O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A guardiã da rua
Era sábado de manhã quando cinco amigos procuravam
um lugar para estacionar o carro. A viagem para o
Guarujá tinha sido longa, e todos estavam animados
para pisar na areia e cair no mar.
Depois de muito procurar, encontraram uma vaga
perfeita na sombra de uma árvore e bem próxima da
praia. Comemoraram: seria menos um gasto na viagem.
Enquanto pegavam todas as coisas no porta-malas do
Honda Fit, uma senhora se aproximou. De estatura
baixa, com um sorriso no rosto, um boné e roupas típicas
de quem quer se proteger do sol, Dona Bel se
apresentou e disse: "Cuido da rua por 20 reais".
Confusos, todos se entreolharam, assimilando a
informação. Um dos amigos já avisou: "Não temos
dinheiro". Contrariada, Dona Bel argumenta: "Tudo bem,
pode ser 20 reais no pix mesmo. Sabem como é, né? A
gente fica de olho nos carros aqui da rua para não
acontecer nada de ruim".
Dali em diante, o tom da conversa já não era o mais
simpático. O grupo pegou suas coisas e andou em
direção à praia, desconversando a proposta da senhora
até perdê-la de vista.
O dia estava maravilhoso, mas os gastos, nem tanto.
Cem reais pelo guarda-sol e cadeiras, 50 na prancha de
bodyboard, 20 para usar o banheiro e por aí vai. Mas o
que vale é estar na praia com os amigos, certo? Entre
uma conversa e outra, algumas piadas sobre a situação
surgiam: "Será que a dona da rua ainda está lá?", "Se
não pagarmos, ela vai bater na gente?", "Por 20 reais ela
tem que saber lutar com bandidos".
Voltando para o carro, usaram garrafas de água para
tirar o sal do corpo e trocaram de roupa dentro do
veículo, tudo para não gastar mais 20 reais na ducha do
quiosque ao lado.
Dona Bel observava de longe, pronta para cobrar o
preço pelo seu serviço. Enquanto se secavam, o grupo
de amigos combinava entre sussurros qual seria o plano
para pular no carro e ir embora sem pagar nada.
Devagar, Dona Bel levantou e caminhou em direção ao
grupo. Imediatamente, todos entraram no carro e saíram
dali. No banco de trás, os meninos gritavam: "Corre que
a Bel tá vindo! Ela vai bater na gente!", e todos riam sem
fôlego, sentindo a adrenalina que a fuga da senhorinha
mal-humorada causou.
LEANDRO, Beatriz Garcia. A guardiã da rua. In: Portal de Livros
Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível
em:
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1
691/1544/6178 . Acesso em: 14 nov. 2025.
Na oração "Enquanto se secavam, o grupo de amigos
combinava entre sussurros qual seria o plano para pular
no carro e ir embora sem pagar nada", o uso do pronome
oblíquo "se" está vinculado a uma regra clássica de
colocação pronominal. Com base na norma culta da
língua, assinale a alternativa que apresenta a análise
correta da posição do pronome.