Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao
TEXTO a seguir:
Fui aos alforjes, tirei um colete velho, em cujo bolso trazia as cinco moedas de ouro, e durante esse tempo cogitei se não era excessiva a gratificação, se não bastavam duas moedas. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante para lhe dar estremeções de alegria. Examinei-lhe a roupa; era um pobre-diabo, que nunca jamais vira uma moeda de ouro. Portanto, uma moeda. Tirei-a, via reluzir à luz do sol; não a viu o almocreve, porque eu tinha-lhe voltado as costas; mas suspeitou-o talvez, entrou a falar ao jumento de um modo significativo; dava-lhe conselhos, dizia-lhe que tomasse juízo, que o “senhor doutor” podia castigá-lo; um monólogo paternal. Valha-me Deus! até ouvi estalar um beijo: era o almocreve que lhe beijava a testa.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. In: Obra completa. 3 ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1971.
Alforjes: Saco fechado em ambas as extremidades e com uma abertura no centro de modo a formar duas bolsas
Almocreve: Indivíduo que tem por ofício alugar ou conduzir bestas de carga; arrocheiro, mula.
A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao
TEXTO a seguir:
Fui aos alforjes, tirei um colete velho, em cujo bolso trazia as cinco moedas de ouro, e durante esse tempo cogitei se não era excessiva a gratificação, se não bastavam duas moedas. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante para lhe dar estremeções de alegria. Examinei-lhe a roupa; era um pobre-diabo, que nunca jamais vira uma moeda de ouro. Portanto, uma moeda. Tirei-a, via reluzir à luz do sol; não a viu o almocreve, porque eu tinha-lhe voltado as costas; mas suspeitou-o talvez, entrou a falar ao jumento de um modo significativo; dava-lhe conselhos, dizia-lhe que tomasse juízo, que o “senhor doutor” podia castigá-lo; um monólogo paternal. Valha-me Deus! até ouvi estalar um beijo: era o almocreve que lhe beijava a testa.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. In: Obra completa. 3 ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1971.
Alforjes: Saco fechado em ambas as extremidades e com uma abertura no centro de modo a formar duas bolsas
Almocreve: Indivíduo que tem por ofício alugar ou conduzir bestas de carga; arrocheiro, mula.
A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao
TEXTO a seguir:
Fui aos alforjes, tirei um colete velho, em cujo bolso trazia as cinco moedas de ouro, e durante esse tempo cogitei se não era excessiva a gratificação, se não bastavam duas moedas. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante para lhe dar estremeções de alegria. Examinei-lhe a roupa; era um pobre-diabo, que nunca jamais vira uma moeda de ouro. Portanto, uma moeda. Tirei-a, via reluzir à luz do sol; não a viu o almocreve, porque eu tinha-lhe voltado as costas; mas suspeitou-o talvez, entrou a falar ao jumento de um modo significativo; dava-lhe conselhos, dizia-lhe que tomasse juízo, que o “senhor doutor” podia castigá-lo; um monólogo paternal. Valha-me Deus! até ouvi estalar um beijo: era o almocreve que lhe beijava a testa.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. In: Obra completa. 3 ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1971.
Alforjes: Saco fechado em ambas as extremidades e com uma abertura no centro de modo a formar duas bolsas
Almocreve: Indivíduo que tem por ofício alugar ou conduzir bestas de carga; arrocheiro, mula.
A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao
TEXTO a seguir:
Fui aos alforjes, tirei um colete velho, em cujo bolso trazia as cinco moedas de ouro, e durante esse tempo cogitei se não era excessiva a gratificação, se não bastavam duas moedas. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante para lhe dar estremeções de alegria. Examinei-lhe a roupa; era um pobre-diabo, que nunca jamais vira uma moeda de ouro. Portanto, uma moeda. Tirei-a, via reluzir à luz do sol; não a viu o almocreve, porque eu tinha-lhe voltado as costas; mas suspeitou-o talvez, entrou a falar ao jumento de um modo significativo; dava-lhe conselhos, dizia-lhe que tomasse juízo, que o “senhor doutor” podia castigá-lo; um monólogo paternal. Valha-me Deus! até ouvi estalar um beijo: era o almocreve que lhe beijava a testa.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. In: Obra completa. 3 ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1971.
Alforjes: Saco fechado em ambas as extremidades e com uma abertura no centro de modo a formar duas bolsas
Almocreve: Indivíduo que tem por ofício alugar ou conduzir bestas de carga; arrocheiro, mula.
Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.
Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?
O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.
Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.
Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?
A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.
Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.
Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.
(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)
• “Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados?”
• “Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão...”
Considerando o sentido com que foram empregadas no texto, as palavras em destaque têm como sinônimos, correta e respectivamente,
Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.
Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?
O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.
Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.
Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?
A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.
Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.
Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.
(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.
Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?
O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.
Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.
Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?
A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.
Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.
Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.
(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Ode à vida
No início de 2020, a escritora portuguesa Lídia Jorge, na época com 74 anos, via as ruas se esvaziando pelas janelas de sua casa, em Algarve, no sul de Portugal. Naquele momento, o mundo era contaminado pelo coronavírus. A vida entrou em suspensão. Em pouco tempo, as fronteiras se fecharam, a pandemia da covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo português anunciou um rígido toque de recolher. Lídia Jorge, que tinha o costume de visitar a mãe, Maria dos Remédios, de 92 anos, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, encontrou as portas do local fechadas no domingo de 8 de março daquele ano.
A escritora portuguesa não viu mais a mãe com vida; ela faleceria em 19 de abril daquele ano, vítima de complicações da covid-19. Lídia Jorge precisou de um tempo para voltar a escrever. E a superação veio com o romance Misericórdia, inspirado nos últimos anos da matriarca, num lar para idosos. No livro, o leitor acompanha dona Alberti, junto a coadjuvantes que refletem sobre a existência, mas que também fofocam, choram, riem, brigam e amam.
A complexidade das relações humanas e a crítica social são pilares da obra dessa premiada autora. Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos, ações banais e conflitos pela teia do lirismo e da sensibilidade. A autora confessa que desejou escrever um enredo diferente de tudo o que já havia feito. “Misericórdia é um livro de paixão, que tem uma meditação sobre a existência”, conta. “Eu não quis escrever um livro sobre minha mãe, mas um livro a partir dela e, portanto, essas tantas figuras que aparecem na história são uma personagem coletiva, mas surgem como personagens individuais que expressam seus sentimentos. No livro, há um choro, mas há também um riso. Tem o dia fervilhante, mas tem a noite pesa rosa que nunca mais acaba.”
Em seus livros, o empoderamento feminino e a crítica à desigualdade se tornaram suas marcas. Lídia Jorge também aborda as conquistas e mudanças da sociedade portuguesa em meio século, além de compartilhar sua trajetória, da infância aos primeiros passos na literatura, lugar em que traz à tona temas contemporâneos, como a crise migratória e o fechamento de fronteiras.
(Matheus Lopes Quirino, “Ode à vida”, Revista E. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Ode à vida
No início de 2020, a escritora portuguesa Lídia Jorge, na época com 74 anos, via as ruas se esvaziando pelas janelas de sua casa, em Algarve, no sul de Portugal. Naquele momento, o mundo era contaminado pelo coronavírus. A vida entrou em suspensão. Em pouco tempo, as fronteiras se fecharam, a pandemia da covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo português anunciou um rígido toque de recolher. Lídia Jorge, que tinha o costume de visitar a mãe, Maria dos Remédios, de 92 anos, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, encontrou as portas do local fechadas no domingo de 8 de março daquele ano.
A escritora portuguesa não viu mais a mãe com vida; ela faleceria em 19 de abril daquele ano, vítima de complicações da covid-19. Lídia Jorge precisou de um tempo para voltar a escrever. E a superação veio com o romance Misericórdia, inspirado nos últimos anos da matriarca, num lar para idosos. No livro, o leitor acompanha dona Alberti, junto a coadjuvantes que refletem sobre a existência, mas que também fofocam, choram, riem, brigam e amam.
A complexidade das relações humanas e a crítica social são pilares da obra dessa premiada autora. Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos, ações banais e conflitos pela teia do lirismo e da sensibilidade. A autora confessa que desejou escrever um enredo diferente de tudo o que já havia feito. “Misericórdia é um livro de paixão, que tem uma meditação sobre a existência”, conta. “Eu não quis escrever um livro sobre minha mãe, mas um livro a partir dela e, portanto, essas tantas figuras que aparecem na história são uma personagem coletiva, mas surgem como personagens individuais que expressam seus sentimentos. No livro, há um choro, mas há também um riso. Tem o dia fervilhante, mas tem a noite pesa rosa que nunca mais acaba.”
Em seus livros, o empoderamento feminino e a crítica à desigualdade se tornaram suas marcas. Lídia Jorge também aborda as conquistas e mudanças da sociedade portuguesa em meio século, além de compartilhar sua trajetória, da infância aos primeiros passos na literatura, lugar em que traz à tona temas contemporâneos, como a crise migratória e o fechamento de fronteiras.
(Matheus Lopes Quirino, “Ode à vida”, Revista E. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Ode à vida
No início de 2020, a escritora portuguesa Lídia Jorge, na época com 74 anos, via as ruas se esvaziando pelas janelas de sua casa, em Algarve, no sul de Portugal. Naquele momento, o mundo era contaminado pelo coronavírus. A vida entrou em suspensão. Em pouco tempo, as fronteiras se fecharam, a pandemia da covid-19 foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo português anunciou um rígido toque de recolher. Lídia Jorge, que tinha o costume de visitar a mãe, Maria dos Remédios, de 92 anos, no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, encontrou as portas do local fechadas no domingo de 8 de março daquele ano.
A escritora portuguesa não viu mais a mãe com vida; ela faleceria em 19 de abril daquele ano, vítima de complicações da covid-19. Lídia Jorge precisou de um tempo para voltar a escrever. E a superação veio com o romance Misericórdia, inspirado nos últimos anos da matriarca, num lar para idosos. No livro, o leitor acompanha dona Alberti, junto a coadjuvantes que refletem sobre a existência, mas que também fofocam, choram, riem, brigam e amam.
A complexidade das relações humanas e a crítica social são pilares da obra dessa premiada autora. Ainda que muitas vezes surjam temas complicados de tratar, sua escrita transforma pensamentos, ações banais e conflitos pela teia do lirismo e da sensibilidade. A autora confessa que desejou escrever um enredo diferente de tudo o que já havia feito. “Misericórdia é um livro de paixão, que tem uma meditação sobre a existência”, conta. “Eu não quis escrever um livro sobre minha mãe, mas um livro a partir dela e, portanto, essas tantas figuras que aparecem na história são uma personagem coletiva, mas surgem como personagens individuais que expressam seus sentimentos. No livro, há um choro, mas há também um riso. Tem o dia fervilhante, mas tem a noite pesa rosa que nunca mais acaba.”
Em seus livros, o empoderamento feminino e a crítica à desigualdade se tornaram suas marcas. Lídia Jorge também aborda as conquistas e mudanças da sociedade portuguesa em meio século, além de compartilhar sua trajetória, da infância aos primeiros passos na literatura, lugar em que traz à tona temas contemporâneos, como a crise migratória e o fechamento de fronteiras.
(Matheus Lopes Quirino, “Ode à vida”, Revista E. Adaptado)
Leia a tira a seguir para responder à questão abaixo:

(André Dahmer. Disponível em: https://memorialdademocracia.com.br/card/linguagens-da-cultura-na-internet)
TEXTO PARA A QUESTÃO ABAIXO.
O que fica
Dizem que as janelas das casas abandonadas encaram quem ousa olhar demais. Toda casa guarda o eco do último passo. E, numa rua que um dia foi habitada, agora só restam esqueletos de concreto.
As ruínas respiram. Mesmo cobertas de mato, ainda respiram. Há uma memória vegetal crescendo por entre os tijolos. Se parede sonhasse, sonharia em ser morada de novo. Quando o reboco cai, aparecem histórias. As cidades também têm rugas, esquinas que não se refazem.
No caminho diário, encontro casas e prédios que já foram habitados e hoje sobrevivem em silêncio. Alguns parecem querer contar o que foram; outros apenas lembram que a memória das coisas resiste mesmo depois que o tempo as desabitou.
Há um esforço quase teimoso de quem tenta preservar essas construções que carregam a história do cotidiano. Gente que acredita que uma parede antiga vale mais do que um terreno limpo. Que memória é uma forma de moradia, mesmo quando já não cabe gente dentro.
Quem sabe o que chamamos de ruína seja apenas resistência: o modo que as construções encontram de permanecer, mesmo quando tudo ao redor insiste em esquecer. Preservar é reconhecer, nas paredes antigas, não só ruínas, mas testemunhas, lugares que devolvem presença, passado e futuro ao mesmo tempo.
Autora: Helô Bacichette - GZH (adaptado).