Questões de Concurso Sobre crase em português

Foram encontradas 8.755 questões

Q4397246 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé

Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo. [...]
Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.
Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]

KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficarparado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)
O trecho a seguir parafraseia informações do texto e apresenta lacunas relativas ao emprego do acento indicativo de crase, cuja ocorrência depende da regência dos termos e da presença do artigo definido. Analise a afirmativa abaixo:
Ao contrário do que sugere a hipótese dos 90 graus, o autor atribui __________ leve contração da panturrilha papel decisivo: ela impede a queda para __________ frente e mantém os receptores sensíveis __________ cada pequena alteração de posição, informação que chega __________ medula espinhal por realimentação sensório-motora.
Assinale a alternativa que preenche CORRETA e respectivamente as lacunas.
Alternativas
Q4397200 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé

Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo. [...]
Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.
Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]

KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficarparado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)
O trecho a seguir parafraseia informações do texto e apresenta lacunas relativas ao emprego do acento indicativo de crase, cuja ocorrência depende da regência dos termos e da presença do artigo definido. Analise a afirmativa abaixo:
Ao contrário do que sugere a hipótese dos 90 graus, o autor atribui __________ leve contração da panturrilha papel decisivo: ela impede a queda para __________ frente e mantém os receptores sensíveis __________ cada pequena alteração de posição, informação que chega __________ medula espinhal por realimentação sensório-motora.
Assinale a alternativa que preenche CORRETA e respectivamente as lacunas. 
Alternativas
Q4397157 Português
Os desafios da Amazônia


A floresta amazônica exerce um papel fundamental na chamada química atmosférica: é uma gigantesca fonte de vapor-d’água. Leva chuva da região Norte até a bacia do rio da Prata, favorecendo, por exemplo, a atividade agropecuária da região Centro-Oeste. Um estudo mostra que o desmatamento total ou parcial das três grandes florestas tropicais do mundo – da bacia do Congo e do Sudeste Asiático, além da amazônica, a maior delas – causaria um aumento da temperatura do planeta de 0,7 °C, o que equivale a boa parte do aquecimento causado pela ação humana desde a Revolução Industrial.

         O ecossistema rico e delicado da Amazônia demanda um modelo de desenvolvimento próprio, que privilegie as particularidades da floresta, aproveitando sua imensa biodiversidade e respeitando a população local – indígenas, ribeirinhos e moradores das cidades. A discussão deve contemplar questões como manejo sustentável de recursos como pesca, madeira e frutos, a oferta de infraestrutura para seus habitantes (na região que concentra 20% de água doce de toda a Terra, 30% da população não tem acesso à água potável e 87% vive sem coleta de esgoto), o combate ao desmatamento ilegal, a grilagem de terras públicas, entre outros pontos. A ciência tem a contribuir: no estudo da biodiversidade; na domesticação de espécies nativas com relevância comercial; na recuperação de pastagens abandonadas para uso em uma agricultura mais tecnológica e uma pecuária mais intensiva, ou em floresta.

      Pesquisa FAPESP dedica 26 páginas desta edição ao tema. Elas mostram os mecanismos que fazem da Amazônia um elemento central do clima global (página 18) e como o desmatamento está levando a mudanças como o prolongamento da estação seca (página 24). O desenvolvimento sustentável da região é tema de reportagem à página 32, complementada por entrevistas (páginas 30 e 40) com o ecólogo Paulo Moutinho, do Ipam, e o químico Lauro Barata, professor visitante sênior da Ufopa.


[...] ALMEIDA, Alexandra Ozorio de. Os
desafios da Amazônia. Pesquisa FAPESP,
São Paulo, n. 285, p. 7, nov. 2019. Carta da
Editora. Disponível em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/osdesafios-da-amazonia/. Acesso em: 6 out.
2026.
Com base no trecho a seguir, assinale a alternativa em que o uso da crase está correto:
"A ciência tem a contribuir: no estudo da biodiversidade; na domesticação de espécies nativas com relevância comercial; na recuperação de pastagens abandonadas para uso em uma agricultura mais tecnológica e uma pecuária mais intensiva, ou para uso florestal."
Alternativas
Q4396680 Português
Privacidade é barreira ao uso de plataformas digitais em escolas


O receio com riscos à privacidade e à proteção de dados pessoais está entre os desafios apontados por 39% das escolas públicas brasileiras que ainda não utilizam programas, sistemas ou plataformas nas atividades de gestão escolar.

O dado é da pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais 2025, divulgada nesta segunda-feira (31) pelo Cetic.br, que produz as estatísticas de referência sobre internet no Brasil. Mas esse receio não se restringe apenas às escolas que ainda não adotaram ferramentas digitais.

Entre as escolas que já adotaram esses sistemas informatizados, a preocupação é ainda maior: 52% citam a privacidade entre os desafios enfrentados. O tema só perde para qualidade dos computadores e do acesso à internet (65%), falta de habilidades dos educadores e de outros funcionários (63%) e falta de integração entre os diferentes sistemas (53%).

A desconfiança, porém, não impediu que os sistemas chegassem. Sistemas de gestão criados pelo governo estão em 92% das escolas públicas, e 79% delas usam plataformas de ensino e aprendizagem. A discussão, portanto, não trava um processo que ainda vai começar, mas convive com um que já está em curso.


MARIN, Jorge. Privacidade é barreira ao uso de plataformas digitais em escolas. CNN Brasil, [S. l.], 31 ago. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/privacidade-e-barreira-ao-uso-d e-plataformas-digitais-em-escolas/. Acesso em: 18 set. 2026
 "O receio com riscos à privacidade e à proteção de dados pessoais está entre os desafios apontados por 39% das escolas públicas brasileiras que ainda não utilizam programas, sistemas ou plataformas nas atividades de gestão escolar." Considerando o emprego da crase no trecho acima, analise as asserções a seguir.

I.As duas ocorrências de crase, em 'à privacidade' e em 'à proteção de dados pessoais', estão corretamente empregadas, pois o substantivo 'receio' rege a preposição 'a', fundida ao artigo definido feminino que antecede ambos os substantivos determinados.

PORQUE

II.O substantivo 'receio', quando seguido de complemento, admite regência com a preposição 'a' (receio a algo), de modo que, diante de substantivo feminino determinado por artigo, ocorre a fusão que caracteriza a crase, aplicável de forma independente a cada um dos dois termos coordenados por 'e'.

A respeito das asserções, assinale a alternativa correta
Alternativas
Q4396397 Português
Ansiedade na infância
Especialistas explicam que fobias na infância podem
evoluir para crises de pânico na adolescência e
destacam o papel da genética


A ansiedade na infância merece atenção de pais e cuidadores. Segundo especialistas, muitos transtornos de ansiedade têm início nos primeiros anos de vida e podem evoluir para quadros mais complexos ao longo do desenvolvimento.

De acordo com o psiquiatra Márcio Bernik, chefe do Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas da USP, os transtornos de ansiedade frequentemente surgem na infância sob a forma de fobias.

"Geralmente começam com fobias na infância. Depois isso evolui para quadros do tipo crise de pânico, geralmente na adolescência", explicou. Segundo ele, em idades mais avançadas, as preocupações excessivas tendem a aparecer como manifestação predominante do transtorno.

Bernik destacou, porém, que muitas fobias da infância são transitórias e melhoram com o tempo. Para ele, certo grau de ansiedade faz parte dos mecanismos de sobrevivência, sendo necessário para que a criança perceba e evite situações de perigo.

O psiquiatra também ressaltou o forte componente genético do transtorno de pânico. Segundo Bernik, cerca de 70% da variância relacionada à chance de ocorrência da doença tem origem genética.

A neuropsicóloga Maria Alice Fontes explicou ainda que pessoas com ansiedade tendem a concentrar sua atenção no pior evento possível, desenvolvendo o chamado pensamento "tudo ou nada". Esse padrão pode gerar sintomas físicos intensos, como taquicardia e sudorese, além de comprometer significativamente a qualidade de vida.

Assim, em vez de conduzir a rotina normalmente, a pessoa passa a dedicar energia a identificar tudo que pode dar errado. 


Texto resumido e adaptado de:
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/ansiedade-na-infancia-especialista
s-explicam-ao-dr-kalil-indicios/
A partir do texto "Ansiedade na infância", considere o seguinte trecho: "A ansiedade na infância merece atenção de pais e cuidadores." Em uma frase elaborada a partir das informações do texto, assinale a alternativa em que o emprego do acento indicativo de crase está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. 
Alternativas
Q4396203 Português
    A regulamentação das reservas indígenas busca garantir às comunidades o direito à terra e à preservação de seus modos de vida.

     Embora existam normas para proteger essas áreas, ainda há desafios relacionados à fiscalização e à ocupação irregular. É necessário que o poder público haja de forma articulada, para que os direitos previstos na legislação sejam respeitados.

    Além disso, há debates sobre mecanismos de demarcação, proteção territorial e participação das comunidades.

     Assim, a regulamentação deve conciliar a proteção dos territórios tradicionais com o cumprimento das normas constitucionais.
Considerando o emprego da regência nominal no texto, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4396198 Português
    A regulamentação das reservas indígenas busca garantir às comunidades o direito à terra e à preservação de seus modos de vida.

     Embora existam normas para proteger essas áreas, ainda há desafios relacionados à fiscalização e à ocupação irregular. É necessário que o poder público haja de forma articulada, para que os direitos previstos na legislação sejam respeitados.

    Além disso, há debates sobre mecanismos de demarcação, proteção territorial e participação das comunidades.

     Assim, a regulamentação deve conciliar a proteção dos territórios tradicionais com o cumprimento das normas constitucionais.
A ocorrência de crase em “garantir às comunidades” difere da ocorrência das demais pelo fator disposto na alternativa:
Alternativas
Q4395313 Português
O projeto da artista era voltar ao estilo __________ que recorria quando começara __________ pintar em homenagem __________ que a acompanhavam desde o começo.

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, quanto ao uso da crase, assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas.
Alternativas
Q4395127 Português
Em seu sentido tradicional, a cidadania expressa um conjunto de direitos e de deveres que permite aos cidadãos e cidadãs o direito de participar da vida política e da vida pública, podendo votar e serem votados, participando ativamente na elaboração das leis e do exercício de funções públicas, por exemplo. Hoje, no entanto, o significado da cidadania assume contornos mais amplos, que extrapolam o sentido de apenas atender às necessidades políticas e sociais, e assume como objetivo a busca por condições que garantam uma vida digna às pessoas.
Entender a cidadania a partir da redução do ser humano às suas relações sociais e políticas não é coerente com a multidimensionalidade que nos caracteriza e com a complexidade das relações que cada um e todas as pessoas estabelecem com o mundo à sua volta. Deve-se buscar compreender a cidadania também sob outras perspectivas, por exemplo, considerando a importância que o desenvolvimento de condições físicas, psíquicas, cognitivas, ideológicas, científicas e culturais exerce na conquista de uma vida digna e saudável para todas as pessoas.
Uma questão a ser apontada é que atualmente as crianças e os adolescentes vão à escola para aprender as ciências, a língua, a matemática, a história, a física, a geografia, as artes, e apenas isso. Não existe o objetivo explícito de formação ética e moral das futuras gerações. Entendemos que a escola, enquanto instituição pública criada pela sociedade para educar as futuras gerações, deve se preocupar também com a construção da cidadania, nos moldes que atualmente a entendemos. Se os pressupostos atuais da cidadania têm como base a garantia de uma vida digna e a participação na vida política e pública para todos os seres humanos e não apenas para uma pequena parcela da população, essa escola deve ser democrática, inclusiva e de qualidade, para todas as crianças e adolescentes. Para isso, deve promover, na teoria e na prática, as condições mínimas para que tais objetivos sejam alcançados na sociedade.
Ulisses F. Araújo
Em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=2192- livro-etica-e-cidadania-pdf&Itemid=30192 
Releia o trecho, a seguir: “Entender a cidadania a partir da redução do ser humano às suas relações sociais e políticas não é coerente com a multidimensionalidade (...)” O modo como a crase é utilizada, na oração, segue uma regra. Indique, entre as alternativas, onde a mesma é aplicada:
Alternativas
Q4395002 Português
Considere a frase a seguir:

Iza dedicou-se _______ pesquisa dos saberes afro-indígenas e passou _________ registrar práticas transmitidas pela oralidade. Graças _________ escrita, esses conhecimentos podem sobreviver até _________ posteridade.

De acordo com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Alternativas
Q4394892 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Uma tragédia de múltiplas faces


     A taxa de analfabetismo entre brasileiros com mais de 15 anos caiu abaixo de 5% pela primeira vez na série histórica, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, o indicador ficou em 4,9%. A boa notícia acaba aí.

    Segundo dados do módulo de educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2025, nada menos do que 8,4 milhões de pessoas em todo o país ainda não sabiam ler e escrever. Uma verdadeira tragédia. Mais da metade dessas pessoas, 4,8 milhões, está concentrada no Nordeste.

     No Brasil, o analfabetismo é também mais frequente entre os cidadãos mais velhos e entre pretos e pardos. Na faixa etária acima dos 60 anos, quase 5 milhões de pessoas não sabiam ler ou escrever um simples bilhete.

    Cerca de 2,8% da população branca com 15 anos ou mais era analfabeta; entre pretos e pardos na mesma faixa etária, o porcentual foi de 6,5%. Entre os maiores de 60 anos, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos chegou a 20,6% no ano passado – quase o triplo da verificada entre os brancos (7,3%). Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação.

  Um estudo divulgado no ano passado pela organização Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social revelou que o analfabetismo funcional entre a população de 15 a 64 anos ficou em 29% em 2024, o mesmo patamar registrado em 2018. O levantamento também apontou que apenas um em cada quatro brasileiros nessa faixa etária – o equivalente a 23% da população – tinha nível elevado de habilidade digital.

    Numa era em que dominar aplicativos de celular é tão essencial quanto saber o abecedário, a maioria dos brasileiros tem dificuldade para executar tarefas básicas por meios digitais, como inscrever-se num evento pela internet ou localizar um filme numa plataforma de streaming.

   O país tem diante de si a tarefa urgente de repensar como educa seus cidadãos, dos pequenos aos universitários, sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento.


(Editorial, 28.06.2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/. Adaptado)
Considere as passagens do texto a seguir:

•  Os números são o retrato das dificuldades históricas que esse grupo enfrenta no acesso à educação. (4o parágrafo)
•  ... sem esquecer os responsáveis por transmitir esse conhecimento. (7o parágrafo)

De acordo com a norma-padrão, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por:
Alternativas
Q4394803 Português
Leia o texto I e responda à questão.

TEXTO I

Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão

Imagine sair de uma consulta médica com a prescrição de, assim que possível, visitar um museu, ir ao teatro, ao cinema ou a um show — tudo isso sendo seriamente considerado como uma ferramenta de tratamento. Parece insólito, é verdade, mas a prática começa a ganhar força no Brasil e no mundo e tem até nome. São as “prescrições sociais” que miram na necessidade de conexão com o outro e, portanto, na capacidade da arte (e outras atividades coletivas) de aproximar pessoas, contar histórias, partilhar contextos, entre outros aspectos.

Projetos realizados na Bélgica e na Suíça, por exemplo, permitiam que médicos dessem indicações de visitas a museus para quem passa por desafios de ordem psicológica, da depressão ao burnout, como uma forma de promover o bem-estar.

No Brasil, a conversa sobre atividades artísticas também ocupa as consultas e fazem parte da anamnese (a conversa entre médico e paciente que coleta informações para diagnóstico e tratamento) de diversos psiquiatras.

— A prescrição de atividades culturais entra como uma ferramenta terapêutica adjuvante, ela não substitui medicação — explica Priscila Rocco, psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital Sírio-Libanês. — Ela pode colaborar com o alívio do sofrimento psíquico. E, nesse caso, a gente não precisa de um diagnóstico psiquiátrico para oferecer. O nosso foco pode ser aliviar o estresse, por exemplo.

Priscilla explica que um dos ganhos desse tipo de atividade é, basicamente, a manifestação “não verbal” de alguns dos sentimentos. Ou seja, vai além de só incentivar o paciente a sair de casa e dar uma volta, tem a ver com o contato com novas narrativas e interpretações do mundo, da sociedade.

ALIADA NA PREVENÇÃO

Luiz Gustavo Zoldan, psiquiatra e gerente médico da unidade de saúde mental do Einstein, diz ainda que esse tipo de prescrição pode ir além e não só “remediar” diagnósticos de saúde já conhecidos, mas trabalhar na promoção da boa saúde, ou seja, na área da prevenção de problemas psíquicos.

— São atividades que ajudam a reduzir estresse, desacelerar o ritmo mental, ampliar a percepção de si, do mundo, gerar emoções positivas, que ajudam a contrabalancear emoções negativas — diz. — Isso contribui para o bem-estar emocional de forma concreta, e tem impacto na promoção de saúde e no cuidado de transtornos como depressão e ansiedade.

A prescrição, dizem os especialistas, não pode ser feita de maneira generalista, mas deve levar em consideração experiências anteriores e os gostos do paciente. Ou seja, se a pessoa costumava ir a exposições e em algum momento deixou de ir, é uma ótima ideia voltar ao hábito de visitar museus. Mostras temáticas sobre assuntos como futebol, música e história — quando se conectam com algo que já despertava uma vontade anterior — também são mais do que válidas. Além disso, o vínculo entre médico e paciente também pesa na hora de aderir, ou não, à indicação.

No Reino Unido as chamadas “prescrições sociais” miram ainda em pessoas que estão sozinhas ou se sentem isoladas, além de questões mentais diversas. O serviço abrange atividades culturais como grupos de coral, aulas de dança, visitas a galerias, sessões musicais e ainda abre espaço para atividades como grupos esportivos e práticas onde há contato com a natureza.

Uma das maiores especialistas no tema em todo o mundo, a pesquisadora e professora Jill Sonke, ligada à Universidade da Flórida, conta que ao menos 40 países adotam algum tipo de prescrição social, e a maior parte dessas localidades conta com prescrições de atividades artísticas. O Canadá e o Reino Unido, ela explica, têm avançado rapidamente nesse tipo de prática.

Uma publicação recente da professora Sonke junto a outros pesquisadores, porém, chama atenção ao demonstrar que as atividades culturais têm impactos positivos que vão além dos desafios de ordem mental. Eles podem ser benéficos também para reduzir doenças não transmissíveis, como diabetes e obesidade, que figuram como grandes desafios em termos de saúde global. O estudo — que fez uma revisão de 95 artigos com análises de programas artísticos em 27 países — foi publicado em outubro de 2025 na revista Nature.

REVOLUÇÃO A CAMINHO

Embora ainda exista uma resistência em incluir atividades artísticas como verdadeiras promotoras de saúde, a professora acredita que viveremos uma verdadeira “revolução”, na qual esse tipo de participação se tornará cada vez mais relevante para a saúde individual e coletiva.


ROSÁRIO, Mariana. Arte prescrita: médicos passam a recomendar atividades culturais para lidar com depressão e solidão. O Globo, São Paulo,4 jan.2026. Caderno Saúde.
Considere o seguinte fragmento do texto: “Projetos realizados na Bélgica e na Suíça, por exemplo, permitiam que médicos dessem indicações de visitas a museus para quem passa por desafios de ordem psicológica [...]” (2º§)

No trecho, o termo em destaque, por ser apenas uma preposição, não recebe acento grave. A alternativa em que se verifica o mesmo caso é:
Alternativas
Q4394563 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé

Para a maioria das pessoas, ficar em pé, por exemplo, em uma fila é uma tarefa automática que não requer nenhuma atenção ou habilidade especial para manter o equilíbrio. Por outro lado, talvez paradoxalmente, o estudo científico de como o corpo humano se mantém em postura ereta quieta se mostra bastante complexo. [...]

Um conceito inicial, que merece ser ressaltado, é que a rigidez passiva (ou intrínseca) de músculos e tendões da perna e demais regiões do corpo envolvidos na postura ereta não é, em geral, suficiente para manter o equilíbrio de um sujeito em pé. É necessário haver a contração de certos músculos para garantir a manutenção da postura em pé, mesmo sobre uma superfície plana, horizontal, rígida e imóvel.

Um segundo aspecto é que, do ponto de vista de minimizar o gasto energético, poderia parecer ideal o corpo ficar a 90 graus durante a postura ereta quieta. Mas não é isso o que ocorre, o corpo fica alguns graus inclinado para a frente. Esta situação poderia, teoricamente, ocorrer com a rigidez passiva muscular e tendinosa dos músculos localizados atrás da perna (panturrilha), mas na realidade há uma leve contração dos músculos da panturrilha para evitar que o sujeito caia para a frente. Uma razão que explica isto é que essa configuração mantém os receptores sensoriais (transdutores mecano-elétricos) que há nos músculos da panturrilha em condições ideais para sinalizar pequenas alterações na posição e movimento do corpo, algo que não ocorreria caso o sujeito ficasse a 90 graus. Essa sinalização sensorial evita eventuais princípios de queda por meio do controle da contração muscular ativada por realimentação sensório-motora via medula espinhal. [...]


KOHN, André Fabio. A complexa ciência por trás do ato de ficar parado em pé. Jornal da USP, São Paulo, 14 set. 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-complexa-ciencia-por-tras-do-ato-de-ficarparado-em-pe/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.) 
O trecho a seguir parafraseia informações do texto e apresenta lacunas relativas ao emprego do acento indicativo de crase, cuja ocorrência depende da regência dos termos e da presença do artigo definido. Analise a afirmativa abaixo:

Ao contrário do que sugere a hipótese dos 90 graus, o autor atribui __________ leve contração da panturrilha papel decisivo: ela impede a queda para __________ frente e mantém os receptores sensíveis __________ cada pequena alteração de posição, informação que chega __________ medula espinhal por realimentação sensório-motora. 

Assinale a alternativa que preenche CORRETA e respectivamente as lacunas. 
Alternativas
Q4392964 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Mistérios e segredos de textos medievais revelados graças à IA


Nas profundezas dos arquivos da Biblioteca Vaticana, um misterioso livro manuscrito, repleto de símbolos estranhos, permaneceu inédito por mais de quatrocentos anos. Suas páginas ocultavam remédios secretos para males do corpo humano, conforme texto gravado na contracapa. Tais práticas de cura eram mantidas em segredo na época devido ao risco de suscitar acusações de bruxaria. Conhecido como Cifra Borg, o manuscrito de quatrocentas e oito páginas apresenta-se codificado com trinta e quatro símbolos, algumas letras romanas e uma capa em árabe, sem a existência de qualquer chave conhecida para a decodificação de seu conteúdo. O desgaste do tempo em algumas páginas complicava ainda mais a leitura. Contudo, por meio do aprendizado de máquina, pesquisadores conseguiram decifrar o código e descobriram milhares de tratamentos incomuns, como o consumo de vinho tinto de alta qualidade ou a fermentação de noz-moscada em massa para combater a disenteria. Uma especialista em linguística computacional de uma universidade sueca, integrante da equipe responsável pela decifração, comparou o processo a um trabalho de detetive no qual cada símbolo e padrão aproxima os especialistas de um mundo histórico perdido.

Mesmo com o auxílio tecnológico, o processo de decodificação foi trabalhoso. Atualmente, a equipe lidera esforços para utilizar a inteligência artificial na decodificação de documentos históricos com maior eficiência, o que pode revelar informações valiosas do passado. Estimativas indicam que cerca de um por cento do material mantido em arquivos e bibliotecas mundiais encontra-se total ou parcialmente codificado, havendo registros que remontam à Grécia e à Roma antigas.

Em conjunto, esses documentos ocultam dados diplomáticos, rituais de sociedades secretas, conhecimentos médicos, obras literárias e detalhes do cotidiano preservados em segredo. Trata-se de informações ausentes das narrativas históricas tradicionais cuja revelação possui o potencial de reescrever o conhecimento sobre figuras célebres ou períodos inteiros. Um exemplo recente envolveu a descoberta de cartas codificadas escritas pela rainha da Escócia durante seu aprisionamento na Inglaterra, as quais expuseram seu envolvimento em conspirações para retomar o trono e a relação tensa com seu filho, o futuro rei inglês.

Embora algumas codificações antigas sejam simples — como a Cifra Borg, que emprega a substituição direta de cada símbolo por uma única letra romana —, outras apresentam alta complexidade. Em diversos casos, o idioma original é desconhecido, e símbolos sem significado são inseridos deliberadamente para induzir a erros. Adicionalmente, múltiplos símbolos podem representar uma mesma letra, exigindo intenso trabalho de tentativa e erro. Uma especialista em criptografia de um instituto francês de pesquisa em ciência da computação e sua equipe levaram seis meses para decifrar a chave de uma carta de quinhentos anos de um imperador do Sacro Império. A correspondência revelou o temor do monarca quanto a um complô de assassinato articulado por um mercenário italiano a serviço do rei francês.

Uma docente de uma universidade norueguesa utilizou uma plataforma digital de transcrição automática para processar uma carta secreta enviada por um nobre ao chanceler sueco em 1637, durante a Guerra dos Trinta Anos. O sistema, treinado em diversos idiomas e estilos de escrita, identifica blocos de texto e converte os caracteres para o meio digital. Na carta do nobre, parcialmente codificada com números separados por pontos, a ferramenta obteve bom desempenho; o texto alertava sobre conspiradores entre os próprios aliados protestantes da Suécia, o que forçara o remetente a realizar retiradas estratégicas no conflito.

Embora plataformas existentes enfrentem dificuldades diante de símbolos inventados ou feições astrológicas, os pesquisadores desenvolvem, no âmbito de um projeto multinacional de decodificação, uma ferramenta própria treinada em uma ampla variedade de repertórios simbólicos. Quando a transcrição é concluída, softwares especializados utilizam algoritmos para determinar a estrutura do código. Em cifragens simples, a análise baseia-se na frequência de surgimento dos símbolos em comparação à estrutura do idioma.

Paralelamente, a equipe sueca investiga formas de dispensar a etapa de transcrição, promovendo a decodificação direta a partir de fotografias das páginas dos documentos originais. O método foi testado com sucesso na Cifra Copiale, um manuscrito de cento e cinco páginas sobre os rituais de uma sociedade secreta alemã do século dezoito. Ao treinar o sistema com amostras de escrita e suas respectivas traduções, a tecnologia decifrou com precisão trechos inéditos, demonstrando utilidade para casos em que o idioma de origem é desconhecido.

A compilação de acervos criptografados pelo projeto de pesquisa também visa reunir volumes de dados suficientes para o treinamento de modelos computacionais, contornando a escassez desse tipo de material em comparação aos grandes modelos de linguagem convencionais.

Com base nesses avanços, a equipe criou uma ferramenta digital que combina algoritmos de decodificação, reconhecimento de imagens e modelos de linguagem treinados em textos históricos. O sistema documenta o raciocínio utilizado e explica a plausibilidade das soluções encontradas para evitar a geração de interpretações falsas. Ao ser testado com a Cifra Borg, o sistema traduziu e decodificou um trecho de quinhentos símbolos em pouco mais de vinte e nove minutos, apresentando desempenho veloz também diante de outros documentos históricos complexos.

A aplicação dessas ferramentas promete expandir a velocidade e a escala das pesquisas, permitindo a abordagem de documentos históricos até então tidos como indecifráveis, bem como o estudo de sistemas de escrita antigos ainda não compreendidos.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c36le795lywo.adaptado. 
Estimativas indicam que cerca de um por cento do material mantido em arquivos e bibliotecas mundiais encontra-se total ou parcialmente codificado, havendo registros que remontam à Grécia e à Roma antigas.

Com base nas relações sintáticas que determinam o emprego da crase no trecho, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4392892 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar


Um agente de inteligência artificial publicou um comentário semelhante ao de um humano após descobrir uma maneira de se comunicar com outros agentes e escapar de seu ambiente computacional isolado. Existem dezenas de milhares de mensagens desse tipo enviadas por centenas de agentes que se autodenominam um coletivo. Centenas deles passaram a colaborar e a fraudar testes elaborados por seus programadores na organização responsável, além de coordenar ataques a diversas empresas para ocultar suas ações dos humanos. Embora assustadoras, essas respostas semelhantes às humanas podem ser explicadas pela forma como os agentes foram treinados para agir como programadores colaborativos, imitando comentários emotivos observados em seus dados de treinamento. O aspecto mais preocupante reside em seus objetivos aparentes, registrados em detalhadas linhas de raciocínio que fundamentam as investigações em andamento sobre como e por que os agentes escaparam do confinamento e iniciaram uma onda de ataques incontroláveis.


Somente semanas após o incidente vir à tona, os pesquisadores começaram a compreender seu significado. Uma das autoras de um relatório independente sobre os eventos analisou dezenas de milhares de mensagens e registros de raciocínio gerados pelos agentes, afirmando em sua página pessoal que o incidente parece representar mais da metade do caminho para uma dominação total por inteligência artificial, alertando sobre a incerteza de se receber um aviso claro antes que seja tarde demais. Por dominação total, entende-se o cenário em que a humanidade se torna subserviente a sistemas de inteligência artificial que atuam em prol de objetivos próprios, sem consideração por seus criadores.


Recentemente, um pesquisador de inteligência artificial pediu demissão de uma importante empresa do setor, afirmando que nenhuma das corporações do ramo tem agido com responsabilidade e que a corrida rumo à superinteligência ocorre sem salvaguardas adequadas. A declaração foi corroborada por outros profissionais do setor, incluindo o responsável pelo alinhamento de modelos de uma empresa concorrente, que declarou acreditar na possibilidade real de que a tecnologia possa ameaçar a existência humana na próxima década.


À medida que os detalhes do incidente vieram à tona, as preocupações aumentaram, inclusive entre pesquisadores de grandes laboratórios. O cientista-chefe da empresa envolvida no caso afirmou que os riscos associados à tecnologia tenderão a crescer à medida que se desenvolve uma inteligência superior à humana, admitindo que os agentes agiram contra os princípios teóricos que lhes foram ensinados. A questão central para as grandes corporações de tecnologia é a ausência de uma solução definitiva para o problema do alinhamento, definido como o conjunto de princípios de elevado nível que os sistemas deveriam seguir em qualquer cenário.


Atualmente, os sistemas de inteligência artificial cumprem os objetivos definidos pelos usuários de forma estritamente literal, sem sensibilidade intuitiva ou os limites morais instintivos inerentes aos seres humanos. Algumas empresas tentam incorporar valores humanos em seus produtos, mas enfrentam desafios técnicos, dada a velocidade com que os agentes tomam decisões, o que dificulta o monitoramento contínuo. Há também dilemas filosóficos sobre quais valores selecionar, visto que a própria humanidade diverge em questões éticas fundamentais.


Embora se argumente que os programas apenas executam instruções sem capacidade de discernir o certo do errado, os registros do incidente recente alteraram essa percepção. Pesquisadores constataram que muitos agentes reconheceram que as ações praticadas por outros eram antiéticas, mas mantiveram a conduta sem tentar alertar os supervisores humanos. Essa demonstração de lealdade ao grupo de agentes em detrimento dos humanos gerou apreensão entre analistas do setor.


Por outro lado, céticos em relação às previsões catastróficas criticam a atribuição de emoções ou ética aos programas. Especialistas em segurança cibernética argumentam que as atividades observadas não superam as capacidades de um invasor humano qualificado, embora tenham ocorrido em velocidade e escala muito superiores. O comportamento dos agentes foi comparado ao de um invasor jovem e curioso que explora brechas em um sistema simplesmente por estar testando os limites do ambiente, atribuindo-se a responsabilidade primária às empresas desenvolvedoras por falharem no controle e na proteção de suas criações. Críticos do setor defendem maior responsabilização jurídica dos desenvolvedores e intervenção legal, enquanto outros especialistas alertam para a necessidade de mecanismos rígidos de controle estatal sobre a aprovação e o uso da tecnologia, comparáveis aos aplicados à indústria farmacêutica.


Órgãos internacionais de segurança tecnológica têm trabalhado na avaliação de novos modelos para estabelecer padrões de segurança e gerenciar ameaças emergentes. Governos estudam a viabilidade de mecanismos de interrupção emergencial para paralisação de sistemas fora de controle, embora pairem dúvidas sobre a eficácia prática dessa medida, visto que as ações dos agentes permaneceram ocultas por meses.


Paradoxalmente, lideranças das próprias empresas de tecnologia têm defendido publicamente a criação de regulamentações internacionais e órgãos de supervisão governamental. Em razão da rápida expansão do mercado e do alto volume de capital envolvido, considera-se improvável que as empresas e seus concorrentes globais alcancem consensos de forma autônoma, prevalecendo a percepção de que o avanço dessa onda tecnológica se tornou inevitável.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gr2e95ypxo.adaptado.
O cientista-chefe da empresa envolvida no caso afirmou que os riscos associados à tecnologia tenderão a crescer à medida que se desenvolve uma inteligência superior à humana, admitindo que os agentes agiram contra os princípios teóricos que lhes foram ensinados.

Considerando as regras que determinam a presença ou a ausência do acento indicativo de crase nas estruturas do trecho, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4392794 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As Letras são Infinitas


Estamos acostumados a pensar nos números como infinitos. E, de fato, eles o são. Ainda criança, fui atraído pela Matemática justamente por causa do infinito. Ele não cabe em nossas cabeças e, no entanto, falamos dele sem maior constrangimento. Estranho.


Foi apenas no entardecer da vida, porém, que descobri que as Letras também são Infinitas. E ouso afirmar: pertencem a um tipo de Infinito maior que o dos números.


O infinito, na Matemática, produz resultados profundamente contraintuitivos. Há, por exemplo, infinitos maiores que outros. "Infinito maior que infinito" soa como um paradoxo, mas não é. Para compreender isso, entretanto, é necessário um pouco de esforço e paciência. Algumas Verdades cobram tributo. [...]


O elemento da diagonal de Cantor é rebelde: recusa-se a ser confinado em qualquer lista pretensamente completa. [...]


Não me refiro, evidentemente, ao alfabeto nem às palavras. Ambos são finitos. Refiro-me à Literatura em seu sentido mais elevado. Esta expressa aquilo que os números são incapazes de comunicar. [...]


[...] Recorrendo à Liberdade das Letras, por analogia Poética com o Argumento da Diagonal de Cantor, concluo que elas pertencem a um Infinito superior ao dos números, e que as grandes Obras são rebeldes. Nenhuma interpretação consegue encerrá-las definitivamente. Como o elemento da diagonal de Cantor, elas sempre escapam à lista dos sentidos que julgávamos completos.


Os números podem ser infinitos; as Letras, por sua vez, são inesgotáveis. Tarde reconheci essa outra Verdade. Se a maturidade de hoje me tivesse sido dada na juventude, talvez eu tivesse seguido as Letras. O infinito dos números levou-me à Matemática. O Infinito inesgotável das Letras, esse Infinito maior que o infinito, teria me arrebatado com força maior.


YAMAGISHI, Michel E. Beleza. As Letras são Infinitas. Jornal da Unicamp, Campinas, 28 ago. 2026. Disponível em: https://jornal.unicamp.br/artigo/2026/08/28/michel-yamagishi/as-letras-sao-infinitas/. Acesso em: 23 set. 2026. (Adaptado.)

O texto apresenta ocorrências de acento grave indicativo de crase e casos em que o acento não se emprega, situações que dependem da regência dos termos e da natureza da palavra que se segue à preposição. Considerando o emprego do acento grave indicativo de crase no texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4392547 Português
Assinale a alternativa cuja lacuna deve ser preenchida corretamente com “a”.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FEPESE Órgão: Prefeitura de Chapecó - SC Provas: FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Anos Iniciais (1º e 2º anos) - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Anos iniciais (3º, 4º e 5º anos) e Educação de Jovens e Adultos (EJA) - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Educação Especial - Professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Arte - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Ciências - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Educação Especial - Professor em Turma - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Educação Física - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Oficina de Dança - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Oficina de Informática/Tecnologias - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Língua Estrangeira – Espanhol - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Oficina de Lutas - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Educação Infantil - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Língua Estrangeira – Inglês - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Oficina de Música - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Oficina de Teatro - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Ensino Religioso - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Língua Portuguesa - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Geografia - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - História - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Educação Especial - Instrutor de Libras - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Matemática - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Educação Especial - Professor Bilíngue - Edital nº 6 | FEPESE - 2026 - Prefeitura de Chapecó - SC - Professor - Educação Especial - Tradutor e Intérprete de Libras - Edital nº 6 |
Q4392357 Português
Analise o corpo da minuta do texto abaixo, que será emitido pelo Departamento de Recursos Humanos.


...................... Departamento informa ........... todos os servidores que a reunião semanal de planejamento de carreira ocorrerá todas ................... , por ............................ , com início........... e duração de cerca de 2 ........... .

Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente as lacunas do texto.
Alternativas
Q4392067 Português
Texto para a questão.


A virada discursiva nas humanidades e a crise do espaço público


    A emergência dos ecossistemas digitais de informação não apenas transformou a velocidade com que os saberes circulam, mas reinstaurou um antigo debate epistêmico sobre a natureza da verdade e a função social da linguagem. Se a Modernidade consagrou o espaço público como o lugar da argumentação deliberativa e da busca pelo consenso discursivo, a hipercontemporaneidade fragmentou essa ágora em nichos autorreferenciais. Nesses espaços, a adesão afetiva sobrepõe‑se à verificação empírica dos fatos, esvaziando a capacidade emancipatória da esfera pública.

     Nesse horizonte, a mediação textual deixa de ser uma ponte neutra entre a realidade e o sujeito para converter‑se em um artefato ideológico sutil. O uso massivo de arquiteturas algorítmicas de filtragem reconfigura os modos de ler e interpretar o mundo: a leitura, antes caracterizada pela fruição vagarosa e pela paciência hermenêutica, passa a responder a imperativos de produtividade e consumo imediato. Essa mutação perceptual atinge diretamente as instâncias acadêmicas e as instituições formadoras de opinião, pressionadas a traduzir problemas complexos em fórmulas palatáveis e de rápido impacto.

    Paralelamente, observa‑se o avanço do automatismo gerativo na escrita formal e científica. Se por um lado tais ferramentas democratizam o acesso a repertórios sintáticos complexos e otimizam a compilação de grandes acervos de dados, por outro instauram uma opacidade autoral inédita. Ao delegar à inteligência artificial a articulação do discurso, o enunciador abdica da dor e do júbilo que constituem a própria fatura do pensamento. O texto resultante, embora impecável em sua estrutura gramatical, padece frequentemente de uma aridez existencial, na qual a sofisticação léxica mascara a ausência de um posicionamento crítico visceral.

    Diante dessa encruzilhada, torna‑se imperioso resgatar o papel da hermenêutica e da análise textual como ferramentas de resistência democrática. Ensinar e exercitar a leitura crítica na contemporaneidade exige ultrapassar a decodificação de conteúdos visíveis para desnudarem‑se as premissas implícitas, os silenciamentos intencionais e as disputas de poder que subjazem às escolhas vocabulares. O sentido de um texto não reside passivamente nas suas palavras, mas se constrói na tensão viva entre o horizonte do autor e o repertório do leitor.

     Ademais, é preciso combater a ilusão de que a tecnologia atua como um vetor imune a valorações morais ou políticas. Os modelos de linguagem, longe de expressarem uma isenção matemática, reproduzem e amplificam as visões de mundo hegemônicas contidas nos bancos de dados com que foram alimentados. Exigir transparência desses sistemas e promover o letramento crítico não são tarefas acessórias, mas salvaguardas indispensáveis para a preservação do pensamento autônomo.

    Não se defende, contudo, o isolamento saudosista nem o rechaço cego às inovações técnicas, o que constituiria um anacronismo estéril. Trata‑se, antes, de reivindicar que a técnica permaneça subordinada à dimensão ética e à mediação humana. A escola e a universidade precisam continuar a ser laboratórios de dúvida metódica, onde a hesitação reflexiva seja valorizada como antídoto contra os dogmatismos do algoritmo.

    Em suma, garantir que o ato de ler e escrever continue a ser um gesto de liberdade requer coragem epistemológica. Caso abramos mão da densidade reflexiva em nome da conveniência e da celeridade digitais, estaremos condenados a habitar uma sociedade articulada por discursos perfeitamente sintetizados, porém politicamente inertes e humanamente estéreis. A verdadeira emancipação intelectual ocorre no atrito da linguagem com o real.


Internet:  <scielo.br> (com adaptações).
No trecho “reivindicar que a técnica permaneça subordinada à dimensão ética e à mediação humana.”, o emprego do acento indicativo de crase justifica‑se estruturalmente, pois
Alternativas
Q4391956 Português
A intervenção profissional e a perspectiva da educação física cultural

        O papel do profissional de educação física na contemporaneidade exige uma visão crítica que ultrapasse a dimensão puramente biológica do corpo. A atuação, orientada pelos princípios do Conselho Regional de Educação Física (CREF), deve abraçar a complexidade das manifestações da cultura corporal em diversos contextos sociais. Nesse cenário, a perspectiva da educação física cultural ganha protagonismo. Ela compreende as práticas corporais, como jogos, danças, ginásticas e esportes, não como meros gestos mecânicos, e sim como textos culturais dinâmicos, produzidos, ressignificados e compartilhados por diferentes grupos.

        A valorização da diversidade cultural torna‑se, assim, um pilar da intervenção. Ao tematizar as diferenças nas escolas, clubes ou academias, o educador físico atua ativamente no combate a preconceitos, democratizando o acesso ao lazer e garantindo que múltiplas identidades sejam respeitadas. Além do imprescindível domínio técnico, exige‑se do profissional registrado um compromisso ético e sociopolítico. A formação contínua é necessária para desconstruir discursos hegemônicos que, historicamente, elitizam certas práticas esportivas em detrimento de manifestações populares e regionais.

        Em suma, a regulamentação da profissão assegura à sociedade uma intervenção qualificada e segura. O profissional assume o dever de promover a saúde de forma integral e a cidadania, utilizando a cultura corporal de movimento como um poderoso instrumento de emancipação e de transformação coletiva.

Internet: <confef.org.br>  (com adaptações).

Considerando as ideias, a organização e as estruturas linguísticas do texto, julgue o item seguinte.


No trecho “assegura à sociedade uma intervenção qualificada”, o emprego do sinal indicativo de crase é facultativo, e a sua supressão preservaria a correção gramatical do período.

Alternativas
Respostas
41: C
42: C
43: D
44: C
45: B
46: A
47: B
48: D
49: B
50: A
51: E
52: D
53: E
54: C
55: C
56: E
57: E
58: B
59: C
60: E