Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3992320 Português
O homem nunca parou de interrogar-se sobre si mesmo. Em todas as sociedades existiram homens que observaram homens. [...] A reflexão do homem sobre o homem e sua sociedade, e a elaboração de um saber são, portanto , tão antigos quanto a humanidade, e se deram tanto na Ásia como na África, na América, na Oceania ou na Europa. Mas, o projeto de fundar uma ciência do homem – uma antropologia – é, ao contrário, muito recente. De fato, apenas no final do século XVIII é que começa a se constituir um saber científico ( ou pretensamente científico ) que toma o homem como objeto de conhecimento, e não mais a natureza; apenas nessa época é que o espírito científico pensa, pela primeira vez, em aplicar ao próprio homem os métodos até então utilizados na área física ou da biologia.


Fonte: LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003. p. 7-8.
Assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA de elementos empregados no texto.
Alternativas
Q3992319 Português
O homem nunca parou de interrogar-se sobre si mesmo. Em todas as sociedades existiram homens que observaram homens. [...] A reflexão do homem sobre o homem e sua sociedade, e a elaboração de um saber são, portanto , tão antigos quanto a humanidade, e se deram tanto na Ásia como na África, na América, na Oceania ou na Europa. Mas, o projeto de fundar uma ciência do homem – uma antropologia – é, ao contrário, muito recente. De fato, apenas no final do século XVIII é que começa a se constituir um saber científico ( ou pretensamente científico ) que toma o homem como objeto de conhecimento, e não mais a natureza; apenas nessa época é que o espírito científico pensa, pela primeira vez, em aplicar ao próprio homem os métodos até então utilizados na área física ou da biologia.


Fonte: LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 2003. p. 7-8.
Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta do texto.
Alternativas
Q3991712 Português
Cientistas criam carne de laboratório com resíduos de cerveja


Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition aponta um método inovador desenvolvido por pesquisadores em Londres que utiliza leveduras da fabricação de cerveja para criar estruturas comestíveis destinadas ao cultivo de carne em laboratório.

A pesquisa aproveita uma fonte abundante de resíduos ricos em nutrientes: o fermento residual da produção de cerveja. Esse material é reaproveitado para alimentar bactérias que produzem celulose, formando a estrutura necessária para que a carne cultivada desenvolva sua própria textura.

"Esta é a matéria-prima, o alimento para as nossas bactérias, que produzem a celulose bacteriana usada como suporte para células animais, permitindo a produção de carne cultivada em laboratório", explicou Christian Harrison, estudante de doutorado da University College London (UCL), enquanto segurava um frasco de levedura utilizada em uma cervejaria no sul de Londres.

Segundo Harrison, embora as bactérias possam crescer em diferentes substâncias, o uso desse resíduo traz vantagens ambientais. "Podemos transformar lixo, que de outra forma seria descartado, em algo útil", afirmou.

O estudo explora especificamente o uso da celulose bacteriana derivada do fermento de cerveja usado, um subproduto frequentemente descartado. Testes das propriedades mecânicas desse material indicam resultados promissores para reproduzir a textura e a sensação na boca da carne convencional.

Os pesquisadores destacam, no entanto, que o trabalho ainda está em fase de prova de conceito. O objetivo, por ora, é demonstrar um material de suporte comestível, e não um produto final, já que ainda há desafios significativos relacionados à escala de produção e à padronização do processo.

De forma mais ampla, a carne cultivada permanece um mercado incipiente e restrito no mundo. Singapura foi o primeiro país a autorizar a venda do produto, em dezembro de 2020, seguida pelos Estados Unidos, que liberaram as primeiras comercializações em junho de 2023. Segundo empresas do setor, os principais obstáculos continuam sendo a redução de custos e a produção em larga escala com segurança alimentar.



https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/cientistas-criam-carne-de-laborato rio-com-residuos-de-cerveja/
Embora apresente resultados promissores, o estudo é descrito com certa cautela quanto à sua aplicação prática. A menção à "fase de prova de conceito" indica que:
Alternativas
Q3991711 Português
Cientistas criam carne de laboratório com resíduos de cerveja


Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition aponta um método inovador desenvolvido por pesquisadores em Londres que utiliza leveduras da fabricação de cerveja para criar estruturas comestíveis destinadas ao cultivo de carne em laboratório.

A pesquisa aproveita uma fonte abundante de resíduos ricos em nutrientes: o fermento residual da produção de cerveja. Esse material é reaproveitado para alimentar bactérias que produzem celulose, formando a estrutura necessária para que a carne cultivada desenvolva sua própria textura.

"Esta é a matéria-prima, o alimento para as nossas bactérias, que produzem a celulose bacteriana usada como suporte para células animais, permitindo a produção de carne cultivada em laboratório", explicou Christian Harrison, estudante de doutorado da University College London (UCL), enquanto segurava um frasco de levedura utilizada em uma cervejaria no sul de Londres.

Segundo Harrison, embora as bactérias possam crescer em diferentes substâncias, o uso desse resíduo traz vantagens ambientais. "Podemos transformar lixo, que de outra forma seria descartado, em algo útil", afirmou.

O estudo explora especificamente o uso da celulose bacteriana derivada do fermento de cerveja usado, um subproduto frequentemente descartado. Testes das propriedades mecânicas desse material indicam resultados promissores para reproduzir a textura e a sensação na boca da carne convencional.

Os pesquisadores destacam, no entanto, que o trabalho ainda está em fase de prova de conceito. O objetivo, por ora, é demonstrar um material de suporte comestível, e não um produto final, já que ainda há desafios significativos relacionados à escala de produção e à padronização do processo.

De forma mais ampla, a carne cultivada permanece um mercado incipiente e restrito no mundo. Singapura foi o primeiro país a autorizar a venda do produto, em dezembro de 2020, seguida pelos Estados Unidos, que liberaram as primeiras comercializações em junho de 2023. Segundo empresas do setor, os principais obstáculos continuam sendo a redução de custos e a produção em larga escala com segurança alimentar.



https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/cientistas-criam-carne-de-laborato rio-com-residuos-de-cerveja/
Ao mencionar as declarações de Christian Harrison, o texto amplia a compreensão sobre o impacto potencial da pesquisa. A fala do pesquisador reforça a ideia de que o projeto apresenta não apenas relevância científica, mas também: 
Alternativas
Q3991710 Português
Cientistas criam carne de laboratório com resíduos de cerveja


Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition aponta um método inovador desenvolvido por pesquisadores em Londres que utiliza leveduras da fabricação de cerveja para criar estruturas comestíveis destinadas ao cultivo de carne em laboratório.

A pesquisa aproveita uma fonte abundante de resíduos ricos em nutrientes: o fermento residual da produção de cerveja. Esse material é reaproveitado para alimentar bactérias que produzem celulose, formando a estrutura necessária para que a carne cultivada desenvolva sua própria textura.

"Esta é a matéria-prima, o alimento para as nossas bactérias, que produzem a celulose bacteriana usada como suporte para células animais, permitindo a produção de carne cultivada em laboratório", explicou Christian Harrison, estudante de doutorado da University College London (UCL), enquanto segurava um frasco de levedura utilizada em uma cervejaria no sul de Londres.

Segundo Harrison, embora as bactérias possam crescer em diferentes substâncias, o uso desse resíduo traz vantagens ambientais. "Podemos transformar lixo, que de outra forma seria descartado, em algo útil", afirmou.

O estudo explora especificamente o uso da celulose bacteriana derivada do fermento de cerveja usado, um subproduto frequentemente descartado. Testes das propriedades mecânicas desse material indicam resultados promissores para reproduzir a textura e a sensação na boca da carne convencional.

Os pesquisadores destacam, no entanto, que o trabalho ainda está em fase de prova de conceito. O objetivo, por ora, é demonstrar um material de suporte comestível, e não um produto final, já que ainda há desafios significativos relacionados à escala de produção e à padronização do processo.

De forma mais ampla, a carne cultivada permanece um mercado incipiente e restrito no mundo. Singapura foi o primeiro país a autorizar a venda do produto, em dezembro de 2020, seguida pelos Estados Unidos, que liberaram as primeiras comercializações em junho de 2023. Segundo empresas do setor, os principais obstáculos continuam sendo a redução de custos e a produção em larga escala com segurança alimentar.



https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/cientistas-criam-carne-de-laborato rio-com-residuos-de-cerveja/
Ao situar o cenário internacional da carne cultivada, o texto contextualiza o estágio de desenvolvimento do setor. As informações sobre autorizações em Singapura e nos Estados Unidos permitem concluir que o mercado de carne cultivada:
Alternativas
Q3990914 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Mãe e filha descobrem maior colônia de corais do mundo na costa australiana



Uma equipe de cientistas cidadãs, formada por mãe e filha, identificou a maior colônia de corais conhecida no mundo, localizada na Grande Barreira de Corais, na costa da Austrália.


Tem cerca de 111 metros (364 pés) de comprimento − aproximadamente o mesmo que um campo de futebol − e cobre cerca de 3.973 metros quadrados (42.765 pés quadrados), de acordo com um comunicado da organização de conservação Citizens of the Reef divulgado na terça-feira (24).


Isso significa que está "entre as estruturas de coral mais significativas já registradas na Grande Barreira de Corais" e é "a maior colônia de coral documentada e mapeada do mundo", segundo a organização.


O coral foi encontrado no final do ano passado por Sophie Kalkowski-Pope, coordenadora de operações marinhas da organização Citizens of the Reef, e sua mãe, Jan Pope, mergulhadora experiente e fotógrafa subaquática.


Pope havia mergulhado no local uma semana antes e sabia que tinha visto algo especial. Então, a dupla retornou com equipamentos de medição.


"Quando entramos na água, imediatamente reconheci a importância do que estávamos vendo", disse Kalkowski-Pope. Juntos, eles filmaram um vídeo nadando pela extensão do coral em forma de J. "Levei três minutos de vídeo só para nadar de um lado para o outro", disse Kalkowski-Pope.


O tamanho do coral Pavona clavus foi verificado por meio de medições manuais subaquáticas e imagens de alta resolução obtidas a partir de plataformas na superfície da água.


Esses dados foram então usados para produzir um modelo 3D do coral, de acordo com a organização Citizens of the Reef.


Esse tipo de modelagem espacial é útil para monitorar o local e suas mudanças, pois "significa que podemos retornar nos próximos meses e anos e fazer comparações diretas, um a um, para entender como o coral muda ao longo do tempo", disse Serena Mou, engenheira de pesquisa do Centro de Robótica da Universidade de Tecnologia de Queensland.


Constatou-se que o local apresenta fortes correntes de maré e baixa exposição a ondas ciclônicas tropicais em comparação com muitas outras partes da Grande Barreira de Corais, e os cientistas estão agora examinando se essas condições podem desempenhar um papel na existência de uma estrutura de coral tão grande.


A Grande Barreira de Corais da Austrália é a maior estrutura viva do planeta e lar de uma vasta gama de espécies. Mas, nos últimos anos, ela foi atingida por uma série de eventos devastadores de branqueamento em massa , transformando as cores vibrantes de partes do recife em um branco brilhante.


Em todo o mundo, os corais estão sofrendo um destino semelhante, com mais de 80% dos recifes oceânicos afetados por um evento global de branqueamento em curso, que começou em 2023 devido às temperaturas marinhas recordes. O branqueamento pode ser fatal, pois os corais ficam sem as algas que vivem em seu interior e servem de alimento.


O projeto Citizens of the Reef faz parte dos esforços de conservação que visam proteger a Grande Barreira de Corais, e a dupla de mãe e filha estava realizando um levantamento da área a partir do barco da família como parte do Great Reef Census, um esforço conjunto para coletar imagens da Grande Barreira de Corais que envolve mais de 100 embarcações.


"O Grande Censo dos Recifes nos ajuda a localizar as fontes mais importantes de recuperação dos recifes, auxiliando cientistas e gestores a direcionar melhor sua proteção", disse Pete Mumby, do Laboratório de Ecologia Espacial Marinha da Universidade de Queensland, em comunicado. A iniciativa faz parte dos esforços para mobilizar o "poder popular" a fim de impulsionar os esforços de conservação, afirmou Andy Ridley, CEO da Citizens of the Reef, em comunicado.


"O Censo dos Grandes Recifes foi desenvolvido para complementar os programas de monitoramento existentes, coletando dados em larga escala", disse ele.


"Isso só é possível graças a pessoas que já estão na água, como Sophie e Jan, e a milhares de cientistas cidadãos em todo o mundo."



https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/mae-e-filha-descobrem-maior-colonia-de-corais-do-mundo-na-costa-australiana/

A descoberta relatada no texto não apenas amplia o conhecimento científico sobre os recifes, mas também revela aspectos relevantes sobre a forma como a ciência pode ser realizada. Ao considerar o perfil das responsáveis pela identificação da colônia de coral, é possível concluir que o episódio evidencia:
Alternativas
Q3990913 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Mãe e filha descobrem maior colônia de corais do mundo na costa australiana



Uma equipe de cientistas cidadãs, formada por mãe e filha, identificou a maior colônia de corais conhecida no mundo, localizada na Grande Barreira de Corais, na costa da Austrália.


Tem cerca de 111 metros (364 pés) de comprimento − aproximadamente o mesmo que um campo de futebol − e cobre cerca de 3.973 metros quadrados (42.765 pés quadrados), de acordo com um comunicado da organização de conservação Citizens of the Reef divulgado na terça-feira (24).


Isso significa que está "entre as estruturas de coral mais significativas já registradas na Grande Barreira de Corais" e é "a maior colônia de coral documentada e mapeada do mundo", segundo a organização.


O coral foi encontrado no final do ano passado por Sophie Kalkowski-Pope, coordenadora de operações marinhas da organização Citizens of the Reef, e sua mãe, Jan Pope, mergulhadora experiente e fotógrafa subaquática.


Pope havia mergulhado no local uma semana antes e sabia que tinha visto algo especial. Então, a dupla retornou com equipamentos de medição.


"Quando entramos na água, imediatamente reconheci a importância do que estávamos vendo", disse Kalkowski-Pope. Juntos, eles filmaram um vídeo nadando pela extensão do coral em forma de J. "Levei três minutos de vídeo só para nadar de um lado para o outro", disse Kalkowski-Pope.


O tamanho do coral Pavona clavus foi verificado por meio de medições manuais subaquáticas e imagens de alta resolução obtidas a partir de plataformas na superfície da água.


Esses dados foram então usados para produzir um modelo 3D do coral, de acordo com a organização Citizens of the Reef.


Esse tipo de modelagem espacial é útil para monitorar o local e suas mudanças, pois "significa que podemos retornar nos próximos meses e anos e fazer comparações diretas, um a um, para entender como o coral muda ao longo do tempo", disse Serena Mou, engenheira de pesquisa do Centro de Robótica da Universidade de Tecnologia de Queensland.


Constatou-se que o local apresenta fortes correntes de maré e baixa exposição a ondas ciclônicas tropicais em comparação com muitas outras partes da Grande Barreira de Corais, e os cientistas estão agora examinando se essas condições podem desempenhar um papel na existência de uma estrutura de coral tão grande.


A Grande Barreira de Corais da Austrália é a maior estrutura viva do planeta e lar de uma vasta gama de espécies. Mas, nos últimos anos, ela foi atingida por uma série de eventos devastadores de branqueamento em massa , transformando as cores vibrantes de partes do recife em um branco brilhante.


Em todo o mundo, os corais estão sofrendo um destino semelhante, com mais de 80% dos recifes oceânicos afetados por um evento global de branqueamento em curso, que começou em 2023 devido às temperaturas marinhas recordes. O branqueamento pode ser fatal, pois os corais ficam sem as algas que vivem em seu interior e servem de alimento.


O projeto Citizens of the Reef faz parte dos esforços de conservação que visam proteger a Grande Barreira de Corais, e a dupla de mãe e filha estava realizando um levantamento da área a partir do barco da família como parte do Great Reef Census, um esforço conjunto para coletar imagens da Grande Barreira de Corais que envolve mais de 100 embarcações.


"O Grande Censo dos Recifes nos ajuda a localizar as fontes mais importantes de recuperação dos recifes, auxiliando cientistas e gestores a direcionar melhor sua proteção", disse Pete Mumby, do Laboratório de Ecologia Espacial Marinha da Universidade de Queensland, em comunicado. A iniciativa faz parte dos esforços para mobilizar o "poder popular" a fim de impulsionar os esforços de conservação, afirmou Andy Ridley, CEO da Citizens of the Reef, em comunicado.


"O Censo dos Grandes Recifes foi desenvolvido para complementar os programas de monitoramento existentes, coletando dados em larga escala", disse ele.


"Isso só é possível graças a pessoas que já estão na água, como Sophie e Jan, e a milhares de cientistas cidadãos em todo o mundo."



https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/mae-e-filha-descobrem-maior-colonia-de-corais-do-mundo-na-costa-australiana/

Embora destaque uma descoberta positiva, o texto também contextualiza a situação global dos recifes de coral. A referência ao branqueamento em massa cumpre a função de: 
Alternativas
Q3990880 Português
TEXTO: ESSENCIALISMO GENÉTICO

A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo

Natalia Pasternak


Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes. Quantas vezes você já teria ouvido que não pode ser filho biológico do casal? A crença de que cor dos olhos é uma herança determinada por um único gene, com alelo dominante (castanho) e alelo recessivo (azul ou verde), vem da maneira simplificada como abordamos genética no ensino fundamental e médio. Quem não se lembra do “Aa” e das tabelas de quadradinhos?


Alguns autores estudam o ensino da genética mendeliana e sua influência na aceitação do chamado essencialismo, ou determinismo, genético. Essa ideia baseia-se no entendimento – enganoso – de que características fisiológicas e comportamentos são produtos lineares de um único gene. Ou seja, haveria um gene para cada característica: o gene da inteligência, por exemplo. O problema é que este tipo de herança é muito raro. A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros.


O determinismo genético também desconsidera interações com o ambiente. Duas plantas da mesma espécie com o mesmo genoma podem ter alturas diferentes, por exemplo, dependendo do tipo de solo, quantidade de luz e nutrientes.


E por que isto é um problema? Porque pode induzir a um “fatalismo” e crenças de que características como inteligência, aptidões, comportamentos e até mesmo suscetibilidade para doenças, são inatas, fixas e imutáveis. Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia. Os autores de uma pesquisa mediram conhecimento básico de genética, nível de crença em determinismo genético, crenças em dominação social, e crenças em eugenia.


Exemplos de afirmações utilizadas para fazer essas medições incluem “alcoolismo é primariamente causado por fatores genéticos”, “criminosos não deveriam ser autorizados a se reproduzir e deixar descendentes”, e “esterilizar pessoas com características indesejadas pode melhorar gerações futuras”. Os resultados mostraram que quanto maior o entendimento de genética, menor a crença em determinismo, essencialismo, racismo e dominação social de um grupo sobre outro.


A boa notícia é que é fácil corrigir o essencialismo. Pesquisadores conduziram uma série de experimentos controlados com crianças e adolescentes, alterando a maneira como a hereditariedade era ensinada na escola. Perceberam que nos grupos onde a genética era ensinada do modo tradicional, os alunos desenvolviam crenças deterministas, e nos grupos onde o tema era introduzido com estudos sobre diferenças e semelhanças genéticas entre populações, as crenças eram reduzidas. Os autores ainda testaram uma intervenção para corrigir as crenças deterministas, e concluíram que basta uma série de cinco aulas mostrando a baixa diversidade genética entre indivíduos, e que existe maior diversidade entre grupos do mesmo continente do que comparando continentes diferentes.


Gregor Mendel, o monge católico do século 19 cujos experimentos com ervilhas deram origem ao modelo simplificado “Aa”, deve ser celebrado e ensinado nas escolas. Mas a genética mendeliana precisa ser ensinada como parte de um contexto maior, e não como a base de toda a genética e da hereditariedade.


Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-da ciencia/post/2025/07/essencialismo-genetico.ghtml. Acesso em 12/02/2026. Fragmento

A autora do texto sustenta sua posição, predominantemente, por meio de:

 

Alternativas
Q3990877 Português
TEXTO: ESSENCIALISMO GENÉTICO

A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo

Natalia Pasternak


Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes. Quantas vezes você já teria ouvido que não pode ser filho biológico do casal? A crença de que cor dos olhos é uma herança determinada por um único gene, com alelo dominante (castanho) e alelo recessivo (azul ou verde), vem da maneira simplificada como abordamos genética no ensino fundamental e médio. Quem não se lembra do “Aa” e das tabelas de quadradinhos?


Alguns autores estudam o ensino da genética mendeliana e sua influência na aceitação do chamado essencialismo, ou determinismo, genético. Essa ideia baseia-se no entendimento – enganoso – de que características fisiológicas e comportamentos são produtos lineares de um único gene. Ou seja, haveria um gene para cada característica: o gene da inteligência, por exemplo. O problema é que este tipo de herança é muito raro. A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros.


O determinismo genético também desconsidera interações com o ambiente. Duas plantas da mesma espécie com o mesmo genoma podem ter alturas diferentes, por exemplo, dependendo do tipo de solo, quantidade de luz e nutrientes.


E por que isto é um problema? Porque pode induzir a um “fatalismo” e crenças de que características como inteligência, aptidões, comportamentos e até mesmo suscetibilidade para doenças, são inatas, fixas e imutáveis. Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia. Os autores de uma pesquisa mediram conhecimento básico de genética, nível de crença em determinismo genético, crenças em dominação social, e crenças em eugenia.


Exemplos de afirmações utilizadas para fazer essas medições incluem “alcoolismo é primariamente causado por fatores genéticos”, “criminosos não deveriam ser autorizados a se reproduzir e deixar descendentes”, e “esterilizar pessoas com características indesejadas pode melhorar gerações futuras”. Os resultados mostraram que quanto maior o entendimento de genética, menor a crença em determinismo, essencialismo, racismo e dominação social de um grupo sobre outro.


A boa notícia é que é fácil corrigir o essencialismo. Pesquisadores conduziram uma série de experimentos controlados com crianças e adolescentes, alterando a maneira como a hereditariedade era ensinada na escola. Perceberam que nos grupos onde a genética era ensinada do modo tradicional, os alunos desenvolviam crenças deterministas, e nos grupos onde o tema era introduzido com estudos sobre diferenças e semelhanças genéticas entre populações, as crenças eram reduzidas. Os autores ainda testaram uma intervenção para corrigir as crenças deterministas, e concluíram que basta uma série de cinco aulas mostrando a baixa diversidade genética entre indivíduos, e que existe maior diversidade entre grupos do mesmo continente do que comparando continentes diferentes.


Gregor Mendel, o monge católico do século 19 cujos experimentos com ervilhas deram origem ao modelo simplificado “Aa”, deve ser celebrado e ensinado nas escolas. Mas a genética mendeliana precisa ser ensinada como parte de um contexto maior, e não como a base de toda a genética e da hereditariedade.


Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-da ciencia/post/2025/07/essencialismo-genetico.ghtml. Acesso em 12/02/2026. Fragmento

Sobre a posição defendida pela autora, é correto afirmar que:

 

Alternativas
Q3990696 Português
TEXTO: ESSENCIALISMO GENÉTICO


A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo

Natalia Pasternak


        Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes. Quantas vezes você já teria ouvido que não pode ser filho biológico do casal? A crença de que cor dos olhos é uma herança determinada por um único gene, com alelo dominante (castanho) e alelo recessivo (azul ou verde), vem da maneira simplificada como abordamos genética no ensino fundamental e médio. Quem não se lembra do “Aa” e das tabelas de quadradinhos?


     Alguns autores estudam o ensino da genética mendeliana e sua influência na aceitação do chamado essencialismo, ou determinismo, genético. Essa ideia baseia-se no entendimento – enganoso – de que características fisiológicas e comportamentos são produtos lineares de um único gene. Ou seja, haveria um gene para cada característica: o gene da inteligência, por exemplo. O problema é que este tipo de herança é muito raro. A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros.


       O determinismo genético também desconsidera interações com o ambiente. Duas plantas da mesma espécie com o mesmo genoma podem ter alturas diferentes, por exemplo, dependendo do tipo de solo, quantidade de luz e nutrientes.


        E por que isto é um problema? Porque pode induzir a um “fatalismo” e crenças de que características como inteligência, aptidões, comportamentos e até mesmo suscetibilidade para doenças, são inatas, fixas e imutáveis. Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia. Os autores de uma pesquisa mediram conhecimento básico de genética, nível de crença em determinismo genético, crenças em dominação social, e crenças em eugenia.


         Exemplos de afirmações utilizadas para fazer essas medições incluem “alcoolismo é primariamente causado por fatores genéticos”, “criminosos não deveriam ser autorizados a se reproduzir e deixar descendentes”, e “esterilizar pessoas com características indesejadas pode melhorar gerações futuras”. Os resultados mostraram que quanto maior o entendimento de genética, menor a crença em determinismo, essencialismo, racismo e dominação social de um grupo sobre outro.


         A boa notícia é que é fácil corrigir o essencialismo. Pesquisadores conduziram uma série de experimentos controlados com crianças e adolescentes, alterando a maneira como a hereditariedade era ensinada na escola. Perceberam que nos grupos onde a genética era ensinada do modo tradicional, os alunos desenvolviam crenças deterministas, e nos grupos onde o tema era introduzido com estudos sobre diferenças e semelhanças genéticas entre populações, as crenças eram reduzidas. Os autores ainda testaram uma intervenção para corrigir as crenças deterministas, e concluíram que basta uma série de cinco aulas mostrando a baixa diversidade genética entre indivíduos, e que existe maior diversidade entre grupos do mesmo continente do que comparando continentes diferentes.


      Gregor Mendel, o monge católico do século 19 cujos experimentos com ervilhas deram origem ao modelo simplificado “Aa”, deve ser celebrado e ensinado nas escolas. Mas a genética mendeliana precisa ser ensinada como parte de um contexto maior, e não como a base de toda a genética e da hereditariedade.


Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-da-
ciencia/post/2025/07/essencialismo genetico.ghtml.
Acesso em 12/02/2026. Fragmento
“Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros” (2º parágrafo).
Nesse trecho, o conectivo em destaque estabelece, entre as ideias, relação de: 
Alternativas
Q3990621 Português
O texto que segue servirá de base para a questão.

Texto 1:

Humanidade

Depôis de conhecer a humanidade
suas perversidades
suas ambições
Eu fui envelhecendo
E perdendo
as ilusões
o que predomina é a
maldade
porque a bondade:
Ninguem pratica
Humanidade ambiciosa
E gananciosa
Que quer ficar rica!
Quando eu morrer…
Não quero renascer
é horrivel, suportar a humanidade
Que tem aparência nobre
Que encobre
As pesimas qualidades

Notei que o ente humano
É perverso, é tirano
Egoista interesseiros
Mas trata com cortêzia
Mas tudo é ipocresia
São rudes, e trapaçêiros

Jesus, Carolina Maria. Meu estranho diário. São Paulo: Xamã, 1996. (grafia original)
Analise os sentidos das palavras no poema considerando as afirmações a seguir.


I- “Humanidade” é usada com sentido coletivo, referindo-se ao conjunto dos seres humanos.
II- “Hipocrisia” indica falsidade, dissimulação.
III- “Cortêzia” (grafia original) significa polidez, urbanidade.
IV- “Gananciosa” é empregada como sinônimo de generosa.

É correto apenas o que se afirma em: 
Alternativas
Q3990616 Português
O texto que segue servirá de base para a questão.

Texto 1:

Humanidade

Depôis de conhecer a humanidade
suas perversidades
suas ambições
Eu fui envelhecendo
E perdendo
as ilusões
o que predomina é a
maldade
porque a bondade:
Ninguem pratica
Humanidade ambiciosa
E gananciosa
Que quer ficar rica!
Quando eu morrer…
Não quero renascer
é horrivel, suportar a humanidade
Que tem aparência nobre
Que encobre
As pesimas qualidades

Notei que o ente humano
É perverso, é tirano
Egoista interesseiros
Mas trata com cortêzia
Mas tudo é ipocresia
São rudes, e trapaçêiros

Jesus, Carolina Maria. Meu estranho diário. São Paulo: Xamã, 1996. (grafia original)
Observe o trecho: “Que tem aparência nobre / Que encobre / As péssimas qualidades”.
Agora, avalie as afirmativas a seguir.

I- “Que tem aparência nobre” caracteriza a humanidade.
II- “Que encobre as péssimas qualidades” exerce função de adjunto adnominal.
III- As orações subordinadas estabelecem relação de causa.

É correto apenas o que se afirma em:
Alternativas
Q3990614 Português
O texto que segue servirá de base para a questão.

Texto 1:

Humanidade

Depôis de conhecer a humanidade
suas perversidades
suas ambições
Eu fui envelhecendo
E perdendo
as ilusões
o que predomina é a
maldade
porque a bondade:
Ninguem pratica
Humanidade ambiciosa
E gananciosa
Que quer ficar rica!
Quando eu morrer…
Não quero renascer
é horrivel, suportar a humanidade
Que tem aparência nobre
Que encobre
As pesimas qualidades

Notei que o ente humano
É perverso, é tirano
Egoista interesseiros
Mas trata com cortêzia
Mas tudo é ipocresia
São rudes, e trapaçêiros

Jesus, Carolina Maria. Meu estranho diário. São Paulo: Xamã, 1996. (grafia original)
No poema de Carolina Maria de Jesus, observa-se o seguinte fragmento:

“Notei que o ente humano
É perverso, é tirano”

Considerando o contexto do poema e o funcionamento semântico do vocábulo “ente” na Língua Portuguesa, assinale a alternativa que apresenta a análise mais adequada do termo no referido trecho. 
Alternativas
Q3990613 Português
O texto que segue servirá de base para a questão.

Texto 1:

Humanidade

Depôis de conhecer a humanidade
suas perversidades
suas ambições
Eu fui envelhecendo
E perdendo
as ilusões
o que predomina é a
maldade
porque a bondade:
Ninguem pratica
Humanidade ambiciosa
E gananciosa
Que quer ficar rica!
Quando eu morrer…
Não quero renascer
é horrivel, suportar a humanidade
Que tem aparência nobre
Que encobre
As pesimas qualidades

Notei que o ente humano
É perverso, é tirano
Egoista interesseiros
Mas trata com cortêzia
Mas tudo é ipocresia
São rudes, e trapaçêiros

Jesus, Carolina Maria. Meu estranho diário. São Paulo: Xamã, 1996. (grafia original)
O poema apresenta características próprias de um gênero literário, mas também se aproxima de outras tipologias. Diante disso, avalie as afirmativas a seguir.

I- O texto é predominantemente argumentativo, pois defende uma tese sobre a perversidade humana.
II- Há traços descritivos, como na caracterização da humanidade como “ambiciosa e gananciosa”.
III- O texto é narrativo, pois relata uma sequência de ações de personagens.
IV- O texto é lírico, pois revela sentimentos e subjetividade do eu lírico.

É correto apenas o que se afirma em:
Alternativas
Q3990612 Português
O texto que segue servirá de base para a questão.

Texto 1:

Humanidade

Depôis de conhecer a humanidade
suas perversidades
suas ambições
Eu fui envelhecendo
E perdendo
as ilusões
o que predomina é a
maldade
porque a bondade:
Ninguem pratica
Humanidade ambiciosa
E gananciosa
Que quer ficar rica!
Quando eu morrer…
Não quero renascer
é horrivel, suportar a humanidade
Que tem aparência nobre
Que encobre
As pesimas qualidades

Notei que o ente humano
É perverso, é tirano
Egoista interesseiros
Mas trata com cortêzia
Mas tudo é ipocresia
São rudes, e trapaçêiros

Jesus, Carolina Maria. Meu estranho diário. São Paulo: Xamã, 1996. (grafia original)
O poema apresenta uma visão crítica da humanidade, marcada por desencanto e denúncia das contradições humanas.
Considerando o poema, avalie as afirmativas a seguir.

I- Carolina Maria de Jesus expressa perda de ilusões diante da maldade predominante.
II- Há uma crítica à hipocrisia social, que encobre as “péssimas qualidades”.
III- O texto valoriza a prática comum entre os homens: a bondade.
IV- O narrador manifesta desejo de renascer para corrigir os erros da humanidade.

É correto apenas o que se afirma em:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FUNDATEC Órgão: UFRGS Prova: FUNDATEC - 2026 - UFRGS - Administrador |
Q3990370 Português
Ela está entre nós




(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/gilmar-marcilio/noticia/2026/02/ela-estaentre-nos-cmm5615cp020a016uqli93gqv.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o emprego da palavra “dogmático” no trecho abaixo, analise as assertivas a seguir:

“Eu era dogmático e anunciava o fim dos tempos” (l. 26).

I. A palavra “dogmático” poderia ser substituída por “religioso” sem alteração do sentido original do trecho.
II. Trata-se de um adjetivo biforme, pois apresenta flexão de gênero determinada pelo substantivo ou pronome ao qual se refere.
III. O vocábulo pertence ao mesmo campo semântico do substantivo abstrato “dogma”.

Quais estão corretas?
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FUNDATEC Órgão: UFRGS Prova: FUNDATEC - 2026 - UFRGS - Administrador |
Q3990363 Português
Ela está entre nós




(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/gilmar-marcilio/noticia/2026/02/ela-estaentre-nos-cmm5615cp020a016uqli93gqv.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia a charge a seguir e as asserções a respeito de sua relação com o texto-base desta prova: 



Imagem associada para resolução da questão



I. Tanto o texto-base quanto a charge apresentam uma visão aterradora dos impactos do uso da IA na sociedade.



PORQUE



II. A charge apresenta os impactos astronômicos da IA, e o autor do texto defende uma postura renitente sobre a IA, apresentando-a como uma ameaça.



A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q3989869 Português
TEXTO: ESSENCIALISMO GENÉTICO


A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo

Natalia Pasternak


    Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes. Quantas vezes você já teria ouvido que não pode ser filho biológico do casal? A crença de que cor dos olhos é uma herança determinada por um único gene, com alelo dominante (castanho) e alelo recessivo (azul ou verde), vem da maneira simplificada como abordamos genética no ensino fundamental e médio. Quem não se lembra do “Aa” e das tabelas de quadradinhos?
   Alguns autores estudam o ensino da genética mendeliana e sua influência na aceitação do chamado essencialismo, ou determinismo, genético. Essa ideia baseia-se no entendimento – enganoso – de que características fisiológicas e comportamentos são produtos lineares de um único gene. Ou seja, haveria um gene para cada característica: o gene da inteligência, por exemplo. O problema é que este tipo de herança é muito raro. A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros.
     O determinismo genético também desconsidera interações com o ambiente. Duas plantas da mesma espécie com o mesmo genoma podem ter alturas diferentes, por exemplo, dependendo do tipo de solo, quantidade de luz e nutrientes.
      E por que isto é um problema? Porque pode induzir a um “fatalismo” e crenças de que características como inteligência, aptidões, comportamentos e até mesmo suscetibilidade para doenças, são inatas, fixas e imutáveis. Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia. Os autores de uma pesquisa mediram conhecimento básico de genética, nível de crença em determinismo genético, crenças em dominação social, e crenças em eugenia.
      Exemplos de afirmações utilizadas para fazer essas medições incluem “alcoolismo é primariamente causado por fatores genéticos”, “criminosos não deveriam ser autorizados a se reproduzir e deixar descendentes”, e “esterilizar pessoas com características indesejadas pode melhorar gerações futuras”. Os resultados mostraram que quanto maior o entendimento de genética, menor a crença em determinismo, essencialismo, racismo e dominação social de um grupo sobre outro.
       A boa notícia é que é fácil corrigir o essencialismo. Pesquisadores conduziram uma série de experimentos controlados com crianças e adolescentes, alterando a maneira como a hereditariedade era ensinada na escola. Perceberam que nos grupos onde a genética era ensinada do modo tradicional, os alunos desenvolviam crenças deterministas, e nos grupos onde o tema era introduzido com estudos sobre diferenças e semelhanças genéticas entre populações, as crenças eram reduzidas. Os autores ainda testaram uma intervenção para corrigir as crenças deterministas, e concluíram que basta uma série de cinco aulas mostrando a baixa diversidade genética entre indivíduos, e que existe maior diversidade entre grupos do mesmo continente do que comparando continentes diferentes.
     Gregor Mendel, o monge católico do século 19 cujos experimentos com ervilhas deram origem ao modelo simplificado “Aa”, deve ser celebrado e ensinado nas escolas. Mas a genética mendeliana precisa ser ensinada como parte de um contexto maior, e não como a base de toda a genética e da hereditariedade.


Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-daciencia/post/2025/07/essencialismo-genetico.ghtml. Acesso em 12/02/2026. Fragmento
No terceiro parágrafo do texto, a autora menciona duas plantas da mesma espécie com alturas diferentes. No texto, esse recurso tem a função de:  
Alternativas
Q3989868 Português
TEXTO: ESSENCIALISMO GENÉTICO


A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo

Natalia Pasternak


    Imagine que você tem olhos castanhos e ambos os seus pais têm olhos claros, azuis ou verdes. Quantas vezes você já teria ouvido que não pode ser filho biológico do casal? A crença de que cor dos olhos é uma herança determinada por um único gene, com alelo dominante (castanho) e alelo recessivo (azul ou verde), vem da maneira simplificada como abordamos genética no ensino fundamental e médio. Quem não se lembra do “Aa” e das tabelas de quadradinhos?
   Alguns autores estudam o ensino da genética mendeliana e sua influência na aceitação do chamado essencialismo, ou determinismo, genético. Essa ideia baseia-se no entendimento – enganoso – de que características fisiológicas e comportamentos são produtos lineares de um único gene. Ou seja, haveria um gene para cada característica: o gene da inteligência, por exemplo. O problema é que este tipo de herança é muito raro. A maioria das características humanas é poligênica, depende da interação de vários genes. Cor dos olhos, ao contrário do que sugerem os exercícios do ensino médio, é um bom exemplo. Por isso é falso dizer que uma criança de olhos castanhos não pode ter pais de olhos claros.
     O determinismo genético também desconsidera interações com o ambiente. Duas plantas da mesma espécie com o mesmo genoma podem ter alturas diferentes, por exemplo, dependendo do tipo de solo, quantidade de luz e nutrientes.
      E por que isto é um problema? Porque pode induzir a um “fatalismo” e crenças de que características como inteligência, aptidões, comportamentos e até mesmo suscetibilidade para doenças, são inatas, fixas e imutáveis. Estudos mostraram que o entendimento correto de como funciona a herança genética reduz a crença em ideias baseadas em essencialismo genético, como racismo e eugenia. Os autores de uma pesquisa mediram conhecimento básico de genética, nível de crença em determinismo genético, crenças em dominação social, e crenças em eugenia.
      Exemplos de afirmações utilizadas para fazer essas medições incluem “alcoolismo é primariamente causado por fatores genéticos”, “criminosos não deveriam ser autorizados a se reproduzir e deixar descendentes”, e “esterilizar pessoas com características indesejadas pode melhorar gerações futuras”. Os resultados mostraram que quanto maior o entendimento de genética, menor a crença em determinismo, essencialismo, racismo e dominação social de um grupo sobre outro.
       A boa notícia é que é fácil corrigir o essencialismo. Pesquisadores conduziram uma série de experimentos controlados com crianças e adolescentes, alterando a maneira como a hereditariedade era ensinada na escola. Perceberam que nos grupos onde a genética era ensinada do modo tradicional, os alunos desenvolviam crenças deterministas, e nos grupos onde o tema era introduzido com estudos sobre diferenças e semelhanças genéticas entre populações, as crenças eram reduzidas. Os autores ainda testaram uma intervenção para corrigir as crenças deterministas, e concluíram que basta uma série de cinco aulas mostrando a baixa diversidade genética entre indivíduos, e que existe maior diversidade entre grupos do mesmo continente do que comparando continentes diferentes.
     Gregor Mendel, o monge católico do século 19 cujos experimentos com ervilhas deram origem ao modelo simplificado “Aa”, deve ser celebrado e ensinado nas escolas. Mas a genética mendeliana precisa ser ensinada como parte de um contexto maior, e não como a base de toda a genética e da hereditariedade.


Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-daciencia/post/2025/07/essencialismo-genetico.ghtml. Acesso em 12/02/2026. Fragmento
Ao afirmar que a cor dos olhos “é um bom exemplo” de herança poligênica, a autora pressupõe que:
Alternativas
Q3989809 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



O melhor das pessoas



    A frase – “A gente precisa chamar o melhor das pessoas” – é um válido lembrete de como podemos enxergar mais pelo filtro da compaixão. Quando olhamos para uma pessoa, o primeiro tipo de pensamento que vem à mente é de julgamento ou de curiosidade?


    É que, às vezes, nem dá tempo do outro se apresentar e já recebe nossa etiqueta invisível de “bom” ou “ruim”, de “aceito conviver” ou “melhor evitar”.


    Não simpatizamos com todo mundo, mas cultivar uma noção positiva sobre o outro é educar-se pela régua da generosidade, o que resulta em saúde e bem-estar para nós mesmos. Já reparou como pessoas indispostas têm o hábito de criticar com rapidez, constância e facilidade? É um hábito e, como tal, também é possível revertê-lo com a devida prática.


    E se, para cada sentença negativa sobre alguém, encontrarmos um aspecto a ser elogiado? Não precisa ser sempre em voz alta. O discurso interno bem direcionado é capaz de reprogramar nosso cérebro e, em sequência, nossos sentimentos e atitudes. (...)


    Assim tem procedido uma amiga brasileira que recém ingressou no curso de História, em uma universidade lisboeta. Ela me relatou que, se antes, respondia a todo e qualquer comentário de forma impulsiva, agora tem elaborado melhor as falas e discernido quando vale a pena ser mais incisiva. Aprendizado que veio após alguns anos de cansaço e motivado pelas novas interações estudantis.


    Há situações em que é preciso ser firme e defender seus direitos. Entretanto, minha amiga vem buscando ponderar o que ouve e o que replica, escolhendo com sabedoria suas pelejas. Quando percebe que não é o momento de insistir, resguarda-se para um futuro colóquio. Com isso, descobriu que ganhou paz de espírito, diminuiu a ansiedade e aumentou a empatia.


    Quem sabe se, de tanto chamarmos o melhor dos outros, como sugeriu meu colega escritor, atenda já na primeira tentativa o melhor de nós também.



FONTENELE, Cristina. O melhor das pessoas. DN Brasil. Disponível em <https://dnbrasil.dn.pt/crnica-o-melhordas-pessoas>..

“Ela (...) tem elaborado melhor as falas e discernido quando vale a pena ser mais incisiva.”



A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:

Alternativas
Respostas
2921: D
2922: C
2923: A
2924: B
2925: A
2926: C
2927: A
2928: A
2929: C
2930: B
2931: D
2932: A
2933: C
2934: B
2935: A
2936: D
2937: E
2938: D
2939: D
2940: D