Questões de Concurso Sobre crase em português

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Q4403066 Português

Leia a tira para responder à questão.




Assinale a alternativa em que a reescrita da frase “Ninguém liga para o que eu digo.” é coerente com o sentido da tira e está em conformidade com a norma-padrão de uso do acento indicativo da crase.
Alternativas
Q4402994 Português
Assinale a alternativa cuja lacuna deve ser preenchida com "à", de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q4402991 Português
Assinale a alternativa cuja lacuna pode ser preenchida corretamente tanto com "a" quanto com "à", de acordo com a norma-padrão. 
Alternativas
Q4402668 Português

Leia o texto para responder à questão.


Não façam isso!


    Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:


    – Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.


    Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar- -se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.


    Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.


    A minha queixa, porém, é contra os americanos.


    Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.


    São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 

Ao que consta, não pretendem mais dar _____ língua francesa espaço no currículo escolar. Isso me traz _____ memória uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu observasse _____ ela que era pouco, ela retrucou, dizendo _____ mim que não valeria a pena conhecer alemães que não soubessem francês.


De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com: 

Alternativas
Q4402458 Português

Leia o texto para responder à questão.


Não façam isso!


    Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:


    – Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.


    Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.


    Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.


    A minha queixa, porém, é contra os americanos.


    Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.


    São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.


(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013) 

Ao que consta, não pretendem mais dar _____ língua francesa espaço no currículo escolar. Isso me traz _____ memória uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu observasse _____ ela que era pouco, ela retrucou, dizendo _____ mim que não valeria a pena conhecer alemães que não soubessem francês.


De acordo com a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas, respectivamente, com: 

Alternativas
Q4402453 Português

Leia o texto para responder à questão.


Ideia Perigosa


    O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um “andar de cima”, formado pela elite rica, e um “andar de baixo”, composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.


    Ainda assim, foi uma ousadia contida: foram soltos, mas não foram libertados, porque não receberam o “mapa” para caminhar – um pedaço de terra e uma escola. Um século e meio depois, o temor continua: não se fez reforma agrária nem se implantou um sistema educacional de qualidade para os descendentes sociais dos escravizados. Os ousados abolicionistas que defenderam a libertação não ousaram incluir mais um artigo na Lei Áurea: “Fica implantado um Sistema Único Nacional Público de Educação em todo o território nacional, onde estudarão, nas mesmas escolas, os filhos de escravizados e os filhos de seus ex-escravocratas”.


    Desde então, o Brasil até mesmo adiou ideias moderadamente ousadas: o direito a férias remuneradas para trabalhadores só foi outorgado em 1925; a primeira universidade, 1922; a criação de um Ministério da Educação, 1930; a instituição do salário-mínimo, 1936; o décimo terceiro salário, 1962; o piso salarial para professores e a obrigatoriedade de vaga a partir dos quatro anos, em 2008; e vaga até o final do ensino médio, em 2009.


    Eram ideias relativamente modestas e, ainda assim, temidas, que demoraram a ser adotadas. Por isso, quase na metade do século 21, nenhum partido propõe a criação de um sistema nacional público único de educação básica, com a mesma qualidade, no qual estudem os filhos da elite e os filhos do povão, independentemente da renda e do endereço. No mundo contemporâneo, são defendidas, corretamente, políticas de cotas para ingresso no ensino superior, mas não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias. Tem-se o humanismo dos emancipacionistas, sem a perigosa ousadia dos abolicionistas. Temem-se os efeitos de uma ideia perigosa.


    Perigosa para o resto do mundo, pois o Brasil se tornaria uma das cinco maiores economias globais ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, com a produtividade decorrente de educação de alta qualidade. Em 1888, tiramos as algemas das mãos e, nos anos 1930, dos pés; falta tirar as algemas dos cérebros, o que não ocorre por falta de uma escola de qualidade máxima para todos. A democratização do uso dos pés em quadras de clubes futebolísticos nos fez uma potência futebolística; a inclusão de todos os cérebros bem formados nos fará uma potência científica, tecnológica e econômica.


    No entanto, essa ideia perigosa representaria o grande salto do Brasil: completaria a abolição inacabada, elevaria a produtividade, aumentaria e distribuiria melhor a renda nacional conforme o talento e o esforço, dinamizaria a cultura, promoveria maior equidade social, pacificaria a sociedade, consolidaria a democracia e poderia transformar um país periférico em protagonista no cenário global – na economia, na ciência, na tecnologia, na cultura e na diplomacia.


(Cristovam Buarque. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 15.04.2026. Adaptado)

Na passagem “… não se avança na defesa de um sistema educacional capaz de torná-las desnecessárias.” (4º parágrafo), a preposição destacada será substituída por “a”, caso o adjetivo “capaz” seja substituído por: 
Alternativas
Q4402186 Português

Pessoas mais experientes podem dar conselhos _____ de menos idade, mesmo que estas demorem para escutar. Um adulto _____ disposição para aconselhar um jovem pode ajudá-lo _____ se tornar alguém mais consciente de si mesmo.


As lacunas do texto são completadas, correta e respectivamente, por:

Alternativas
Q4402122 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Garimpando o solo atrás de avanços tecnológicos


Em 2004, dois físicos da Universidade de Manchester, no Reino Unido, utilizaram uma fita adesiva comum para isolar, pela primeira vez, uma folha atômica de grafite, inaugurando uma nova classe de materiais. Conhecido como grafeno, o material conduzia eletricidade tão bem quanto o cobre, destacava-se como um excelente condutor de calor e, embora sua estrutura muito compacta de carbono o tornasse denso, sua espessura ultrafina conferia extrema flexibilidade. A própria obtenção do grafeno foi considerada um feito surpreendente na época, dado que se julgava impensável que materiais cristalinos formados por apenas uma camada atômica fossem estáveis. O impacto da descoberta foi tão significativo que a dupla recebeu o Nobel de Física.

Embora mais de duas décadas tenham se passado desde a descoberta, cientistas continuam explorando essa classe de materiais, conhecida como materiais bidimensionais (2D) ou lamelares. Esses materiais consistem em uma ou poucas camadas atômicas e exibem comportamentos físicos que, muitas vezes, desaparecem em suas formas tridimensionais, ampliando o leque de potenciais aplicações tecnológicas.

A física Ingrid Barcelos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), chefia um dos grupos brasileiros dedicados ao estudo desses materiais. A pesquisa de Barcelos é centrada na investigação de materiais 2D derivados de filossilicatos, minerais encontrados na natureza, e conta com financiamento da FAPESP. Segundo Barcelos, embora os filossilicatos sejam muito abundantes na natureza, eles ainda são pouco estudados. A pesquisadora ressalta que, devido ao seu baixo custo quando comparados a materiais 2D sintéticos, esses minerais se apresentam como opções acessíveis para aplicações tecnológicas, destacando-se como escolhas mais sustentáveis por terem origem natural e não passarem por processamento prévio, gerando menor impacto ambiental no descarte.

Os filossilicatos são formados pela combinação de átomos de silício e oxigênio, que se organizam em camadas empilhadas, compondo o mineral. À semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno, Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou seja, separar as camadas desses minerais, produzindo flocos de espessuras nanométricas. Conforme explica a pesquisadora, a separação em camadas ultrafinas só é viável porque as interações entre as diferentes camadas sobrepostas são fracas o suficiente para permitir a clivagem, ao passo que as ligações entre os átomos de cada camada mantêm a integridade estrutural. Barcelos ilustra esse processo comparando-o a um pacote de folhas de papel do qual se pode retirar folha por folha, sendo cada qual uma camada atômica. 

Barcelos aponta que os filossilicatos possuem características físicas de isolantes elétricos. De acordo com a pesquisadora, no universo dos materiais 2D, poucos apresentam esse comportamento; o nitreto de boro hexagonal, um dos mais utilizados, possui custo elevado para a obtenção de alta qualidade cristalina e produção concentrada em poucos locais, o que limita o seu acesso. Entre os filossilicatos estudados por Barcelos está o talco, um material 2D derivado da pedra-sabão. Essa rocha, abundante em Minas Gerais, é utilizada na fabricação de utensílios de cozinha e foi o material escolhido pelo artista Aleijadinho para esculpir suas obras.

Em 2018, a equipe publicou um estudo na revista ACS Photonics sobre as propriedades do talco para o desenvolvimento de dispositivos optoeletrônicos. Para investigar como a luz se propaga em escala nanométrica, os pesquisadores combinaram a nano-espectroscopia de infravermelho à microscopia óptica de varredura no campo próximo tipo espalhamento (s-SNOM), revelando como a radiação trafega em seu interior.

Em outro estudo, publicado em 2025 na revista Nanoscale, o grupo descreveu como o talco suporta a formação de fônon-poláritons, que são quasipartículas originadas da interação intensa entre a luz e as vibrações atômicas do cristal, permitindo entender como a radiação se propaga no material.

As propriedades físicas de materiais 2D ampliam seu campo de aplicação: enquanto alguns atuam na eletrônica flexível com circuitos dobráveis, outros, como o grafeno, já são incorporados a plásticos para reforçar sua resistência. Embora o talco e outros minerais permaneçam em estágios incipientes de caracterização, a investigação de matérias-primas abundantes e baratas abre caminho para a criação de futuros dispositivos optoeletrônicos, nanofotônicos e emissores quânticos de luz.


https://revistapesquisa.fapesp.br/garimpando-o-solo-atras-de-avancos-t ecnologicos/.adaptado.
"À" semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno, Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou seja, separar as camadas desses minerais.

Em relação ao emprego do acento indicativo de crase no trecho, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4401762 Português
Assinale a alternativa cuja lacuna pode ser preenchida corretamente tanto com “a” quanto com “à”, sendo ambas as formas previstas pela norma-padrão.
Alternativas
Q4401761 Português

Preencha os parênteses abaixo com C ou E de acordo com o emprego da palavra destacada na sentença respectivamente certo ou errado. A seguir, assinale a sequência obtida.



(___) Estive há apenas duzentos metros da praia.



(___) Daqui a alguns anos, vamos nos lembrar deste momento com risadas.



(___) Enquanto a vida, existe esperança!



(___) Por enquanto vou ficar há espera de um milagre.

Alternativas
Ano: 2026 Banca: Ibest Órgão: CREMERS Prova: Ibest - 2026 - CREMERS - Médico Fiscal |
Q4401167 Português

Texto para a questão.  





Carlos Vogt. Vacinas e vacinações. Com Ciência, n. 162, Campinas, out. 2014. Internet:  <https://comciencia.scielo.br> (com adaptações). 

No trecho “quando Louis Pasteur comunicou à Academia de Ciências, na França, a descoberta do imunizante contra a raiva” (quarto parágrafo), o emprego do sinal indicativo de crase é  
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Ibest Órgão: CREMERS Prova: Ibest - 2026 - CREMERS - Médico Fiscal |
Q4401163 Português

Texto para a questão.  





Carlos Vogt. Vacinas e vacinações. Com Ciência, n. 162, Campinas, out. 2014. Internet:  <https://comciencia.scielo.br> (com adaptações). 

Seriam mantidas a correção gramatical e a coerência do trecho “Contra a varíola, eu e os de minha geração experimentamos várias das técnicas de vacinação aplicadas às escolas públicas nos anos 1940 e 1950” (último parágrafo) caso fosse realizada a supressão da expressão  
Alternativas
Q4400929 Português

Em um relatório destinado à equipe gestora de uma escola, foi registrada a seguinte frase:


“A equipe pedagógica informou aos professores que as novas orientações seriam apresentadas à comunidade escolar durante a reunião prevista para a próxima semana.” 


Considerando as regras da norma-padrão da Língua Portuguesa, especialmente concordância, regência verbal e nominal e emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que apresenta uma análise correta da construção. 

Alternativas
Q4399411 Português
Leia atentamente o parágrafo a seguir para responder à questão.


O desenvolvimento das novas tecnologias e a possibilidade de criação de redes de comunicação, de interesses específicos, técnicas, utilizando os mais variados recursos, meios e canais, são fundamentais para o desenvolvimento de novas formas de expressão hipertextual. Podemos dizer que o desenvolvimento da multimídia, as novas formas interativas de acesso à informação, as conferências e redes via computação representam o mais novo território de disputa e luta na sociedade. As redes de movimentos sociais utilizam-se da possibilidade que oferecem as redes tecnológicas, de troca horizontal de informação, para fortalecer suas estratégias de conquista de espaço na sociedade.

(Ferrari, Pollyana. In: Hipertexto, hipermídia: as novas ferramentas da comunicação digital. São Paulo: Contexto, 2019, p.87).
Assinale a alternativa em que o uso do acento indicativo da crase se justifica pelo mesmo motivo do encontrado no período a seguir:

“Podemos dizer que o desenvolvimento da multimídia, as novas formas interativas de acesso à informação, as conferências e redes via computação representam o mais novo território de disputa e luta na sociedade.” 
Alternativas
Q4399382 Português
DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS: UM PROBLEMA GLOBAL


   Os alimentos são desperdiçados em toda a cadeia alimentar, desde a produção agrícola, que inclui a superprodução sazonal e o manejo inadequado das rotas de venda de alimentos frescos, especialmente frutas, vegetais e peixe, até o lixo doméstico, que transforma os alimentos em resíduos. Este não é apenas um problema econômico, mas também um problema ecológico. […]
    Embora os percentuais de perdas variem de país para país, os resultados são preocupantes e exigem ações coordenadas a serem tomadas e implementadas a fim de reverter a situação. A ordem de prioridade proposta pela FAO dá uma hierarquia de ações com um grau de coerência: prevenção, aproveitamento, reciclagem, substituição, incineração de resíduos com recuperação de energia e eliminação sem recuperação de energia. […] O desperdício de alimentos é um grave problema mundial que precisa ser enfrentado e que deve levar à geração de círculos virtuosos para transformar a perda em uso.
    Portanto, o combate ao desperdício é uma tarefa de todos. E nós temos a oportunidade de sermos protagonistas nesse desafio. Já é comum vermos ONGs, empresas e instituições dedicadas a essa causa, mas somente elas, não são suficientes. Precisamos do envolvimento coletivo de toda a sociedade. Afinal, se cada um colaborar com a sua parte, no seu dia a dia, podemos fazer a diferença e ter um mundo mais sustentável.


GALLO, Alicia. El desperdicio de alimentos: un problema global. Página/12, [S. l.], 13 out. 2022. Disponível em: https://www.pagina12.com.br; https://www.ejemplos.co/br/texto argumentativo. (Adaptado). Acesso em: 6 out. 2026.
Assinale a alternativa em que o emprego da crase está incorreto:
Alternativas
Q4398805 Português
Ética não é opinião, nem circunstância


Você já ouviu falar em “Ethical fading”? Segundo o filósofo Mário Sérgio Cortella, a ética consiste em um conjunto de valores e princípios, uma espécie de juiz interno que regula três forças importantes de nossa vida: o querer, o poder e o fazer. Enfrentamos uma batalha constante entre estas três forças. Este julgamento dinâmico interno não se relativiza a partir de nossa opinião e sim está conectado, relacionado aos valores e princípios da sociedade / comunidade na qual estamos inseridos. “A nossa opinião sobre o que é certo ou errado se subordina de certa forma às regras da comunidade que participamos, da empresa que trabalhamos, por exemplo”.

    Tais regras, princípios e valores se alteram com o tempo, jurisdição e estágio de evolução da própria sociedade. A todo momento, novas complexidades se somam ao dicionário de princípios e valores, daí a dificuldade na tomada de decisão com foco em comportamento “ético”.

    De uma maneira geral, as grandes crises e fraudes corporativas, tais como Enron, WorldCom, Petrobrasna Lava-jato e, mais recentemente, ocaso Americanas, entre tantas outras, não nasceram de grandes rupturas com os princípios éticos vigentes e sim de pequenos atos de permissividade, muitas vezes, no limite do que é legal. Isto acontece, na verdade, na nossa rotina diária. “A cada decisão, consultamos nosso juiz interno, que regula nosso querer, poder e fazer e aí então tomamos a decisão mais alinhada com nossos princípios e valores”. No entanto, sob pressão excessiva, liderança ausente ou ineficiente, cultura organizacional orientada ao resultado de curto prazo e não a criação de valor sustentável, os aspectos técnicos e materiais de nossas decisões podem fazer com que os aspectos éticos desvaneçam ou simplesmente desapareçam de vista. Denominamos esse processo de “ethical fading”, traduzível para português como o apagamento da ética.

    Nesse modelo mental, pessoas aparentemente éticas encontram razões para contornarem seus princípios intrínsecos e tomarem decisões que podem colocar suas carreiras e mesmo suas empresas em risco. Considerações como “todos fazem isso”; “faremos somente desta vez”; “não é ilegal”; “os fins justificam os meios”; “tenho apoio total de meu gestor” ou “nesta empresa isso é normal” são sintomas claros de que o “ethical fading” está se instalando no processo decisório individual e corporativo. E o que é pior: esse processo tende a ser evolutivo. As pessoas acabam se sentindo confortáveis com pequenas concessões e, com o tempo, as transgressões se acumulam. Por fim, acabam destruindo carreiras e até mesmo empresas.

    “Cabe à liderança disseminar e garantir a aplicação do conceito de que as circunstâncias e opiniões pessoais não devem ser colocadas acima dos princípios éticos”. Cabe a cada profissional zelar pela integridade de suas decisões, sejam elas de que magnitude forem. Aqui vale a máxima de que a ocasião não faz o ladrão, simplesmente o torna visível.

    Na dúvida vale a pena seguir o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant (1724–1804), um dos principais pensadores do Iluminismo, com grande foco na ética e metafisica: “Tudo o que não puder contar como fez; não o faça! Se há razões para não contar; há para não o fazer.”

    Cuide para que o “ethical fading” não invada sua mente e, se você ocupa uma posição de liderança, cuide para que sua organização não seja tolerante com este terrível inimigo, mesmo quando estão em jogo os resultados e a performance de curto prazo. Não faça concessões fatais.

    Jorge Sant’Anna é diretor-presidente e cofundador da BMG Seguros e membro do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Bancos.


Disponível em: https://revista.istoedinheiro.com.br/eticanao-e-opiniao-nem-circunstancia. Acesso em: 20 ago. 2026.
No trecho “A nossa opinião sobre o que é certo ou errado se subordina de certa forma às regras da comunidade...”, o acento indicativo de crase antes de “as regras”:
Alternativas
Q4398383 Português
Texto para a questão


Desaprender é vital


   Para o CEO do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, as empresas não devam ter medo de errar ao adotarem ferramentas de IA em seus processos.

  Inteligência Artificial é a expressão da moda em diversos setores, mas será que as companhias brasileiras estão prontas para a implantação de automação por meio dessa tecnologia em suas práticas do dia a dia? O CEO do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, usou o seu conhecimento na área para escrever o livro “Mindset de IA” (Ed. Gente), no qual aponta que, mais do que mudanças operacionais, as empresas precisam mudar de mentalidade para não ficarem para trás e obterem sucesso quando o assunto é automação e o uso das IAs generativas. Para ele, as corporações precisam se permitir errar com a IA.

  “Os profissionais precisarão desaprender muitas das práticas que utilizaram até hoje e reaprender a extrair o verdadeiro potencial da tecnologia, entendendo como pode gerar valor contínuo para os processos e para o conhecimento da organização. A IA pensa, mas a decisão final e a responsabilidade continuam sendo humanas. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa”, afirma Horn.

   O que o seu livro traz de diferente do que vem sendo debatido sobre IA nas empresas?

  O grande diferencial está em focar no modelo mental (mindset) necessário para a implementação da IA, em vez de tratar o tema apenas como a adoção de uma nova ferramenta técnica. Em vez de se concentrar na simples operação de plataformas, o debate deve ser o que os líderes, executivos e empreendedores precisam desaprender de suas vivências passadas e o que devem reaprender para lidar com essa inovação.

  O principal objetivo do livro é ensinar como compreender o verdadeiro potencial da tecnologia para gerar valor real para o negócio, para os processos internos e para o conhecimento acumulado da organização. O sucesso com a IA não se resume a implementar ou adotar um sistema tecnológico, mas sim a uma necessidade profunda de transformar todo o negócio por meio da adoção de uma mentalidade adequada para usufruir de verdade de tudo o que essa tecnologia tem a oferecer.

 Muitos empresários e executivos ainda temem o uso de IA em processos mais elaborados nas empresas. O que você diria para essas pessoas?

  Executivos e empresários devem encarar o erro nessa implementação como uma parte absolutamente essencial do processo de experimentação com a Inteligência Artificial. Não devem ter medo de estimular ao máximo que as equipes experimentem a tecnologia. É fundamental não ter medo de falhar e não reprimir os erros dentro da empresa. O próprio Elon Musk [fundador da Tesla e da Space X, entre outros negócios, e primeiro financiador da OpenAI] comemorou a explosão de um de seus foguetes justamente pelo conhecimento valioso extraído daquele evento. À medida que a empresa treina e aprende com os próprios erros, ela adquire um ganho muito grande de maturidade. Os líderes precisam aceitar esse trade-off e entender que é natural testar diversas abordagens que talvez não tragam retorno financeiro imediato ou que acabem sendo descartadas mais tarde, mas apenas passando por essa fase prática é possível descobrir se realmente vale a pena usar a IA em determinados processos. Cultivar a experimentação contínua e a tolerância à falha é o conselho central para criar o modelo mental adequado e bem-sucedido na adoção dessa tecnologia. Mas claro que o elemento humano vai continuar sendo muito importante, porque a IA pensa, mas é o ser humano que decide. Assim como uma pessoa não deve seguir um aplicativo de rotas cegamente para dentro de uma área perigosa da cidade, as empresas precisam manter o controle final e a responsabilidade de avaliar as decisões da máquina. Essa habilidade é muito mais permanente do que as ferramentas em si.


Disponível em: https://revista.istoe.com.br/wp-content/ uploads/sites/30/2026/05/IstoE-Edicao-36.pdf. Acesso em 16 ago. 2026. 
Observe o trecho e analise as afirmações.

“O sucesso com a IA não se resume a implementar ou adotar um sistema tecnológico, mas sim a uma necessidade profunda de transformar todo o negócio por meio da adoção de uma mentalidade adequada para usufruir de verdade de tudo o que essa tecnologia tem a oferecer”

I. As quatro ocorrências de “a” no trecho se dão pela mesma explicação.
II. Em “a implementar” e “a oferecer”, a construção gramatical da língua segue a mesma lógica linguística.
III. “A uma necessidade” fere a construção da norma culta da língua que, nesse caso, deveria ser “à necessidade”.

Está(ão) CORRETAMENTE analisado(s) o(s) item(ns):
Alternativas
Q4398239 Português

Assinale a alternativa cujos elementos preenchem corretamente as lacunas abaixo, na mesma ordem:



- ____ vezes, eu me dedico ____ contemplação da natureza.


- Digam-me ____ verdade e eu me dirigirei ____ vocês com entusiasmo.


- Não faça ____ coisas ____ pressas, por favor.

Alternativas
Q4397669 Português

A questão refere-se ao texto abaixo.

IBGE aponta que 5,5 milhões de pessoas no RS sofreram impactos causados pelas enchentes



Dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul podem ser usados para lidar com novos eventos climáticos extremos



    O IBGE divulgou no dia 1º de julho dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS) e revelou que 88% dos domicílios registraram algum tipo de ocorrência relacionada às enchentes daquele ano. As estimativas indicam que haviam 6.333.727 moradores nas regiões afetadas, com um total de domicílios estimados em 2.328.093. Dentre os domicílios entrevistados entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, 68,7% dos informantes relataram impactos em seu bairro ou nas ruas e rodovias próximas, enquanto 55,5% dos entrevistados relataram danos nas estruturas de suas casas. Foram relatadas interrupções em serviços básicos, como água e energia elétrica, em 66,3% das residências.



    Augusto José Pereira Filho, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, explica que as razões para as chuvas de 2024 terem sido tão intensas no Rio Grande do Sul possuem relação com o El Niño, que consiste no aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e no aumento da precipitação profunda de nuvens, podendo chegar a 20 quilômetros de profundidade na área.



    Pereira Filho reitera a importância de investir em tecnologias que permitam uma previsão do tempo mais ___ frente e em infraestrutura para suportar os impactos climáticos. “Os modelos mais avançados têm um horizonte de previsão em até 15 dias, por exemplo. Eles podem dar uma orientação ___ defesa civil, que precisa estar bem informada dessas condições e a partir daí haver um planejamento do governo, tanto federal como estadual, para mitigar o evento. Não dá para reduzir as perdas de vida e materiais ___ zero; em qualquer lugar do mundo, você tem sempre vítimas, mas é possível reduzir os números. Há também ações estruturais, e foram essas que acabaram causando muito problema lá no Rio Grande do Sul. Barragens e sistemas de escoamento da água pelo rio precisam de manutenção, visto que se trata de uma modificação do ambiente pelo homem. Lá no Rio Grande do Sul, nessa época, as estruturas hidráulicas falharam, e isso resultou num aumento das perdas, feito do excesso de águas para o Rio Grande do Sul.”



    Wagner Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências Humanas da USP, reforça como as populações mais vulneráveis estão sujeitas aos maiores impactos das mudanças climáticas.



    “Os dados do IBGE indicam claramente que o Brasil é um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas. A vulnerabilidade social no País é bastante elevada; nós temos, não apenas nas eras urbanas, mas principalmente nelas, populações que vivem em condições vulneráveis, sujeitas aos efeitos de chuvas intensas, como, por exemplo, o escorregamento de vertentes, alagamentos, enchentes e outras questões.”



    Ribeiro explica ainda que, mesmo com os eventos climáticos extremos, algumas populações não têm o privilégio de poder se mudar para outros lugares. “É necessário que o Estado tome ações mais diretas de oferecer alternativas mais adequadas para evitar que todo ano a população tenha prejuízos materiais”, conclui.



Texto Adaptado.

Na primeira frase do texto, na passagem "O IBGE divulgou no dia 1º de julho dados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul", a expressão sublinhada poderia ser substituída adequadamente por
Alternativas
Q4397296 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé

Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo. [...]
Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.
Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]

KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficarparado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)
O trecho a seguir parafraseia informações do texto e apresenta lacunas relativas ao emprego do acento indicativo de crase, cuja ocorrência depende da regência dos termos e da presença do artigo definido. Analise a afirmativa abaixo:
Ao contrário do que sugere a hipótese dos 90 graus, o autor atribui __________ leve contração da panturrilha papel decisivo: ela impede a queda para __________ frente e mantém os receptores sensíveis __________ cada pequena alteração de posição, informação que chega __________ medula espinhal por realimentação sensório-motora.
Assinale a alternativa que preenche CORRETA e respectivamente as lacunas. 
Alternativas
Respostas
21: C
22: E
23: B
24: A
25: A
26: E
27: E
28: A
29: B
30: E
31: A
32: B
33: C
34: A
35: A
36: E
37: B
38: E
39: D
40: B