Questões de Concurso Sobre literatura

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Q4261615 Literatura

Leia com atenção o trecho abaixo:


Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto-autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)


No fragmento acima, a construção da voz que relata a história introduz uma instigante variação no que diz respeito aos tipos de narrador.


 Assinale a alternativa correta com base no trecho e na teoria do foco narrativo.


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Q4261614 Literatura
 A produção literária de Machado de Assis na maturidade é amplamente reconhecida por sua agudeza crítica e por sua capacidade de investigar os dilemas da condição humana. Afastando-se das idealizações e dos excessos sentimentais comuns em sua época, o autor desenvolveu um estilo próprio para retratar a sociedade brasileira do século XIX.
Assinale a alternativa correta sobre as características gerais da obra machadiana.
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Q4261609 Literatura

Leia o poema de Hilda Hilst:


Que este amor não me cegue nem me siga.


E de mim mesma nunca se aperceba.

Que me exclua do estar sendo perseguida

E do tormento


De só por ele me saber estar sendo.

Que o olhar não se perca nas tulipas

Pois formas tão perfeitas de beleza

Vêm do fulgor das trevas.


E o meu Senhor habita o rutilante escuro

De um suposto de heras em alto muro.


Que este amor só me faça descontente

E farta de fadigas. E de fragilidades tantas

Eu me faça pequena. E diminuta e tenra

Como só soem ser aranhas e formigas.


Que este amor só me veja de partida.

No poema, a leitura atenta das súplicas do eu lírico revela uma postura paradoxal em relação à experiência afetiva.
A partir dessa articulação poética, conclui-se que o eu lírico:
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Q4261494 Literatura
Sobre o nível de linguagem usado no trecho do romance a seguir, é correto afirmar que:
(...) Melhor, se arrepare: pois num chão, e com igual formato de ramos e folhas, não dá mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor já viu uma estranhez? A mandioca doce pode de repente virar azangada - motivos não sei; às vezes se diz que é por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de manaíbas - vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma peçonhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, também é que às vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. (...) Arre, ele (o demo) está misturado em tudo
(Rosa, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 27). 
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Q4256938 Literatura
Leia o trecho do poema Vinicius de Moraes, extraído do Soneto de Fidelidade (1946):
"Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure."
A partir da leitura do trecho, é possível inferir que o eu lírico: 
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Q4252960 Literatura
O Realismo foi um movimento artístico e literário que se desenvolveu na segunda metade do século XIX, influenciando diferentes manifestações culturais, entre elas o teatro. No teatro realista, predominava a:
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Q4248961 Literatura
"Quando Macunaíma voltou na praia se percebia que brigara muito lá no fundo. Ficou de bruços um tempão com a vida dependurada nos respiros fatigados. Estava sangrando com mordidas pelo corpo todo, sem perna direita, sem os dedões, sem os cocos-da-baía, sem orelhas sem nariz sem nenhum dos seus tesouros. Afinal pôde se erguer. Quando deu tento das perdas teve ódio de Vei. A galinha cacarejava deixando um ovo na praia. Macunaíma pegou nele e chimpou-o no carão feliz da Sol. O ovo esborrachou bem nas bochechas dela que sujou-se de amarelo pra todo o sempre. Entardecia."

Com base na leitura crítica da obra apresentada acima, julgue as proposições a seguir:

I.O trecho apresentado integra a obra Macunaíma, de Oswald de Andrade, um dos expoentes da primeira fase do Modernismo brasileiro, movimento marcado pela valorização da linguagem coloquial e pela ruptura com os padrões estéticos anteriores.
II.A enumeração das perdas físicas do herói constrói, por acumulação, a imagem de um corpo fragmentado, reforçando o caráter antiépico da narrativa.
III.O episódio da mancha amarela no rosto de Vei, a Sol, exemplifica o caráter de rapsódia da obra, que incorpora explicações de natureza mítica a fenômenos da natureza.
IV. A obra da qual o trecho foi extraído integra a primeira fase do Modernismo brasileiro, também chamada de fase heroica, marcada pela influência das vanguardas europeias.

Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.
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Q4247842 Literatura

ー Final, final mesmo, Samuel, é só quando eu baixar teu caixão na cova. Ainda dá tempo.


ーTu sonha muito, Chico.


ー Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra.


ACIOLI, Socorro. A cabeça de santo. São Paulo: Cia das Letras, 2014. p. 148.


Nesse trecho literário, a oposição metafórica construída entre “cova” e “em cima da terra” pode ser traduzida pela seguinte oposição: 

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Q4247253 Literatura
Mark the alternative that contains an incorrect statement about literary movements and authors.
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Q4247183 Literatura
Imagem associada para resolução da questão

CAMPOS, Augusto de. Pluvial. Disponível em <https://www.significados.com.br/concretismo/>.

O texto acima explora o aspecto:
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Q4246482 Literatura

É um dos nomes mais notórios da literatura nacional. Embora também demonstrasse traços do romantismo na sua criação literária, ele foi considerado o primeiro escritor do realismo nacional. O carioca é conhecido principalmente pelo seu trabalho como contista e romancista, mas escreveu obras de vários gêneros, incluindo poesia. Embora em menor quantidade, o autor escreveu versos de tom confessional onde abordava temas como o amor, os relacionamentos e até a morte da sua esposa, Carolina.

Livros e flores

Teus olhos são meus livros. Que livro há aí melhor, Em que melhor se leia A página do amor?

Flores me são teus lábios. Onde há mais bela flor, Em que melhor se beba O bálsamo do amor?

E texto faz referência ao escritor:

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Q4244644 Literatura
Uma professora decide trabalhar em aula um conto cujo narrador é não confiável, isto é, cujo relato, por algum motivo, não merece total crédito do leitor.

Ao elaborar seu plano de aula, ela registra a seguinte hipótese: "Os alunos podem tomar a versão do narrador como verdadeira e perder o efeito literário". Em seguida, anota duas perguntas para fazer caso isso aconteça.

A ação da professora evidencia a prática de
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Q4243325 Literatura
O que 'guru' da Copa prevê para o Brasil — e qual seleção será campeã


      Quando o polvo Paul (2008-2010) acertou todos os resultados da seleção alemã na Copa do Mundo Fifa de Futebol Masculino de 2010, na África do Sul, o mundo o saudou como um verdadeiro oráculo. Mas o economista alemão Joachim Klement superou Paul com um complexo modelo de previsão que mantém 100% de acerto nas suas previsões do campeão mundial, desde a Copa disputada no Brasil, em 2014.

     Se a profecia estatística de Klement se confirmar pela quarta vez, a Holanda irá erguer o troféu de campeão no Estádio MetLife em Nova Jersey, nos Estados Unidos, após vencer Portugal na final do torneio, no próximo dia 19 de julho.

     Além dos campeões, o modelo do economista alemão mapeia todas as fases do torneio e suas 48 seleções. Para o primeiro mata-mata após a fase de grupos, por exemplo, ele prevê a derrota da Escócia para a seleção da Coreia do Sul. Na previsão de Klement, o Brasil irá se classificar em primeiro lugar no seu grupo, perdendo surpreendentemente logo na segunda fase, para o Japão. “Provavelmente, uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo”, prevê Jochim Klement.

    Segundo o modelo, a Holanda enfrentará a Espanha nas semifinais. E, na outra semifinal, enfrentam-se Inglaterra e Portugal — que terá eliminado a Argentina nas quartas de final. O economista prevê que Portugal vencerá mais uma vez os ingleses, como ocorreu nas quartas de final da Copa de 2006, na Alemanha. A previsão só não detalha se a decisão ocorrerá novamente nos pênaltis. Klement é um “pessimista” confesso, que morou por 10 anos no Reino Unido. Para ele, a pesquisa nunca pretendeu evitar a tristeza de ninguém, nem ganhar dinheiro em apostas. Na verdade, ele esperava revelar o absurdo de tentar prever os resultados.

     “Tudo começou como um exercício para mostrar ao mundo a arrogância dos economistas, que acham que podem prever fatos sobre os quais não têm nenhuma indicação", explica Klement. “Agora, isso passou a ser uma demonstração de como, se você tiver sorte várias vezes, as pessoas irão achar que você é um guru.” Sua primeira previsão se tornou realidade em 2014, quando o seu país, a Alemanha, venceu a Copa do Mundo realizada no Brasil. Klement imaginou que, refazendo a simulação novamente em 2018, ele poderia demonstrar que aquilo foi uma casualidade. Mas ele acertou novamente sua previsão com a França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022. “Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez”, ele conta.

      É verdade que existem fatores “sistêmicos” conhecidos que determinam, em parte, o sucesso de cada país na Copa do Mundo. Eles incluem a população nacional, a riqueza, o clima e o ranking mundial da Fifa. Mas a popularidade das previsões quadrienais de Klement cresce a cada acerto. E ele alerta seus leitores a considerar seus resultados com cautela, pois estes fatores contam apenas uma parte da história. “Os outros 50% são de sorte”, segundo ele. “Cada jogo — especialmente quando você tem equipes de alta qualidade, com técnicas e habilidade muito similares, jogando entre si — realmente depende da forma naquele dia, de uma decisão da arbitragem, de um pouco de sorte entre aquela bola que bate na trave ou entra no gol. Este tipo de coisa é completamente imprevisível", explica Klement.

      Sempre que a Copa do Mundo se aproxima, o modelo de previsão oferece a Klement uma ótima diversão em relação ao seu trabalho diário. “Particularmente em 2026, quando temos tantas crises, guerras e coisas acontecendo, é algo que me faz sentir bem”, ele conta. “E espero que os leitores também se sintam bem e tenham um pouco de distração de tudo de ruim que está acontecendo no mundo.” Mas, a cada vez que o economista acerta uma previsão, cresce o peso da expectativa. Klement trabalha como estrategista no banco de investimentos Panmure Liberum e recebe consultas dos seus colegas.

     Eles querem saber, por exemplo, como a lesão do ligamento cruzado anterior, sofrida pelo meio-campista holandês Xavi Simons, do Tottenham, pode influenciar o seu modelo. Por isso, apesar das suas inúmeras advertências sobre a integridade da previsão, Klement se prepara para o início do torneio, em junho. “Tenho vários colegas que apostaram na Holanda porque publiquei aquela nota”, ele conta. “E, se a Holanda for eliminada da Copa do Mundo, acho que, no dia seguinte, precisarei ficar trabalhando em casa.”


(ADAPTADO. Flora Snelson. Role,BBC Sport. Published: 27 maio 2026. Disponível em www.bbc.com/portuguese/articles/c4g44dvmkm0o)

A literatura contemporânea tem incorporado temas relacionados à tecnologia, aos algoritmos, à estatística, à inteligência artificial e à crescente tentativa de prever comportamentos humanos em sociedades marcadas pela circulação massiva de dados. Considerando essa perspectiva e o texto sobre as previsões de Joachim Klement para a Copa do Mundo, assinale a alternativa que melhor estabelece uma aproximação entre o texto e tendências recorrentes da literatura contemporânea.
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Q4242194 Literatura
Leia as afirmações sobre o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa correta.
( ) Rubião, completamente voltado à estrela de primeira grandeza, Sofia, mal se dá conta de Tonica e recusa-se a casar com Maria Benedita.
( ) Maria Benedita é a personagem feminina que atinge o seu objetivo através do amor. A veneração que tem por Carlos Maria o envaidece e o casamento de ambos é unilateral quanto ao amor. Carlos Maria casa-se por vaidade, não por sinceridade amorosa.
( ) O relacionamento que se poderia estabelecer entre o caráter de Carlos Maria e o de Sofia é que ambos são frívolos, ególatras, voltados para as convenções sociais.
( ) Há no romance uma curiosa concepção do adultério: ele nunca chega a se realizar concretamente, fica só no nível ideal. Em princípio, pode-se dizer que é intenção de Palha usar sua esposa Sofia para que se estabeleça boas relações entre Rubião e o casal. No entanto, para Sofia o jogo ainda não está claro, ela só vai compreendê-lo perfeitamente, quando o marido a incentiva a continuar a tratá-lo com atenções especiais. 
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Q4242079 Literatura
Leia as afirmações sobre o romance Quincas Borba, de Machado de Assis, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e marque a alternativa correta.
( ) Com relação a Dona Tonica e Maria Benedita, ambas eram prometidas para Rubião.
( ) Dona Tonica é uma personagem sem brilho, suas características eram ser uma mulher madura, solteirona, feia, tímida, seu único objetivo é o casamento.
( ) Maria Benedita é uma personagem igualmente sem brilho, é uma jovem ignorante, feia, menos tímida, não pensa em casamento, seu objetivo é morrer solteira.
( ) Elemento diferenciador destas duas personagens, (Dona Tonica e Maria Benedita), é a resignação da primeira e a ambição da segunda. 
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Q4240994 Literatura
Os movimentos de vanguarda influenciaram, para alem das artes visuais, também a literatura, o teatro, a dança e o cinema. No caso do filme O Gabinete do Dr. Calígarí, nota-se uma influência direta da vanguarda __________, evidenciada pela maquiagem exagerada e angular, pelos cenários distorcidos e oblíquos, pelos figurinos de linhas rígidas e pelos fortes contrastes de luz.
Imagem associada para resolução da questão Cena do filme O Gabinete do Dr Caligari, dirigido por Robert Wiene Alemanha, 1920.

Preenche CORRETAMENTE a lacuna:
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Q4235834 Literatura
Publicado em 1938, o romance do escritor gaúcho Erico Verissimo apresenta uma reflexão sobre escolhas pessoais, valores humanos, ambição, ética e o verdadeiro sentido da felicidade. A obra acompanha a trajetória de Eugênio Fontes, um médico que passa por conflitos entre o desejo de ascensão social e a busca por uma vida mais simples e significativa. A obra literária descrita é: 
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Q4232942 Literatura
TEXTO I (O texto a seguir servirá de base para a análise da questão)

CONTO DE ESCOLA

Machado de Assis

    A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.
    Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande posição comercial, e tinha ânsia de me ver com os elementos mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro. Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.
    Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinquenta anos ou mais. Uma vez sentado, extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.
    - Seu Pilar, eu preciso falar com você, disse-me baixinho o filho do mestre. 
   Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.
    - O que é que você quer?
    - Logo, respondeu ele com voz trêmula.
   Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Notese que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar.
    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.
    - Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.

Fonte: ASSIS. Machado; Conto de Escola. (adaptado) https://contobrasileiro.com.br/conto-deescola-machado-de-assis/ 
A partir do conhecimento sobre as escolas literárias brasileiras, pode-se afirmar corretamente sobre o texto I e o autor que seu estilo de produção pertence essencialmente ao
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Q4230506 Literatura
Clarice Lispector é uma das vozes mais singulares e influentes da literatura brasileira, consagrada por sua prosa introspectiva, metafórica e de forte impacto psicológico. Uma obra de sua autoria é: 
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Q4229201 Literatura
Leia o texto para responder à questão.

Solar
Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.

(PRADO, Adélia. O coração disparado. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.)

A respeito da imagem construída da mãe no poema, é correto afirmar que o eu lírico a apresenta como:
Alternativas
Respostas
101: E
102: B
103: B
104: D
105: B
106: A
107: A
108: C
109: D
110: A
111: B
112: B
113: E
114: A
115: B
116: A
117: D
118: D
119: A
120: C