens são iguais e nascem livres, se por toda parte são desiguais e a maioria não é livre de forma metafórica ou prática? Qual o sentido de um papel diante do imperativo da força? O racista da Virgínia continua sua convicção canalha com ou sem o texto da ONU. O agressor de mulheres nunca leu Simone de Beauvoir. Se lesse, mudaria algo? O homofóbico responde a dramas pessoais internos que não serão transformados com as obras completas de Freud em alemão. O mundo real e material, o mundo aqui e agora, de que forma um papel pode mudá-lo? A dúvida é pertinente e forte. 



Fonte: https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/o direito-de-papel/ (adaptado). 

Considerando o uso contextual dos vocábulos “baliza” e “pertinente” no texto, analise as assertivas: 


I. No trecho em que se afirma que a Declaração Universal dos Direitos Humanos funciona como “uma baliza de valores”, o termo “baliza” poderia ser substituído, sem alteração do sentido global e com ajuste de concordância, por “referencial”, preservando-se a ideia de parâmetro orientador.


II. No momento em que o autor qualifica a dúvida dos alunos como “pertinente e forte”, o adjetivo “pertinente” admite substituição sinonímica por “congruente”, mantendo-se o sentido de adequação contextual e relevância da questão levantada.


Das assertivas, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q3787191 Português

Texto para a questão.



O direito de papel 



    No dia 26 de agosto de 1789, os deputados franceses lançaram um dos grandes documentos da modernidade: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Era um vigoroso manifesto iluminista contra o Antigo Regime. Foi uma resposta ao crescimento dos movimentos sociais no verão de 1789, nas tensas semanas entre a queda da Bastilha, a onda de saques do Grande Medo e o fim dos direitos feudais (4 de agosto). Na semana que vem, o documento completa 228 anos.



    Os artigos da Declaração demolem o prédio secular do Absolutismo de Direito divino e da desigualdade social pelo nascimento. Era um novo mundo, pelo menos no papel. Deputados homens, na maioria de origem burguesa, refizeram o mundo pela sua perspectiva. Quando uma voz dissidente e feminina, Olympe de Gouges, lançou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi parar na guilhotina. Sejamos justos: a guilhotina não era machista. A lâmina ignorou gênero: matou Danton, Robespierre, Luís XVI, Maria Antonieta, freiras carmelitas e Lavoisier. 



    O texto de 26 de agosto é fundacional nas suas glórias e limitações. Suas ideias varreram a Europa e atravessaram o oceano. A Revolução de 1789 resultou na tirania napoleônica, porém, curiosamente, foi Napoleão que difundiu muitos legados revolucionários, inclusive o sistema métrico decimal. Os ingleses se orgulham de não terem sido invadidos pelo corso, juntam a seu nacionalismo invicto as jardas, as libras e até “stones”.



    Em 1948, a jovem ONU revisitou a Declaração. A Segunda Guerra Mundial ainda contabilizava seus genocídios e a Guerra Fria estremecia Berlim. A Assembleia aproveitou o momento e organizou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.



    É impossível discordar de uma única linha do texto. Ali está o melhor da humanidade como nós sonharíamos que ela fosse: tolerante, democrática, igualitária e respeitadora das diferenças. Ali o Homo sapiens, na sua sangrenta trajetória de guerras e preconceitos, deu uma pequena parada, respirou fundo e sonhou que as coisas poderiam ser de outra maneira. De muitas formas, o texto da ONU cumpre a origem da palavra dupla: o não lugar e o lugar bom. Se você nunca leu o texto de 1948, vale a pena consultá-lo como uma baliza de valores. 



    Meus alunos sempre questionam a validade de tais documentos. Do que adiantaria dizer que todos os homens são iguais e nascem livres, se por toda parte são desiguais e a maioria não é livre de forma metafórica ou prática? Qual o sentido de um papel diante do imperativo da força? O racista da Virgínia continua sua convicção canalha com ou sem o texto da ONU. O agressor de mulheres nunca leu Simone de Beauvoir. Se lesse, mudaria algo? O homofóbico responde a dramas pessoais internos que não serão transformados com as obras completas de Freud em alemão. O mundo real e material, o mundo aqui e agora, de que forma um papel pode mudá-lo? A dúvida é pertinente e forte. 



Fonte: https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/o direito-de-papel/ (adaptado). 

A leitura global do texto permite compreender a função simbólica atribuída pelo autor às declarações de direitos ao longo da história. Considerando esse eixo interpretativo, analise as assertivas:

I. O texto sustenta que as declarações de direitos fracassam porque operam como utopias abstratas, insustentáveis para orientar práticas sociais, e por isso deveriam ser substituídas por políticas mais coercitivas.

II. A utilização da expressão “não lugar e lugar bom” remete ao caráter utópico dos direitos humanos, compreendidos como horizonte ético que não se realiza plenamente, mas que orienta expectativas coletivas de convivência civilizatória.

III. A evocação da ONU e seus documentos pretende demonstrar que a humanidade finalmente entrou em uma fase de plena igualdade, ainda que persistam pequenas tensões residuais.

Das assertivas, pode-se afirmar que:  
Alternativas
Q3787190 Português

Texto para a questão.



O direito de papel 



    No dia 26 de agosto de 1789, os deputados franceses lançaram um dos grandes documentos da modernidade: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Era um vigoroso manifesto iluminista contra o Antigo Regime. Foi uma resposta ao crescimento dos movimentos sociais no verão de 1789, nas tensas semanas entre a queda da Bastilha, a onda de saques do Grande Medo e o fim dos direitos feudais (4 de agosto). Na semana que vem, o documento completa 228 anos.



    Os artigos da Declaração demolem o prédio secular do Absolutismo de Direito divino e da desigualdade social pelo nascimento. Era um novo mundo, pelo menos no papel. Deputados homens, na maioria de origem burguesa, refizeram o mundo pela sua perspectiva. Quando uma voz dissidente e feminina, Olympe de Gouges, lançou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi parar na guilhotina. Sejamos justos: a guilhotina não era machista. A lâmina ignorou gênero: matou Danton, Robespierre, Luís XVI, Maria Antonieta, freiras carmelitas e Lavoisier. 



    O texto de 26 de agosto é fundacional nas suas glórias e limitações. Suas ideias varreram a Europa e atravessaram o oceano. A Revolução de 1789 resultou na tirania napoleônica, porém, curiosamente, foi Napoleão que difundiu muitos legados revolucionários, inclusive o sistema métrico decimal. Os ingleses se orgulham de não terem sido invadidos pelo corso, juntam a seu nacionalismo invicto as jardas, as libras e até “stones”.



    Em 1948, a jovem ONU revisitou a Declaração. A Segunda Guerra Mundial ainda contabilizava seus genocídios e a Guerra Fria estremecia Berlim. A Assembleia aproveitou o momento e organizou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.



    É impossível discordar de uma única linha do texto. Ali está o melhor da humanidade como nós sonharíamos que ela fosse: tolerante, democrática, igualitária e respeitadora das diferenças. Ali o Homo sapiens, na sua sangrenta trajetória de guerras e preconceitos, deu uma pequena parada, respirou fundo e sonhou que as coisas poderiam ser de outra maneira. De muitas formas, o texto da ONU cumpre a origem da palavra dupla: o não lugar e o lugar bom. Se você nunca leu o texto de 1948, vale a pena consultá-lo como uma baliza de valores. 



    Meus alunos sempre questionam a validade de tais documentos. Do que adiantaria dizer que todos os homens são iguais e nascem livres, se por toda parte são desiguais e a maioria não é livre de forma metafórica ou prática? Qual o sentido de um papel diante do imperativo da força? O racista da Virgínia continua sua convicção canalha com ou sem o texto da ONU. O agressor de mulheres nunca leu Simone de Beauvoir. Se lesse, mudaria algo? O homofóbico responde a dramas pessoais internos que não serão transformados com as obras completas de Freud em alemão. O mundo real e material, o mundo aqui e agora, de que forma um papel pode mudá-lo? A dúvida é pertinente e forte. 



Fonte: https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/o direito-de-papel/ (adaptado). 

O texto emprega recursos de ironia e contraste para ressaltar a distância entre a idealização dos direitos humanos e sua efetividade na vida social contemporânea. Nesse sentido, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3787189 Português

Texto para a questão.



O direito de papel 



    No dia 26 de agosto de 1789, os deputados franceses lançaram um dos grandes documentos da modernidade: a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Era um vigoroso manifesto iluminista contra o Antigo Regime. Foi uma resposta ao crescimento dos movimentos sociais no verão de 1789, nas tensas semanas entre a queda da Bastilha, a onda de saques do Grande Medo e o fim dos direitos feudais (4 de agosto). Na semana que vem, o documento completa 228 anos.



    Os artigos da Declaração demolem o prédio secular do Absolutismo de Direito divino e da desigualdade social pelo nascimento. Era um novo mundo, pelo menos no papel. Deputados homens, na maioria de origem burguesa, refizeram o mundo pela sua perspectiva. Quando uma voz dissidente e feminina, Olympe de Gouges, lançou a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi parar na guilhotina. Sejamos justos: a guilhotina não era machista. A lâmina ignorou gênero: matou Danton, Robespierre, Luís XVI, Maria Antonieta, freiras carmelitas e Lavoisier. 



    O texto de 26 de agosto é fundacional nas suas glórias e limitações. Suas ideias varreram a Europa e atravessaram o oceano. A Revolução de 1789 resultou na tirania napoleônica, porém, curiosamente, foi Napoleão que difundiu muitos legados revolucionários, inclusive o sistema métrico decimal. Os ingleses se orgulham de não terem sido invadidos pelo corso, juntam a seu nacionalismo invicto as jardas, as libras e até “stones”.



    Em 1948, a jovem ONU revisitou a Declaração. A Segunda Guerra Mundial ainda contabilizava seus genocídios e a Guerra Fria estremecia Berlim. A Assembleia aproveitou o momento e organizou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.



    É impossível discordar de uma única linha do texto. Ali está o melhor da humanidade como nós sonharíamos que ela fosse: tolerante, democrática, igualitária e respeitadora das diferenças. Ali o Homo sapiens, na sua sangrenta trajetória de guerras e preconceitos, deu uma pequena parada, respirou fundo e sonhou que as coisas poderiam ser de outra maneira. De muitas formas, o texto da ONU cumpre a origem da palavra dupla: o não lugar e o lugar bom. Se você nunca leu o texto de 1948, vale a pena consultá-lo como uma baliza de valores. 



    Meus alunos sempre questionam a validade de tais documentos. Do que adiantaria dizer que todos os homens são iguais e nascem livres, se por toda parte são desiguais e a maioria não é livre de forma metafórica ou prática? Qual o sentido de um papel diante do imperativo da força? O racista da Virgínia continua sua convicção canalha com ou sem o texto da ONU. O agressor de mulheres nunca leu Simone de Beauvoir. Se lesse, mudaria algo? O homofóbico responde a dramas pessoais internos que não serão transformados com as obras completas de Freud em alemão. O mundo real e material, o mundo aqui e agora, de que forma um papel pode mudá-lo? A dúvida é pertinente e forte. 



Fonte: https://www.estadao.com.br/cultura/leandro-karnal/o direito-de-papel/ (adaptado). 

O texto de Leandro Karnal projeta uma tensão entre a força normativa dos documentos de direitos humanos e a realidade histórica marcada por desigualdades persistentes. Considerando a articulação argumentativa do autor, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3787180 Português

Analise o período a seguir:


"O projeto pedagógico da escola é excelente, contudo precisa de maior engajamento da comunidade para funcionar plenamente."  


O termo destacado ("contudo") é um elemento de coesão que estabelece, entre as orações, uma relação de sentido de:

 

Alternativas
Respostas
13881: D
13882: A
13883: B
13884: A
13885: D
13886: B
13887: E
13888: B
13889: C
13890: D
13891: E
13892: A
13893: D
13894: C
13895: B
13896: A
13897: D
13898: C
13899: B
13900: D