Questões de Concurso
Sobre crase em português
Foram encontradas 9.131 questões
(__) O relatório foi encaminhado à diretoria para análise e deliberação.
(__) O diretor afirmou que o projeto será implementado à curto prazo.
(__) O servidor foi designado à participar da comissão de avaliação.
Assinale a alternativa correta.
Leia o texto a seguir para responder à questão:
Informação em saúde: entre quantidade, qualidade, acesso e vínculo
Por décadas, o ecossistema informacional consolidou a crença de que a expansão contínua de informações técnicas e conteúdos especializados sobre saúde seria suficiente para transformar realidades sociais. Os últimos anos, porém, revelaram que, mesmo quando a informação é abundante, acessível e tecnicamente qualificada, ela não necessariamente se converte em compreensão, confiança ou mudança comportamental. Ela depende de contextos, trajetórias culturais, modos de vida e vínculos humanos que moldam a forma como cada comunidade atribui sentido ao conteúdo informacional que recebe.
Durante a pandemia de covid-19, houve uma expansão massiva da circulação de informações em saúde. Essa suposição desconsiderou que cada comunidade lê o mundo a partir de repertórios simbólicos e históricos próprios. Assim, a heterogeneidade de respostas sociais não expõe falhas de compreensão coletiva, mas sim a distância estrutural entre o modo como a informação é produzida e o modo como ela é apropriada nos diferentes territórios. Esse fenômeno torna-se visível também nos debates da crise climática: a circulação de informações técnicas sobre perigo não é suficiente para orientar decisões ou produzir mudanças comportamentais. A comunicação oficial aponta perigos, mas as comunidades se estruturam na permanência social e no pertencimento, que operam como lentes interpretativas historicamente construídas. Portanto, a questão não depende apenas da quantidade, da qualidade ou do acesso à informação técnica e científica divulgada, mas da capacidade de dialogar com a leitura da comunidade sobre o mundo e de articular conhecimento dito científico com o conhecimento social organizado por gerações.
O problema se repete em outros domínios onde dados abundam, mas vínculos escasseiam. Muitos gestores da saúde estão entusiasmados com a expansão de plataformas tecnológicas. Todavia, esquecem algo crucial: grande parte da população e dos profissionais de saúde não se reconhece nessas ferramentas. O acesso a um aplicativo não significa acolhimento, cuidado ou compreensão da mensagem. É nesse ponto que a literacia em saúde baseada no vínculo oferece uma chave conceitual e prática para repensar a circulação da informação.
A literatura tradicional tende a definir literacia em saúde como um conjunto de habilidades individuais: buscar informação em saúde, ler, entender, decidir. No entanto, decisões em saúde não são individuais, mas profundamente afetadas por relações, contextos, histórias e pertencimentos. Disponibilizar e disseminar informação em saúde é insatisfatório. É preciso criar as condições para que ela seja apropriada cognitivamente.
Ao reconhecer que a compreensão e a aceitação da informação dependem de vínculos sociais, essa abordagem permite explicar por que populações vulneráveis respondem de maneira distinta aos mesmos conteúdos informacionais. O vínculo funciona como a ponte que falta entre a disponibilização de informações e a apropriação cognitiva. Com ela, a informação ganha densidade e torna-se capaz de orientar práticas de saúde mais justas, contextualizadas e efetivas.
Essa análise reforça a importância da cooperação nacional e internacional. O diálogo interdisciplinar poderá esclarecer, assim, os elementos em jogo na transposição da informação em conhecimento e prática comportamental, bem como verificar que a informação em saúde não fracassa por falta de quantidade, qualidade ou disponibilidade, mas por falta de vínculo com pessoas reais, em seus territórios, crenças e leituras de mundo.
(Maria Cristiane Barbosa Galvão, “Informação em saúde: entre quantidade, qualidade, acesso e vínculo”. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/informacao-em-saude-entre -quantidade-qualidade-acesso-e-vinculo/. Adaptado)
O telescópio James Webb mapeou 800 mil galáxias e pode estar perto de desvendar a matéria escura
Por Elizabeth Landau

(Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/espaco/2026/03/o-telescopio-james-webb-mapeou800-mil-galaxias-e-pode-estar-perto-de-desvendar-a-materia-escura – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando as regras de regência verbal e o uso do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, apenas as lacunas tracejadas dos trechos abaixo, retirados do texto.
⋅ “Notavelmente, ___ cerca de 20 anos, o Hubble forneceu imagens detalhadas do campo Cosmos”.
⋅ “Onde quer que haja matéria escura, ela atrai a matéria comum e começa ___ acumular matéria comum suficiente em um determinado local para formar estrelas e planetas”.
⋅ “Rachel Mandelbaum, física da Universidade Carnegie Mellon, aguarda com expectativa as futuras descobertas científicas que .................... a partir do mapa, ___ medida que podem incluir análises de como tipos específicos de galáxias se relacionam”.

• “‘Não ___ nada menos natural do que ler para os seres humanos”.
• “devido ___ digitalização, a leitura está se tornando mais intermitente e fragmentada”.
• “o cérebro formata e registra os itinerários da razão e os caminhos para ___ emoção”.

“Os oráculos que respondem ___ todas as perguntas e resolvem todas as paradas tornaram obsoletos os encontros aleatórios”. “O resultado é essa sensação de que estamos empanturrados de coisas que “interessam” (a maioria delas ___ venda)”. “Como não pode mandar mensagem pelo Instagram nem dar um Google para saber onde ela mora e que ambientes frequenta (o telefone mal tinha chegado ___ Corte), resta ao jovem enamorado contar com o acaso”.


O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O que é o lado oculto da Lua e por que é importante estudá-lo
Vimos coisas que nenhum ser humano jamais havia observado, nem mesmo os participantes das missões lunares anteriores. Com essa afirmação, o comandante da missão Artemis 2 descreveu a experiência de observar o lado oculto da Lua, um dos principais objetivos da primeira missão tripulada a orbitar o satélite natural da Terra desde 1972.
Ao alcançar essa meta, os
astronautas também estabeleceram um novo recorde de distância percorrida por
seres humanos no espaço, superando a marca registrada há mais de meio século.
O interesse renovado pela
Lua, especialmente por sua face não visível da Terra, levanta diversas
questões. Trata-se de uma região que, embora não possa ser observada
diretamente de nosso planeta, não permanece em escuridão constante. Na
realidade, recebe luz solar em proporção semelhante à face visível.
Essa área só pôde ser
visualizada pela primeira vez em 1959, quando uma sonda captou imagens
inéditas. A impossibilidade de observação direta se explica por um fenômeno
conhecido como rotação sincronizada: a Lua leva o mesmo tempo para girar em
torno de si mesma e para completar uma volta ao redor da Terra, o que faz com
que sempre apresente a mesma face ao nosso planeta.
Essa característica também
dificulta a comunicação com equipamentos posicionados no lado oculto, pois
sinais de rádio não chegam diretamente até lá. Por isso, missões nessa região
exigem o uso de naves intermediárias para retransmitir comandos e dados, o que
aumenta significativamente os riscos operacionais.
Do ponto de vista físico,
o lado oculto da Lua apresenta diferenças marcantes em relação à face visível.
Sua crosta é mais antiga e espessa, e o relevo é mais acidentado, com grande
quantidade de crateras e cadeias montanhosas. Uma das hipóteses para essa
diferença está relacionada à influência térmica da Terra durante a formação
lunar: enquanto a face voltada para o nosso planeta permaneceu aquecida por
mais tempo, a face oposta esfriou mais rapidamente, formando uma crosta mais
robusta.
Esse contraste torna o
lado oculto um registro mais preservado da história geológica lunar, sendo
fundamental para a compreensão da evolução de planetas rochosos. A análise
dessa região pode oferecer informações valiosas sobre processos que também
ocorreram na Terra.
Entre os pontos de
interesse está uma extensa formação de quilômetros de largura, considerada uma
das maiores e mais recentes crateras resultantes de um intenso período de
impactos de asteroides ocorrido há aproximadamente quatro bilhões de anos. A
observação direta desse tipo de estrutura por seres humanos representa um
avanço significativo na pesquisa científica.
Estudos recentes também
indicam que a temperatura no lado oculto pode ser até 100 °C mais baixa do que
na face visível, além de apresentar menor quantidade de água congelada. A
origem dessa água está associada, em grande parte, ao impacto de meteoritos ao
longo da história lunar.
O lado oculto da Lua
também desperta interesse estratégico para o futuro da exploração espacial. A
análise de seu terreno pode contribuir para o planejamento de bases
permanentes, fornecendo dados sobre o comportamento do pó lunar e a dinâmica
das sombras, aspectos essenciais para missões de longa duração.
Além disso, o isolamento
dessa região em relação às interferências de rádio da Terra a torna ideal para
a instalação de radiotelescópios, possibilitando observações mais precisas do
Universo. Há ainda interesse na exploração de recursos naturais, como o hélio-3,
um isótopo com potencial para suprir demandas energéticas por longos períodos,
além da possível presença de minerais valiosos no subsolo.
Esses fatores ajudam a explicar por que diversas nações têm intensificado seus programas espaciais voltados à Lua, planejando novas missões e ampliando os estudos sobre essa região ainda pouco explorada do nosso satélite natural.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/crr1exrnde1o.adaptado.
Assinale a alternativa correta quanto ao uso da crase no termo destacado.
Leia e analise a charge a seguir para responder à questão.

Fonte: https://blogdoaftm.com.br/charge-noticiario-2/
Leia o texto abaixo e responda à questão.
As universidades e o desafio da desigualdade social
Cesar Martins
Vice-reitor da Unesp (Universidade Estadual Paulista)
Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.
Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.
Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.
Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.
Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.
Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.
Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.
Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/as-
universidades-e-o-desafio-da-desigualdade-social.shtml.
Considerando a justificativa gramatical para o emprego do sinal indicativo de crase no trecho destacado, assinale a alternativa CORRETA.
Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Energias renováveis no contexto do
desenvolvimento de cidades sustentáveis
Atualmente, 61% da
população brasileira (lBGE, 2023) e 56% da mundial residem em áreas urbanas,
com previsão de aumento para 68% até 2050 (Un-Habitat, 2023). Nesse contexto,
as cidades tornam-se centrais no debate sobre o desenvolvimento sustentável,
envolvendo dimensões econômicas, sociais e ambientais.
A preocupação com o
desenvolvimento de cidades sustentáveis tem sido central nas discussões e
práticas gerenciais, especialmente nas políticas públicas. Gestores enfrentam
desafios complexos para promover a sustentabilidade urbana, sendo necessários
novos arranjos institucionais, políticos, tecnológicos e econômicos para
atender ao paradigma da sustentabilidade.
Uma cidade sustentável
possui um caráter utópico e multifacetado. É utópico, pois exige mudanças
profundas de comportamento na sociedade, exigindo grande esforço sem garantias
de resultado. É multifacetado, pois diferentes campos de conhecimento têm entendimentos
distintos sobre uma cidade sustentável.
Uma cidade sustentável
deve oferecer qualidade de vida aos seus habitantes, atendendo necessidades
tecnológicas, culturais, políticas e ambientais, sem comprometer o
desenvolvimento econômico no longo prazo. Assim, esse pode ser visto como um
processo contínuo, retroalimentado por seus habitantes, que integra objetivos
sociais, ambientais e econômicos da cidade.
A concepção de cidades
sustentáveis enfrenta diversos desafios. O primeiro é a conciliação entre a lógica
sustentável e o processo de urbanização. Embora a urbanização possa promover o
desenvolvimento sustentável por meio do crescimento econômico, melhorar a
moradia, o meio ambiente e diminuir a condição de pobreza, também pode
restringi-lo ao fomentar o consumo excessivo e gerar um distanciamento
socioecológico.
Nos países emergentes
do Sul Global, os desafios das cidades englobam a inclusão, especialmente de
grupos minoritários, além de questões básicas como moradia digna,
criminalidade, crescimento desordenado e transporte. Esse cenário contrasta com
as cidades do Norte Global, que se concentram mais nas questões ambientais.
Outro aspecto
conflituoso nessa discussão são as divergências entre as formulações teóricas e
a proposta de práticas de intervenção, tendo como dilema o compromisso dos
gestores públicos na formulação e implementação de políticas públicas adequadas
para a condução da sustentabilidade nas cidades, considerando o seu contexto.
Com o intuito de
elencar, de maneira ampla, algumas diretrizes para o desenvolvimento de cidades
sustentáveis, teóricos propuseram princípios para a cidade sustentável que
podem ser observados no planejamento e na gestão urbana, sem perder de vista o
apelo ao desenvolvimento sustentável: educação sustentável, energias
renováveis, eficiência energética, construções sustentáveis, transportes
sustentáveis, desperdício de alimentos, acomodação do crescimento populacional,
segurança da água, gestão dos recursos naturais e meio ambiente.
Os princípios indicados reforçam a multiplicidade de frentes para estabelecer uma cidade sustentável, evidenciando a inter-relação entre as dimensões tecnológicas e sociais, muitas vezes mediada pela gestão pública. Assim, o planejamento urbano assume um papel fundamental na delimitação e implementação de políticas e práticas voltadas à sustentabilidade, conciliando tecnologia e cenário social.
Adaptado de: BENVINDO, J. dos S. et.
al. Energias renováveis no contexto do desenvolvimento de cidades
sustentáveis: Uma análise do Plano Fortaleza 2040. Cad. Gest. Pública
Cid., São Paulo, v.31, n.2, 2026.