"À" semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno, Barc...
Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2026
Banca:
ACCESS
Órgão:
Prefeitura de Guapimirim - RJ
Prova:
ACCESS - 2026 - Prefeitura de Guapimirim - RJ - Professor I - Matemática |
Q4402122
Português
Texto associado
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Garimpando o solo atrás de avanços tecnológicos
Em 2004, dois físicos da Universidade de Manchester,
no Reino Unido, utilizaram uma fita adesiva comum para
isolar, pela primeira vez, uma folha atômica de grafite,
inaugurando uma nova classe de materiais. Conhecido
como grafeno, o material conduzia eletricidade tão bem
quanto o cobre, destacava-se como um excelente
condutor de calor e, embora sua estrutura muito
compacta de carbono o tornasse denso, sua espessura
ultrafina conferia extrema flexibilidade. A própria
obtenção do grafeno foi considerada um feito
surpreendente na época, dado que se julgava
impensável que materiais cristalinos formados por
apenas uma camada atômica fossem estáveis. O
impacto da descoberta foi tão significativo que a dupla
recebeu o Nobel de Física.
Embora mais de duas décadas tenham se passado
desde a descoberta, cientistas continuam explorando
essa classe de materiais, conhecida como materiais
bidimensionais (2D) ou lamelares. Esses materiais
consistem em uma ou poucas camadas atômicas e
exibem comportamentos físicos que, muitas vezes,
desaparecem em suas formas tridimensionais,
ampliando o leque de potenciais aplicações tecnológicas.
A física Ingrid Barcelos, pesquisadora do Laboratório
Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), chefia um dos
grupos brasileiros dedicados ao estudo desses materiais.
A pesquisa de Barcelos é centrada na investigação de
materiais 2D derivados de filossilicatos, minerais
encontrados na natureza, e conta com financiamento da
FAPESP. Segundo Barcelos, embora os filossilicatos
sejam muito abundantes na natureza, eles ainda são
pouco estudados. A pesquisadora ressalta que, devido
ao seu baixo custo quando comparados a materiais 2D
sintéticos, esses minerais se apresentam como opções
acessíveis para aplicações tecnológicas, destacando-se
como escolhas mais sustentáveis por terem origem
natural e não passarem por processamento prévio,
gerando menor impacto ambiental no descarte.
Os filossilicatos são formados pela combinação de
átomos de silício e oxigênio, que se organizam em
camadas empilhadas, compondo o mineral. À
semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno,
Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou seja,
separar as camadas desses minerais, produzindo flocos
de espessuras nanométricas. Conforme explica a
pesquisadora, a separação em camadas ultrafinas só é
viável porque as interações entre as diferentes camadas
sobrepostas são fracas o suficiente para permitir a
clivagem, ao passo que as ligações entre os átomos de
cada camada mantêm a integridade estrutural. Barcelos
ilustra esse processo comparando-o a um pacote de
folhas de papel do qual se pode retirar folha por folha,
sendo cada qual uma camada atômica.
Barcelos aponta que os filossilicatos possuem
características físicas de isolantes elétricos. De acordo
com a pesquisadora, no universo dos materiais 2D,
poucos apresentam esse comportamento; o nitreto de
boro hexagonal, um dos mais utilizados, possui custo
elevado para a obtenção de alta qualidade cristalina e
produção concentrada em poucos locais, o que limita o
seu acesso. Entre os filossilicatos estudados por
Barcelos está o talco, um material 2D derivado da
pedra-sabão. Essa rocha, abundante em Minas Gerais, é
utilizada na fabricação de utensílios de cozinha e foi o
material escolhido pelo artista Aleijadinho para esculpir
suas obras.
Em 2018, a equipe publicou um estudo na revista ACS
Photonics sobre as propriedades do talco para o
desenvolvimento de dispositivos optoeletrônicos. Para
investigar como a luz se propaga em escala
nanométrica, os pesquisadores combinaram a
nano-espectroscopia de infravermelho à microscopia
óptica de varredura no campo próximo tipo
espalhamento (s-SNOM), revelando como a radiação
trafega em seu interior.
Em outro estudo, publicado em 2025 na revista
Nanoscale, o grupo descreveu como o talco suporta a
formação de fônon-poláritons, que são quasipartículas
originadas da interação intensa entre a luz e as
vibrações atômicas do cristal, permitindo entender como
a radiação se propaga no material.
As propriedades físicas de materiais 2D ampliam seu
campo de aplicação: enquanto alguns atuam na
eletrônica flexível com circuitos dobráveis, outros, como
o grafeno, já são incorporados a plásticos para reforçar
sua resistência. Embora o talco e outros minerais
permaneçam em estágios incipientes de caracterização,
a investigação de matérias-primas abundantes e baratas
abre caminho para a criação de futuros dispositivos
optoeletrônicos, nanofotônicos e emissores quânticos de
luz.
https://revistapesquisa.fapesp.br/garimpando-o-solo-atras-de-avancos-t
ecnologicos/.adaptado.
"À" semelhança do procedimento pioneiro com o
grafeno, Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou
seja, separar as camadas desses minerais.
Em relação ao emprego do acento indicativo de crase no trecho, assinale a alternativa correta.
Em relação ao emprego do acento indicativo de crase no trecho, assinale a alternativa correta.