Questões de Concurso Sobre literatura
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Poema da minha idade
Eu carrego dentro de mim
o peso de uma idade morta,
de uma idade sem definições e sem porquês.
Na minha face extinta,
marcada pelo tempo,
eu trago impressos os instantes envelhecidos,
os momentos mortos,
das coisas belas que me deslumbraram na vida.
Eu trago no meu corpo já sem formas
vestígios da minha adolescência perdida,
Quando eu era dona dos caminhos,
soberana do tempo e dos astros.
Nos meus olhos já sem brilho
se reflete o cansaço das viagens longas,
de roteiros intermináveis
e sem pouso certo.
E as pegadas que vou deixando ficar pelo caminho
vão marcando os dias, as horas, os minutos,
dos momentos que vivi no meu passado,
dentro da minha infância longínqua,
quando eu sabia conversar com as estrelas...
Anilda Leão. Chão de pedras. Maceió: Edições Caeté, 1961.
Julgue o item a seguir, que se refere ao poema da escritora alagoana Anilda Leão.
Este livro de Literatura Infantil foi publicado em 1976 e começa com a seguinte fala da personagem Raquel, de 10 anos: “Eu tenho que achar um lugar para esconder as minhas vontades.” Suas três vontades são: vontade de ser grande, vontade de ser escritora e vontade de ser menino. Esse livro de Literatura Infantil conta com uma personagem forte e criativa que carrega uma mensagem de empoderamento feminino para as crianças. Apesar de ter sido escrito nos anos 70, a obra traz de maneira lúdica muitas questões que ainda se mantêm atuais e relevantes, despertando a coragem e a criatividade das crianças.
Após analisar o trecho acima, que traz elementos de um dos principais livros de Literatura Infantil, podemos relacioná-lo à seguinte obra e autor:
Após leitura e análise das características presentes no quadro acima, podemos relacioná-lo à(ao):
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas com as respectivas escolas literárias.
Enquanto o __________ valoriza a poética da novidade tanto no plano das ideias (conceptismo) como no das palavras (cultismo) e o __________ apresenta um estilo de pensamento voltado para o racional, o claro, o regular, o verossímil, no __________ poetas aceitam a própria impotência em face da sociedade e exilam-se numa atmosfera de penumbra para ocultar a intimidade de suas vidas frustradas.
Bosi, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2015. Adaptado.
O trecho a seguir é o início do conto “A sauna”, de Lygia Fagundes Telles, extraído da obra Seminário dos Ratos, e é referência para a questão.
Eucalipto – era esse, sim, era esse o perfume de Rosa e do seu mundo de infusões de plantas silvestres, filtros verdolengos e boiões de vidro estagnados nas prateleiras. Esse o perfume verde-úmido que senti quando se debruçou na janela para posar. Tinha chovido e um vapor morno subiu do jardim com o sol. É o primeiro retrato que faço, preciso acertar, avisei e ela se retraiu na janela. Então beijei-lhe a testa, Vamos, relaxa, não pense no que eu disse mas pense nesta laranja que você vai segurar, assim, pode falar se quiser mas não se mexa, quietinha segurando a laranja. Quando esbocei o oval do seu rosto, estava tão séria que parecia posar para uma foto frente-perfil datada. Rosa Retratada, eu disse e ela aproveitou o sorriso para molhar os lábios com a ponta da língua. Continuaram sem brilho os lábios anêmicos. Minha Rosa Anêmica, você precisa parar com essas verduras, coma bifes sangrentos, você precisa de carne! O melhor retrato que já fiz. Mas o que foi feito dele? perguntou Marina. Deve estar com ela, respondi. Por onde andam o modelo e o retrato é o que eu gostaria de saber, não foi há mais de trinta anos?
A poesia a seguir se filia às características de qual movimento literário?

Leia a fábula a seguir.
A lebre e a tartaruga
Era uma vez uma lebre que se divertia atormentando sua colega tartaruga. Sempre que a tartaruga caminhava, a lebre a acusava de ser lenta e desengonçada. A tartaruga tentava ignorá-la, mas a lebre insistia nas provocações. Certo dia, a tartaruga desafiou a lebre para uma corrida. Na floresta, ninguém conseguia acreditar que a tartaruga, tão lenta, tivera coragem de chamar a veloz lebre para uma disputa. No horário marcado, a corrida começou. A lebre logo desapareceu entre as árvores, ao passo que a tartaruga se deslocava vagarosamente. De tanto correr, a lebre se cansou no meio do caminho. Depois de verificar que estava muito adiante de sua adversária, a lebre deitou-se para descansar e adormeceu. Enquanto a lebre dormia, a tartaruga prosseguiu caminhando. Quando a lebre acordou, a tartaruga já cruzava a linha de chegada.
Assinale a alternativa que apresenta uma expressão que pode sintetizar a moral da fábula.
(__) O texto em análise não pertence ao gênero lírico, pois sua construção se concentra na apresentação de informações e resultados de uma pesquisa, sem a manifestação predominante de subjetividade e de expressão de sentimentos do eu lírico.
(__) A ausência de personagens e de acontecimentos organizados em uma sequência narrativa impede que o texto em análise seja classificado como pertencente ao gênero narrativo, aproximando-o de uma produção de caráter predominantemente expositivo.
(__) Caso o conteúdo apresentado fosse convertido em uma composição poética marcada pela expressão subjetiva das emoções de um adolescente diante das dificuldades relacionadas ao sono e à vida escolar, o texto poderia assumir características próprias do gênero lírico.
(__) Por apresentar informações, dados e explicações sobre um estudo científico, o texto em análise pode ser classificado como pertencente ao gênero dramático, uma vez que esse gênero também pode abordar acontecimentos e questões da realidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE um princípio para a revisão do planejamento.
A questão refere ao texto reproduzido a seguir.
O Pai, o Chefe, o Rei
VELHINHO TRABALHADOR, João bebe demais, aos gritos até hora perdida da noite.
Sóbrio é manso e de boa sombra, o chapéu humilde na mão. Com idade, fraco da cabeça, embriagase fácil; sempre a faquinha na cinta, ameaça espetar os outros. Assanhado, persegue as moças na estrada.
Em casa, olho branco de boi bêbado, atropela a mulher e os sete filhos. Muito calma, a velha não discute, ganha o terreiro com o menor no colo.
João bate a garrafa na mesa, esmurra a parede, afinal aquieta-se. Maria e os filhos vão-se chegando à porta, espiam de longe, desconfiados. A velha traz a gamela de água esperta e, enquanto ele molha os pés, serve o viradinho com torresmo.
João se diverte a azucrinar a pobre:
— Tenho outra mais moça.
Chega da roça o André, quebrou milho o dia inteiro. As crianças deitadas, a mãe come de pé ao lado do fogão, no meio da algazarra:
— Epa, vaca velha!
O moço, desafiado pelo pai, bebe meio litro de cachaça.
— Pai, deixe a mãe em paz.
— Filho meu não pode comigo.
— O senhor está bêbado, pai.
O velho nega ao filho o direito:
— Aqui não sou nada? Não mando na minha casa?
— E pra ter sossego hei de sangrar alguém?
A dona pede ao marido não grite e ao filho não responda. João insiste, um pouco alegre, mas não bêbado.
O moço não pode assim falar com o pai e chefe da casa:
— Você é bandido? Quer me sangrar?
Não provoque, repete o moço, bem nervoso. Em seguida derruba a cadeira e espatifa a garrafa.
— Vai me esfolar, valentão?
André alcança na parede a espingarda. O velho desfere soco na mesa:
— Se for macho atire. — Outro murro mais forte. — Atire, que mata um homem.
O moço bate no joelho do pai, sentado no banquinho, a sombra do chapéu no olho:
— Quer provar? Mostro o que é homem.
— Filho meu não pode comigo.
André carrega um cartucho no cano direito.
— Não é macho, seu moço.
Mãos na cabeça, a velha brada por todos os santos do céu.
— Já que pede eu te mato — e André aperta o gatilho.
João cai do banquinho, geme, a mulher acuda. Pegam-no o filho e a dona, deitado na cama.
— Ele me duvidou — diz o moço — eu atirei.
— Atirou no pai, no chefe, no rei. Não é mais ninguém.
O velho dá uns gritos, logo se arruína, espuma no canto da boca. Erguendo a mão fechada, pragueja o filho, e morre.
TREVISAN, Dalton. Guerra Conjugal. 12 ed. Rio de Janeiro: Record, 2014.