Questões de Concurso Sobre literatura

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Q4443518 Literatura
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
No último parágrafo do excerto, o narrador-personagem contrasta os movimentos amplos do papagaio de papel "que bojava no ar" com a imobilidade a ele imposta em sala de aula e realça seus anseios de liberdade e seu sentimento de inadaptação à escola, o que evidencia a crítica do autor da obra a um modelo de ensino de época, já superado pelos métodos da escola contemporânea. 
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Q4443511 Literatura

Poema da minha idade


Eu carrego dentro de mim

o peso de uma idade morta, 

de uma idade sem definições e sem porquês.

Na minha face extinta,

marcada pelo tempo, 

eu trago impressos os instantes envelhecidos,

os momentos mortos, 

das coisas belas que me deslumbraram na vida.

Eu trago no meu corpo já sem formas 

vestígios da minha adolescência perdida,

Quando eu era dona dos caminhos,

soberana do tempo e dos astros. 

Nos meus olhos já sem brilho

se reflete o cansaço das viagens longas,

de roteiros intermináveis 

e sem pouso certo.

E as pegadas que vou deixando ficar pelo caminho 

vão marcando os dias, as horas, os minutos,

dos momentos que vivi no meu passado,

dentro da minha infância longínqua,

quando eu sabia conversar com as estrelas...  


Anilda Leão. Chão de pedras. Maceió: Edições Caeté, 1961.



Julgue o item a seguir, que se refere ao poema da escritora alagoana Anilda Leão. 

O enjambement (cavalgamento), identificado, por exemplo, na construção dos primeiro e segundo versos do poema, favorece o fluxo contínuo das ideias, ao mesmo tempo em que o término do primeiro verso produz uma pausa ou suspensão momentânea, contribuindo para o ritmo e para a expressividade do texto.  
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Q4443502 Literatura
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
Predomina no quarto parágrafo a linguagem coloquial, evidenciada, principalmente, no emprego dos termos "doido" e "tagarelar".
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Q4443498 Literatura
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
No trecho "Saudade? Não, não é isto: é desespero" (quarto parágrafo), verifica-se sentido antitético na relação estabelecida entre "Saudade" e "desespero".
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Q4443497 Literatura
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
No sexto parágrafo, o personagem-narrador emprega a linguagem conotativa para descrever o ambiente silencioso em que refletia, tal como se observa no período "E foram tapados os buracos de grilos.". 
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Q4440678 Literatura
Considerando o teatro no Brasil no século XX e seus representantes, julgue o item que se segue. 
A dramaturgia de Nelson Rodrigues é notável por mesclar enredos de suspense melodramático com desfechos surpreendentemente felizes ou redentores para seus protagonistas. 
Alternativas
Q4440671 Literatura
Considerando os movimentos artísticos do século XX no Brasil, julgue o item a seguir.
O modernismo regionalista nas artes brasileiras foi um movimento de curta duração e restringiu-se à literatura, tendo exercido pouca influência nas demais artes. 
Alternativas
Q4440670 Literatura
Considerando os movimentos artísticos do século XX no Brasil, julgue o item a seguir.
Nas obras de Candido Portinari, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Djanira, podem ser encontrados, em diferentes linguagens, exemplos artísticos contundentes do regionalismo brasileiro. 
Alternativas
Q4436704 Literatura
Sobre os precursores e seguidores da Literatura Infantil no Brasil, leia o trecho a seguir.

Este livro de Literatura Infantil foi publicado em 1976 e começa com a seguinte fala da personagem Raquel, de 10 anos: “Eu tenho que achar um lugar para esconder as minhas vontades.” Suas três vontades são: vontade de ser grande, vontade de ser escritora e vontade de ser menino. Esse livro de Literatura Infantil conta com uma personagem forte e criativa que carrega uma mensagem de empoderamento feminino para as crianças. Apesar de ter sido escrito nos anos 70, a obra traz de maneira lúdica muitas questões que ainda se mantêm atuais e relevantes, despertando a coragem e a criatividade das crianças.

Após analisar o trecho acima, que traz elementos de um dos principais livros de Literatura Infantil, podemos relacioná-lo à seguinte obra e autor:
Alternativas
Q4436687 Literatura
Sobre os tipos de Literatura Infantil, analise as características presentes no quadro a seguir.


Imagem associada para resolução da questão


Após leitura e análise das características presentes no quadro acima, podemos relacioná-lo à(ao):
Alternativas
Q4436681 Literatura
Sobre os principais livros de literatura infantil no Brasil, no que tange à obra Marcelo, Marmelo, Martelo, escrito por Ruth Rocha, marque a alternativa correta.
Alternativas
Q4434682 Literatura

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas com as respectivas escolas literárias.



Enquanto o __________ valoriza a poética da novidade tanto no plano das ideias (conceptismo) como no das palavras (cultismo) e o __________ apresenta um estilo de pensamento voltado para o racional, o claro, o regular, o verossímil, no __________ poetas aceitam a própria impotência em face da sociedade e exilam-se numa atmosfera de penumbra para ocultar a intimidade de suas vidas frustradas.



Bosi, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2015. Adaptado.

Alternativas
Q4434681 Literatura
No contexto das escolas literárias brasileiras, assinale a alternativa que marca corretamente a distinção entre o Realismo e o Naturalismo. 
Alternativas
Q4434680 Literatura

O trecho a seguir é o início do conto “A sauna”, de Lygia Fagundes Telles, extraído da obra Seminário dos Ratos, e é referência para a questão.



Eucalipto – era esse, sim, era esse o perfume de Rosa e do seu mundo de infusões de plantas silvestres, filtros verdolengos e boiões de vidro estagnados nas prateleiras. Esse o perfume verde-úmido que senti quando se debruçou na janela para posar. Tinha chovido e um vapor morno subiu do jardim com o sol. É o primeiro retrato que faço, preciso acertar, avisei e ela se retraiu na janela. Então beijei-lhe a testa, Vamos, relaxa, não pense no que eu disse mas pense nesta laranja que você vai segurar, assim, pode falar se quiser mas não se mexa, quietinha segurando a laranja. Quando esbocei o oval do seu rosto, estava tão séria que parecia posar para uma foto frente-perfil datada. Rosa Retratada, eu disse e ela aproveitou o sorriso para molhar os lábios com a ponta da língua. Continuaram sem brilho os lábios anêmicos. Minha Rosa Anêmica, você precisa parar com essas verduras, coma bifes sangrentos, você precisa de carne! O melhor retrato que já fiz. Mas o que foi feito dele? perguntou Marina. Deve estar com ela, respondi. Por onde andam o modelo e o retrato é o que eu gostaria de saber, não foi há mais de trinta anos? 

O fluxo de consciência, uma das marcas da obra da autora, é caracterizado pela:  
Alternativas
Q4434678 Literatura
Assinale a alternativa que apresenta nomes de autoras brasileiras que estão construindo a literatura contemporânea nos últimos 20 anos.  
Alternativas
Q4434677 Literatura

A poesia a seguir se filia às características de qual movimento literário?  


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Alternativas
Q4434668 Literatura

Leia a fábula a seguir.



A lebre e a tartaruga



Era uma vez uma lebre que se divertia atormentando sua colega tartaruga. Sempre que a tartaruga caminhava, a lebre a acusava de ser lenta e desengonçada. A tartaruga tentava ignorá-la, mas a lebre insistia nas provocações. Certo dia, a tartaruga desafiou a lebre para uma corrida. Na floresta, ninguém conseguia acreditar que a tartaruga, tão lenta, tivera coragem de chamar a veloz lebre para uma disputa. No horário marcado, a corrida começou. A lebre logo desapareceu entre as árvores, ao passo que a tartaruga se deslocava vagarosamente. De tanto correr, a lebre se cansou no meio do caminho. Depois de verificar que estava muito adiante de sua adversária, a lebre deitou-se para descansar e adormeceu. Enquanto a lebre dormia, a tartaruga prosseguiu caminhando. Quando a lebre acordou, a tartaruga já cruzava a linha de chegada.



Assinale a alternativa que apresenta uma expressão que pode sintetizar a moral da fábula. 

Alternativas
Q4433176 Literatura
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Dormir bem pode ajudar no desempenho escolar de adolescentes, mostra estudo.

Boas noites de sono podem ser essenciais para a saúde mental e o desempenho escolar dos adolescentes. Isso é o que aponta um novo estudo publicado na revista científica "Psychological Medicine".
A partir de dados de participantes entre 10 e 13 anos do estudo Adolescent Brain Cognitive Development, que acompanha crianças e adolescentes nos Estados Unidos, os pesquisadores analisaram como os seguintes quatro fatores influenciam a vida dos adolescentes:
Qualidade de sono
Tempo de tela
Atividade física
Alimentação
O objetivo era entender de que forma esses hábitos poderiam ajudar a explicar a relação entre sintomas de saúde mental, desempenho acadêmico e problemas sociais entre jovens. Nesse contexto, foram avaliados sintomas de depressão, ansiedade e experiências semelhantes à psicose.
A conclusão foi que a qualidade do sono foi o fator que mais se relacionou com sintomas de saúde mental e desenvolvimento na escola.
O sono foi responsável por 18,5% das associações com depressão, 36,3% com ansiedade e 8,3% com perturbações com caráter psicótico.
Segundo Jason Smucny, primeiro autor do estudo e neurocientista computacional do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais da Universidade da Califórnia, o resultado surpreendeu os pesquisadores.
"Esperávamos que o sono fosse importante, mas não imaginávamos que ele se destacaria tão claramente em relação aos outros fatores do estilo de vida, especialmente o tempo de tela", comenta.
Ainda que a pesquisa mostre que o sono tem papel central na saúde mental e, consequentemente, no desempenho acadêmico, os autores ressaltam que ele não é o único responsável por causar problemas aos adolescentes.
O tempo de tela, por exemplo, apareceu como segundo fator mais importante.
Ele correspondeu a 5% da associação entre ansiedade e funcionamento acadêmico, 6,3% da relação com depressão e 6,2% com experiências semelhantes à psicose.
Atividade física e alimentação parecem ter menos influência, com efeitos menores nas associações analisadas. 
O estudo investigou efeitos de mediação, ou seja, analisou quanto esses fatores ajudavam a explicar as associações observadas entre sintomas de saúde mental e desempenho acadêmico.
Isto é, não é possível atribuir um mau desempenho na escola exclusivamente a noites mal dormidas ou excesso no tempo de tela, por exemplo. Mas a pesquisa mostra que esses hábitos podem contribuir para esse cenário.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que a adolescência é um período crítico do desenvolvimento, no qual frequentemente podem surgir problemas de saúde mental, o que pode estar relacionado a um sono de má qualidade.
As conclusões do estudo reforçam que hábitos saudáveis podem ser essenciais para a melhora da saúde mental de adolescentes.
"Embora não vá resolver todos os desafios de saúde mental, rotinas de sono saudáveis são uma maneira prática de apoiar o bem-estar emocional e o funcionamento cotidiano da criança ou do adolescente", analisa Tara Niendam, autora sênior do estudo, professora de Psiquiatria e diretora executiva dos Programas de Psicose Precoce da Universidade da Califórnia.
Mas, mesmo que rotinas mais estabelecidas de sono e a restrição de tempo de tela sejam importantes para melhorar a qualidade de vida dos adolescentes, elas não substituem o tratamento no caso de problemas de saúde mental já estabelecidos.
Os autores reforçam que o acompanhamento profissional é essencial nesses casos, principalmente em um momento formador como a adolescência.
Os pesquisadores ainda afirmam que os resultados podem ajudar a orientar estudos futuros de intervenção, com o objetivo de avaliar se mudanças nesses hábitos são capazes de produzir melhorias no funcionamento acadêmico e social dos adolescentes. G1. Dormir bem pode ajudar no desempenho escolar de adolescentes, mostra estudo.

G1, 16 set. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/09/16/dormir-bem-pode-aju dar-no-desempenho-escolar-de-adolescentes-mostra-estudo.ghtml. Acesso em: 23 set. 2026.
Os textos podem apresentar diferentes formas de construção e expressão, que permitem sua classificação em gêneros distintos. Considerando as características dos gêneros literários e o texto em análise, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.
(__) O texto em análise não pertence ao gênero lírico, pois sua construção se concentra na apresentação de informações e resultados de uma pesquisa, sem a manifestação predominante de subjetividade e de expressão de sentimentos do eu lírico.
(__) A ausência de personagens e de acontecimentos organizados em uma sequência narrativa impede que o texto em análise seja classificado como pertencente ao gênero narrativo, aproximando-o de uma produção de caráter predominantemente expositivo.
(__) Caso o conteúdo apresentado fosse convertido em uma composição poética marcada pela expressão subjetiva das emoções de um adolescente diante das dificuldades relacionadas ao sono e à vida escolar, o texto poderia assumir características próprias do gênero lírico.
(__) Por apresentar informações, dados e explicações sobre um estudo científico, o texto em análise pode ser classificado como pertencente ao gênero dramático, uma vez que esse gênero também pode abordar acontecimentos e questões da realidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Alternativas
Q4428972 Literatura
Ao planejar as atividades de literatura de uma turma de 2º ano, uma professora selecionou obras que apresentavam, ao final, uma lição de comportamento e previu, após cada leitura, exercícios de identificação de substantivos e adjetivos no texto. A coordenadora sugeriu que o planejamento fosse revisto à luz dos estudos sobre formação do leitor literário e contação de histórias.
Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE um princípio para a revisão do planejamento.
Alternativas
Q4428556 Literatura

A questão refere ao texto reproduzido a seguir.



O Pai, o Chefe, o Rei


    VELHINHO TRABALHADOR, João bebe demais, aos gritos até hora perdida da noite.


    Sóbrio é manso e de boa sombra, o chapéu humilde na mão. Com idade, fraco da cabeça, embriagase fácil; sempre a faquinha na cinta, ameaça espetar os outros. Assanhado, persegue as moças na estrada.  


    Em casa, olho branco de boi bêbado, atropela a mulher e os sete filhos. Muito calma, a velha não discute, ganha o terreiro com o menor no colo.  


    João bate a garrafa na mesa, esmurra a parede, afinal aquieta-se. Maria e os filhos vão-se chegando à porta, espiam de longe, desconfiados. A velha traz a gamela de água esperta e, enquanto ele molha os pés, serve o viradinho com torresmo.   


    João se diverte a azucrinar a pobre:  


    — Tenho outra mais moça.


    Chega da roça o André, quebrou milho o dia inteiro. As crianças deitadas, a mãe come de pé ao lado do fogão, no meio da algazarra:


    — Epa, vaca velha!  


    O moço, desafiado pelo pai, bebe meio litro de cachaça.


    — Pai, deixe a mãe em paz.  


    — Filho meu não pode comigo.  


   — O senhor está bêbado, pai.  


    O velho nega ao filho o direito:  


    — Aqui não sou nada? Não mando na minha casa?  


    — E pra ter sossego hei de sangrar alguém?  


    A dona pede ao marido não grite e ao filho não responda. João insiste, um pouco alegre, mas não bêbado.


O moço não pode assim falar com o pai e chefe da casa: 


    — Você é bandido? Quer me sangrar?


    Não provoque, repete o moço, bem nervoso. Em seguida derruba a cadeira e espatifa a garrafa. 


    — Vai me esfolar, valentão?  


André alcança na parede a espingarda. O velho desfere soco na mesa:


— Se for macho atire. — Outro murro mais forte. — Atire, que mata um homem.


    O moço bate no joelho do pai, sentado no banquinho, a sombra do chapéu no olho: 


    — Quer provar? Mostro o que é homem.


    — Filho meu não pode comigo.  


    André carrega um cartucho no cano direito.  


    — Não é macho, seu moço. 


    Mãos na cabeça, a velha brada por todos os santos do céu. 


    — Já que pede eu te mato — e André aperta o gatilho. 


    João cai do banquinho, geme, a mulher acuda. Pegam-no o filho e a dona, deitado na cama.  


    — Ele me duvidou — diz o moço — eu atirei.  


    — Atirou no pai, no chefe, no rei. Não é mais ninguém. 


O velho dá uns gritos, logo se arruína, espuma no canto da boca. Erguendo a mão fechada, pragueja o filho, e morre.


TREVISAN, Dalton. Guerra Conjugal. 12 ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.   

Os substantivos pai, chefe e rei, que constituem o título, estão dispostos em uma
Alternativas
Respostas
1: E
2: C
3: E
4: E
5: E
6: E
7: E
8: C
9: B
10: B
11: A
12: B
13: A
14: D
15: C
16: B
17: B
18: D
19: A
20: C